Pure Imagination

1 Prólogo - Retrospectiva


Notas iniciais
Os monstros do passado assombram o presente.

Não tem como prolongar uma retrospectiva (1992 — 30 de setembro de 2013), por mais que se seguem 20 anos até aqui, existem coisas que esqueci, outras que não valem a pena comentar, outras que não vou comentar e as que enfim eu não queria lembrar para contar. Alguns estudiosos dizem que como defesa o cérebro apaga tudo aquilo que nos fez mal, nunca fui boa em me defender, sempre precisei de alguém para fazer isso por mim. Mas tudo acontece por algum propósito, estou em busca do meu.

Minhas lembranças começam aos meus cinco anos de idade. Estou atrás da cortina que bloqueia a claridade da manhã de invadir o quarto dos meus pais. Tento me esconder da minha irmã e minha mãe que são as únicas que estão em casa, além de mim e Dani, que também está escondida comigo atrás da cortina. Estamos rindo, enquanto ela segura minha mão suada e insegura. Estou nervosa pelo que estamos fazendo, na realidade com um pouco de medo. Dani se aproxima de mim e beija meu ouvido, eu recolho meu pescoço quando ouço o estalo do beijo um pouco babado. Ela se aproxima de novo, mas acaba sussurrando em meu ouvido: — Eu quero um beijo seu, Alanna.

Mesmo nervosa eu acato as ordens dela e lhe beijo. Ela tem a mesma idade que eu, mas parece ser mais experiente com beijos. Depois de mais alguns beijos escondidas e sem ser percebidas, eu me lembro de alguns doloridos tapas que ela dava em meu rosto, quando eu não fazia direito aquilo que ela me mandava fazer. Eu sempre fui tímida, insegura e medrosa. Morro de medo de perder aqueles próximos a mim. Então, eu simplesmente recolhia as lágrimas e segui tudo o que ela me mandava.

Alguns anos depois, Dani sumiu da minha vida, essa parte não me lembro como aconteceu...

Um pouco depois, aos oito anos, me lembro de ter sido molestada pelo meu primo de quatorze ano. Eu estava na casa dele, e por algum motivo ele me mostrou seu órgão genital, anteriormente eu nunca tinha visto um, mas agora a minha reação foi ficar quieta e não fugi. Meu primo entendeu minha reação como um sinal, e me obrigou a fazer carinho em suas partes. Insegura e com medo de perder a amizade dele eu segui quieta as ordens dele.

Acho que deveria pular a parte em que um menino me obriga a fazer sexo oral nele em sua casa. Com esse eu tentei lutar, mas aos meus quinze anos eu ainda era fraca demais para isso.

Os anos seguintes até aqui foram menos ruins. Apenas alguns foras de meninos que não quiseram ficar comigo. Uns por causa do meu jeito, uns por causa da minha cor morena. Tenho amizade com todos eles até agora, pois não posso perder a amizade deles. Fiquei com algumas meninas também, o que me fizeram pensar que eu era lésbica, mas não eu simplesmente amo de mais as pessoas. Acho que o termo correto é bissexualidade.

Vale a pena ressaltar que aos poucos perdi a amizade de todos eles. Mas consegui a amizade de alguns outros.

Atualmente, eu estou na faculdade de medicina. Tenho alguns amigos importantes para mim, eles ainda não me fizeram nenhum tipo de mal, isso é bom. O único problema é que aquele menina de cinco anos de idade não cresceu junto com seu corpo. Eu ainda luto para agradar as pessoas, ainda tenho medo de ficar sozinha e ainda obedeço ao que me mandam, mesmo que não esteja de acordo com a minha vontade. Tímida e insegura. Solteira. Apaixonada loucamente. Destruída internamente. Mas sempre com aquele desejo de explodir e dizer tudo que sinto. Acredito que isso começa a partir de agora...

Notas finais
P.S.: Todos nós conhecemos uma Alanna, não com o mesmo nome, mas pode estar entre seus amigos, familiares. Por favor, busquem entender e ajudar ao máximo essas pessoas. Alanna possui um amor incrível por todo mundo e a única coisa que ela deseja é ter o mesmo amor.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.