Pura Provocação

4 Provocação


Notas iniciais
Olá!! Boa leitura!

Decote. Perdição de qualquer homem. Não importa o quão casto ele é. Desabotoe dois botões a mais na blusa e vai vê-lo babando igual a um cachorrinho. Não conseguimos reagir. Ficamos perdidos entre os pensamentos de nossas duas cabeças.

Desviar o olhar.

Continuar olhando.

Desviar o olhar.

Continuar olhando.

Continuar olhando.

Continuar.

— Hein? – A morena dos seios fartos perguntou impaciente. Acho que eu já estava naquela confusão mental há algum tempo.

— Desculpe-me, o que disse? – finalmente consegui olhar em seus olhos. Também castanhos. Desafiadores.

— Perguntei se não queria ir comigo a Hogsmead no próximo sábado.

— É... – ainda estava meio abobalhado com aquela auto confiança.

— Não é Fácil assim Wood – reconheci a voz da Vic – Ele é exclusividade minha. Pode voltar pro puteiro de onde saiu. E pra te provar que sou boazinha, posso te doar alguns metros de pano para ver se consegue se cobrir decentemente.

— Não estou vendo seu nome gravado na testa dele, Weasley. Essa é uma decisão do seu amigo aqui – pronunciou a palavra com bastante ênfase – E espero que ele pense com carinho para responder a minha pergunta – Ela olhou para as minhas partes baixas com a intenção de deixar bem claro o que ela realmente queria.

— Querida, se ele fosse fácil assim, para se convencer com um decote e nenhum pudor, eu não veria graça em conquista-lo. Sua resposta é...

— Sim – falei por fim.

— O que?! – Victoire praticamente gritou e todo o salão comunal se virou para ver o que estava acontecendo. – Cadê o meu Teddy e o que fizeram com ele?

— Estou aqui Weasley, e não, você não tem nenhum direito sobre mim. Já aceitei o convite da... da... dela. – Nem o nome da morena eu me lembrava mais. A verdade é que fiz isso para afastar a Vic de vez. Vi como ela ficaria furiosa por sair com uma garota qualquer e dispensar ela. Por mais que doa, ela não me merece. E não poderia ser tão difícil assim sair com uma garota daquelas. Poderia?

Victoire saiu xingando até a minha décima sexta encarnação, e batendo os pés enquanto subia as escadas para a sala comunal da Grifinória. Odiava quando ela era infantil desse jeito.

P.O.V. Victoire Weasley

Não. Não era possível uma baixaria daquelas. Eu deveria estar tendo um pesadelo. Amanda Wood tinha um encontro com o Teddy. O meu Teddy. O que ela tinha de mais? Peitos grandes, bunda empinada, uma lista interminável de homens com os quais ela já havia tido algum tipo de... Relacionamento, estava no sétimo ano e não tinha nenhum pudor.

Eu poderia jurar que esse não é o tipo do Lupin. Todo certinho, centrado. Ele já havia saído com algumas garotas, mas elas eram minimamente decentes. E nunca havia dado certo. Durava uma ou duas semanas (as quais eu quase morria sem poder atormenta-lo) e por fim acabava e tudo voltava ao normal.

Eu estava furiosa. Furiosa por saber que ele prefere qualquer uma à minha companhia. Furiosa por nunca ter tentado seduzi-lo com um decote. Furiosa porque pela primeira vez não poderia usar o Charme ao meu favor. Eu não faria isso com ele. Nunca.

Alguns falam que sou uma maníaca perseguindo alguém que nem me da bola. Mas eu sei que no fundo ele tem algum sentimento por mim. Poucos dias depois do natal. Eu usei o charme acidentalmente. E vi a reação do menino que berrava no meio das ruas de Londres “Eu te amo” sem qualquer explicação. Eu não havia feito isso com o Lupin. Ele realmente tinha gostado de mim.

Mamãe disse que ‘um dia’ eu iria achar o cara que amasse a outra parte de mim, mas eu já tinha achado. Pena que ele era um cabeça dura, que não se acha o suficiente para mim.

Isso não iria ficar assim. Se é guerra o que ele quer... É guerra o que ele vai ter. E não sou só eu que vou sair ferida.

Eram 6 da tarde naquele instante. Estavam todos fazendo seus deveres ou conversando pelo castelo. Estava ansiosa. Achei Rose e Albus na biblioteca e fiquei lá os ajudando nas tarefas pra me distrair.

20 horas. Voltamos ao salão comunal. Fiquei fazendo hora por ali até ver o Lupin subir para o seu dormitório e ter certeza de que ele não sairia de lá.

Subi e me troquei, colocando uma camisola simples. Nada indecente de mais. Não queria que ele tivesse outras impressões. E afinal, eu tinha dinheiro pra comprar pano o suficiente para me cobrir. Recusava-me a ser igual a Wood. Tudo bem que nenhuma moça direita invadiria o dormitório masculino no meio da noite, mas... Situações desesperadas pedem medidas desesperadas.

