Notas iniciais
Hey everybody!

Capítulo 5

Acordei com aquele rapaz sedutor ao meu lado, dormindo levemente. Um de seus braços servia de apoio para minha cabeça, enquanto o outro era para sua própria. Seus olhos se mantinham fechados, serenos. Quem o visse daquele modo se impressionaria com tamanha calma e beleza. Mal sabiam que por debaixo daquela pele de cordeiro, existia um urso feroz, pronto pra se libertar a hora que bem entendesse.

Eu sabia em mínimos detalhes sobre tudo o que ele sentia, o modo de como via as coisas ao seu redor. Podia sentir o vício percorrer sua corrente sanguínea que nem via diferença da minha. Eu estava do lado de alguém igual a mim, mas isso só serviria para que eu não me iludisse diante daquela situação sutil. Ele com certeza usará isso para se aproximar, marcar seu alvo, tornando tudo ainda mais perigoso. O que realmente deveria ter estudado melhor. Eu estava inteiramente ciente de suas intenções: ele me queria, porém me mataria depois. Exatamente como eu faria com ele — o que pra variar, a ideia ainda não tinha sido descartada. Eu teria que usar de toda a minha inteligência. Agora era tudo muito delicado. Eu estava lidando com um psicopata, e psicopatas conseguem ser tão inteligentes quanto imagina. Eu iria ter que usar algo que ele não viu como possibilidade de estratégia. Para Corey, eu estou perdidamente atraída por seus encantos — que apesar de serem realmente maravilhosos. — não eram tão convincentes assim. Eu só teria que me entregar a ele, confirmando sua ideia. Como uma cobra escondida no meio do mato, pronta para dar seu bote.

– Pretende ficar me observando por quanto tempo? — ouvi sua voz soar. Seus olhos ainda estavam fechados, mas sua boca esboçava um sorriso discreto. Selei nossos lábios sentindo seu braços fortes me puxarem pra mais perto de si.

A noite fora longa. Eu e Corey ficamos até o amanhecer limpando a sujeira que fizemos na cozinha e no quarto de nossos amigos, assim como também escondemos os corpos. Mas, o trabalho ainda não tinha terminado; Tínhamos Jeremy e Dennis para dar o fim. Íamos fazer o serviço juntos naquela manhã.

– Preciso de sua ajuda para fazer uma coisa. — falei me lembrando de algo importante. Ouvi apenas um grunhido como resposta. — Preciso tirar os corpos de Max e Timmy da trilha.

– Eu já fiz isso. — respondeu me deixando confusa. E sem que eu precisasse procurar por mais explicações, ele continuou: — Eu segui vocês ontem, e vi tudinho. — abriu um largo sorriso, desviando a atenção do teto para mim. — Você mandou bem.

Então ele tinha me visto matar. Ótimo, um ponto a menos pra mim. Ele sabia como eu me comportava, e provavelmente já havia projetado pontos fracos pra mim.É claro que diante dele, eu era um nada. Estava saindo de meus controles, eu estava ficando em pânico. E obviamente, eu não podia demonstrar nada daquele meu desespero interno, ou então a tendência era de que as coisas só piorassem.

Tirei seus braços pesados de cima de mim para que eu pudesse me levantar. Fui até o banheiro, eu precisava mais do que tudo de um banho. Sem fechar a porta atrás de mim, comecei a me despir, sem me importar com os olhos pesados de Corey sobre meu corpo. A maior vantagem que eu tinha. Mulheres têm o poder da sedução muito mais eficaz do que homens, pode ter certeza disso. Em questão de luxuria, eles se tornam vulneráveis demais.

Liguei o chuveiro e deixei que a água quente caísse sobre meu corpo. O vapor ia preenchendo aos poucos o banheiro, tapando minha visão do que parecia estar se aproximando. Corey sorrateiramente já estava no box comigo, nu. Seus braços envolveram minha cintura com facilidade, assim como as minhas mão percorriam desesperadas por suas costas. Seus lábios tocaram os meus com urgência, e suas mãos na mesma velocidade acariciavam toda a extensão de meu corpo.

°°°

– Onde estão Carly e Dorian? — Jeremy perguntou enquanto se juntava a mim e Corey na mesa para tomar café da manhã.

– Saíram cedo. Eles foram até a cidade comunicar a guarda florestal sobre o desaparecimento de Max e Timmy. — respondi normalmente, dando um gole do café quente. Corey se permanecia calado, passando geléia calmamente em sua torrada. Não queríamos mostrar nenhum tipo de conexão entre nós.

