Você nunca me amará

Então, de que adianta?

Qual o motivo de jogar

Um jogo que você perderá?

Aula de poções, eu não tinha uma opinião super formada sobre essa aula. Afinal, eu não era ruim em poções, era um pouco bom, não excelente, mas um pouco bom. É engraçado como na vida a gente se sente sempre só "um pouco bom", é tão difícil se sentir ótimo, grandioso, ou maravilhado, que deveríamos receber um premio sempre que atingimos tal sentimento.

Quando apenas acordei hoje, não esperava receber a noticia, a noticia que fica furando minha mente como uma pequena agulha, de que aquela menina nova, Casillas, havia entrado para turma do Malfoy. Afinal, eu não tenho absolutamente nada com isso. Não tinha nem ao menos trocado um olhar decente com ela, ou uma palavra, e não deveria ficar incomodado com a noticia como um maluco.

Não, Nicolas, você ainda não ficou maluco.

Bem, não muito maluco.

Espera, que cheiro é esse?

– Posso saber o que esta tentando fazer? Não parece a poção certa, espera, Nick, ta ao menos me ouvindo? — Senti me sacudirem, não havia percebido que estava divagando totalmente enquanto minha poção era esquecida sobre o fogo, e agora a cor que deveria ser um fraco laranja estava tão berrante que tendia mais para o vermelho.

Droga, e lá se vai a minha primeira "um pouco boa" nota.

Desliguei rapidamente o fogo, mas a merda estava feita, não iria conseguir fazer uma poção boa a tempo para que o professor veja. Nate, que tentava falar comigo me olhava preocupado, como se eu tivesse com duas cabeças em vez de uma, o que eu acho que seria um efeito provavelmente possível se alguém tomasse daquela minha poção. Suspirei, fechando o livro. Hoje eu estava pior do que nunca, e de alguma forma mais insana ainda, uma parte de mim culpava Casillas.

Que aliais, estava com seu cabelo vermelho como o fogo a alguns metros na minha frente, preparando sua poção sem problemas ao lado do loiro aguado do Malfoy. Ainda não escutara a voz dela, até mesmo duvidaria que ela fosse muda se não soubesse muito bem em como todos da sonserina sempre evitavam falar perto de nós. Bem, isso tirando os insultos, claro que a mesma coisa ocorria com os grifanos.

Como eu já estava mergulhado na insanidade, achei estranho ela ainda não ter falado comigo. Vamos lá, quais motivos levariam ela a falar comigo? E o que era isso, eu não queria que ela falasse comigo.

Queria?

Não queria.

Talvez um pouco.

Não, eu não quero.

Nem um pouquinho?

Eu tenho realmente que parar de discutir comigo mesmo.

Arg.

Essa aula costumava ser bem menos longa. Agora que tinha perdido a poção e estava alucinando com sensações sobre a ruiva da sonserina, eu nem me assustaria se um hipogrifo aparecesse dançando na minha mesa e esbarrando a poção vermelha que faria todos ter duas cabeças na sala de aula.

– Cara, tem certeza de que não quer ir a Ala Hospitalar?

Eu sei que eu preciso ir, mas não quero. Isso foi o que eu pensei, mas a resposta foi só um resmungo.

– Você esta mais estranho que o normal, e pare de encarar a menina nova, isso ta assustando todo mundo que percebe. Bem, sorte a sua que ela não percebeu.

Droga, encarando?

Eu não encaro as pessoas.

Definitivamente esse não sou eu.

Por isso, e por realmente os grifinórios estarem me olhando como se eu realmente estivesse desfilando com a minha segunda cabeça por ai, eu andei meio em transe até o professor para perguntar se eu podia ir a Ala Hospitalar. Quando ele viu a cor da minha poção e minha provável cara débil, logo deixou.

Estranhamente, eu podia jurar que o olho verde de uma certa ruiva me seguiu até a porta, mas quando tentei olhar para trás para confirmar, ela ria com algo que o nojento do Malfoy disse.

Duvido que ele possa dizer algo realmente engraçado, ela só devia estar sendo educada. E afinal, eu não me importo com a vida social dos sonserinos. Nunca me importei e realmente não era agora que ia decidir começar.

A enfermeira me colocou de repouso e me deu uma poção. Não sabia muito bem o motivo, já que eu não tinha nada, só queria parar com aquele sentimento sufocado que percebi estar na sala quando sai da porta e dei uma profunda respiração. A sensação foi de ter ficado debaixo d'água, sem respirar. O dia estava cada vez mais estranho.

Mas quando fechei os olhos, sentindo que a poção provavelmente era só para me fazer dormir, eu tive mais uma alucinação que eu poderia jurar por.

Eu juraria que vi aqueles olhos novamente, me olhando pela porta semi-aberta. Foi tão rápido que não pude notar o como era o sentimento que estava naqueles olhos verdes. Mas foi intenso. Tão intenso que até pensei ter dormido por causa deles, não da poção.

Acho que foi precisar de alguma poção sobre a insanidade.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.