Pure Imagination

10 Starting my mission: I hate physics!


Notas iniciais
Yey!! o/ Tudo bem com vocês?? Resolvi postar mesmo sem ter escrito o outro capítulo inteiro, ainda... sabe por quê? Sabe por quêêê???? Em parte porque tenho o coração mole e queria postar, mas principalmente porqueeeee :3 eu recebi duas (repito, DUAS) recomendações super incentivantes e lindas e maravilhosas e leitoras que podem ser tão elogiadas quanto :))))) Sério, nem sei o que dizer...vocês sabem que não sei reagir direito a elogios direito... saibam que eu estou surtando: Muitíssimo obrigadíssima a AprendizNinja (já te agradeci no review, mas agradeço de novo!! Mil vezes!) e Mrs Moony (uma pessoa como eu: que adora ler as notinhas! Muito obrigada por todos os elogios! haha eu fico até envergonhada... eu achei que estava sozinha no mundo por sempre querer ler as notas dos autores haha)!!!!! Sério, adoro vocês :3 As palavras de vocês me fizeram parar o que estava fazendo e terminar de escrever esse cap hahaha -Não estranhem se eu começar a atrasar o prazo. Será porque não tive tempo a escrever, mas sempre postarei. -Não revisei. De novo :P -Uma coisa aleatória, agora: eu vi um negócio em algum lugar sobre como Merlin e Arthur ( da série Merlin) poderia ser canon e os motivos para isso. Por isso, quando eu resolvi ver a série por curiosidade, eu não conseguia olhar para os dois sem pensar neles como um casal meloso haha sério. Tudo que eles faziam ou falavam me deixavam como "Uau...não é possível que eles não se amem". Mas seria estranho pensar que eles formam um casal fofo? Tá, esquece isso, eu estou escrevendo uma história yaoi haha pensar que é estranho é estranho. Isso foi aleatório demais... ignorem hahaha -Anyway, boa leitura o/

Uma hora. Uma hora em ponto. Eu compareci a sala de Komui e ,tenho que dizer, me fazia relembrar a minha “casa”. Mais especificamente, meu quarto. Não é bem um elogio.

A típica bagunça que eu e o Dr. Lee costumávamos criar nos ambientes de conforto: meu quarto e seu escritório. Claro que na sala de Komui Lee o caos podia ser chamado de Leviatã em pessoa, tamanha era a desorganização. Dava para personificar toda aquela bagunça, porque se o caos fosse realmente uma presença física, fugiria daquele lugar o mais rápido possível por causa da competição.

Sério, sem descrições.

Eu poderia descrever o chão do local, se ao menos papéis amontoados e jogados não cobrissem o piso inteiro, impedindo minha visão de qualquer ponto abaixo dos meus pés. As paredes eram nada mais nada menos que estantes erguendo-se até o teto (alto, muito alto), cheias de livros. Fiz uma anotação mental para voltar quando estivesse entediado, apenas para fuçar com cuidado cada volume dali. Ao centro da sala hexagonal, uma mesa e uma cadeira típicas de um chefe, de onde pendiam as folhas que cobriam o lugar inteiro, nas quais um telefone, canetas, lápis, um porta retrato e uma pequena miniatura de coelho rosa, faziam peso.

E havia um sofá largo, que era onde eu me sentava nervosamente, esperando qualquer fosse a coisa que deveria acontecer no momento.

Confesso que me senti um pouco incomodado com toda aquela bagunça. Como uma pessoa consegue trabalhar assim?

Ou melhor, como um ser humano consegue fazer algo assim?

