Psyquê - Storyteller
4 Capítulo 2 - Parte 2 "Press Start"
Notas iniciais
O capitulo tem um desenrolar mais explicativo, pois senti que ficou um pouco confuso xD Victor continua irritando Kitao, mesmo sem perceber. E qual será a opinião de Lyra quanto a isso ein? ^^
Kitao olhou no relógio do computador. 21:43. Faltava pouco mais de quinze minutos para que o jogo começasse. O programa “2 i ce” aberto no monitor, um copo de refrigerante à esquerda, o garoto sentado em sua cadeira de rodinhas, ainda com a mesma roupa de antes. Não se dera ao trabalho de trocar. A sala “O mundo de Psyquê” permanecia trancada e mostrando 0 jogadores online. Cruzou os braços, fechou os olhos. Começou a se lembrar do que havia feito no pouco tempo que lhe restava quando adormeceu no sofá da sala...
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–- Kiki... Kikiiiii! Acoorda Kikiii!! – A mae de Kitao rolava-o de uma lado para o outro no sofá.
–- *Nham*... An? Ah! Mãe! Onde é que eu to? – Ficou de pé com um pulo, indo parar em cima da mesinha de revistas.
–- Kiki! Desça já daí! Eu preciso que você vá até o mercado para mim.
–- An? Mercado? Que... Que horas são?
–- São sete e meia, acabei de ouvir no radio da cozinha.
–- Sete e meia? Já? Nossa... Eu... Eu preciso ir mãe!
Kitao saltou da mesinha em direção à porta, mas retornou para pegar o celular no sofá. Chegando à porta retornou uma segunda vez, dando um beijo no rosto da mãe e por fim se lançando porta à fora. Rapidamente, enquanto pedalava sua bicicleta, ligou para seus colegas. Haviam marcado de se encontrar numa praça ali por perto para conversarem. Quando chegou Victor já estava no local. Dessa vez vestia-se todo de branco, da cabeça aos pés. Parecia que tinha se vestido para passar o reveillon na praia e pular as ondinhas.
–- Kitao.
–- Cadê a Lyra?
–- Acabei de receber uma mensagem dela. Já esta virando a esquina.
–- Você também recebeu o convite formal?
–- Aham... Quando vi que vamos ter que passar por aquilo novamente...
–- Calma, vamos ficar juntos que vai dar tudo certo! – Kitao se aproximou do colega e pos a mão sobre seu ombro.
Lyra chegou e encostou a bicicleta. Ela era a que morava mais perto do local, mas foi a que mais demorou a chegar. Kitao sabia que ela demoraria, sabia por que ela demoraria e contava que ela demorasse. Dessa vez estava de shorts jeans e camisa amarela. o cabelo preto preso pelo boné azul e amarrado em um rabo de cavalo enorme que chegava até a cintura. Tinha luvas de bicicross nas mãos. Para Kitao aquilo era... Inusitado. Mas não pode se deixar distrair por esse fato.
–- Desculpem... Demorei por que estava pesquisando sobre essa sala. – Lyra tinha mais facilidade de navegar pelo “2 i ce” e também tinha uma conexão de internet melhor que a dele. Conhecendo a garota como conhecia, tinha certeza de que ela teria curiosidade de pesquisar. -- É impossível entrar!
–- An?
–- Que?
–- A sala fica trancada 24 horas com apenas um usuário lá dentro, o mestre; ninguém faz ideia da senha. Já chutaram centenas e centenas de senhas, mas ninguém consegue acertar e entrar. E tem uma espécie de “bug”, um erro no programa que não mostra a quantidade máxima de jogadores.
–- Como assim? – Perguntou Victor, o menos familiarizado com o programa.
–- Tsc... – Lyra respirou fundo. – O “2 i ce” tem um mecanismo que conta quantos jogadores estão dentro da sala em tempo real. O numero máximo de jogadores fica à critério do mestre, ou seja, quem narra o jogo, o dono da sala, decide se vão poder entrar no máximo duas, dez, ou cem pessoas na sala dele ao mesmo tempo. O caso é que a sala “O Mundo de Psyquê” não mostra qual a quantidade máxima.
–- Isso significa que não temos como saber qual o numero máximo de pessoas envolvidas nisso! – Constatou Victor.
–- Exatamente! O único modo seria, a partir das dez horas da noite, agente esperar para sermos os últimos a entrar e ver o numero de jogadores que entrarem em tempo real.
–- Entendi, mas acho que não vai ser tão fácil assim... Se já conseguiram modificar o programa para não mostrar a quantidade máxima é por que não querem que agente saiba. Eles devem ter alguma maneira de nos impedir de saber.
