Punição ou deleite?
1 Capítulo único (Oneshot)
Notas iniciais
Após o fim de Hela, juntamente à Asgard, todos os sobreviventes decidiram acatar à sugestão de seu novo líder: Thor. A decisão final que fora tomada era a de transformar o planeta Terra em seu novo lar, e após longas viagens através do espaço, até mesmo Loki estava cansado. Decidiram permanecer por algumas semanas em um planeta próximo, antes de começaram a adaptação à nova vida, e tudo ocorria bem até a primeira desavença entre os filhos de Odin.
—Você está brincando, certo? Estamos aqui há tempos, nada de errado aconteceu, estamos ótimos! –Exclamava Loki.
—Não estamos ótimos, Loki. Os suprimentos estão escassos e duvido muito que um pequeno planeta como esse poderá comparar-se à imensidão de Asgard. –Thor o confrontava, certamente incomodado com a persistência do irmão.
—Imensidão, você diz. Mas afinal, estamos procurando por um novo lar ou um novo reino para o “grande Thor”? –Retrucava em tom de deboche.
—Não é o momento de ficarmos discutindo esse tipo de coisa. –Thor afagava os cabelos. –Você decide se virá conosco por bem ou por mal.
Loki o encarava de cima à baixo, com um olhar desafiador. Sem a necessidade de palavras, eram claros os seus pensamentos. Sairia dali apenas se fosse arrastado, amordaçado ou até mesmo morto, e nada além disso.
—Por mal, então. –Thor completa, e então lança uma piscadela à seu colega Vingador, Hulk, que nocauteia o irmão rebelde. –Foi você quem pediu. –Ele sorri, enquanto encarava o corpo desacordado de Loki.
Após algumas horas de inúmeras tentativas para acalmá-lo, Hulk finalmente se torna Bruce Banner novamente. Assim que resolvida essa questão, as organizações para a viagem começam, e todos se dirigem à nave que os guiará durante todo o trajeto. Tudo estaria ótimo, se não fosse pelas traquinagens de Loki novamente.
—Não pensou que se livraria de mim tão fácil, não é? –A voz em tom malicioso ecoava por todo o raio em que estavam alojados.
Thor suspirou ao perceber que havia nocauteado uma mera ilusão, e que agora, teria ainda mais trabalho para manter as coisas em ordem. Cogitou por apenas um momento abandonar seu irmão travesso, porém decidiu continuar com o plano de mantê-lo por perto apenas por via das dúvidas. Conhecendo-o bem, decidiu ignorar sua aparição e prosseguir com os preparativos para a longa viagem. Sabia que, caso ignorado, seria inofensivo, e o máximo que poderia fazer era tentar mantê-los ali com sua conversa fiada.
—Tudo bem, tudo bem. Pode ficar, se é o que deseja.
—Ah não, irmãozinho. Todos deveríamos ficar. –Prosseguia provocando sem revelar sua posição.
O Deus do trovão tentava encontrá-lo com o olhar e intuição, passando um “raio-x” por todos os cantos. Sem sucesso, apenas adentrou a nave após o término de tudo e deu a partida, esperando que assim, Loki viesse rapidamente com medo do abandono eminente. Um engano que não gostaria de ter cometido. Confiar na ideia de que seu irmão travesso era inofensivo não foi nada esperto de sua parte. Acionada a nave, estrondos vieram à tona, assim como a temperatura excessiva criada nos interiores do veículo. Sem tempo para mais nada, uma evacuação em massa começava, e por um triz, alguns não foram pegos pelo incêndio causado com a explosão da máquina.
Todos estavam indignados com a falta de noção de Loki. Sabiam que era traquinas, porém não à ponto de arriscar a vida de todo um reino por razões egoístas. Thor não estava apenas indignado, como também enchia-se de fúria, irritado por confiar mais uma vez em seu irmão, por abaixar sua guarda e novamente ser esfaqueado pelas costas. Como poderia ser assim? Como poderia não se importar com seu próprio povo e colocar suas razões egoístas acima de tudo e todos?
—Está feliz agora? –A voz furiosa de Thor ecoava enquanto relâmpagos se acumulavam ao seu redor. Estava farto das gracinhas de Loki, e pretendia colocar um final à essa “guerrinha” entre eles. –Sou eu o problema, não é? É o trono que você quer? Pois então, venha pegar você mesmo, Loki! –Exclamava para direção alguma. Não sabia a posição exata de Loki, mas não importava pois após tal provocação, ele viria por livre e espontânea vontade.
Dentro de Loki a confusão era outra: Não estava contente com o resultado da situação. Ele gostaria de ir para a Terra? Era óbvio que não, visto que todos o julgariam por seus atos passados. Porém, estava longe de si a ideia de colocar a vida dos sobreviventes de Asgard em risco. Visava apenas assustá-los com sua pegadinha e surpreendeu-se com o resultado, embora já estivesse acostumado a ser mal interpretado. Ao ouvir as palavras do irmão, seu orgulho falou mais alto. Sabia que não existiam motivos para que Thor lhe entregasse sua confiança tão facilmente, porém esperava ao menos uma chance para explicar-se antes de tantos julgamentos antecipados.
—Sim, estou muito feliz. –Forçava um riso enquanto encarava Thor.
—Finalmente decidiu aparecer? –O Deus do trovão, em uma velocidade incrível, avançou em Loki, que respondeu com mesma intensidade.
