Pulo
1 Capítulo 1
Era como se cada músculo do seu corpo estivesse em choque, paralisados, uma dor dilacerante como nunca havia sentido antes atravessava seu peito, sua alma.
Queria que tudo se provasse apenas uma mentira, não havia nada real, desejava ferosmente que tudo fosse passar se despertasse, ansiava descontroladamente para que tudo fosse apenas um maldito e horripilante pesadelo a tortura — lá, queria acordar, queria poder abrir os olhos, mas ela não estava dormindo.
Ali deitadasobre as folhas e a terra molhada, desejava que o chão se abrisse e que fosse tragada para dentro de um mundo diferente, paralelo, ou que apenas não houvesse nada, só o nada, tinha plena certeza de que seria menos caustigante, queria apenas sucumber ao desespero mudo que parecia gritar dentro de si, desejava que as garras em chamas que a dilaceravam por dentro cessassem, queria enlouquecer, escolheria, imploraria qualquer coisa, menos aquilo. Sentia frio, mas não fazia nada pra se aquecer, sentia medo, mas não fazia a mínima quastão de se mover, ora porque o corpo ja não permitia, ora porque a vontade de não mais existir ja tinha à dominado.
Talvez a morte não fosse tão vil como já pensara, tinha ouvido diferentes definições para a morte, mas não se lembrava de nenhuma proxima a que formulava neste momento, liberdade, talvez fosse a que melhor se encaixasse , talvez era o que prescisava agora, ser liberta, se libertar de si mesma.
Os olhos ardiam pela água salgada ricochetiando contra a parede de pedras, onde conseguia ver apenas uma fenda negra que cortava o céu negro e o mar revolto.
Pular daquele penhasco nunca havia lhe passado pela cabeça nas muitas vezes que estivera ali, mas apenas momentos antes, com os pés na beira, e o rosto banhado em lagrimas, e as águas violentas, só queria parar, queria que tudo parasse, queria que tudo se apagasse, queria apagar o passado, se apagar.
A correnteza estava forte, e sua falta de movimentos apenas facilitou o trabalho da água de entrar em si e encher seus pulmões, foi jogada contra as pedras, e pode sentir o pouco de ar que ainda lhe restava se esvaindo por seus labios, dando passagem a água, mas nem mesmo o mar paracia aguentar tanto desespero e logo levada pelas ondas, o mar a devolveu ao mundo onde ela nao desejava estar. Levantou-se sem nenhuma vontade, caminhou , não muito depois de adentrar a floresta caiu, onde estava agora, o corpo rígido pela água gelada e pelo dor, os pulmões cheios de água gritando por ar.
Ali com o rosto na terra umida, e as lagrimas misturadas as águas do mar queria que não tivesse descoberto seu próprio e estreito passado, ali deitada, segurando as folhas com a mão tão apertada que doía, enquanto os nós de seus dedos já não tinham mais sangue, como se segurasse um bote salva vidas, porque aquilo ali era a unica coisa que sabia ser real, as folhas amassadas.
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