Dennis adentrou o local, ainda sonolento. Desejando um bom dia quase inteligível se sentou a mesa também, nos fazendo responder pela segunda vez a mesma pergunta de Jeremy. Sorrateiramente, levantei meu olhar para Corey sentado a minha frente. O rapaz assentiu, limpando a faca suja em sua bermuda.

Num ato rápido, ele puxou Jeremy pelos cabelos, e o jogou no chão. O mesmo batera a cabeça com força e já gritava em sua defesa. Corey sem dar tempo para que ele se levantasse, cortou a garganta do homem. Sem deixar que Dennis partisse para cima dele, pulei em suas costas com outra faca em minhas mãos. Seguindo exemplo, também cortei seu pescoço num só movimento ligeiro. O rapaz caiu ao chão, segurando seu pescoço em um gesto inútil de estocar o sangue que saia descontroladamente do corte profundo. Logo mais ambos os homens estavam agonizantes ao chão. Corey analisou a pulsação de ambos, apesar de estar claro o quão mortos estavam. Ambos de olhos abertos, cegos pela escuridão da morte, ali mesmo. Um final de semana de diversão que tinha se tornado apenas para duas pessoas.

Sem corresponder o olhar radiante de satisfação do rapaz a minha frente, comecei o trabalho. Arrastei Dennis pelos braços até o lado de fora. O rastro de sangue que se formara pela cozinha, daria trabalho pra limpar depois. Corey vendo minha intenção, pegou o outro rapaz ainda mole no chão, e o pendurou nos seus ombros. Íamos queimá-los. Era o único modo para que ninguém descobrisse o que havia conhecido. O jeito mais seguro.

Voltei para cozinha, enchendo um balde de água e logo após joguei o mesmo sobre a mancha vermelha em destaque no piso. Com o rodo puxei a água suja até o lado de fora, deixando o local limpo novamente. Para ter mais cuidado, coloquei luvas de silicone que encontrei em uma gaveta qualquer dali. E então comecei o processo de limpeza pelo lugar inteiro. As facas que usamos, coloquei dentro de um saco de lixo preto. Com certeza o jogaria dentro de um rio corrente depois. Corey já tinha tacado fogo nos corpos empilhados, distante das cabanas. O cheiro de carne humana queimada era horrivelmente inconfundível.

– Tudo pronto? — escutei me perguntar. Assenti positivamente, saindo dali junto com o saco de facas. Corey pegou de minhas mãos, e o jogou grosseiramente na caçamba de sua camionete 4x4. Íamos partir em menos tempo que eu esperava.

– O que vamos fazer com esses carros? — perguntei, lembrando de um ponto importante daquele processo.

– Eu vi um desmanche pela estrada. Podemos deixá-los por lá. — o ouvi propor.

– Mas são três carros, contando com o seu. Levaremos horas!

– Não. Tem como eu carregar um comigo na camionete. — ele apontou para um suporte existente na traseira de seu carro. Era uma espécie de cabo que podia se conectar com outro veículo, assim podendo o carregar. — Eu carrego um comigo, e você dirigi o outro.

A idéia não era das melhores, mas não havia demais alternativas. Tínhamos que nos livrar dos carros, ou então quando os donos do camping voltassem, iriam desconfiar. E me aprofundando nessa parte, eu tinha que deixar alguma recado para este lugar.

– Sabe onde encontramos o telefone desse lugar? — perguntei, fazendo-o desviar a atenção dos cabos para me olhar confuso.

– Pra quê você quer?

– Temos que cancelar as reservas. — me assustei com seu riso debochado. — O que foi?

– Reservas? Você acha que se esse camping estivesse realmente funcionando, teriam deixado assim? — arqueei minhas sobrancelhas, não entendendo nada do que ele estava insinuando. — Essa propriedade é minha, Emily.

– Como é? — perguntei incrédula, controlando o choque da descoberta.

– Eu que propus um acampamento nas montanhas para Dorian. — ele enfatizou, fazendo aspas no ar. — E como eu esperava, ele e Carly concordaram na hora. Eu só não sabia que teria uma companhia dessas comigo. Acredite, ainda estou chocado.

– Então você os atraiu pra cá. Já tinha a intenção de matá-los? — perguntei, mesmo a resposta sendo tão óbvia.

– Não se faça de tola, Emily. Você sabe melhor do que ninguém que acampamentos não fazem parte de atividades extra corriculares de pessoas como eu. — ele riu. Eu não queria demonstrar nenhuma perplexidade. Sem mencionar nenhuma palavra subi no carro que pertencia a Timmy, e acompanhei Corey, que carregava o de Dennis consigo.

Iríamos perder mais tempo que esperávamos com aquela parada. Mas a minha verdadeira preocupação não era ali, e sim em Corey. Eu ainda tinha que me livrar dele.