Pulsação

4 Oh, Arnold!


Notas iniciais
Primeiro eu queria agradecer as duas lindas que favoritaram a minha história: LucyWell e a Rayane Ramalho! E agredecer de novo a Rayane por ter recomendado a minha fic! Vocês são lindas demais ♥
Muito obrigada para os que estão comentando e lendo! Quanto maior o número de comentários mais fácil fica de ir postando!

Bom, vou experimentar colocar links de músicas nos capítulos e você me dizem o que acham da ideia.

Leiam e aproveitem (:

Pela manhã Helga acordava rolando pra fora da cama, a cabeça sempre meio dolorida, sentia como se não tivesse descansado nada. Vestia uma jeans, camiseta, jaqueta, touca e pegava a bolsa. Saía de casa sem Bob perceber, comprava alguma coisa pra comer no caminho e esperava Torvald, que a buscava todos os dias. Ela não ia com o ônibus da escola, parecia deprimente demais. Quando já estava na garupa da moto se pegou pensando em Arnold, pensando se ele já voltaria para a escola e se voltasse em que aulas estaria? Seria o mesmo de sempre, gentil e atencioso como todos? Continuava lindo? Oh, Arnold! Ela suspirou.

–Helga? – Torvald perguntou aos berros tentando soar mais alto que o barulho da moto – Helga?!

–Quê?

–Arnold está de volta! – ele gritou e apontou para uma figura loira andando ao lado de Gerald a caminho da escola

Helga sentiu suas mãos suarem e o corpo tremer, sabia que Torvald sentira seu corpo tremendo encostado no dele. Ele estava aqui, após tantos anos, ele voltara pra ela. Não! Não pra ela. “Pare de pensar nele sua idiota”.


Assim que entrou no colégio viu um grupo alvoroçado, uma confusão. Já se aproximou gritando, estava sozinha já que T. estava estacionando a moto.


–Que que as madame tão alvoroçada? – Perguntou tentando se enfiar no meio das pessoas

Ninguém parecia ouvi-la. Se forçou entre as pessoas que a esmagaram e deram cotoveladas como se ela fosse qualquer um. Cotoveladas e mais cotoveladas até chegar ao centro de tudo e dar de cara com ele. Ele. Estava diferente, mas definitivamente era ele. A cabeça mais proporcional ao corpo, mas ainda com formato de bola de futebol. Os cabelos loiros mais compridos, o rosto mais marcado e um sorriso tímido. A pele ligeiramente mais escura, bronzeada, uma camisa xadrez vermelha comprida aberta com uma camiseta branca por baixo, jeans, all stars pretos e um boné azul. Oh Arnold! O corpo de Helga endureceu, ela ficou sem reação e sem fala. Sentiu o ar fugir os pulmões, as mãos voltaram a suar e começou a perder o foco. Nunca imaginou ficar tão nervosa ao vê-lo novamente.

–Oi Helga! – Arnold falou, a voz notavelmente mais grossa, como se nada tivesse acontecido como se eles ainda tivesse 12, 13 anos e fossem amigos. Como se nada mais importasse, como se falasse a ela que estava tudo bem agora porque ele estava de volta. (Dust in the wind)

De repente milhões de memórias surgem em sua mente, desde a primeira vez que se viram. Quando ele a chamou de laço bonito, os dois interpretando Romeu e Julieta, quando Helga se vestiu de Laila para impressionar Arnold. Tudo veio a tona, todas as vezes que Helga secretamente se declarou para Arnold, todas as vezes que sonhou em tê-lo, as horas que passava em seu closet. Todas as bolinhas de papel jogadas nele, todas as hostilidades... Tudo. E então a memória mais recente, de Arnold saindo de seu quarto apavorado. Quando Helga voltou à realidade estavam todos a encarando, inclusive Arnold.

–A-Ar.. – Ela tentou falar seu nome, a boca seca, as narinas puxando ar como se tivesse acabado de voltar à superfície após muito tempo sob a água. – Arnold. – Disse finalmente, a voz fraca. Finalmente seu corpo respondeu e ela deu um passo para trás e enquanto tentava se recompor sentiu uma mão a apertando no ombro. Torvald. Helga não queria vacilar na frente dele, não podia deixar Torvald e esse bando de babacas a volta deles pensando que ela era frágil. – Arnoldo! – Falou finalmente em seu tom normal e arrogante.

