Psychosocial

14 Capítulo 13


Notas iniciais
Hey everybody.
Desculpem-me a demora pra atualizar. Estou trabalhando agora, então o tempo diminuiu. Mas não vou deixar de postar, ok? Por mais que demore. (:
Sei como é ruim ver uma fanfic abandonada. rs
Bom, vamos de décimo terceiro, façam uma boa leitura.
xx

Capítulo 13

" — Assim que estiver em casa Emily, me ligue. Tenho boas notícias, aliás, ótimas! Na verdade não estou muito impressionado, é o que sempre acontece quando um livro seu é publicado. Já convocaram sua presença na livraria Anselm Reyle. Uma coletiva de imprensa fará cobertura. Será um evento pequeno, mas creio que lhe renderá algumas horas de autográfos... E perguntas. Esteja preparada para esta noite! E claro, já ia me esquecendo: Você é a melhor, Divisio."

Um sorriso convencido se manteve em meu rosto durante todo aquele recado de John. Era inevitável me sentir importante diante daquele alvoroço todo. Aquele livro, com certeza, tinha sido uma das minhas melhores obras, aliás, fora a única que me rendera 30 mil cópias só pelo estado de Iowa. Apesar de todo sucesso, particularmente, agora era uma história atormentadora, e que eu preferia não relê-la. Corey fazia parte daquele enredo, e por não fazer mais parte da minha vida real, havia se tornado incoveniente demais pra mim.

Algumas coisas minhas foram devolvidas, e pra ser mais exata até mesmo a cópia das chaves de meu apartamento. Desde o último ocorrido, nem um sinal de vida fora dado — o que eu também não me dei ao trabalho de fazer. Eu não sabia explicar como me sentia depois de nossa "separação". A falta de empreendimento em relacionamentos com demais seres humanos havia me dado, pela primeira vez, um castigo. Esse que atormentadoramente me fazia querer aquele homem rondando o meu quarto, ou a sensação desconhecida que eu sentia quando estava em sua casa, epicamente decorada — um charme nunca visto em nenhuma outra residência. Porém eu lutava contra aquilo melhor que ninguém. A minha doença não contribuia com todo aquele sentimento desgostoso que era a nostalgia. A única coisa que eu tinha lúcida consciência, era que eu não o amava apesar de todo aquele indesejável transtorno emocional. Aquele sentimento intoxicante que era o amor ainda era de total repugnância em meus conceitos. Aquela insensibilidade feita da mesma receita que a pedra ainda era vista psicológicamente e sentimentalmente por mim, e por quem quer que tenha a brilhante ideia de se aproximar. Eu ainda era a mesma apesar de tudo; Apesar de Corey.

Um vestido roxo médio estava sobre a minha cama impecavelmente estendida com uma colcha bege. Era Chanel, uma das marcas de grande porte que ele preenchia meu guarda-roupa. Infelizmente eu tinha uma queda por aqueles tecidos de preços altos, e nunca iria dispensar — de modo algum — uma oportunidade como aquela para usá-lo.

A minha pele exalava um cheiro doce do creme de frutas vermelhas, e meu cabelo a shampoo floral. Apesar das fragrâncias serem extremamente distintas, a combinação não se tornava enjoativa ou ruim. O ânimo para me apresentar a dezenas de pessoas hoje era tão contagiante, que nem minhas roupas íntimas estavam sendo vestidas. Eu ficaria deitada o resto da noite ali, sem enxergar problemas, se o meu modo de sobrevivência não dependesse daquilo. Então juntando todos os pontos fracos de força que eu ainda tinha, comecei a me arrumar. O fiz num tempo significativo, no entanto.

Escutando o som dos meus próprios saltos baterem no chão, fui caminhando até a garagem, onde um carro — finalmente comprado — estava a minha espera.

°°°

"- Senhorita Divisio, como é já ter uma edição do seu livro esgotada?"

– Esgotada? Eu não sabia disso ainda. — sorri — Bom, muito bom, devo confessar. Não imaginava que as pessoas gostassem tanto assim de psicopatas! — sorri mais uma vez, me divertindo particularmente por dentro.

