Notas iniciais
Oi gente, desculpa não ter postado recentemente, mas agora voltarei com a história. Espero que gostem

Uma onda de raiva invadiu Mary. Ela arriscou sua vida por isso, por uma folha em branco. Lágrimas brotavam de seus olhos, a frustração dominando-a. O que ela havia feito errado? Mary soluçava até que um carro subiu a alameda e um homem saltou.

–Ei, você está bem? – disse o sujeito.

A visão de Mary estava embaçada devido as lágrimas e ela não conseguia ver quem era.

–Ah, sim. Obrigada. – E o motorista deu meia volta, seguindo seu caminho habitual.

Aquilo não tinha lógica, sua cabeça estava explodindo com suposições e perguntas sem respostas. Cinqüenta por cento delas estavam voltadas para onde estavam os pais.

Mary correu para casa e cambaleou nos degraus, já não tinha forças para agüentar a situação e despencou na bancada. Tudo ficou preto.

Quando acordou já estava tão escuro que não conseguia ver um palmo a sua frente. Tateou a parede em busca do interruptor e quando ascendeu a luz se deparou com o papel a sua frente. Tudo voltou como um turbilhão, uma onda que se choca no litoral, como as ondas que batem no penhasco...

Passou a encará-lo mais firmemente, algo não fazia sentido, não se encaixava e não havia mais nada ali que a desse uma pista para onde seguir, para o que fazer. Algo estava errado.

Pense, Mary, pense.

E então uma ideia a ocorreu, colocou o papel contra a luz e viu pequenas imperfeições na folha. Era isso! Pegou um lápis e começou a riscar por cima de toda a superfície até a mensagem ser revelada.

Sherlock Holmes. Essa ideia viera de seus livros, ela tinha certeza, pois também era uma admiradora e leitora assídua desse personagem.

Quanto a mensagem, esta dizia:

Ah, então você conseguiu! Parabéns. Quer a próxima pista? Vá ao lugar onde você guardou seu maior segredo. Devo admitir que gostei muito de saber sobre isso.

≈

A cada hora que se passava a Senhora Hamman entrava um pouco mais em desespero. Adam não voltava para casa, seu celular nem ao menos chamava e era necessário que ele saísse da cidade o quanto antes.

–Querida, venha cá. – Chamou um dos amantes da senhora.

Ela simplesmente o ignorou e voltou a andar de um lado para o outro em seu tapete de pele contrabandeado. Apesar de Adam ser um homem adulto e “independente”, ele ainda dava satisfações a mãe, e nunca a deixara sem uma resposta.

–Ele já devia ter voltado. – Murmurou ela.

–Que? – perguntou seu amante.

–Ele já devia ter voltado. – Gritou dessa vez, estava perdendo a paciência, enquanto se enchia de preocupação.

–Quem, sua vadia? – Apesar de tudo a Senhora Hamman não ligava que a chamassem assim, ela era realmente uma, já que não mais cobrava por suas sessões.

–O Adam. – Disse rigorosa.

–Quem? – E esse foi o estopim para que Senhora Hamman perdesse sua reduzida paciência. Ela pegou o vaso com flores na mesa de centro e jogou na cara de seu amante. Ele desmaiou na hora, com o rosto perfurado por cacos de vidros.

Sem ao menos olhar para o lado, Senhora Hamman voltou a sua inconsciência preocupante, andando de um lado para o outro deslumbrando seu sobretudo roxo.

≈

Um arrepio correu a nuca de Mary, ela empalideceu, se desestruturou. Sentia uma ferida se abrir no estomago, como um buraco que a corroia de dentro para fora. Não se tratava apenas de um segredo, foi o estopim, foi aonde teve sua alma corrompida, onde algo mudou dentro dela.

Se você observar Mary superficialmente, verá apenas uma menina perdida e sem nenhum objetivo, uma louca, neurótica que está fazendo o mal para acabar com o mal. E você não sabe o quão enganado está.

Mary nunca foi uma garota normal, ela sabe disso e você também deve saber o que contribuiu para ela ser assim. Como em uma certa noite, enquanto voltava de uma festa com uma colega.

Apenas ela falava enquanto Mary permanecia em silencio devaneando enquanto palavras fúteis se desintegravam no ar antes de chegar aos seus ouvidos.

–Sabe Dalila, você pode ir andando, vou comprar algo para beber.

–Ah, serio, porque bem eu quero passar na casa do Jeremy, se é que você me entende...

–Claro, pode ir – E assim ela se foi, depois de abraços e agradecimentos falsos.

Na verdade Mary estava feliz por relaxar a mente sem precisar de fato esforçar-se para bloquear Dalila, e entrou na primeira loja de conveniências aberta que viu. Estava vazia, como se estivesse implorando para ser assaltada. Então Mary deu voltas nos corredores para ver se encontrava algo que a agradasse. Ela não estava realmente com sede, faria qualquer coisa para se livrar de Dalila, mas queria segurar algo, era... Reconfortante.

Já que não tinha ninguém no caixa, simplesmente deixou o dinheiro ao lado da caixa registradora e dirigiu-se à porta. Quando ia empurrar a para sair, um homem entrou. Ele era forte e alto, alto demais e analisou Mary minuciosamente. Ela deu um passo para o lado para ele poder passar, mas o homem continuou no lugar a analisando. Mary levava uma carranca no rosto, nunca se deixava abalar por homens. Ela tentou passar de novo, mas ele a pegou pelos ombros.

–Ei! – Gritou Mary. – Qual é a sua, cara?

–Diversão – Ele levava um sorriso malicioso no rosto.

Puxou Mary de costas e cobriu sua boca com a mão. Enquanto a outra alisava suas pernas e no meio das coxas. Mary estava completamente paralisada, sem reação, ela tentou gritar, mas a mão do homem a apertava tão forte que nem ao menos conseguia abrir a boca.

Mary deu um chute para trás, tentando acertar o meio das pernas do homem, mas ele agarrou sua perna e arrastou para fora, para o beco ao lado da loja de conveniências.

Era como se Mary estivesse vendo tudo isso pelo olhar de um estranho, um fantasma observando sorrateiramente de cima, assistindo a uma cena ao qual ele não participava. Mas ela sim participava, e doía mais que tudo saber que não podia fazer nada. Doía sentir sua impotência para com isso.

E depois de tê-la violado, depois de ter deixado marcas permanentes nela, ele, literalmente, a jogou fora, como um pedaço de nada.

E foi ali que tudo mudou.