Psychokurt - Klaine
3 Quinn
Notas iniciais
Ah meus sentimentos por Gustin não conseguiram me segurar, tive de botá-lo como narrador por um momento :D
Ali, no núcleo daquela mesma sala, continuava a pregar meu olhar nos brancos azulejos ao chão. Consigo ver meu reflexo; um rapaz, um rapaz de pele branca, branca como a neve. As feridas dos cortes em que eu mesmo tive a proeza de fazer, ao alto de minha depressão, continuam a sangrar e, dar passagem ao vento para cobrir seus ventres. Queima. Queima como fogo.
Arrastei meus pés ao lado da estrutura de meu assento, estiquei-as num espreguiço e finalmente, acompanhado de um bocejo, me levantei. Nem ao menos sei que horas são, continuo adormecendo instantaneamente a qualquer horário, aleatoriamente. Acabo trocando o dia pela noite, ou à noite pelo dia; não ligo, não faço nada neste local mesmo.
Suspiro.
Caminhar de um lado até o outro é uma das soluções para o tédio. Dito e feito. Estou a cerca de 15min atravessando meus passos horizontalmente, à espera de uma interação de Steve. Está ali, parado como um morto, entrelaçando seus dedos num terço. Estais a rogar por algo?
Foi só eu encará-lo por alguns segundos que suas pálpebras opuseram-se a piscar; seus cílios se rebatiam nuns aos outros, revelando assim, seus olhos esverdeados. Uma das únicas coisas em que consigo me sentir atraído em Steve é seu sorriso. Um belo sorriso, por sinal. Ele depositava toda sua energia no dia sorrindo aos seus pacientes, menos a mim. Agora, neste exato momento, ele está sorrindo em minha direção? Sim. Sim ele está.
O que ele quer?
“Você parece mudar de personalidade quando está perto de um de seus filhos” Interrompeu o silêncio. Dizia certas palavras enquanto guardava seu objeto religioso em seu bolso traseiro.
Sua voz havia acabado de se intrometer em meu andar paralelo; minhas pupilas seguiram os segmentos de seu rosto. Concordei, com suaves balanços de minha nuca.
“Bom... Cada um tem o que merece, certo?”Completei sua afirmação, na expectativa de atiça-lo.
Sua sobrancelha. Consigo vê-la a ponto de saltar de sua testa, pronta para me atacar. Seu espanto era grande.
“Pois é. Por isso que você ainda dorme no hospício, não é mesmo?”
O que ele acabou de dizer?
“Ou também, por causa disso que suas crianças nem tem a coragem de te visitar mais. Afinal, quem gostaria de ver um monstro?” Não houve tempo nem ao menos de começar a formular uma resposta para o enfermeiro. Novamente, ele atacou. Atacou friamente.
“Cala essa boca—“ Tentei impedi-lo, o que foi tarde demais.
“Ou por que seu esposo se separou de você!”
Seu sorriso continua sendo imposto em sua face. Ele sorri de sua cova da direita até a de sua esquerda; sorri como uma criança que acabara de avistar seus presentes natalinos. Como um pai ao ouvir as primeiras palavras de seu filho. Como um sonho realizado.
Ele quer me ver triste, eu sei que ele deseja isso. Ver-me magoado. Ver-me... Machucado
Ele conseguiu notar meu ponto fraco: minha família; como ele ousa?
“OU TAMBÉM PORQUE VOCÊ SOFRIA BULLYING EM SUA ANTIGA ESCOLA!?” Seu rancor, eu consigo senti-lo atravessando meu peito.
O acumulo de adrenalina em que aquele momento, onde Steve implicava em meus ouvidos, permitiu a formação de água em meus olhos. Estou prestes a me derrubar em lágrimas.
Ah, lágrimas... Como são quentes estas que estão a escorrer sobre minhas bochechas.
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“QUINN!”