Em uma exibição incrível de seus poderes completos já aprimorados após a luta interminável contra Hela (e no caso de Thor, contra Hulk também), os filhos de Odin não possuíam noção do que ocorria graças à sua demonstração de “amizade” entre irmãos. O pequeno planeta que os abrigava temporariamente se encontrava amedrontado. Os habitantes ali presentes, e até mesmo os sobreviventes de Asgard buscavam refúgio visando evitar a tempestade causada pela guerra interminável de Loki e Thor. Em um movimento rápido, Thor cerrou seu punho e mirou em Loki, acertando-o em cheio com poder total. No entanto, era apenas outra ilusão criada pelo traquinas, e portanto, o Deus do trovão em seu melhor ataque, acertou em cheio o chão aos seus pés, causando uma rachadura profunda naquele pequeno planeta.
—Você enlouqueceu? –A valquíria companheira de viagem interveio enquanto todos os outros ali presentes, exceto os irmãos, corriam por suas vidas.
Thor encarou o seu punho ensanguentado com uma feição entristecida e confusa. Loki encarava o irmão com uma expressão piedosa, culpada.
—TOLOS! –Uma voz surge do além. Uma voz que os dois conheciam bem.
—Pai? –Thor gaguejava, encarando o céu avermelhado, que cobria-se com nuvens negras.
Odin ressurgiu das cinzas para apenas um propósito: Ensinar àquelas crianças tolas de uma vez por todas a real importância de um verdadeiro líder. Utilizou de todo o seu poder para prevenir aquele planeta de sucumbir por completo, e também para lançar uma maldição aos seus filhos.
—Deuses são criaturas tolas e fúteis. O único modo de fazê-los valorizar uma vida por completo seria colocá-los no lugar daqueles que aceitam calados os seus pecados por medo. Nunca pensei que até mesmo após a morte teria que educá-los novamente. Decepção, desgosto, fúria. Não consigo nem ao menos definir meus verdadeiros sentimentos. –Odin continuava, enquanto proclamava encantamentos em sua cabeça.
Por um momento, e apenas por um momento, todos ali presentes pressentiram a presença do poderoso falecido rei de Asgard. Sua silhueta entre as nuvens negras envoltas pela tempestade criada por seus filhos estava à mostra, assim como sua fúria. Thor tentou alcançá-lo, porém sem sucesso. O antigo soberano da atual destruída Asgard não estava realmente presente, apenas sua essência em espectro como uma ilusão que deixara naquele mundo para educar seus filhos novamente quando necessário. E agora, após quase destruírem um planeta por completo, essa intervenção tornou-se extremamente necessária.
Em um piscar de olhos, um clarão seguido de um tremor intenso surge em meio à tempestade assim que Odin recita todo o encantamento necessário. Thor já havia provado de uma experiência semelhante, porém nada se compara à tal acontecimento: O maior temor de todos os Deuses, seu pior pesadelo. Os filhos baderneiros de Odin que todos acreditavam ter criado um vínculo amistoso durante a guerra para defender seu reino de origem agora deveriam provar que, por trás de toda aquela defesa criada por suas personalidades orgulhosas, possuíam laços inquebráveis através de uma provação criada pelo antigo soberano. E qual seria a pior punição para um Deus? Tornar-se humano. Sem poderes, sem regalias, e acima de tudo... Sem suas memórias.
Bip...bip...bip
—Que barulho insuportável. –Murmurava, enquanto levantava-se para desligar seu despertador.
Deitado em seu sofá vermelho de suede, Thor encontrava-se rodeado por garrafas de cerveja em seu caminho. Empurrava todas com seu pé à medida que caminhava em direção ao despertador visando dar fim àquele barulho incômodo pela manhã. Quando finalmente cumpriu seu objetivo, dirigiu-se até o banheiro e encarou-se no espelho para encontrar seus cabelos emaranhados e seu rosto cansado, com enormes olheiras à mostra. Suspirou e então voltou sua atenção para escovar seus dentes e lavar o rosto, soltando o coque frouxo que prendia seus cabelos dourados. Uma dor de cabeça insuportável o consumia nessa manhã de ressaca e, para ser sincero, pensou inúmeras vezes em apenas permanecer no conforto de sua casa, porém desistiu da ideia e correu diretamente para um banho rápido.
—Entrevista de emprego. Tudo bem, vamos lá. –Vestiu-se rapidamente após a ducha e, com ambas as mãos, deu tapinhas leves em suas bochechas para despertar corretamente.
Não era fã de roupas sociais, porém eram necessárias em ocasiões como essa. Uma camisa preta, uma calça social de mesma cor e sapatos também sociais eram o suficiente para ele. Nada de terno ou gravata pois temia sentir-se sufocado. Segurando uma pasta vazia apenas por motivos estéticos, retirou-se de sua residência sem nem ao menos ingerir a primeira refeição diária. Um conglomerado de apartamentos com apenas um quarto, aonde qualquer ruído na casa vizinha seria certamente ouvido por qualquer um do prédio. Era esse o local em que morava no momento. Além de tudo, era um homem bêbado que gostava de passar suas noites de folga no sofá na companhia de uma caixa de pizza e dois fardos de cerveja preta.
Trancou a porta em um giro rápido com a chave e saiu em direção às escadas do prédio. Ao descer, deparou-se com um caminhão de mudanças que claramente chamou sua atenção, visto que o único local vago era o apartamento ao seu lado. Estava intrigado para descobrir quem seria o azarado novo morador daquele muquifo desorganizado.
—Com licença. –Chamou a atenção de um dos trabalhadores que descarregava o caminhão naquele momento.
O homem o encarou com uma expressão desanimada, porém decidiu dar-lhe atenção de qualquer forma.
—Sim?
—Você por acaso saberia o nome da pessoa que está se mudando para cá? –Thor o encarava, esperançoso como uma criança prestes à abrir o seu presente de natal.
—O nome real eu não sei, mas aqui na ficha diz algo parecido com Louco. –Ele encara o chão, pensativo, e após alguns segundos volta sua atenção para Thor novamente. –Loki! –Completa.