Parece até sobrehumano. Sério, como ele conseguiu deixar alguns papéis grudarem no teto?! Deixe. Melhor não saber. Há coisas no mundo que devem permanecer em segredo e creio que o fim da Caverna do Dragão, o porquê das lojas 24 horas terem fechaduras, o porquê do pato Donald se enrolar com uma toalha depois do banho se ele nunca usa calça, como colocam placas de “Não pise na grama” na grama, para onde vamos quando morremos, como o mundo acaba, a existência da pedra filosofal, se há vida em outros planetas, o quão grande é o universo e como Komui é capaz de fazer tamanha bagunça nessa sala, são coisas que devem permanecer em segredo pelo bem da humanidade.

Pelo menos uma coisa não mudou nele.

Sorri quase que inconscientemente e me repreendi por isso.

Mas meu sorriso quebrou quando ouvi a porta abrindo-se com pressa e sem cuidado. Entrei no modo “de-modo-nenhum-estou-brisando-sobre-idiotices-sou-uma-pessoa-séria”, esperando sem olhar para trás, só ouvindo os vários passos e o barulho das folhas sendo pisoteadas.

Parecia um massacre ambiental.

Ainda encarando um ponto fixo na mesa do Komui, senti o sofá balançar com o peso da pessoa que se jogou nele. Nem precisei olhar para saber quem era.

–Tsc.

Eu sabia que era Kanda.

Meus olhos rolaram devagar e cautelosamente até encontrarem o rosto do companheiro ao lado. Ele trincava os dentes, também encarando um ponto fixo qualquer. Não sei se ele percebeu que eu o encarava relutante, mas deu-se um tempo até que ele me olhasse de volta.

Ele parou de serrar a mandíbula, mas franziu mais ainda o cenho.

Como resposta, sorri. Aprendi que era a melhor resposta eu poderia dar a ele em qualquer situação.

Ele juntou ainda mais as sobrancelhas antes de, tipicamente, rolar os olhos de volta para onde encarava.

Eu continuei sorrindo. Porque percebi que isso o deixava extremamente irritado. E deixá-lo irritado me fazia sorrir mais. Um ciclo vicioso extremamente estranho, mas funcional.

Alguém irrompeu pela porta, rindo demais, mas ainda tentando fingir que repreendia alguém lá fora. Não convencia seriedade. Mais uma vez, nem precisei olhar para saber que Komui Lee finalmente aparecia.

Vinte e sete minutos de atraso.

Ele contornou o sofá e sentou-se em sua mesa. Na mesa mesmo, não na cadeira/poltrona contornada de detalhes que havia atrás dela.

Ele riu, cumprimentando nós dois com as mãos e com o rosto. Kanda pareceu muito infeliz (e com isso quero dizer raivosamente nervoso) com o jeito dele, mas devia estar acostumado porque ficou parado no seu lugar, apoiando a cabeça na mão e o cotovelo no sofá.

–Temos uma missão.

Kanda jogou uma bolinha de papel na testa de Komui.

–Como se nós já não soubéssemos disso, retardado!!- gritou- Pare de enrolar e anda com esse troço. Não aguento mais ficar sentado com o moyashi.

Foram só dois minutos ao meu lado. Uau, Kanda tem uma paciência incrível.

–Essa devia ser a minha fala, Bakanda.

–Ah, até você não aguenta você mesmo?

Desmanchei o sorriso e devolvi o olhar de raiva na mesma intensidade. Ele parecia satisfeito em ter feito meus lábios ficarem retos.

Cruzei os braços.

–Ora, ora- Komui interrompeu- parem com isso. Terão bastante tempo para isso na missão.

“Plic” uma veia de Kanda estourou de raiva. Sério, um dia ele não terá mais veias para transportar sangue no corpo!

Seria um péssimo jeito de morrer: por raiva.

–Mais que...!- Kanda me encarou enojado e depois continuou- Mais uma missão com esse moleque?? Vocês são retardados ou o quê?? Eu não suporto esse pirralho maldito! Se quer que algo de bom seja feito, não mande o moyashi!

–Deixa de frescura, Kanda- respondi- você não é o único irritado.

Ele me fuzilou ainda mais (se é que isso era realmente possível).