Kitao permanecia em silencio, apenas escutando e observando as deduções de seus colegas. Lyra era a mais inteligente do grupo e Victor o mais forte. No entanto, Kitao ainda era o líder. Era muito esperto e tinha um bom senso de estratégia. Não era tão inteligente quanto Lyra, mas era bom em reunir e interpretar varias informações ao mesmo tempo.
–- Mas como eles poderiam nos impedir? -- Da primeira vez caímos num sono que surgiu de sei lá onde. Será que não pode acontecer a mesma coisa novamente?
–- Ahh, não é possível que eles consigam controlar o nosso sono, é?
–- Mas então como teríamos dormido todos ao mesmo tempo e tido o mesmo sonho? Tem algo ai.
Victor não era mais inteligente que Kitao, mas tinha um cérebro mais como motor de arranque, que pegava mais facilmente quando era Lyra quem dava a partida. Isso o incomodava. Resolveu dar um palpite.
–- Por algum motivo, quando eu acordei, fiquei em pé por alguns segundos e tudo que vimos passou pela minha cabeça novamente e em seguida eu cai de volta no sofá e dormi. Será que isso tem algo a ver? – Os outros dois ficaram em silencio por alguns segundos até que Lyra disse:
–- Eu não dormi. Quando acordei meu corpo estava calmo, normal, só minha mente estava a mil por hora. É algo estranho até por que, acho que se nossa mente esta trabalhando a todo vapor, por que nosso corpo não reage da mesma maneira?
–- Eu te entendo. Era como... Ah, como vou explicar... Parecia que dentro do sonho éramos um, tínhamos um corpo e uma mente completamente independentes do outro, mas isso não pode ser verdade por que ainda tínhamos as memórias e toda aquela emoção, aquele medo, estava incurtido na nossa cabeça... Ahhh to ficando com dor de cabeça... – Realmente, pensar não era o forte de Victor.
–- Isso! – Exclamou Lyra – Eu imagino que quando sonhamos, nossa mente, ou nossa alma, sai do corpo para ir ao sonho e lá “vivemos” o sonho! Mas quando retornamos para nossos corpos devíamos apresentar as mesmas condições de quando estávamos dentro do sonho. Quando temos um pesadelo, acordamos bruscamente suando e com o coração acelerado. Não entendo por que...
–- Foi induzido! – Kitao cortou a garota com quase um grito.
–- Como assim?
–- Fizeram com que dormíssemos para que pudéssemos sonhar. Então podemos assumir que fizeram com que, nossas lembranças permanecessem, mas que nosso corpos não fossem afetados!
–- Como pode ter tanta certeza? – Perguntou Victor.
–- Tudo o que Lyra descobriu e deduziu até agora indica isso, mas eu tenho aqui a mensagem que recebemos antes de dormir. – Mergulhou a mão no bolso interno da jaqueta jeans e de lá puxou o celular.
18:45 – The Story Teller Prepare-se para o mundo de Psyquê!
Muito boa noite. Dentro de 15 minutos uma versão ‘demo’ do mundo de ‘Psyquê Storyteller’ será liberada para você e sua equipe. Entre em contato com eles o mais rápido possível e mantenham-se unidos. Esta versão ‘demo’ não deixa seqüelas, então não se preocupe caso experencie ferimentos graves ou a morte. Não nos responsabilizamos porem, por quais quer sentimentos, dores, ou danos mentais causados pela experiência. Inicio às 19:00.
Nós desejamos uma boa sorte e que vocês... ‘Divirtam’.
Ao termino da leitura dois pares de olhos assustados fitavam o celular. O garoto se surpreendeu. Pensou que todos tivessem recebido tal mensagem, mas ao que parece, apenas ele recebeu.
–- Kitao... Que mensagem é essa? – Perguntou Victor.
–- Tsc... – Suspirou se preparando para uma longa explicação. – Quando cheguei em casa fui tomar um banho e recebi uma mensagem. Lyra tinha dito que me mandaria uma mensagem falando sobre um jogo, mas eu estava desanimado demais para saber sobre qualquer jogo que fosse então larguei o celular no banheiro. Ai eu me deitei no sofá da sala ainda sem vontade de viver e do nada me deu aquele sono desgraçado. Ai então me encontrei com vocês dentro do sonho e, por algum motivo, meu celular tinha, magicamente, aparecido no bolso interno da minha jaqueta, vibrando com uma nova mensagem. Foi ai que eu percebi que a mensagem que tinha chego para mim durante o banho não era da Lyra e sim desse tal de “Story Teller”.