Thor franze o cenho com a resposta do homem, porém alivia sua feição com uma risada abafada, colocando a mão em sua boca logo após.
—Isso é sério? –Retrucava, ainda sorrindo.
O trabalhador apenas reafirmou sua colocação e se despediu para prosseguir com o despacho da mudança.
—Isso vai ser interessante. –Murmurou à si mesmo.
Prosseguiu cantarolando durante todo o trajeto. Seu nome era Thor, e o de seu novo vizinho era Loki. Para ele, não existia coincidência mais intrigante e satisfatória. Com um sorriso bobo em seu rosto, permaneceu parado em frente ao edifício de vidros negros que entraria para fazer sua entrevista. Após alguns minutos respirou fundo e seguiu em direção à secretaria.
—Bom dia, senhor. Possui hora marcada? –A esbelta secretária pessoal do CEO o atendeu pessoalmente. Loira, bronzeada e com os olhos da cor do oceano. Uma mulher assim seria o sonho de qualquer homem no mundo, exceto Thor.
—Entrevista de emprego. –Retrucou, colocando bruscamente os papéis na bancada.
Ela o encarou com estranheza, porém decidiu atendê-lo de qualquer modo, apesar de sua atitude grosseira. Folheou os papéis entregues e não encontrou problemas, portanto o guiou até o elevador.
—Deixarei seus documentos na secretaria. Assim que finalizada a sua entrevista, venha pessoalmente até a minha mesa para pegá-los, senhor Thor. Tenha um ótimo dia. –Ela sorri e se despede, fechando a porta do elevador assim que se retira.
Trancafiado no elevador durante dez andares, tomou todas as precauções necessárias para uma aparência apresentável. Observou que suas roupas, apesar de escondidas no fundo de seu armário, não possuíam um odor desagradável ou estavam amarrotadas. Tudo estava em perfeita ordem, como se os cosmos o guiassem para esse emprego de uma forma ou outra.
—Como era mesmo? –Sussurrou. –Segunda porta à esquerda? –Mantinha uma expressão pensativa enquanto passava sua mão em seu queixo.
—Precisamente. –Uma voz o interrompe.
Distraído, não havia percebido que estava no andar correto, além de ter sido avistado conversando consigo mesmo enquanto observado por outras pessoas que aguardavam para adentrar o elevador. Desculpou-se com um sorriso acanhado e dirigiu-se rapidamente até a sala necessária. Respirou fundo enquanto segurava a maçaneta, e assim que conseguiu acalmar-se, abriu a porta gentilmente. Deparou-se com um homem sentado em uma mesa de cedro polido, em frente à uma cortina negra que cobria a enorme janela em suas costas.
—Bom dia, estou aqui para a entrevista... –Thor adentrava o recinto, deixando à tona seu semblante inseguro.
—Entre, entre. Sabrina já me comunicou sobre sua chegada. –O homem de cabelos castanhos e pele bronzeada o encarou de cima à baixo, esticando sua mão para cumprimentá-lo adequadamente.
Thor, com o mesmo gesto, o cumprimentou formalmente e sentou-se na pequena poltrona de couro à frente da mesa do CEO. Colocou a sua pasta vazia ao lado de seu assento e pôs-se a encarar o entrevistador.
—Normalmente eu não faço as entrevistas pessoalmente, porém como foi um pedido direto do Sr. Stark não pude recusar, não é mesmo? Aliás, sou o James, muito prazer. –James sorria, servindo à si mesmo uma xícara de café.
—Stark? –Thor indagava, confuso.
—Tony Stark. Vocês devem ser muito próximos, não? Nunca o vi recomendar ninguém pessoalmente.
Thor balançou a sua cabeça negativamente. Em toda sua vida, nunca havia encontrado um homem com esse nome. James o encarou com estranheza, porém decidiu não questionar-lhe mais.
—Talvez de alguma outra empresa que tenha me entrevistado?
—Pouco provável, visto que o Sr. Stark não cuida de coisas pequenas. De qualquer modo, deve ter alguma boa razão. –James entrega uma xícara de café para Thor. –Diga-me, Thor, quais são suas principais qualidades? Convença-me a deixá-lo trabalhar aqui.
Após a citação de um texto ensaiado para todas as entrevistas, Thor decidiu exaltar o seu humor sem igual e sua ambição para tornar-se um líder. Não sabia o motivo, porém, em suas memórias, sempre imaginava-se como um rei. Retirou algumas risadas dos lábios de James, e ao final da entrevista, pareciam amigos de longa data, marcando até mesmo uma data para que pudessem sair e beber juntos.
—E também teve aquela vez que... –A fala cômica de Thor é interrompida por batidas na porta do escritório.
—Apenas um momento. –James sinaliza para Thor que já continuariam a conversa. –Entre.
Sabrina, secretária pessoal de James, adentrou a sala com uma pasta azul em suas mãos. Thor permanecia sentado com sua xícara de café, enquanto os observava conversarem através de sussurros discretos. Demorou algo em torno de vinte minutos, porém a interminável conversa discreta havia finalmente chegado ao seu fim.
—Infelizmente devo me retirar para resolver alguns problemas de meus funcionários incompetentes. Um contratempo infeliz, devo dizer. Há tempos que não troco uma conversa tão fluída com alguém. –James se desculpava, encarando Thor com um sorriso.
—Sem problemas, me desculpe por tomar tanto o seu tempo.
—Está brincando? Foi ótimo. Quer saber, Thor? Considere-se contratado. Seja bem-vindo à minha equipe. –James estendeu alegremente sua mão para Thor, que agradeceu imensamente a oportunidade.
