Notas iniciais
Pra variar eu demorei demais, rs.
Sorry...
Agora as coisas começam a fazer mais sentido, ou não. MUAHAHAHA, fiquem na curiosidade. E não me odeiem.

Theory Of A Deadman - Santa Monica
http://www.youtube.com/watch?v=7ElrLR8hf14

Justin Timberlake - Blue Ocean Floor
http://www.youtube.com/watch?v=ZWmyT8DM1r4

(Santa Monica) Helga acordou antes do despertador, tentou virar para o lado, mas não conseguiu, tinha um corpo ao seu lado que estava prensando-a contra a parede. Ela forçou o corpo contra o dele o máximo que pode até que ele acordou.

-Helga? – ele chamou com a voz rouca

-Você está me esmagando – ela sussurrou

-Oh, desculpe – ele se afastou um pouco dela. – Desculpe.

-Tudo bem — ela olhou-o nos olhos e sorriu. – Bom dia T.

-Bom dia Helga – Ele sorriu de volta pra ela. – Finalmente conseguiu descansar, né?

-Sim. – Ela se aconchegou nele. Sentiu o cheiro dele e o abraçou forte. – Eu não sei mais ficar longe de você – sussurrou e ele arregalou os olhos.

-Nunca pensei que ouviria você dizer isso Helga, nunca! – ela o soltou e recuou. – Não... Calma. Não é uma coisa ruim. – Ele a puxou de volta. – Você não precisa ficar longe de mim Helga, eu sempre estive aqui com você, sempre à espreita esperando você me chamar. Eu sempre fui seu Helga e agora você é minha.

-Sou sua – Ela sussurrou enquanto beijava seu pescoço.

O despertador de Helga tocou e ela rapidamente colocou Torvald para fora pela janela. Depois que se arrumou desceu as escadas e encontrou Big Bob em pé perto da porta.

-Oi Bob. – falou mansa

-Não me venha com essa voz suave Helga! Nem comece! – Ele avançou para cima dela e fez menção de lhe dar um tapa

-Você está louco?! – Helga gritou e ele recuou

-Louco? Talvez Helga, talvez. Louco por pensar que poderia confiar em você! Onde você foi ontem?

-Lugar nenhum!

-Não minta pra mim! – Ele bateu em seu rosto. Ela sentia a bochecha latejando.

-O que é isso Bob?!

-Eu subi ao seu quarto para deixar o seu sapato que você tinha esquecido aqui embaixo e você não estava lá. Você voltou pra casa depois da hora que eu fui dormir Helga. O que você anda fazendo? Você não me respeita mais!

-Nunca respeitei Bob! Como respeitaria você como pai se você nunca foi um!

Helga saiu de casa o mais rápido que conseguiu, tanto que deixou a porta aberta. Ela estava correndo e chorando, nem sabia pra onde, bateu em pessoas no meio da rua e ouviu o barulho da moto ao lado dela. Ela não queria parar, precisava extravasar.

-Helga! Helga! Helga pare! – Torvald gritou até Helga parar e subir na moto. – O que foi Helga? Porque está chorando?

-Ande Torvald, ande com essa moto! – Ela gritou.

Durante o caminho até o colégio eles se mantiveram em silêncio, Helga controlou o choro e T. continuava curioso. Quando estavam quase entrando no corredor principal do colégio T. tomou coragem para perguntar.

-O que houve Helga?

-Big Bob descobriu que eu não estava em casa ontem e me deu um tapa na cara. – Ela falou calma e foi surpreendida por ele a abraçando.

-O amor é lindo! – Gerald falou debochado passando por eles. Torvald soltou Helga e fez menção de ir pra cima dele, quando Helga o segurou.

-Não T. Não.

-Tudo bem Helga.

Eles entraram no colégio como sempre, de cara fechada, encarando todo mundo. Quando se aproximavam de um grupo grande de pessoas Helga segurou na mão dele, agora ela era dele. Agora eles eram um casal que andava de mãos dadas. O burburinho aumentou, eles se aproximaram do foco da confusão onde claramente estava a Rhonda. O grupo de populares estava carregando montes e montes de papéis e colando nos armários, quando Helga chegou perto o suficiente para ver o que era seu coração parou. “Fodeu”. Sentiu Torvald largar sua mão e quando se virou para olhar pra ele, já tinha sumido. Ao perceberem Helga no meio da multidão abriram espaço envolta dela.

-Finalmente realizou seu sonho, não é princesa dos ogros? – Rhonda falou alto para todos ao redor ouvirem enquanto balançava a foto dela beijando Arnold.

Helga sabia da existência da foto, mas não esperava que isso acontecesse. Fotos em preto e branco impressas em papel de todas as cores e com a frase “Ogra também ama”.

-SUA VAGABUNDA, FILHA DA PUTA! – foi o que saiu da boca de Helga.