–Eu não vou ficar bancando a babá do inútil para depois ter que ficar pedindo desculpas por ele ter se machucado e ido para o hospital.

–Você me empurrou!

–Tsc. Não foi isso.

–Tenho certeza que foi EXATAMENTE isso!

–Quem foi que estava com amnésia no hospital?

–Não estava com amnésia. Eu caí dez andares na missão!

–E voltamos ao assunto principal- ele virou o rosto para Komui encarando-o significadamente- porque é um inútil que só vai me atrapalhar na missão.

–Ora, parem de brigar, parem de brigar- o supervisor interrompeu, antes que eu pudesse revidar- vamos falar sobre a missão.

–Estou falando!- Kanda gritou- Estou avisando para que você me deixe ir sozinho nessa porra! Para que levar o maldito moyashi?? Tsc. Já vou avisando que se ele quiser morrer, morre sozinho. Não vou arriscar a minha função por causa das cagadas do moleque.

–Aaah- Komui resmungou- você sempre diz isso Kanda, mas no fim sempre salva e a missão é um sucesso.

Eu poderia ter respondido alguma coisa, mas, além de não saber nada sobre as experiências passadas entre eu e ele, uma espada zumbiu no ar interrompendo meus pensamentos . Em um milésimo de segundo dado pelo som cortante, a lâmina brilhante apontava o pescoço de Komui quase furando um ponto mínimo na pele.

Suei frio.

Como ele podia ser tão rápido? A espada estava embainhada! Presa na sua cintura!

Komui arregalou os olhos.

–K-Kanda... tire isso do meu pescoço, sim?

O japonês pareceu hesitar por um bom tempo, mas abaixou a arma sem embainhá-la, por precaução. Deixou o objeto encostado no sofá, ao lado de seu corpo.

Anotação mental: prestar atenção na espada afiadíssima de Kanda. Antes que eu termine emendado.

–Tsc.

O supervisor esfregou as mãos no pescoço, como que para constatar que poderia beber água normalmente sem se preocupar com um possível buraco na garganta feito pelo samurai sem noção que eu chamaria de “companheiro de missão” por alguns dias.

–Bem- Komui disse, assim que se recuperou- vamos aos detalhes.

Achando que agora era a hora, tirei a pasta entregue por ele a mim mais cedo. Escutei mais do que observei Komui remexer os papéis da mesa e do chão, procurando, provavelmente, a pasta a ser entregue a Kanda.

Folheei rapidamente, sem ler nada, só observando as letras miúdas e figuras detalhadas de cada página impressa no meu documento.

Eu tinha medo do que estava ali.

Mas estava animado.

Por estar com medo.

E com medo por estar animado por isso.

Ciclos viciosos. Minha vida estava cheia deles. Argh.

Ouvi o sofá ranger e senti a almofada onde sentava ondular. Alguém se mexia do meu lado e esse alguém só poderia ser o moreno mais psicopata que conheço. Queria ver o que ele estava fazendo (porque, sei lá, vai que ele está me ameaçando com a espada dele? É algo que preciso confirmar antes de desviar), rolei primeiro os olhos na direção do movimento.

O encontrei mais próximo do que esperava.

Ele tinha se aproximado, querendo ler as informações na minha pasta aberta, enquanto Komui atrapalhava-se procurando sua própria. A feição sempre franzida analisava as palavras com precaução. Estava inclinado em minha direção, com uma perna dobrada em cima do sofá e o cotovelo apoiado no encosto de pescoço próximo de minha cabeça, encarando com tanta curiosidade os papéis em minhas mãos. Estava perto demais.

Eu não sabia como reagir a isso. Não ensinam isso na escola.

Nem em Hogwarts. Nem na Shibusen.

Então fiquei lá, como uma estátua assustadora encarando seus olhos seguirem a linha das frases informativas.