Após as despedidas, Thor se dirigiu até o primeiro andar na companhia de Sabrina, que entregou-lhe seus documentos antes que fosse para casa.
No caminho de volta, pensou que poderia permitir-se algumas regalias graças ao seu bom trabalho de hoje. Finalmente teria um emprego, e tudo graças ao seu esforço. Passou em frente à uma confeitaria e decidiu comprar um bolo de chocolate à si mesmo. Logo após, entrou no mercado e levou três fardos de cerveja consigo. Seguiu até o seu apartamento com um sorriso bobo estampado em seu rosto. Estava feliz por sua conquista, porém, acima de tudo, feliz por finalmente ter a oportunidade de conhecer seu novo vizinho. Bastou apenas a força de seu pensamento para que, ao chegar em frente ao seu apartamento, deparar-se com o novo habitante do local. Um homem alto, magro, de cabelos negros esvoaçantes, uma pele pálida e olhos claros. Utilizava roupas formais, assim como Thor, porém no pensamento desse último, as roupas o vestiam bem até demais.
—Olá. –Thor acenou, sorrindo como uma criança.
Loki o encarou de cima à baixo, antes de proferir um simples “boa tarde” e adentrar o seu apartamento sem prolongar o contato estabelecido.
Irritado com o comportamento do novo morador, e acima de tudo, com o orgulho ferido por ter sido ignorado de forma tão miserável, entrou rapidamente em sua residência, fechando a porta de modo brusco para que todos pudessem ouvir, inclusive o homem que havia esgotado seu bom humor. Sentiu dentro de si uma sensação ruim, inexplicável. Normalmente algo assim não seria o suficiente para modificar seu humor, porém com aquele homem... Sentia uma estranheza anormal, algum tipo de conexão, uma sensação indecifrável de déjà vu.
—Que seja. –Murmurou incomodado, e jogou-se no sofá para assistir televisão.
Observou a caixa de bolo à sua frente e imaginou-se compartilhando sua alegria com alguém. Sabe-se lá o motivo, porém a primeira imagem que preencheu sua mente fora a de seu vizinho misterioso. Levantou-se em um movimento rápido e abriu uma fresta de sua porta frontal, avistando o homem em que estava pensando apoiado na pequena sacada enquanto observava o céu nublado. Thor fechou novamente a porta e correu para buscar um saco de lixo, acelerando com a limpeza de seu apartamento. Recolheu todas as latas de cerveja e caixas de pizza jogadas pelo local e, após dois sacos lotados, sentiu-se satisfeito com o resultado. Perguntou-se novamente o motivo de tal ato, porém não encontrou uma resposta satisfatória, portanto apenas deixou para lá. Ademais, qual o problema de limpar um pouco o local para receber uma visita, não?
Pegou a caixa de bolo e retirou-se em direção à Loki.
—Ei. –Thor chamou-lhe a atenção, tocando suavemente em seu ombro.
Loki afastou-se depressa, com um semblante desconfiado.
—Sim? –Retrucou.
Thor levantou a caixa que continha o bolo, e sorriu enquanto observava a expressão de seu vizinho.
—Eu não sou um louco nem nada. –Continuou, ainda com um sorriso. –Passei em uma entrevista de emprego hoje, e no calor do momento acabei comprando um bolo inteiro sem ter uma companhia para comê-lo comigo. Tenho algumas cervejas, também.
—E...?
—Venha, não seja acanhado. Qual o problema em dividir uma fatia de bolo e uma bebida com o seu vizinho? –Thor o segurou pelo pulso, arrastando-o para seu apartamento.
À contragosto, Loki permitiu-se permanecer apenas para uma fatia de bolo e uma única bebida, nada mais. Rolava os olhos à medida que Thor contava vantagem sobre ser incrível, porém intercalava sua insatisfação com suspiros também. O anfitrião não parecia se importar, pelo contrário, estava tirando proveito da situação. Há tempos que não recebia um colega, e estava mais do que satisfeito, embora raramente recebesse uma resposta.
—E então, como veio parar nesse fim de mundo? –Thor indagou.
—Para ser sincero, não sei. Sinto-me vazio como se não carregasse comigo minhas memórias, e a última coisa da qual me recordo é a de ter acordado nessa manhã para receber o caminhão de mudanças.
Thor, que estava prestes à colocar uma garfada de bolo em sua boca, parou completamente o movimento. Sentia-se do mesmo modo, como se estivesse vivendo sem uma razão. A única coisa da qual se recordava pela manhã era a sua entrevista de emprego e seu nome. Não recordava-se de sua família, amigos, de como possuía aquele apartamento. Absolutamente nada. Quando pressionava seu cérebro para relembrar de algo, sentia uma tremenda dor de cabeça. Decidiu abrir-se para seu convidado, contando-lhe todas as sensações e pensamentos que manteve em sua cabeça durante todo o dia.
—Quero dizer, quando acordei já estava aqui, rodeado por todas aquelas latas de cerveja e caixas de pizza. Pensei que não recordasse de absolutamente nada devido à ressaca, mas...
—Estamos em algum local de tratamento de Alzheimer? –Loki sorriu de canto, tomando um gole de sua quinta lata de cerveja.
Thor riu com a colocação do colega, e surpreendeu-se com o semblante relaxado de seu convidado. Loki, antes rígido e misterioso, aos olhos de Thor, agora estava extremamente... Belo? Os sorrisos que se permitia mostrar entre o álcool e a conversa eram contagiantes, calorosos.
—Além disso, não creio que tenhamos nos apresentado. Sou Loki, muito prazer. –Ele estende a mão à Thor, que sorri de canto.
—Thor. É um prazer. –Ele retruca o gesto.
Loki o encarava com desgosto. Pensava que era apenas uma brincadeira infantil, e portanto, decidiu questioná-lo sobre seu verdadeiro nome.
