Psycho!
1 Apenas Um Dia
Notas iniciais
Psycho
Os olhos verdes de um homem se abrem rapidamente e com uma euforia incomum ele sai pulando pela casa, gritando e cantando, e dançando, se debatendo, quase cai na escada de sua casa rica.
Isso normalmente não acontece com Allan, pois sempre sai com um mal humor gigante, pois se acorda cedo e logo teria que ir para sua área de trabalho de psicólogo.
Com seu corpo magro e de estatura mediana ele canta qualquer música que toca em seu celular, sua pele pálida fica quase transparente quando o sol de sua janela bate, e seus cabelos negros reluzem o sol da sua manhã.
Allan pega seu carro e ao invés de entrar como as pessoas normais, ele entra se jogando na porta, mas logo sai, e antes de sair totalmente entra em seu carro e se dirige até sua clinica.
Sua cidade é grande, com luzes, pessoas, tudo alegre, nada poderia ser maisperfeito do que isso.
Cantarolando músicas infantis sem nenhuma razão Allan se sente leve, como se algo tivesse saído de dentro dele.
O homem sem nenhuma aparência de desajeitado cai ao sair do carro, mas logo se levanta, sente que esqueceu algo e tenta voltar, mas muda de ideia e entra em sua clinica.
O som do relógio deixa tudo mais lento em sua mente, cada som se amplia e com seus olhos fechados ele se imagina em qualquer lugar, suas unhas pretas aparentemente pintadas recentemente e lixadas de uma forma que fiquem grandes e bonitas tocam uma as outras em um momento de uma espécie de meditação seus olhos verdes se abrem lentamente, e com o contorno perfeito de um lápis de olho preto ele fita as pessoas ao redor dele de modo rápido, imaginando histórias sobre essas pessoas e como elas são sozinhas, e seus pecados.
Após terminar sua meditação diária ele entra em sua sala com ar condicionado e se senta em sua cadeira de escritório, e fica girando com ela em sentido horário e anti-horário olhando para o teto branco de sua sala com os braços cruzados.
“ Toc toc ” porta faz, e um cliente ali aparece.
- Onde eu espero o psicólogo? – pergunta o homem de aparência triste se sentindo diferente do homem a sua frente justamente pelo seu visual.
— Eu sou o psicólogo, por favor, se sente, e não se sinta incomodado comigo.
— Mas como...
— Seus olhos rodearam meu rosto e sua expressão mudou, eu analiso.
— Uau.
— Agora tirando sua bebedeira e discussões, obtém mais problemas?
— Você me conhece?
— Não.
— Então doutor, como sabe que eu bebo e discuto?
— Sua barba mal feita diz que anda empertigado com sono, e seus olhos vermelho e sua barriga faz você “vestir” um tipo padrão de homens que bebem, e a discussão vem na sequencia.
— Você falando assim parece até o S...
— Sherlock Holmes? Obrigado. Mas se não se importar, se livre de seus problemas, e me diga tudo que tem em seu coração e mente.
— Certo. – Disse o homem. – Minha história começa assim:
Eu me chamo Marcos, tenho 30 anos de idade, bebo desde os 15, sempre me sentia confortável com a bebida, e a dor, por isso com a sequência da bebida um belo corte, não em partes vitais, ajudava.
Minha mãe morreu em um acidente de carro, e meu pai morreu com um tiro em um assalto, e nisso eu tinha meus 15 anos, acho que foi isso que resultou em minha rotina deplorada.
O que tenho em meu coração e mente, é toda a minha historia, e vou conta-la ao senhor.
Eu nasci nessa cidade mesmo sabe, e desde que nasci via de tudo um pouco nessa vida, e pensava no que veria na outra.
Com meus 5 anos de idade, eu queria realmente ver a outra vida, nada era comigo como foi para as outras crianças, enquanto elas brincavam na areia e pulavam em cama elástica e brincavam de carrinho, eu já era jogado na areia, atirado na cama, e trancado no carro.
Eu e minha mãe e meu pai morávamos todos com meu tio, irmão de meu pai, ele parecia ser alguém legal, mas quando me conheci por gente vi que ele era o que eu chamo de “ pré-diabo ”. O homem brigava com a esposa, batia nela, a ponto de quebrar ossos quase, e nada foi feito, sempre tudo escondido, ele chegava podre de bêbado em casa e começava a bater nela, enquanto isso meu pai e mãe trabalhavam a noite toda, o que era horrível pois eu ficava sozinho com eles, e o pior de tudo não era a agressão dele com ela, mas sim a agressão dele comigo, quando a mulher estava quase inconsciente ele vinha e batia em mim, me deixava vermelho nas costas com sua cinta de couro, mas o pior ainda estava por vir, pelo o que me lembro da primeira vez que aconteceu, eu estava quase apagado com os golpes que tomei, mas antes de cair no chão as mãos enormes do homem me pegaram pelos cabelos, e ele disse em meu ouvido que iríamos ter um segredo enorme, seu halito de álcool estava forte, eu ouvia barulhos mas não sabia da onde vinham, então senti algo batendo em meu corpo, algo rígido, o homem estava próximo de mim, e estava excitado, então ele me joga no sofá e na minha primeira tentativa de sair ele me da um soco no rosto, e eu fico tonto, então sinto algo na minha boca sendo colocado diversas vezes, aquilo me deixou assustado, a não tinha como eu fugir agora, então eu pensava que cheguei ao fim quando algo quente saiu daquilo, mas estava errado, pois o homem me vira de costas para ele, e alisa meu rosto, dizendo que agora vai ficar divertido, então ele abaixa minhas calças, e antes que pudesse reagir algo entra em mim, aquilo dói muito, acho que sangrou até, tentei gritar, mas o travesseiro em minha boca impediu.