“Sim Sr. Sebastian?” O brilho do curto cabelo da loira ofuscava-se no canto da sala de estar. Quinn, uma moça de em média vinte de sete anos de idade, está em minha casa com uma única razão: Cuidar de Elizabeth. Cuidar de minha filha. Hoje, com a extrema necessidade de ajuda, chamei-a para que tomasse parte de seu tempo com Elizabeth, onde como proposto, traria sua namorada para ajudá-la na preparação da refeição ao entardecer.
Kurt me mataria se soubesse que Rachel, namorada da babá, colocasse seu pé neste lar. Incontáveis vezes em que pausamos um jantar por conta de outra briga entre estes dois; eles se odeiam.
Ah.. Kurt...
Sei que se ele estivesse aqui, tudo não seria esta bagunça. Ele que cuidava de tudo: das crianças, das roupas, das contas... Ah, ele faz falta nessa casa. Não teria a necessidade de pagar ao casal lésbico como babás; no final da noite, sempre acabo oferecendo o máximo que posso para ambas. Elas merecem.
Mas ultimamente não tem sido o mesmo para mim e nem para elas. Meu salário anda mais apertado do que antes, agora que nestas condições, onde a fase de crescimento começa a fluir para minha pequena Elizabeth, acabo gastando 1/3 das despesas para que continue saudável e ao menos com vestes sobrando.
Contas atrasadas.
Cheques especiais.
Aluguel.
Tudo isso acaba ocorrendo todos os anos, igualitariamente, mesmo que Rory trabalhe na livraria por meio-período, conseguindo no final do expediente uma média de R$200. Não sei como arranja tempo para estudar para suas provas e conseguir uma nota alta como sempre obtém. É uma criança incrível.
Até que nestes últimos tempos não estão sendo muito mais pesados como antes, quando Hummel havia começado com o uso das drogas. Eram comprimidos e ervas medicinais todos os dias; pagando as drogas, com medo com que algum dos vendedores nos ameaçasse ou ao mesmo assassinassem Kurt. Mas, vou ser honesto, eu não ajudava; continua a desperdiçar vosso dinheiro em álcool.
Que família incrível que somos, não?
Lembro em que teve certo momento em que chegamos a comprar uma cadeira de rodas para que meu esposo pudesse se locomover. Ele não saia da cama. Não havia forças o suficiente para posicionar-se de pé; era crítico. Nossas visitas ao hospital chegavam a ser sete vezes por semana, ou mais.
“Sebastian?”
“Ahn?” Correspondi ao seu chamado, meio confuso.
“Está tudo bem? Você está aí a 10min olhando para o vento” Confirmou a loira, deixando escapar um de seus belos sorrisos.
“Só refletindo” Retribui o sorriso.
“Bom, como você sabe, quando eu te contrato é porque vou passar mais tempo do que meu expediente oferece...” Continuei a conversa, apunhalando minha maleta de trabalho.
“Entendi! Já sei as orientações Sr. Crianças de cama às 10h, refeição às 7h e tarefa feita até o horário do banho”
“E...”
“Sem amêndoas para Helizabeth, já sei...” Completou.
Não há palavras para descrever o quanto devo de minha gratidão para Quinn; tem sido um anjo para mim, principalmente por que anda cobrando menos. Ela entende meu aperto.
Despedi-me das pessoas em que habitavam ali. Arremessei um beijo na direção de todos, disse que voltaria logo de noite e que já estaria com saudades.
Logo após o ocorrido e todas as despedidas, pressionei a palma de minha mão esquerda sobre a maçaneta da porta e apressadamente, girei-a ao sentido horário. A vista do quintal de meu lar, que seria o 1° andar do prédio onde vivemos, é de vista para a Broadway e também, um hospital. O hospital de Kurt. O local onde Kurt está internado. Isso parte meu coração; continuo a ama-lo, afinal, nunca deixei.
Ah Kurt.
Tão ingênuo.
Tão inteligente.
Tão meu.
Notas finais
E por favor, se houve algum erro, me avisem!
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