Sem tirar os olhos de lá, ele os revirou como sempre. Acompanhei o movimento com meus próprios.

–Pare de encarar- rosnou, antes de finalmente me olhar, erguendo a sobrancelha em desafio- é assustador essa sua cara de babão.

Meu rosto ferveu. Pensei que fosse entrar em ebulição. E lá eu iria, Allen Walker passando para o estado gasoso da matéria. Processo de sublimação. Sólido para gasoso.

Droga. Quando fico nervoso fico parecendo ainda mais um nerd.

Seja frio. Seja legal.

–Hãã... hmhã...- engoli em seco. Maldição. Fiquei parecendo ainda pior.

Maldição?? Quem diz maldição hoje em dia? Quer dizer, pensa maldição hoje em dia? Aah, droga. Odeio como meu cérebro funciona quando fico nervoso.

Ele se afastou, suspirando.

Acho que assustei um pouco ele.

Só não me decidi se isso é bom ou ruim.

E não seria agora que iria me decidir, porque Komui emergiu do mar de bagunça (sua criação própria) resmungando totalmente decepcionado.

Sentou-se de volta a mesa, com pequenos bilhetes presos nos cabelos levemente enrolados e no avental que deveria ser branco.

Ele desenroscou um lápis preso na franja e o atirou longe.

–Não encontrei, Kanda- fez um bico- onde será que sua pasta está?

–Nárnia é que não está- o moreno rosnou, tirando a proximidade em que antes estávamos e voltando ao lugar. Uau, quer dizer que ele tem senso de humor? — Será que você não faz uma coisa certa, Komui?!

–Imagino se realmente estará em Nárnia...

“plic”. Lá se foi outra veia.

–Sabe o que mais vai para Nárnia?- o trincar dos dentes não deixava dúvidas de que ele estava a beira da explosão.

A situação estava ficando perigosa. Intrometi (ainda que tremesse de medo de sua mão que deslizava calmamente para a espada ao lado) meu corpo no espaço entre os dois.

–E-Ei, ei- gaguejei- Kanda, você pode usar minha pasta. Não tem problemas, certo? Komui devia passar o resumo da missão para nós e depois nós vamos. É só uma pasta.

–Perdendo meu tempo com esse idiota...

Ele resmungou alguma coisa e voltou ao lugar. Sucesso. Ele não sacou a espada e eu ainda tenho um pescoço inteiro.

Sentei de volta, também, e esperei que Komui começasse as malditas explicações. Aquilo já estava ficando insuportável.

Só queria ouvir e sair dali. Se Kanda tentasse mais uma vez atacar o Supervisor, eu mesmo mataria Komui só para me privar desses ataques constantes dos dois.

Argh.

–Fale, Komui- demandei, já cansado de interrupções. A situação estava beirando o irritante insuportável.

Em questão de um segundo, a expressão antes idiota assumiu a postura profissional que tanto enganava novatos. Com os óculos ajeitados e o corpo apoiado na mesa, ele cruzou os dedos e desandou a explicar. Finalmente.

–Allen, Kanda- ele disse- recebemos uma notificação de finders cinco dias atrás. Eles estavam verificando um lugar na região da Europa, uma pequena cidadezinha sem muito terreno e população. O documento relatava desaparecimentos de crianças e adolescentes. Até agora, foram cerca de...- ele checou um papel muito bem separado da bagunça- 47 desaparecimentos de pessoas entre 7 e 19 anos. Considerando o número de pessoas que moram naquele lugar, 47 é um número enorme.

–Desaparecimentos de crianças?- Kanda bufou- Isso é uma merda tão idiota e típica que nem vou comentar.

–Não ria, Kanda. É sério!- eu retruquei- as pessoas devem estar desesperadas! Não importa o fato de ser algo totalmente clichê...

“É uma história de um mangá, tem que ter seus clichês, certo?”, pensei, mesmo que não soubesse o que realmente acontecia nesse mundo.