Arnold passou seus olhos de Helga para Torvald algumas vezes e a expressão em seu rosto parecia conformada, como se fizesse sentido os dois estarem “juntos”. Helga virou para encarar T. e ele tirou a mão de seu ombro. Quando os olhares se encontraram Helga voltou a sentir chão sob seus pés e começou a marchar para longe de Arnold, usando toda a sua força para empurrar quem estivesse no caminho.

Como poderia ter sido tão fraca? Essa não era Helga G. Pataki! Ah... Não era! Socou um armário, derrubou um aluno mais novo, jogou seus livros pra alto e gritou com uma menina sardenta. Ela queria machucar alguém queria descontar essa raiva. E ao mesmo tempo... Queria abraçar Torvald e sentir um pouco de carinho, sentir alguma tranquilidade. Não! Não, Helga, não! Trotou para sua sala e não trocou nenhuma palavra com Torvald. Foi uma das primeiras a entrar na sala e sentou no lugar de sempre. Com o tempo outros colegas chegaram e lançavam olhares acusatórios a Helga, mas ninguém ousava provocá-la. Até Rhonda entrar na sala.

–Oooh Arnold! – Ela falou com uma voz aguda e suave – Ohh Arnold, como eu te amo! Oh! – Continuava ela, provocando Helga – A-Ar-Arnold – falou imitando Helga num sussurro e olhou fixamente em seus olhos.

–Sua vagabunda – Helga falou vagarosamente e levantou avançando em Rhonda

–Nós já sabemos que você não é tudo isso Helga! Mesmo depois de tantos anos continua idolatrando Arnold! Como isso estava funcionando enquanto ele estava longe? Como ficou a escultura de chicletes mascados? – Rhonda gritava

Helga pulou em cima dela, as mãos direcionadas ao pescoço. Errou. Rhonda ia abrir um sorriso quando Helga segurou-a pela gola de sua camisa de marca com a mão esquerda e fechou o punho da direita. Mirou o queixo da garota quando Arnold grita da porta “Helga, pare!”. Ela aproxima o punho do rosto de Rhonda, mas decide soltá-la e volta para seu lugar bufando. Maldito cabeça de bigorna!


Durante o resto das aulas Helga ouviu alguns garotos tentando imitá-la “Ar-Arnold” sussurrando ao redor dela. Ela tentou ignorar, Helga não podia bater em ninguém dentro do colégio, se o fizesse chamariam seu pai ao colégio. Isso não poderia acontecer. Na hora do almoço quando todo o refeitório parou o que estava fazendo para a encarar, ela decidiu que era demais. Mesmo que fosse forte, estava cansada. Hoje ela não queria ter que lidar com isso.


Quando estava a meio caminho do covil escutou o barulho da moto de Torvald se aproximando. Foram juntos para o covil, em silêncio. Ao chegarem no casebre, Helga sentou no sofá agarrada em uma garrafa de vodka e bebeu. Torvald parecia apreensivo, se fosse qualquer outra garota ele a abraçaria e diria que tudo ficaria bem. Faria carinho, tentaria ser gentil e fazê-la rir, mas era Helga. Ela secou o conteúdo da garrafa e foi atrás de mais. Reuniu tudo o que tivesse sobrado de álcool no casebre e bebeu. Já bêbada gritava a respeito de Arnold, o quanto era idiota e como eram idiotas os outros que o veneravam por ser gentil. Esbravejou, chutou coisas, ameaçou se vingar umas mil vezes até cair no colo de Torvald.


–Me beije – Helga pediu.



Torvald nunca a tinha ouvido pedir, não de uma maneira tão doce. Quando ela queria só o empurrava contra a parede e o beijava. Sempre fora confiante e firme. Deixava claro que não passaria disso, uns beijos e nada mais. Ela colocou a mão no rosto dele e ele a beijou. Não urgente e cheio de fogo, mas um beijo lento e cheio de ternura. Após o beijo mais delicado que Helga já dera na vida, adormeceu. No colo de Torvald, mais bêbada que um gambá.


Notas finais
Que isso Helga, que isso? haha

Comentem caras!

Rawr