Ela avançou em direção de Rhonda, mas as líderes de torcida a seguraram, empurraram, jogaram no chão e só não começaram a bater em Helga porque o diretor logo apareceu. Pela primeira vez Helga era a vítima, foi para a sala do diretor como vítima e não recebeu punição. Ninguém recebeu punição, já que nada tinha acontecido.

Helga matou a primeira aula e ficou do lado de fora do refeitório. Ela queria chorar, mas não conseguia. Seu pai tinha lhe dado um tapa na cara, Torvald estava puto com ela e o colégio todo estava zoando com a cara dela, de novo. Helga sempre fora hostil como proteção e agora sua hostilidade não lhe servia mais para nada, ninguém mais teria medo dela. A primeira parte de seu plano já estava se virando contra ela, seria a hora de desistir? Assim tão cedo?

A. — Helga?

H. – O que é?

A. – Você está bem?

H. – Não Arnold, não.

A. – Onde você ta?

H. – Do lado de fora do refeitório, cortando os pulsos.

Ele não respondeu mais. Ela não podia mais ser tão hostil. Se não ficaria sozinha e ela não aguentaria ficar sozinha de novo. Respirou fundo, caçou outro cigarro em seus bolsos e acendeu. Era o terceiro cigarro dos últimos minutos.

-Não Helga, não entre nessa! – Arnold surgiu do nada.

- O que está fazendo aqui?

- Fiquei preocupado Helga. Nós temos a primeira aula de hoje juntos e você não estava lá. – Uma pontada de felicidade surgia em Helga ao ouvir isso

- Não tem como assistir aula Arnold. Você viu o que eles fizeram. Um pequeno escorregão vai acabar comigo.

-Desculpe Helga. – Ele sentou ao lado dela

-Não é culpa sua Arnold, é minha. Que cultivei tantos inimigos por tanto tempo.

-Calma Helga.

(Blue Ocean Floor)

-Não tem como ficar calma. Torvald não vai mais falar comigo, nós estávamos finalmente nos entendendo nesse final de semana e agora acontece isso. Eu não posso perdê-lo, Arnold. Não posso. – lágrimas voltavam a escorrer. Ele a abraçou de lado.

-Se serve de consolo, também estou com problemas. – ele falou baixo

-O que? – ela se surpreendeu.

-Alguém mandou a foto para a Joy. Ela me ligou no meio da madrugada e gritou comigo. Ela se decepcionou e eu não pude falar nada. O que iria dizer pra ela? Eu a traí, mesmo que apenas por um curto momento... – Ele parou de abraçá-la

-Sinto muito Arnold. – Ela parou de chorar.

-Nós terminamos Helga. – Ele parecia a ponto de chorar. E Helga só conseguia pensar que alguém foi mais rápido do que ela ao enviar a foto. Esse era o plano inicial de Helga, mas agora ela já não sabia mais se era isso que ela realmente queria.

-Me desculpe, me desculpe, me desculpe.. – Helga surtou.

-Calma Helga. – Ele a encarava e Helga se perdeu em seus olhos por alguns segundos

-Estamos solteiros Arnold. Eu perdi toda minha moral aqui no colégio. Não to valendo nada. – Helga desviou dos olhos de Arnold e fitou o chão

-Precisa ter calma Helga. Você já falou com ele?

-Não, ele fugiu de mim. Ele não vai querer andar comigo agora e me ver andando com você só vai provocá-lo mais ainda.

-Converse com ele, ele não parece ser muito racional, mas não vai deixar essa loira linda escapar de suas mãos – Ela corou e ele ao perceber corou também.

-Eu não sei se ele me acha linda Arnold, acho que é só bondade sua. A única coisa que ele já elogiou foi um soco bem dado. – Ela finalmente voltou a olhá-lo

-Sabe Helga, comparando o seu relacionamento com o meu... Eu entendo que vocês estejam juntos, mas não entendo alguém que não valorize a namorada. – Agora era ele quem fitava o chão.

-Não sou namorada dele. – Arnold franziu o cenho. – É complicado.

-Então descomplique, me explique. Eu não vou a lugar algum. – Ele sentou-se virado para ela, de maneira que pudesse olhá-la fixamente.