Pensar nisso causava um medo crescente no meu peito, então senti um alívio enorme quando desandaram a falar novamente.

–Tá e o que aconteceu depois?- Kanda perguntou- a notificação...

–Ah, nada- Komui disse- não sabemos.

–Como assim?- perguntei- Vocês não receberam uma notificação?

–Ah, sim, recebemos. Cinco dias atrás, relatando mais um desaparecimento. Desde então, mais nada. Nem um sinal sequer. Imaginamos que algo tenha acontecido e Exorcistas são muito mais...hã... resistentes, então... Hora de vocês irem verificar isso tudo!

–Ou seja- Kanda rosnou- a incompetência dos SEUS funcionários vão nos obrigar a fazer trabalho sujo, sendo que eles podem ter simplesmente pisado no maldito golem que vocês deram para comunicação?

–Hm...vendo por esse lado...Sim.

O moreno ergueu a sobrancelha significadamente.

–Isso é trabalho de finders.

–É- Komui confirmou- mas veja, Kanda, aconteceu alguma coisa. Se eles estão sem comunicação, é necessário que alguém verifique. E quem melhor para dar uma bela bronca neles caso realmente seja algo bobo do que você?! Vai, Kanda. Sair um pouco da Ordem! É seu dever como Exorcista!

–Isso é dever de finder!

–Mas Kanda, veja só, temos provas de que algo ruim está acontecendo lá. Eu não deveria estar falando isso, é confidencial. Algo ruim aconteceu com os finders.

–Ah, é? Cadê as provas?

–Ah, você sabe, né? É confidencial! Não temos tempo para isso agora!

–Mentiroso...

–Komui- me intrometi- não precisa mentir. Kanda, acho que deveríamos verificar essa história toda. Já chega de você ficar tempo demais na Ordem, vai engordar.

–Ah, falou o senhor faminto...

–Vai ficar sedentário, Bakanda. Pare de ser preguiçoso. Admita que está com preguiça, seu velho.

–Tsc! Não sou preguiçoso! Não vale a pena ficar fazendo trabalho dos outros. O trabalho é deles, se eles são incompetentes nisso, mande o idiotas da Divisão de Ciências no lugar ao invés de gastar força da linha de frente.

–Ei!- disse- A Divisão não é idiota! Muito pelo contrário. Como você acha que você conseguiria agir sem eles usando a cabeça junto?

–Você quer dizer os nerds que ficam só lendo e observando enquanto nós nos matamos no campo de batalha? Tsc. Eles que reclamem do “trabalho” que eles têm.

Abri a boca para retrucar, mas Komui bateu uma mão na outra para chamar atenção.

–Ei, ei- vamos parar com isso. Caramba, vocês não param nunca com essa melação! Puxa!- suspirou- Olha, Kanda, não é bem uma escolha. Vá e verifique a existência de uma innocence. Não temos tido tantas missões esses dias, o que é preocupante de certo modo. Essa pode ser uma chance, só cheque isso, tá?

–E por que o moyashi tem que ir? Não é preciso.

–Aaah, é sim. Acredite. Melhor em dupla. Não sabemos o que esperar do lugar, ele tem pouco contato com outros lugares e, depois dos desaparecimentos, eles têm ficado ainda piores nesse quesito. Não temos muito tempo. Tenho que verificar as pessoas da Divisão, estavam à beira de um colapso, de novo. Preciso ver se ainda estão trabalhando como escravos obedientes. Os detalhes estão na pasta! Partirão daqui... 3 horas, arrumem as coisas e chamarei um finder para acompanhá-los.

–Não precisa- o moreno rosnou- se os outros já foram inúteis o bastante, não preciso de mais um idiota além desse moyashi. Já aviso: não vou salvar esse idiota.

–Bom, não precisa- respondi, sorrindo com todos os dentes- não vou atrapalhar.

Ele revirou os olhos. De novo.