23 horas. O salão comunal estava vazio. O universo estava conspirando em meu favor. Subi até o dormitório masculino. Achei o quarto do sétimo ano. Abri a porta devagar e soube imediatamente qual era a cama do Teddy.

As cortinas estavam fechadas, mas era tudo organizado demais para um menino. As roupas que usaria amanhã passadas e engomadas em cima do malão e a touca no criado mudo. Finalmente!

Afastei um pouco da cortina e pude vê-lo deitado de lado, os cabelos azuis espetados. Um sorriso mínimo nos lábios, como se sonhasse com algo bom.

Lancei um “abaffiato”, porque sabia que a reação dele ao me ver ali não seria silenciosa. E por mais que eu gostasse de chamar atenção... Aquele não seria o momento certo.

Sentei-me contra suas costas e acariciei aqueles fios que tanto queria ver. O sorriso dele aumentou. Arranhei de leve seu pescoço e o vi arrepiar. Adorava quando isso acontecia com ele.

Acariciei seu rosto levemente e inspirei aquele perfume amadeirado que ele sempre usava. Perfeito.

— Vic... – Escutei-o sussurrar durante o sono. Sorri.

— Estou aqui Tedie – respondi cochichando em seu ouvido tanto para provoca-lo quanto para acorda-lo.

Seus olhos se abriram confusos e ele se virou para mim. Seus cabelos se tingiram de vermelho no mesmo instante. Ops... acho que alguém está com raiva.

— Weasley, o que faz aqui? — Ele perguntou corado e tentando controlar o tom de voz, ainda sonolento. Passei a mão novamente por seus cabelos.

— Acho que gosto mais deles azuis – disse pensativa. No mesmo instante ele alcançou a toca e a colocou cobrindo os fios escarlates.

— Não acredito que invadiu o dormitório masculino pra ver a cor dos meus cabelos. Isso é ridículo Weasley! – nesse momento até ele estava ficando vermelho.

— Não foi só pra isso Tedie, e pode falar normalmente, fiz um feitiço, já imaginava que ficaria bravo – dei uma risada triste.

— Por que, então, está aqui? – ele perguntou confuso – aconteceu alguma coisa ou...

— Não, acalme-se não aconteceu nada demais. Eu... Só queria me desculpar por ter agido feito uma idiota hoje mais cedo.

— E por que você não poderia esperar até amanhã para me dizer isso? Por que invadir meu dormitório no meio da madrugada?

— Porque eu não conseguia dormir com a consciência me incomodando – menti descaradamente.

— Está desculpada, agora pode ir embora – respondeu já se virando para dormir novamente.

— Grosso!

— Estou com sono Weasley, esse pode ser um dos efeitos colaterais por me acordar.

Fiquei em silêncio, somente o encarando. Até que ele percebesse que tinha me magoado. Eu tinha tudo expressamente calculado, por enquanto o plano estava dando certo.

Ele bufou e se sentou de frente pra mim.

— É sério, está desculpada, mas vai dormir, porque se te pegarem aqui podem pensar outras coisas e podemos até pegar uma detenção.

— Ninguém viu que eu subi. Não sou idiota. – respondi seca – já que você despreza até mesmo um pedido de desculpas, vou indo embora. Durma bem.

Virei-me para a saída e, como esperado após o “momento drama”, senti sua mão me puxar de volta para a cama. Aproximei-me mais do que o necessário. Nossas mãos ainda estavam entrelaçadas. Seus olhos desceram até a minha perna descoberta e pude vê-lo engolindo seco. Me aproximei devagar. Senti sua outra mão chegar à minha cintura um pouco tremula. A minha foi direto para sua nuca, beirando a touca. As respirações já se encontravam.

Ele me afastou de repente.

— Foi para isso que veio aqui, não é Weasley? – Você não se arrependeu, só queria me provocar. Pois bem, não conseguiu. Ainda prefiro sair com a Wood.

— Idiota! Aquela vaca não te merece nem por um minuto.

— E a sua infantilidade em invadir meu dormitório e mentir descaradamente para destruir meu encontro não faz com que você seja melhor que ela.

— Não me compare com ela. – Falei extremamente irritada. – E concordo com você, sou infantil, sou criança. Era inocência demais achar que você poderia ser meu príncipe encantado.

Saí de lá rapidamente, não consegui conter as lágrimas.

Maldito metamorfomago. Ninguém jamais me fez chorar assim. E no fim... Ele estava certo, realmente não me merecia. Ou talvez eu tenha confundido tudo e ele jamais tenha gostado de mim.

Respirei fundo, limpei as lágrimas e me fiz uma promessa.

Nunca ficaria com Teddy Lupin.

Notas finais
Comentem! Adoro conversar com vocês! ♥