-Ah Arnold... – Ela suspirou e remexeu as mãos

-Pode confiar em mim

-Bom, vamos voltar uns anos atrás, quando você foi embora. As coisas ficaram bem complicadas aqui pra mim, não foi culpa sua. Fofocas aconteceram, eu briguei com todo mundo, nem Phoebe me aguentou. Hoje vejo o mal que me fez, mas na época eu odiei todo mundo, bati em muita gente e armei muita confusão. Passei um ano sozinha e brigando com todo mundo. Um dia Torvald me notou e veio me convidar para assistir um show com ele, ele sempre foi valentão, as pessoas o respeitavam, não faria mal pra mim, só manteria as pessoas mais longe. Fui ao show com ele e conheci seus amigos Leo e Kate os irmãos gêmeos lindos e me apeguei a eles também. Com o tempo Jake e seus cabelos de anjo surgiram pra nós e logo Sid também. Nós ficávamos por aí bebendo em estacionamentos, íamos a shows e festas. Um dia fugindo da polícia pulamos um muro de uma casa abandonada, a casa não estava assim tão ruim e virou nosso refúgio. Com isso viramos quase uma família. Na verdade eles são a minha família. Um dia, um ano e meio atrás fiquei com Torvald e daí pra frente as coisas ficaram no que são hoje. Eu nunca o amei, mas gosto muito dele. Eu fiquei com outros garotos e ele com outras garotas e quando eu tinha vontade de ficar com ele, nós ficávamos. Sid nunca andava com a gente no colégio, então éramos nós dois contra o mundo, ele me carregou por todo lado. Me pegava em casa e deixava em casa todos os dias, sempre comigo. Se não fosse por ele eu provavelmente ainda estaria sozinha. Quando você se foi eu perdi minha paixão infantil, minha obsessão. Foi ele quem me pôs na linha, quem me deu novos motivos pra viver. Fiquei um ano perdida e dois ao lado dele, como amiga ou amiga colorida, sei lá. Então o que eu sinto por ele é complicado e nos últimos dias nós estávamos nos acertando. Depois do susto que tomei ao passar a noite na delegacia resolvi correr atrás de um relacionamento concreto com ele, mas agora acho que não teremos mais nada. Bom, é isso e é estranho Arnold.

-Não é estranho Helga. Você sente por ele carinho e gratidão, ele a tirou da fossa. Claramente ele gosta de você, só não sei se o suficiente. – Com isso ela se assustou

-O que quer dizer Arnold?

-Não acho que seja um relacionamento saudável, Helga. Sempre que conversamos você está se sentindo sozinha. Você é solitária, vive bebendo e fumando.

-Não Arnold, isso é por mim e não por ele. – A maneira como ela falou parecia um apelo para Arnold não julgar Torvald.

-Você que sabe Helga.

-Arnold? – Ela o chamou enquanto fitava o chão

-Sim? – Ele a encarou novamente

-Me desculpa? Você não precisava ouvir isso.

-Eu pedi para ouvir Helga. Eu quero te ajudar e acredito que eu fui culpado pelo que aconteceu com você depois que eu fui embora.

-Claro que não Arnold, eu era uma criança absurdamente estranha.

Eles passaram alguns minutos em silêncio. Helga estava de certa forma arrependida de ter contado tudo aquilo a Arnold, mas também aliviada. Não sabia mais se conseguiria continuar com seu plano depois disso, mas poderia tentar.

-Preciso te dizer Helga que nunca imaginaria você sendo minha amiga. Você me irritava muito, nunca te entendi e depois descobri que você na verdade gostava de mim. Fiquei assustado, mas agora que você me permitiu ver o que tem por baixo da hostilidade... Você é frágil, sentimental, amável...

-Não se engane Arnold. – Ela falou tristemente

-Não. – Ele falou bruscamente. – Me deixe terminar. Você me lembra um pouco a Joy nisso, o que me deixa triste por estar longe dela, mas fico muito feliz de te entender. A grande diferença entre vocês duas é que você tem atitude Helga, sempre teve, sem medo de olhar sempre em frente, é corajosa! – O coração de Helga batia rápido enquanto ele falava. – O que faz de você o pacote completo. Balanceada, a medida ideal de tudo.

Helga estava chorando. Nunca recebia elogios e ter Arnold falando essas coisas para ela... Oh, não tinha como controlar. Chorou como bebê, a visão embaçada, soluçando, mãos tremendo e coração apertado. Arnold a abraçou forte e não a soltou até que parasse de chorar.

-Porque está fazendo isso Arnold? – Ela perguntou, os olhos vermelhos e o rosto levemente inchado

-Fazendo o quê?

-Me ajudando.

-Eu também estou solitário Helga. É bom ajudar os outros para esquecer minha própria dor.

-Podemos ajudar Phoebe e Gerald – Ela tentou novamente, fugindo de ter que falar sobre dor.

-Eu não sei se eles querem ser ajudados Helga...

A sineta da próxima aula tocou e ela juntou todas as forças que tinha para seguir em frente. Manteve-se longe de Arnold e Torvald. Aproximou-se de Phoebe, era estranho estar com Phoebe, não era natural. Não como com Arnold e Torvald, não como era quando eram crianças. As pessoas riam nos corredores, jogavam coisas durante as aulas, derrubaram seus livros no chão diversas vezes. Ela reagiu contra algumas, mas não conseguia contra todas as pessoas. Era estranho, ela tinha passado por isso uma vez, mas agora parecia doer mais.

Notas finais
Não sei se as músicas combinaram com os momentos, espero que sim.
Comentem caras, comentem.