–Faça como quiser. Eu vou indo.

Antes que algum de nós pudesse retrucar, Kanda embainhou a espada de volta a sua cintura, enquanto dirigia-se a porta em passos fortes. Sabia que estava irritado porque (1), ele bateu a porta com tanta força que o estrondo ecoou forte na sala e (2), ele estava sempre irritado.

–Bom- Komui disse, sentando no lugar agora livre ao meu lado- vá se arrumar para a missão. Pegue roupas reservas, vista o uniforme, pode pegar o que achar necessário. Comida, principalmente.

–Komui.

–Hã?

–Você realmente acha que tem algo de ruim acontecendo lá?

O sorriso dele endureceu.

–Não sei- não queria ficar analisando tudo, mas ele não parecia tão convencido da resposta- só...esteja preparado. Kanda é forte, mas nada garantido sobre ele cuidar de você toda hora. Tome cuidado, está bem? Não fique correndo atrás de perigo, deixe isso com o Kanda. É como se fosse sua primeira missão, tome muito cuidado. Akumas são imprevisíveis. E innocences mais ainda. Tome cuidado, sério.

–Hm...sim, vou tentar.

Convenci-me de que isso era certo enquanto Komui apressava-se para checar seus próprios funcionários que se matavam de trabalhar na sala ao lado. Esfregou os dedos na minha cabeça, o gesto carinhoso que tanto fazia quando era apenas meu médico, e sumiu pela porta, sem batê-la como o moreno havia feito agressivamente antes.

Com isso, senti falta de algum pedaço meu. Mas tentei encobrir a falta indo procurar suprimentos no refeitório.

–X-

Abotoei cada um dos botões prateados do meu uniforme oficial. Um sobretudo grande e negro, com algumas linhas brancas cortando alguns limites e na linha dos botões detalhados, agradeci pelo capuz poder esconder meu cabelo chamador de fofocas irritantes. Meus dedos caminharam pelo símbolo de uma rose croix perto de onde estaria meu coração, só me dizia uma coisa: a Ordem está com a vida, a minha vida. Observei-me mais uma vez no espelho, querendo absorver cada detalhe da pessoa que aparecia de pé, parada a minha frente, examinando-me. Custava a acreditar que aquele era eu.

Checando o horário em um relógio preso acima de minha porta, entrei em pânico, apressei os passos, carregando minha pequena mala de roupas e comida mal arrumada. Corri até a entrada, tropeçando nos meus próprios pés por causa dos muitos degraus que tiveram que ser descidos rapidamente.

Kanda ia me matar por chegar atrasado.

Ofegante por ter me perdido duas vezes nos corredores, consegui chegar até o lugar combinado. Ia pedir desculpas quando parei de correr, mas só consegui forças para ergueu um dedo antes de inclinar e apoiar as mãos dos joelhos. Era difícil falar quando não se consegue nem mesmo respirar.

–Kan...arf..esp...arf.

–Tsc. Moyashi. Atrasado. É por isso que eu prefiro ir sozinho, não preciso de um para atrapalhar a missão sem ela ter começado.

Recuperei o fôlego rapidamente. Puxa, é ótimo ter pulmões bons.

–Se você ficar só reclamando, vamos demorar mais!- disse, já puxando-o pelo braço para o portão- vamos! Vamos!

–Onde tá indo, retardado?

–Hã? Para o portão? Para a Europa?

–Tsc. O canal subterrâneo foi consertado.

–Hã?? Ah, sim. Claro. Esqueci desse detalhe. Vamos lá, então.

Soltei seu braço e fiquei esperando que alguém se movesse. Eu não sabia onde era o canal...

Kanda franziu o cenho.

–Não vai me puxar, mais?

–Ora, você quer?

Revirou os olhos.

–Moyashi idiota. Esqueci que você se perde se não te carregam.

–Para de reclamar, Kanda! Que saco!