" — Sabemos que a senhorita Carly Derosié era sua amiga, e que está desaparecida desde o ano passado. Como se sente em relação a ela depois de ter lançado mais um livro? "

– Apesar de eu sentir muito por seu desaparecimento, creio que não deveria me sentir culpada por ter lançado um novo livro. Mas também não quer dizer que eu não sinta muito, ela era muito simpática. — falei por fim, fingindo estar comovida com o desaparecimento da pessoa que eu vira morrer tragicamente.

"- Ultima pergunta!"

John anunciou, escolhendo o próximo repórter para fazê-la. Uma ruiva sardenta fora à premiada, e rapidamente se levantou de onde estava sentada, ligando seu gravador.

"- Segundo fontes, a senhorita estava namorando com o empresário Corey Taylor — dono de uma das maiores rede de empresas automobilísticas do estado de Iowa. Com tudo, dessa vez, você envolve um outro tipo de personagem com o qual surpreendentemente não morre no final. - ela sorriu divertida, sendo acompanhada por muitos outros ali também. — Esse personagem seria inspirado em seu namorado?

– uau! — eu estava impressionada com a qualidade de seus avanços em saberem sobre minha vida pessoal. Nunca havia visto algum tipo de "paparazzi" em cima de nós, tirando fotos, ou algo do tipo. Até porque Corey não era do tipo muito conhecido, pelo menos não até pouco tempo atrás. O nome de seu avô ainda era muito bem lembrado quando o assunto era as empresas Taylor. - Corey? Foi um romance curto. Creio que não foi um romance merecido de um livro. — menti, dando a minha melhor simpátia.

Logo após John anunciou o encerramento da entrevista, e a loja fora aberta. Como eu já esperava, uma multidão de gente a invadiu. Uma mesa num espaço reservado do estabelecimento me aguardava, junto a várias canetas e cópias do meu recém lançado livro. Uma fila quilométrica se alinhou frente a ela. Não dava pra ser apenas uma escritora irreconhecível, muito bem privada de qualquer contato que lhe fosse exigido, ainda tinha que assinar meu nome incansavelmente no interior de todas as capas que me apareciam.

– Muito bem, pra quem? — perguntei já tediosa, encarando a capa já enjoativa.

– Corey Taylor. — sua voz soou firme e rouca, como sempre. Porém a ênfase me fez confundir ter vindo de outra dimensão. Um capuz de moletom cinza cobria parcialmente seu rosto, um modo encontrado de lhe poupar reconhecimentos alheios. — Está surpresa? — perguntou com aquele habitual sorriso sarcástico.

– Eu não me surpreendo tão fácil assim, Corey.

– Eu imaginei que não. Então para garantir minha vitória, quero que me encontre lá em casa assim que sair daqui.

– Porque eu faria isso? Aliás, o que você está fazendo aqui?

– Calminha, calminha. Eu teria que ter a honra do autográfo da escritora que escreveu muito bem um dos melhores fins de semana da minha vida.

– Fala baixo, Corey!

– As dez, lá em casa. — enfatizou, saindo como se fosse mais um fã qualquer daquele pseudo-romance doentio.

Depois disso foi como se um calafrio tivesse rompido meus sentidos. A fila, e os habitantes dela pareciam distorcidos, distantes, com as vozes baixas, como se estivessem sendo engolidos por um buraco negro. Fazia quase três meses e ali estava ele, me dando ordens com aquele sorriso sarcástico — que podia passar a ser chamado de arrogante facilmente. Mas eu, lógicamente, não iria me deixar ser levada. Não havia motivos para que eu pisasse naquela casa mais uma vez. Embora meus hôrmonios quisessem tomar conta de meu cérebro, eu ainda tinha total consciência de que nenhum tipo de relação tanto obsessiva quanto — velha e clichê — relação casual iria acontecer entre eu e ele. O caminho de sua casa tinha sido esquecido por mim já há algum tempo, e não seria pela sua bipolaridade emocional que eu redescobriria.

Notas finais
Suspense básico. kk