Notas iniciais
Desculpem a demora, mesmo.
Espero que gostem, irei trabalhar em capítulos mais explicados.
Beijos.

Capítulo 1:

“Eu não consigo escapar desse inferno

Tantas vezes eu tentei

Mas eu continuo preso por dentro

Alguém poderia me tirar desse pesadelo?

Eu não consigo me controlar”

Todos se perguntavam o que eu fazia na minha casa. Eu mesmo fazia isso de tempos em tempos, não era que o chapéu seletor tenha errado, mas eu não era exatamente material Grifinório perfeito. A única certeza que temos era que eu realmente sou bem corajoso. Talvez um pouco insano, mas coragem era uma definição certa para mim.

Fora isso, pequenas características me faziam um leão grifinório, a verdade é que eu pedi por essa casa, se eu fosse para outra casa não sei o que a minha família pensaria, se eu fosse para a Sonserina, poderia dizer adeus aos carinhosos olhares no natal. Não reclamo da minha escolha, realmente essa casa era tudo o que me disseram, eu era acolhido, estudava normalmente como qualquer um, e apesar da minha prima tagarela (que mesmo na grifinória, acho que tinha o instinto sonserino de odiar os mestiços) e meu melhor amigo estarem sempre comigo, eu me sentia solitário aqui, não havia emoção e nem um pouco de aventura.

Enquanto via-a andar, com seus cabelos de fogo brilhando mais e mais a cada passo, eu me perguntei se eu tinha feito a escolha errada, se não era para eu estar na mesa verde e prata, conversando com aqueles sangue puros metidos, e é claro, conversando com a nossa mais nova aluna.

Balancei a cabeça, negando qualquer coisa que seja que esteja acontecendo na minha cabeça, desviei o olhar para o meu prato, agora, depois de alguns anúncios, as mesas estavam cheias das melhores comidas do mundo, tudo abundante e delicioso. Mas minha fome tinha sumido completamente. Poderia ouvir Clarisse reclamando de Nate, que como sempre, estava comendo como um esfomeado, ela conseguia fazer isso enquanto também fofocava algo sobre alguém com a insuportável Glenda, sua “melhor amiga para sempre” que tinha a função de torrar minha (pouca) paciência.

- Nick, você vai jantar ou ficar com essa cara mal amada? – Clary reclamou comigo. Droga, essa menina não se contenta com Nate e Glenda?

- Se eu me der o trabalho de te responder, é capaz de recebermos uma punição na primeira noite de aula, querida prima.

- Nossa, que bicho te mordeu?

Notei um tom de magoa por cima do deboche, suspirei me arrependendo subitamente, esta certo que Clarissa era bem irritante e metida noventa por cento do tempo, mas eu não era um menino grosso, e também era sua única família e real amigo na escola toda, mesmo com alunos saindo pela janela, eu e ela não somos de fazer muitas amizades.

Olhei para ela com meu melhor olhar de desculpas, não sabia o que estava acontecendo comigo, tentei pega uma tortinha de abobora e consegui da uma mordida fazendo-a me lançar um dos raros sorrisos doces. Não olhei para a mesa da sonserina por toda noite.

Amanheceu, acordei ainda podendo ouvir o ronco de Nathanael Moore, nosso querido Nate, na cama ao lado. Ele continuava com a mania irritante de sempre nos atrasar para o café, não sei como conseguia dormir tanto, mas apenas o deixei lá, sabendo que não existia chances de acorda-lo agora, e fui me arrumar com as vestes da Grifinória.

Eu estava decididamente de bom humor hoje, não fazia sol e nem havia chances de fazer; meu cabelo não colaborou e não havia chances de colaborar; e meu gato me desprezou como sempre, também não havia chances de ele aceitar um carinho meu pelo resto do dia. Não, nada de bom aconteceu de repente e me pôs no melhor humor que já estive nos últimos anos. Eu apenas acordei, e lá estava, um dia inteiro de oportunidades na minha frente.

Não sabia o que estava acontecendo.

Tentei evitar tudo que me lembrasse sobre a nova garota sonserina, estava determinado a não deixar que nada atingisse o meu dia. Também estava determinado a não pensar nela, o que era um pouco difícil, quando no café da manha até sua prima estava comentando sobre a francesa.

- Nick, cadê o cabeça de vento? – perguntou sorrindo nosso sorriso habitual, meio de lado, o que dava um ar irônico e malvado, mesmo assim com uma pontada doce que não podia ser resistido pelos meninos e meninas de todas as casas, todos em nossa família sorriam assim, era aquela característica marcante que toda família tem naturalmente, depois de conviver por anos foi passado para nosso DNA.

Uma coisa que devo relatar também, Clary tem uma grande queda por Nate, e Nate tem uma grande queda por Clary, mas ninguém admite nada e vivem em uma implicância constante de “tentando chamar atenção com brigas e discursões”.

É meio deprimente.

- Dormindo – respondi com simplicidade, uma coisa que não se deve fazer é falar sobre Nate com Clary, é simplesmente pedir para ter algum sangramento nos ouvidos por excesso de uso.

- Hum – resmungou – Então, já ouviu falar da Casillas?

Meu corpo ficou meio tenso.

- Sim, ela meio que foi apresentada para toda escola ontem, na seleção, se lembra?

Recebi um olha acido depois dessa, mas vamos, ela mereceu, que tipo de pergunta era essa? O que mais poderia saber sobre uma pessoa que chegou a algumas horas atrás? Além de claro, nunca se sabe muito sobre os sonserinos em tão pouco tempo, as vezes demoramos anos para saber qualquer coisa sobre alguém daquela casa.

- Haha, que engraçado você – revirou os olhos me lançando um olhar cético – É claro que você não sabe nada sobre nada, vive no temível mundo do Nicholas, agora... eu estou falando sobre ela ser a mais nova integrante do clube do Malfoy.

Minha cara incrédula deveria ser cômica, a minha querida prima arregalou seus olhos extremamente azuis e balançou os cabelos loiros brancos de um lado ao outro, caindo em uma gargalhada sem fim, juro que lágrimas veio aos seus olhos, que ela limpo, com seu corpo ainda sofrendo soluços de tanto rir, enquanto se abanava com uma mão.

Mas eu não conseguia não estar surpreso, e com raiva, mesmo não tendo nenhum motivo para esta surpreso e com raiva. Aquilo era totalmente possível, claro, ela era da sonserina, provavelmente uma sangue puro, eles podiam se conhecer ou qualquer dos outros milhões de motivos para que se agrupasse com o nojento do Malfoy. Eu apenas o desprezava, e isso nem era por que a minha família também desprezava a dele, era apenas por ele ser o que ele era, um menino mimado e metido que pensava que era melhor do que todos os outros.

E eu sabia que, apesar de toda a minha luta, eu poderia me tornar alguém como ele. Ou pior. Um monstro.

Notas finais
Música: Animal I Have Become - Three Days Grace.
Vejo vocês em breve, comentem o que acharam.
Beijos, Mô.