Outra vez, ele revirou os olhos, mas o corpo girou junto. Seguindo-o, conseguimos os dois chegar ao canal subterrâneo (que eu esperava já ter sido testado depois de ter sido consertado), onde um funcionário nos esperava em cima de um barco que mais se assemelhava a uma canoa.

Com apenas um lampião iluminando o túnel repleto de pilares alinhados para sustentação, remamos pelo rio escuro. Seguimos até o fim sem mencionar uma palavra.

Quando finalmente chegamos ao fim, sentia-me novo.

Fazia que tempo que não saía do prédio da Ordem Negra. Uma semana, para ser mais exato.

Primeira vez como Exorcista. E eu não sabia distinguir se as sensações no meu estômago eram de animação ou medo.

Torci para que fosse apenas fome.

Pelo menos isso poderia ser resolvido facilmente.

Porque eu duvido que tenha qualquer coisa na minha mala para curar o medo do que vem pela frente.

–X-

Nunca na minha vida eu imaginei que teria que pular em um trem. Não estou falando de levantar do seu banco na cabine e dar um pulo. Estou falando de pular NO trem.

Enquanto corríamos pela ponte, perguntava-me porque estávamos com tanta pressa. Foi quando Kanda avisou-me do trem que teríamos que pegar. Pensei sozinho, “Tá. Então por que correr por uma ponte?”. E foi bem nesse momento que o trem surgiu metros longínquos pelo trilho que passava debaixo de nossos pés, se aproximando enquanto soltava fumaça branca e manchava seu caminho. Kanda resmungou algo como “aí vem” e antes que pudesse ser questionado por mim -o ser que nada esperava do próximo momento- ele saltou da ponte, em um timing perfeito que só poderia ser adquirido por praticantes de “salto ao teto de Maria-Fumaça”. O trem cortou abaixo da ponte no exato momento em que ele tocou os pés no metal e eu, paralisado, fiquei parado vendo-o se afastar junto ao trem.

Será que não podíamos simplesmente comprar passagens e entrar como pessoas normais?

Ok, não éramos normais.

Ele se levantou rapidamente e, quando me viu parado sem saber o que fazer, gritou com raiva “O que pensa que está fazendo??”.

Entrei no modo automático quando percebi que apenas um pequeno pedaço do trem restava do outro lado da ponte. Percebi que Kanda corria furiosamente para minha direção (do jeito que podia, estando em cima do teto de uma Maria-fumaça). Como ele estava no primeiro vagão, parecia que demoraria consideravelmente.

Contei mentalmente até três. Rezei para tudo quanto é Deus. Mesmo sendo ateu. Agradeci pela minha vida ao Dr. Lee. Segunda vida também. Convenci a mim mesmo que estaria dando honra a família.

E pulei. De olhos fechados, porque sou idiota e medroso. Mais uma vez, eu tenho medo de altura.

Bati no teto antes que o esperado, senti o baque com força nas pernas. Mas, justamente por ser cedo demais para mim, não consegui permanecer parado e me preparar para adquirir algum equilíbrio. Cambaleei com a dor nas pernas. Consequências foram notadas assim que caí de rosto no duro. Seria bom se só fosse a dor do bater com tudo desse jeito, mas como eu tenho um azar tão legal... Era óbvio que a física não me livraria dessa vez.

Meu corpo rolou mais rápido do que poderia conter. Um momento depois, estava pendurado pelos dedos em um trem em movimento. Olhando para baixo, meus pés pendiam ao ar e o chão passava rápido demais abaixo deles. O som das rodas batendo nos trilhos criavam ainda mais desespero. Se eu soltasse as mãos, cairia e sabe-se lá em que forma meu corpo acabaria.

Poxa, eu cheguei tão perto de ter sucesso no salto...

Maldita física! E pensar que antes eu a estudava com tanto carinho...

