Pure-Blood
1 O Sexto Ano Começa
— CORVINAL!
Irina observou, com um leve sorriso, o menino — Thomas Bennet — correr para a mesa e se sentar com os outros estudantes selecionados. Assim como ela, o resto de seus colegas da Corvinal aplaudiam o mais novo estudante.
— Não gosto de pensar que esse é nosso penúltimo ano aqui em Hogwarts. — Jade Williams disse, ao seu lado, suspirando.
— Você não gosta de pensar nisso, mas mesmo assim já repetiu três vezes. — a lembrou.
— Ah, Irina. — Jade suspirou, ao mesmo tempo em que uma garotinha foi mandada para a Grifinória — Ver essas crianças me faz ter vontade de voltar ao primeiro ano.
— Eu não sei se aguentaria fazer tudo de novo. — deu uma risada e voltou sua atenção para a cerimônia, vendo o Chapéu Seletor mandar o último menino para a Sonserina.
A mesa verde e prata irrompeu em aplausos para receber o mais novo membro. Irina passou os olhos pelos seus estudantes; a maioria tinha a típica expressão arrogante e orgulhosa das famílias de Sangue-Puro da Grã-Bretanha. Parou o olhar, por um momento, em Regulus Black. Havia algo de diferente nele esse ano, embora Irina não soubesse dizer o que era. Ele conversava com o garoto que se sentava ao seu lado, ela não lembrava seu nome. Mulciber? Talvez fosse isso ou algo assim.
Os cabelos negros do Black mais novo caíram em seus olhos quando ele ergueu a cabeça e encontrou seu olhar. Se encararam durante alguns segundos, Regulus levemente surpreso e Irina impassível, até que simultaneamente desviaram o olhar. Como poderia saber se há algo diferente nele?, a garota pensou, Nem ao menos nos falamos!. Irina procurou Anastácia Cormwell, sua amiga sonserina, e uma das poucas sonserinas decentes.
Anastácia ainda aplaudia, mas encontrou seu olhar e sorriu acenando. Irina e Jade acenaram também.
Irina Fadeaushka era uma garota de cabelos escuros e com a pele pálida por raramente gostar de pegar sol. Essa noite seus cabelos estavam soltos, como sempre, embora uma fina trança estivesse feita na parte direita de seus cabelos. Irina era filha de uma mãe inglesa e um pai russo; tinha um irmão mais velho, Alexei, que cursava o sétimo ano em Durmstrang, como o pai, já Irina quisera ir para Hogwarts, como a mãe e a família da mãe, acabando por ser mandada para a mesma Casa que ela.
De início, seus pais não queriam que ela fosse para Hogwarts, pois sentiam que algo não estava certo; Beaubatox seria mais seguro. Apenas com o passar dos anos Irina começara a pensar que isso pudesse ser verdade. Havia uma tempestade à caminho, ela podia sentir. Ataques à Trouxas, Nascidos-Trouxas ou aos chamados "Traidores de Sangue" se tornavam cada vez mais frequentes. Parecia que a comunidade que acreditava fervorosamente na supremacia do sangue-puro estava se reunindo sob um Lorde das Trevas.
Mais tarde, quando todas as meninas já estavam em suas camas, Irina se deitava observando o teto que era, como o Salão Principal, enfeitiçado para parecer o céu. Ela não conseguia dormir; nunca conseguia dormir facilmente nas primeiras noites de volta ao castelo.
Se fechasse os olhos, conseguiria ver ela mesma aos onze anos encarando, maravilhada, seu dormitório na torre da Corvinal.
Jade estava certa; pensar que aquele era seu penúltimo ano ali realmente entristecia.
Longe, bem longe dos dormitórios de Irina, Regulus Black se encontrava sentado no refinado sofá do Salão Comunal da Sonserina. Ele encarava um ponto qualquer no chão.
— Muitos sangues-ruins esse ano, obviamente. — disse Mulciber — E nós chegamos a pensar que teriam medo da revolução do Lorde das Trevas e ficariam para trás.
— Uma vergonha e uma desgraça. — Rabastan Lestrange rosnou — A Sonserina não deveria ser poluída desse jeito.
Snape concordou.
— Porém, não há muito que possa ser feito, há?
— Talvez não aqui neste Salão Comunal. — Regulus disse, erguendo o olhar — Muitas coisas acontecem além das paredes desse castelo.
— O Lorde das Trevas está ganhando seguidores. — completou Avery.
— E isso não é apenas um rumor. A comunidade Sangue-Puro irá finalmente se erguer. — Lestrange se reclinou na poltrona — Finalmente poderemos dar um jeito nessa escória de trouxas ignorantes.
— E esse rumor sobre uma resistência? — Avery perguntou.
— Isso é insignificante. — Regulus retomou a palavra — Nada pode rivalizar com o poder do Lorde das Trevas. — seus pais ficariam tão satisfeitos com suas palavras — Eu vou dormir.
Se ergueu do sofá e seguiu pela escada de pedra escura. Seja o que for que vá acontecer, as palavras de seus pais ressoavam em seus ouvidos, Voldemort era o caminho.
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