—Não é uma brincadeira de mal gosto. Aqui, veja. –Ele entrega seus documentos à Loki, que se surpreende com a veracidade dos fatos.
—Isso só pode ser algum tipo de brincadeira. –Loki se incomoda e pega seu casaco, levantando-se para sair.
À medida que seu convidado caminhava até a porta, Thor sentia seu coração apertar. Já com a mão na maçaneta, Loki é interrompido, sendo puxado pelo pulso.
—Espera. –Ele puxa o convidado para si, e o observa com cautela. –O que aconteceu com essa sinergia legal que tínhamos há pouco?
Sem resposta. Apenas um suspiro longo. Incomodado com aquela sensação de impotência devido à sua falta de memórias e à sensação de estranheza causada pela presença de seu vizinho misterioso, Thor segurou-lhe o queixo, beijando-o passionalmente. Ainda segurando seu pulso, encostou-o na parede sem parar o beijo. Loki, de início, parecia lutar contra aquilo, porém após algum momento, deixou de lutar contra sua própria vontade. Segurou a cintura do homem que o beijava à força e o puxou para mais perto. Percebia as bochechas ruborescidas de Thor, e portanto, tinha a certeza de que não se lembraria de nada no dia seguinte.
—E-ei. –Loki arfava à medida que a mão de Thor, em suas costas, descia. Não podia negar que o achava atraente desde que o observou de longe pela manhã.
Pela manhã, enquanto Thor conversava com o homem que descarregava seus móveis, Loki o observava do outro lado da rua. Pensou consigo mesmo que aquele homem possuía um sorriso belo e radiante, e portanto, era perigoso aproximar-se dele. Não queria envolver-se, não queria apaixonar-se. Era inegável que sentia uma conexão com aquele homem, e entre beijos, estava cada vez mais certo daquilo. Não possuía suas memórias, assim como ele, mas uma coisa era certa: Estavam destinados a cruzarem o caminho um do outro.
—Não sei o que está acontecendo comigo. –Thor sussurrava ofegante, no ouvido do homem à sua frente. –Mas eu não quero parar agora. –Terminou, beijando Loki novamente, enquanto afagava seus cabelos negros.
—Você está bêbado. –Loki se afastou, virando o rosto para o lado.
Thor segurou-lhe o queixo, olhando em seus olhos.
—Talvez. –Prosseguiu beijando-o, e sem parar o ato, levou-o até o sofá.
Antes que algo pudesse acontecer, Loki o empurrou, e correu em direção à porta, com uma expressão encabulada. Retirou-se e trancou a porta de seu apartamento, visando evitar quaisquer contato com seu vizinho esquisito e atraente. Não possuía suas memórias, porém em seu coração, sentia um vazio. Sabia que havia perdido alguém, sabia que já havia sido machucado profundamente, e mesmo não recordando-se da dor, algum resquício permanecia ali, e estava amedrontado demais para envolver-se tão profundamente com alguém. Algumas batidas em sua porta o fizeram pular com o susto, porém nada o assustava mais do que o efeito da voz daquele homem em seu corpo. Ele estava apenas lhe implorando para que abrisse aquela porta, porém seu corpo arrepiava-se por completo apenas com aquele som, aquela melodia, aquela sinfonia que era aquela voz para ele. Seu coração acelerado, sua intimidade ereta, e até mesmo sua cabeça pulsava com todos aqueles sentimentos misturados em uma única coisa. No mundo existem coisas inexplicáveis, incontestáveis, porém sem explicação plausível. Aquela conexão entre eles era uma dessas coisas. Ambos sentiam aquilo, mesmo sem suas memórias, mesmo sem conhecerem-se há tempos, mesmo que nunca tivessem trocado palavra alguma. Eram como dois imãs de polos opostos que atraiam-se um para o outro sem esforço algum, apenas por traquinagem do destino. E lá estavam eles, atraídos um pelo outro após apenas duas horas de proximidade.
—Loki! Abra essa porta! –Sua voz grave ecoava por sua mente como uma música agradável e inesquecível.
Sim... Inesquecível. Aquela era a única palavra capaz de definir o gosto dos lábios daquele homem. A única palavra que fazia jus àquele toque tão bruto, porém tão suavemente atraente.
—O que é essa gritaria toda aqui? –Uma voz feminina, cansada interveio. Era uma senhora, a dona daquele prédio, que afastou Thor de volta para o seu apartamento após um longo sermão.
Loki estava aliviado por finalmente conseguir um pouco de paz interior para si. Apenas aproximar-se daquele homem era perigoso para ele. Ao observar o seu rosto ruborescido no espelho do banheiro, jorrou água fria em si mesmo, visando acalmar-se após tanta ação. Percebeu da pior, porém mais prazerosa, maneira que deveria evitar quaisquer possível contato com aquele homem.
Ambos se encontravam com um problema para dormir. Estavam tão perto, porém tão longe, e aquela distância, mesmo que mínima, os matava por dentro. Queriam sentir um ao outro novamente, aquela faísca indescritivelmente quente que surgiu entre eles era o suficiente para incendiar todo um universo, e naquele momento, o coração de ambos queimava com o fogo ardente da paixão que crescia no peito de cada um. Seria apenas a luxúria falando mais alto? Provavelmente não. Antes mesmo de se conhecerem já tinham um bom pressentimento quanto à esse encontro.
Bip... Bip... Bip...
—Hmnmm... Loki... –Thor se animava com seu sonho erótico logo pela manhã, porém foi logo interrompido pelo som insuportável de seu despertador. –Fala sério. –Levantou e segurou o despertador em sua mão direita, simulando o ato de jogá-lo na parede, porém pensou duas vezes e não o fez.