Meus dedos começaram a escorregar da saliência em que me segurava. Só podia ser uma metáfora para o fato de a última esperança estar escorregando de minhas mãos.

Puxa, até nos últimos momentos eu fico filosofando a vida. Ótimo.

Solução para a queda que é bom, nada, né?

Fui invadido pela sensação de medo. Já havia experimentado morrer e sabia com toda a certeza e confiança que aquela não era (de jeito nenhum!) minha hora de morrer. Apertei os dedos com força, buscando equilíbrio e apoio enquanto levantava uma perna para apoiar em outro lugar e pegar impulso para subir.

Mas era um pouco difícil sabendo o que me esperava caso houvesse um simples escorregão atrapalhado. Meus braços tremiam.

Estava quase pensando em passar a “viagem” inteira pendurado como um boneco de pano no trem quando senti algo agarrar meu pulso com força.

Foi minha grande surpresa ao levantar a cabeça e encontrar o rosto mais furioso que já havia visto.

E quem mais do que ele para fazer uma expressão tão assustadora assim?

Kanda puxava-me pelo braço com o rosto de quem me jogaria do trem.

A força com o qual ele segurava meu pulso doeu, mas foi o necessário para apoiar direito meu pé e conseguir finalmente subir e me equilibrar em cima do teto.

Suspirei aliviado quando sentei, meus braços doíam e meu pulso mais ainda.

Kanda. Bem, o Kanda se segurava para não sacar a espada.

–Moyashi...- rosnou- IDIOTA!! O que foi?? Não consegue mais nem saltar em um trem direito sem causar problemas??

–Aah, foi um erro de cálculo. Erro de cálculo! Eu nunca saltei em cima de um trem antes, Bakanda!!

Ele recuou a expressão furiosa. Com o vento que batia no lugar, ficava difícil se concentrar o bastante em uma visão sem tê-la tampada periodicamente por fios de cabelos.

Ele parecia confuso.

Estranho.

Desconfiado.

–Pulou sim- respondeu, como se falasse consigo mesmo- pulou. Na primeira missão. E em outras.

Opa.

Merda. Mil vezes merda.

Fiz besteira.

–Ah- respondi, rindo sem graça- é mesmo. Poxa, tinha esquecido. É que faz tanto tempo... Quis dizer que não pulei em cima de um trem esses dias, perdi a rotina e acabei perdendo os cálculos. Foi isso.

Ele não respondeu e eu mal podia enxergar o rosto.

Ótima resposta. Super ótima.

Tomara que ele pense que tenho amnésia.

–Claro- ele disse, mas a voz foi entrecortada pelo vento e a buzina do trem.

–Er...hm...vamos ficar em cima do trem a viagem inteira?

–Claro que não, idiota. Vai que você cai de novo... aí o trem pararia para te resgatar dos trilhos e eu perderia tempo viagem. Tsc.

–Nossa, que tocante...

Ele começou a andar de volta para o primeiro vagão. Kanda conseguia fazer parecer ser fácil, mas andar em cima do trem é difícil para pegar equilíbrio. Meus pés escorregavam, mas o alcancei.

–Você disse que não me salvaria. Para o Komui.

As palavras vinham sozinhas. Eu só queria tirar sarro, por isso sorria discretamente. Certo?

Ele me encarou com desdém por um segundo, mas logo voltou a andar encarando a frente.

–E você disse que não atrapalharia, moyashi estúpido.

Notas finais
Gostaram? Odiaram? Reviews! o/ Por favor :3 hehe Vou deixar um preview, mesmo sem ter escrito inteiro o capítulo: "Recuei quando seus dedo indicador calou a minha boca. Ela me encarou com raiva e uma ordem explícita no olhar: Cala essa boca." "-Por favor, diga que são humanos e não fantasmas ou zumbis ou qualquer troço do tipo. Ele ergueu as sobrancelhas. -Tá, isso eu não posso dizer."