–- Espera, espera, é muito informação até mesmo para mim. O que tudo isso significa? – Disse por fim Lyra.
–- Como puderam ver na mensagem “Esta versão ‘demo’ não deixa sequelas”. Ou seja, o que acontece com nossos corpos no sonho, permanece no sonho.
–- AH! Entendi! – Gritou Victor.
–- E tem mais! A mensagem continua: “Não nos responsabilizamos, porem, por quais quer sentimentos, dores ou danos mentais...”. Por isso tínhamos a memória, por isso tínhamos um estado psicológico alterado! Fomos totalmente induzidos a passar por aquela experiência e ter nossas mentes alteradas. Mas apenas elas! Alguém conseguiu induzir um sono profundo e uma experiência de interação psíquica com três pessoas! E mesmo assim, conseguiu nos manter sob rédeas curtas para que APENAS nossas mentes fossem alteradas e nossos corpos não! Quem quer que esteja fazendo isso... Sabe muito bem o que esta fazendo!
Victor e Lyra permaneceram em silencio. Toda a explicação de Kitao havia sido chocante e reveladora. De certa forma tudo fazia sentido ao mesmo tempo que não fazia sentido nem um por ser fantasioso demais. Com um pouco de tempo, a rápida pesquisa de Lyra e um pouco de explicações para um cabeça oca como o Victor, Kitao conseguiu deduzir grande parte desse quebra-cabeça dos sonhos. Mas ainda tinha muito mais coisas a se descobrir.
–- O que mais me intriga... É o final da mensagem.
Lyra repassou mensagem em sua cabeça, mas foi Victor quem disse primeiro.
–- “Nós desejamos uma boa sorte e que vocês... ‘Divirtam’.”.
–- É, é isso mesmo! O que tem de mai... – A garota engoliu a frase pela metade e um sentimento de terror se apossou de seu pequeno coraçãozinho. – Não... É serio isso?
–- Fazemos parte de um show, uma atração, um passa tempo, uma diversão. Eles não esperam que agente se divirta... Esperam que agente divirta algo ou alguém.
...
...
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O celular vibrou dentro da jaqueta. A mão do garoto mergulhou buscando o aparelho. O celular. Como teria ido parar dentro do bolso da jaqueta sendo que havia sido deixado no banheiro? Isso ainda era um mistério que teria de ser solucionado.
21:54 – Lyra Sueko
Eu to com medo... Vai da td certo... nao eh?
Faltava menos de dez minutos para o quer que fosse acontecer, começasse. Era normal que a garota sentisse medo. Nem um dos três queria passar por aquilo novamente. Kitao entrou no chat da equipe. Sabia que a encontraria lá, afinal, na sala era permitida entrada apenas com microfone e fones de ouvido e para os integrantes da equipe e convidados. Qual não foi a surpresa, quando viu que Victor também estava online na sala.
–- Kitao! Que bom que você ta online. – Disse o garoto.
Algo incomodava Kitao... Algo como... O Victor!
– É... Sabia que encontraria você... Vocês... Aqui.
–- Vamos ficar juntos que vai dar tudo certo.
Para Kitao, ouvir a voz dos amigos, mesmo que o fato de que um deles estivesse muito próximo do outro o irritasse, era muito motivador. Sentiu-se confiante. Com medo, mas confiante. Não sabia o que esperar, então tinha em mente fechar os olhos bem apertados e socar o que quer que aparecesse na frente. Obviamente se sentiria um ridículo por ter feito tal conjectura, mas no momento, lhe pareceu apropriado.
–- Estão prontos? -- Perguntou Lyra e Kitao não soube dizer se estava com medo ou envergonhada.
–- Eu estou se você estiver! – Victor ficava cada vez mais e mais irritante.
–- Lyra... “Minha” linda... Eu já nasci pronto!!
–- OHHH! É isso ai, bota o terror neles Kirato Shin! -- Animou Victor.
–- Eu não estou nessa sozinho! Estou certo Sydra?
–- Sem duvida capitão Kirato!
–- E o que você me diz Vitoreano?
–- Sempre com você!
–- Então... Aperta logo essa porra desse Start pra começar logo essa merda!
Todos riram. Kitao olhou para o relógio do computador. 21:59. O garoto fechou os olhos. E quando os abriu novamente o relógio marcava a hora. 22:00. O jogo havia começado!
Notas finais
Que vocês se mordam ateh o próximo capitulo ahusahushas
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