Correu para o banheiro visando urinar, porém devido ao seu sonho, teve dificuldades para fazê-lo pela manhã. Suspirou alto enquanto imaginava o tanto que tudo aquilo mexia com sua cabeça, e com certeza a dor que sentia não era uma simples ressaca. Estava acostumado a beber muito mais, e não, não estava bêbado na noite anterior. Utilizou o fato de ter bebido como uma simples desculpa para extravasar todo o desejo que estava sentindo naquele momento, porém se arrependia de tudo, embora não hesitasse para fazê-lo novamente. Arrependia-se por tê-lo deixado ir, e não por tê-lo tocado. Queria tocá-lo ainda mais, e aquele desejo incansável o consumia por dentro.
—Droga. –Bufou, observando o volume em sua calça.
Dirigiu-se ao chuveiro, visando tomar um banho gelado. Escovou os dentes ali mesmo enquanto se higienizava, e após terminar sua ducha, vestiu-se depressa para caminhar em direção ao seu novo trabalho.
Loki, por sua vez, teve muitos problemas para adormecer. Apesar da ressaca infeliz, essa era a menor de suas preocupações no momento. Encontrava-se encostado na porta de seu apartamento, aguardando para ouvir o momento em que seu vizinho sairia. Estava com fome e queria atravessar até a padaria do outro lado da rua, de onde havia avistado Thor na manhã anterior, porém não tinha a mínima vontade de encará-lo novamente. Decidiu evitá-lo até encontrar um novo apartamento, e só então, o encontraria novamente para despedir-se.
Thor se preparava para sair, quando percebeu um espirro familiar vindo do apartamento ao lado. Sorriu consigo mesmo ao perceber que o dono de seus pensamentos já estaria acordado e não pretendia encará-lo tão cedo. Não fechou sua porta para evitar barulho. Em passos silenciosos, dirigiu-se até a padaria e comprou dois sonhos de creme. Levou um consigo para o trabalho, e o outro deixou na frente da porta de Loki, juntamente à um bilhete. Finalmente, trancou sua porta e correu para o trabalho.
Loki contou dez segundos desde a saída definitiva de Thor até abrir a porta de seu apartamento, e ao fazê-lo, deparou-se com o pacote que seu vizinho havia deixado anteriormente. Pegou o bilhete em sua mão, e decidiu lê-lo em voz alta:
—“Bom dia. Espero que isso seja tão bom quanto a noite anterior. Aliás, não fique na porta me esperando sair de agora em diante.”
Após um longo suspiro, amassou o bilhete, jogando-o pela sacada do andar, acertando a senhora que havia dado um enorme sermão em Thor na noite anterior. Observou-a se irritar, e correu para dentro de seu apartamento rapidamente. Sentou-se em seu sofá verde de camurça e colocou o seu computador portátil na mesa em frente ao assento. Pôs-se a procurar um novo apartamento enquanto comia seu sonho de creme por inteiro.
Thor deveria estar ansioso para o seu primeiro dia no trabalho, e estaria, não fosse por aquele homem que havia ocupado todos os seus pensamentos. No dia anterior, a sua maior conquista era finalmente ter conseguido um emprego, porém agora, para ele, sua maior conquista era ter saboreado daqueles lábios suaves e completamente sensuais de seu vizinho. Também era sua atual vontade, embora não quisesse apenas os lábios. Queria saboreá-lo por completo, e estava ansioso para reencontrá-lo novamente, para dessa vez, contar-lhe a verdade sobre a noite anterior.
—Bom dia. –Thor despertou de seu transe com a voz de Sabrina.
—Bom dia. –Retrucou, ríspido e distante.
—Relaxa, eu não vou te morder. –Ela sorri de canto e se aproxima do ouvido de Thor. –Só se você quiser. –Termina com um sussurro, e se afasta.
Ele apenas revirou os olhos sem que ela percebesse, e sorriu ao encará-la novamente. Na companhia da moça, se dirigiu até o andar em que trabalharia e despediu-se dela o mais rápido possível. Não sentia-se confortável próximo à alguém que o devorava apenas com o olhar. Ao menos não ela, porém adoraria que Loki fizesse o mesmo. Havia percebido algo estranho naquela mulher desde o momento em que a conheceu, porém decidiu ignorá-la.
—Thor, meu amigo. Como está sendo o seu primeiro dia aqui na minha empresa? –James o recebe, indo pessoalmente até a sua sala.
—James! Tudo certo, tudo ok. –Tentava disfarçar a sua falta de atenção naquela conversa.
Conversaram por algo em torno de uma hora, e após isso, Thor trabalhou até tarde, pulando até mesmo o almoço. Na hora de voltar para sua casa, encontrou-se pensando se encontraria Loki. Estava ansioso para vê-lo, porém sabia que não seria tão fácil, e não estava com a mínima vontade de ouvir outras duas horas de sermão da Sra. Sherman, síndica do prédio. No caminho, parou em uma loja de conveniência para pegar um macarrão instantâneo e correu para sua casa visando encontrar seu vizinho, porém sem sucesso. Nem mesmo as luzes de seu apartamento estavam acesas, portanto Thor decidiu entrar e tentar novamente amanhã.
Na manhã seguinte, novamente sem sucesso. Ao voltar do trabalho, se desencontraram novamente. E por duas semanas, dia após dia, assim ocorreu. Isso o enlouquecia completamente. Não tinha mais vontade de comer, nem ao menos de beber as cervejas que tanto adorava. Sempre que passava em frente à uma confeitaria se recordava da noite em que passaram juntos, e isso o destruía por dentro. Duas semanas inteiras, até que, em uma noite de domingo, ouviu o tinir das chaves de metal vindas de algum local próximo. Levantou-se do sofá como um vulto, e correu até sua porta para abri-la.
