Pulsação
6 H. & T.
Notas iniciais
Não sei se vão curtir esse cap, mas espero muito que sim!
No dia seguinte Torvald não estava lá para buscá-la antes da aula então ela teve que pegar o ônibus. Aquela lata velha fedida e cheia de criaturas inconvenientes, inclusive o Brainy. Brainy que insistia em sentar atrás de Helga e ficar fungando em seu pescoço. Ela tentou se controlar, mas não conseguiu e socou a cara dele. Ao entrar no colégio as piadinhas continuaram e Helga derrubava mochilas, livros e pessoas no chão à medida que a irritavam. Não viu Torvald em nenhum momento a manhã inteira e só esbarrou com Arnold uma vez.
-Onde está seu namorado, Helga? – Gerald provocou quando ela passou pela mesa dele na hora do almoço
-Não te interessa Geraldo – Ela gritou e bateu as mãos na mesa dele
-O que ta acontecendo? – Arnold perguntou deixando sua bandeja sobre a mesa
-Nada – Gerald respondeu ligeiro
-Seu namorado fica me provocando Arnoldo! – Ela tirou as mãos da mesa e se aproximou de Arnold
-Sabe Helga, às vezes me pergunto se você gosta de mim e por isso é hostil comigo. Recusando todas as vezes que tento ser gentil, assim como quando éramos mais novos e você de fato gostava de mim. – Helga sentiu um calafrio passando por seu corpo. – Talvez ainda goste... – Ele aproximou ainda mais os corpos, ao ponto de Helga sentir sua respiração nela. – Gosta? – Ele perguntou no ouvido dela segurando seus braços. Mais um calafrio passou por seu corpo, a tensão era visível e quase palpável. Helga queria reagir, gritar e empurrá-lo, mas não tinha forças. Uma parte dela ansiava por essa proximidade com Arnold, uma parte que ela jurava que não existia. – Acho que sim. – Ele falou suave e se distanciou dela. Sentou-se para comer e Gerald olhava de Arnold para Helga incrédulo.
-Maldito... – Ela sussurrou e se apressou para sair do refeitório
O pátio estava vazio e ela aproveitou para ficar sozinha. Suas mãos ainda tremiam. Ela estava sentada num canto, com a cabeça entre os joelhos e a respiração pesada. Como ele podia fazê-la se sentir assim? Deixando-a sem reação, como uma garotinha assustada. E quem era esse Arnold que a enfrentava?Onde estava o maldito Torvald? Tudo tinha começado por culpa dele.
H. – Onde você está?
Poucos segundos depois ele respondeu.
T. – Ocupado
H. – Com o quê?
T. – Coisa minha
H. – Não precisa ser tão frio comigo!
T. – Depois conversamos Helga.
Maldito! Foco Helga, foco! Ela precisava planejar alguma coisa, precisa prender a atenção de Torvald e precisava dar a volta por cima com Arnold. Não podia deixar que pensassem que ela deixaria tudo quieto. Ah não!
Depois da aula foi ao covil, nem Jake, nem Leo, nem Torvald apareceram. Kate e Sid estavam de gracinhas se beijando e se apertando. Helga sentia-se enjoada de olhar para eles. Ela poderia beber alguma coisa, mas não queria sentir-se fraca como tinha se sentido no dia anterior. A verdade é que estava entediada.
O dia seguinte foi igual. Helga evitou qualquer proximidade com Arnold, Torvald não apareceu e o covil estava insuportavelmente chato com os pombinhos lá. Mas, sexta-feira chegou e Torvald estava lá, na porta de sua casa para levá-la ao colégio. (Bonfire)
-Onde você esteve? Porque não respondeu minhas mensagens? – Helga perguntava enquanto eles desciam da moto a caminho do colégio. Ao lado de Torvald ela se sentia triunfante e no poder novamente. Como se nada mais pudesse a abalar.
-Estava ocupado Helga, não que você realmente se importe. – Ele respondeu sem olhar para ela
-É uma vadiazinha?
-E se for? Esta com ciúmes Helga? – Finalmente ele olhou para a garota
-Claro que não seu babaca! – gritou, mas por dentro gostaria de sorrir. Torvald era dela e de mais ninguém, ela logo daria um jeito nisso. – Você sabe de Leo e Jake? Kate estava preocupada com o sumiço de Leo.
-Estavam comigo. Fomos resolver umas coisas.
-Será que tem como você ser mais claro comigo?! – Ela o parou e segurou pelos ombros de maneira rude.
-Não Helga, não! – Ele elevou a voz
-Os pombinhos estão de volta! – Gerald debochou passando pelo casal
-Cale a boca Geraldo! – Helga soltou Torvald
-Ora Helga, assim que o Arnold chegar você já baixa sua bola! – Continuou debochando e passou a mão pelos cabelos
-Quem você pensa que é para erguer sua voz para mim, Geraldo? – Helga fechou a cara e se aproximou do moreno
-O que você vai fazer Helga? Vai bater em mim?
-Ela não, mas eu sim – Antes que qualquer um pudesse perceber T. já tinha afundado seu punho no rosto de Gerald. Helga deu dois passos para trás no susto e então viu sangue escorrendo do nariz de Gerald manchando toda sua camisa do time. Arnold vinha correndo de longe e Torvald olhava ameaçador para o moreno.
-Maldito! – Gerald gritou tampando o nariz
-O que aconteceu? – Arnold perguntou ofegante
-Esses dois! – O moreno urrava de raiva
-Sempre avisei para não mexer conosco, cabeça de bigorna. – Helga falou suave e se empoleirou em Torvald enquanto eles seguiam triunfantes pelo colégio. – Quanto tempo na detenção? – Perguntou para T.
-Umas três semanas talvez – respondeu pensativo – Você vem junto?
-Pensarei em alguma coisa para te acompanhar.
Durante a penúltima aula do dia Helga saiu da sala para ir ao banheiro. Correu para o armário do zelador e deu uma boa analisada. Achou uma lata de tinta vermelha pela metade. Pegou a lata e foi até o armário de Arnold, procurou por um grampo ou clips em seus bolsos, achou um clips e arrombou o armário. Deixou a lata de tinta dentro, procurando uma posição que deixasse a lata inclinada para frente. Quando conseguiu trancou o armário e correu para a sala. Depois da aula ficou na espreita, esperando, esperando e... Ouviu um grito. Arnold. Caminhou tranquila em direção a ele. Estava coberto de tinta da cintura para baixo. Ao vê-la ele gritou.
-HELGA!
-Sim querido... – falou arrastado, por detrás dele
-Você é louca! Vocês dois são! – gritou apontando pra Torvald que estava se aproximando
Helga sorriu, Torvald ergueu a mão para ela bater, como um cumprimento e assim ela fez. Isso deveria dar a ela pelo menos duas semanas de detenção. Ela e Torvald nunca tinham ficado um sem o outro na detenção, era tipo um pacto deles. Analisando bem, era quase romântico. O quanto um apoiava e dependia do outro.
Notas finais
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