—Boa noite. –O homem o cumprimentou.
O sorriso que antes cobria todo o seu rosto, já não estava mais lá. Era seu vizinho, de fato, porém não o que procurava. Para evitar ser grosseiro, apenas acenou e retribuiu-lhe o cumprimento. Suas esperanças já haviam se esgotado, então voltou até o seu sofá em passos desanimados. Havia requisitado uma entrega de pizza, e ao ouvir três batidas na porta, levantou-se para receber sua encomenda.
—Foram trinta reais, certo? –Indagou enquanto olhava para o dinheiro em sua mão.
—O fardo de cerveja foi apenas doze, mas eu não vou recusar se quiser me entregar trinta. –Aquela voz o fez derrubar todo o dinheiro de sua mão.
Em um susto, Thor levantou a cabeça para se deparar com Loki, que segurava um fardo de cerveja em sua mão. Beliscou o seu braço para ter a certeza de que não estava sonhando acordado novamente, o que retirou um sorriso do rosto de seu visitante.
—Posso entrar?
Thor não respondeu. Apenas o puxou para dentro pelo pulso, encostando-o na parede. Retirou o fardo de cerveja de sua mão, jogando-o no chão. Permaneceu encarando o rosto de seu amado por um tempo para poder memorizá-lo bem. Não queria esquecê-lo, não queria mais sentir a agonia de não poder vê-lo por tanto tempo. Sem mais delongas, aproximou seu rosto do dele, aguardando a devida aprovação para poder tocá-lo, porém Loki negou, afastando-o de perto de seu corpo.
—Me desculpe, eu... –Thor afagava sua nuca, sem compreender o motivo de ser recusado tão facilmente assim. Para ele era tão complicado manter suas mãos longe de Loki, porém para este, parecia tão fácil afastar-se e esquecer de sua existência.
Loki, no entanto, estava destruído por dentro. Só Deus sabe quanta coragem e força de vontade foram necessárias para afastar aquele homem de perto de si. Apenas o fato de estarem próximos sem nem ao menos tocarem um no outro era o suficiente para fazê-lo ter inúmeros pensamentos imersos em luxúria. Era doloroso para ele. Aquelas duas semanas foram o inferno na Terra, porém nada se comparava àquela dor de tê-lo ali perto sem poder tocá-lo.
—Vim apenas para me despedir. –Aquelas palavras saíram como um tiro. Loki engoliu seco assim que as proferiu, e se pudesse, nunca as teria permitido saírem de seus lábios. –Estou me mudando novamente.
O coração de Thor se despedaçava à medida que Loki abria seus lábios apenas para dizer que se afastaria novamente. Em sua vida, se arrependeu de muitas coisas, porém o que estava prestes à fazer agora não era uma delas.
—Então nunca mais nos veremos, certo? –Thor retrucou, aproximando-se em passos lentos.
—É bem provável, sim.
Loki estava aflito. Engolia seco à cada palavra que permitia sair daqueles lábios rosados. E para piorar, o homem que lhe fazia sentir-se assim estava vindo em sua direção com passos lentos. Para ele, isso era tortura.
—Você tem um motivo decente pra isso? –Thor o encarava, à milímetros de distância de seu rosto do dele. –Digo, você se mudou para cá há apenas duas semanas.
Loki tornou-se a ficar cabisbaixo. Não, o seu motivo não era decente. Era tão indecente que tinha vergonha de si mesmo. O único motivo para querer afastar-se dali era o fato de, todo o tempo, querer invadir o apartamento de seu vizinho pois era insuportável manter uma distância, mesmo que mínima, daquele homem.
—Sim. –Era agonizante mentir para ele, porém era necessário.
—Me diga se realmente quiser que eu pare. –Thor retrucou, com um olhar determinado em sua face.
Segurou o quadril de Loki com intensidade, puxando-o para perto de si. Selou seus lábios com os dele, forçando a entrada de sua língua na boca de seu parceiro, que fez o mesmo. Ambos estavam ofegantes apenas pelas faíscas que criavam à medida que se tocavam, e não era nada insatisfatório tudo aquilo. Sem conseguir suportar por mais tempo, empurrou-o até o sofá sem cessar o beijo. Puxou a camisa de Loki, desabotoando-a lentamente enquanto o provocava com mordidas em seus lábios e leves toques próximos à virilha.
—T-thor... –Gemia o nome de seu parceiro, ofegante.
—Você queria se afastar novamente. Está certo disso agora? –Thor o encarava, retirando suas próprias roupas. Já estava sem sua camisa, deixando seu abdômen definido à mostra.
Loki assentiu à contragosto. Seu orgulho não lhe permitia recuar apenas por seu desejo de deixa-lo possuí-lo por inteiro. Queria senti-lo dentro de si, porém não podia voltar atrás em sua palavra.
—Não tem nem ao menos a coragem de me pedir para parar e quer que eu acredite nisso? Olhe no fundo dos meus olhos e me diga o que você realmente deseja. –Retrucou, já nu, enquanto aguardava pela resposta de seu parceiro.
Seu corpo escultural fazia o corpo de Loki estremecer por completo. Era óbvio que não tinha a mínima vontade de permiti-lo parar. Queria sentir seu toque, e acima de tudo, queria tocá-lo também. Sem conseguir se segurar por mais tempo, Loki aproximou-se de Thor para tocá-lo.
—Loki... –Murmurou, enquanto sentia os lábios dele em seu membro rígido.
Aquele movimento de vai e volta o enlouquecia. Nunca havia sentido algo assim antes. Sabia que Loki era especial, porém não estava à par do tanto que aqueles sentimentos o dominavam por completo.
—Eu quero você. –Loki sussurrou, finalmente dando a resposta que Thor ansiou por tanto tempo para ouvir.
Loki afastou-se, permitindo que Thor tomasse as rédeas. O anfitrião retirou as roupas de seu parceiro por completo, e em um piscar de olhos, ambos estavam nus. Thor virou o corpo de seu parceiro, deixando-o de bruços, de costas para ele, e então pôs-se a massagear o pênis de seu amado, que gemia e revirava os olhos com o seu toque. Thor sorria ao percebê-lo segurando uma almofada com força para aliviar o prazer que sentia naquele momento.
—Isso pode doer um pouco. –Ele sussurrou no ouvido de Loki, entregando-lhe uma mordidinha suave ali mesmo, antes de se afastar para continuar o serviço.
Ele imaginava essa cena há dias, e por um descontrole, havia comprado um lubrificante em uma farmácia. Aquela seria a hora de utilizá-lo, finalmente. Sem mais delongas, aplicou o lubrificante aonde pretendia penetrar, e logo após o fez. Vagarosamente, sempre verificando o rosto de prazer de Loki para provocá-lo.
—A-ah... –Gemia baixo, ofegante, enquanto Thor estacava vagarosamente o seu pênis em seu ânus. Era dolorido, porém prazeroso.
Loki se masturbava por baixo, enquanto mordia a almofada evitando constrangimentos com a vizinhança. Aquela sensação, apesar de dolorosa, era a melhor que já havia sentido. Thor acelerava os movimentos à medida que se satisfazia enquanto finalmente fazia amor com seu amado. Era uma sensação insuportavelmente prazerosa poder unir seus corpos daquele modo. Aquela conexão era mais do que um simples amor carnal. Queriam tão desesperadamente um ao outro que não tardou para chegarem ao ápice do ato, embora estivessem forçando o máximo possível para não terminar.
—Loki, eu vou... A-ah. Eu quero gozar dentro de você. –Thor sussurrava em seu ouvido, recebendo uma aprovação quase que imediata.
No ápice de seu prazer, Thor continua a penetrar Loki com seu membro, de modo veloz. Deslizava muito bem, visto que estava muito excitado, e não tardou a encher seu parceiro com seu sêmen. Separaram-se rapidamente assim que este estava satisfeito. Aquele líquido escorria pelas pernas de Loki, manchando o sofá.
—Eu deveria levantar, estou sujando o seu... –Loki tentou levantar-se, porém foi interrompido por seu parceiro, que o empurrou de volta ao sofá.
—Dane-se o sofá. –Thor retruca, com um sorriso malicioso.
Aproximou-se de Loki que estava sentado, e colocou o rosto em frente ao pênis deste, lambendo-o com vontade enquanto o masturbava ao mesmo tempo. Tentou enfiá-lo por completo em sua boca, porém quase vomitou devido à sua falta de experiência com coisas do gênero, portanto decidiu apenas continuar chupando superficialmente. Loki arfava de prazer, intercalando entre longos suspiros ofegantes e gemidos com o nome de seu amado. Não tardou à encher a boca de Thor com o seu sêmen, porém o loiro pareceu não se importar. Engoliu o líquido branco e pegajoso e prosseguiu lambendo o membro de Loki, que agora sentia um prazer diferente, mais intenso, doloroso, porém muito satisfatório. Seu pênis estava sensível devido à sua recente chegada ao ápice, portanto à medida que Thor encostava sua língua, era impossível segurar os altos gemidos de prazer. Seu coração estava acelerado como nunca, e ambos estavam completamente encharcados pelo suor.
—Você é maravilhoso. –Thor levantou-se, pegando Loki em seus braços e levando-o até sua cama.
Com um último beijo, vestiram-se para dormir.
—Eu estava com medo. –Loki murmurou, chamando a atenção de Thor.
—Medo?
—Medo de que você pudesse se afastar. Medo de me entregar por completo sem ter uma segurança e depois ser abandonado novamente.
—“Novamente”? Isso já aconteceu antes?
Loki estava cabisbaixo.
—Eu não me lembro, porém a dor é impossível de ser esquecida.
Thor se aproximou, abraçando-o fortemente de modo caloroso, de modo à demonstrá-lo que não o deixaria ir, jamais.
—Eu te amo, Loki. –Sussurrou.
—Thor, eu... –Hesitou por um momento, porém finalmente decidiu entregar-se. –Estou perdidamente apaixonado por você.
Afastaram-se, e selaram aquela paixão intensa com um beijo. Assim que encostaram seus lábios, foram surpreendidos por um clarão, e após alguns segundos, estavam de volta ao local aonde tudo começou.
—Thor! Finalmente! Que clarão foi esse? –Bruce banner se aproximou dos irmãos.
—Eu... –O Deus do trovão estava perdido. Não tinha certeza do quanto daquilo era real, porém se lembrava de tudo.
O ilusionista travesso, por sua vez, parecia ter liberado um peso de suas costas. Um peso que guardava há anos. Olhou para o irmão e sorriu, sinalizando para que fossem conversar à sós. Pediram licença para Bruce, e correram para um alojamento deserto naquele pequeno planeta que os abrigava. Por um momento, não sabiam por onde começar, porém Loki quebrou aquele silêncio desconfortável com um beijo. Ao se afastar, sorriu de canto para Thor, e sumiu. Simplesmente desapareceu de sua frente, deixando apenas um dilema como lembrança. O Deus do trovão não conseguiu evitar. Sorriu como um bobo apaixonado, e pensou consigo mesmo que não tinha problema. Loki estava indo embora, porém sempre encontraria o seu lugar de volta ao seu lado, pois afinal, seus destinos estavam entrelaçados, e em um momento ou outro, cruzariam-se novamente.
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