Me segurando pelos braços ele me toca na parede, apertando-me “lá” com força, tudo dói em mim, mas o homem é frio e não sente remorso do que faz.
Meu tio me estuprou durante um longo tempo, até que descobriram isso, e ele foi preso, e possivelmente está sendo estuprado até hoje na cadeira...
Anos depois, com meus 13 anos eu pensava que estava livre de sofrimento, e nunca tinha falado para alguém que fui abusado por outro homem, aquilo me deixava envergonhado, e com medo.
Escola nova, turma nova, pessoas novas, vida igual.
É horrível tentar se adaptar a um lugar onde todos te olham torto.
Mas eu pensava que seriam apenas olhares tortos, mas me enganei...
Tentando aprender algo de útil na vida, estava eu olhando para o quadro analisando a matéria, e também a garota da minha frente pela qual eu era afim, mas ela nunca se quer olhou para mim.
Os garotos da minha sala todos babavam por ela, desejando seu corpo simplesmente, enquanto eu desejava seu coração.
Mas ela era do tipo de garota que gosta de otários e qualquer tipo de garoto que seja o oposto do que eu sou.
Algo de ruim nessa turma era que, nas aulas de educação física todos participam então eu era obrigado a correr, e jogar bola, e essas coisas. Mas o pior disso era que os valentões fazia também, e eles adoravam a mima sabe o garoto tímido.
“ passa a bola palito “ou “ desgraça da humanidade” eram coisas que eu ouvia com mais frequência. Acidentalmente boladas vinham em minha direção junto de risos, coisa que acontece com qualquer um.
Aquela brincadeira doce de empurrar alguém também era conhecia por eu ser a vitima, bolinhas de papel eram atraídas por minha cabeça. Eram as mil maravilhas.
Tommy era o deus dessa maravilha, o mais forte deles o mais persuasivo, e ameaçador.
Toda vez que passava por mim me ameaçava a dar um soco, o que eu sempre caia e me esquivava de uma forma estranha em vão.
Todos riam de meu jeito estranho de ser, e meu jeito de andar.
Mas pelo menos uma coisa boa aconteceu, a garota pela qual eu era afim Kamyla, começou a me notar, notava que ela olhava para mim e começava a rir baixinho, eu acho que isso é bom.
As noites em minha casa eram vazias, sem nada de mais para fazer então me deitava a cama e fechava os olhos, imaginando como seria se eu conseguisse conquistá-la.
E certo dia, eu estava na escola, e na minha mesa tinha um papel, pensei que era dos meus parceiros, e ia jogar fora, mas li a decoração da folha em rosa, com flores, então abri logo, e li “ gostei de você Marcos, você me deixa envergonhada, me encontre na hora da saída no parquinho aqui da escola, beijos, K” Doutor, eu nunca me senti tão alegre e nervoso na minha vida, pela primeira vez na minha vida uma garota me notou.
Depois da aula que passou voando pois eu não parava de olhar para a Kamyla eu fui depressa para o parque que tem atrás da minha escola, tem um castelinho escorregador, um monte de coisas ainda me lembro.
Quando entrei lá, vi Kamyla sentada no castelinho, me esperando.
“ chegue mais perto de mim garoto tímido ” ela disse e meu coração acelerou tanto que eu pensei que iria morrer ali mesmo.
Ao me aproximar mais dela, ela me chamou para sentar no chão com ela, o que fiz sem pensar duas vezes, logo depois, quando notei estava ao lado dela, ela estava sorridente demais, eu amava o sorriso dela.
Ela mandou eu fechar meus olhos, e foi o que eu fiz, senti suas mãos frias encostar em meu braço, me acariciando, e logo suas pernas estavam em cima das minhas, como se ela montasse em mim, suas mãos estavam em meu pescoço nunca senti algo tão com em minha vida inteira, sentia um frio, e calor, e um choque, tudo junto fazia a minha barriga gelas e tremer, ela estava em cima de mim quase, me dominando, eu era totalmente dela ali, logo ela mandou eu me acalmar e me arranhou de leve, e passando a mão atrás da minha nuca senti ela se aproximar de mim, e sentia o ar saindo de seu nariz batendo em minha orelha.
“ você está ficando excitado não é? Você me deseja eu sei, posso sentir seu brinquedinho ficar maior ” disse ela com as mãos em minha barriga ameaçando descer mais.
Novamente ela chega ao meu ouvido e disse
“ te peguei otário, podem vir garotos, consegui ” ela disse e todos os meus amigos vieram e formando um semi circulo ficaram rindo de mim, dizendo-me que eu fiquei molhado com ela, o que era verdade pois estava uma mancha em minha calça palavras como “ punheteiro” e “coelho ” nasceram ao meu mundo, e quando notei Kamyla estava beijando Tommy na boca, e sendo acariciada na parte de baixo por ele, e na parada de beijos dele, ela me disse “ você nunca terá alguém em sua vida seu merda, você e é o fracasso em pessoa, lixo.”E jogando água em mim todos saíram dali, meu coração foi partido, e eu fui humilhado, nada parecia dar certo na minha vida.
Alguns dias depois eu cai em depressão, nada poderia piorar, o suicídio era minha única saída, única liberdade, possivelmente até a felicidade. Mas foi em vão, pois meus pais chegaram e me acolheram e da morte eu fui salvo.
E anos depois minha mãe morreu, e meu pai morreu, e fui para um orfanato, onde me criei em paz, e... Bom... Aqui estou eu, sentado em uma cadeira, desabafando com você doutor.
Com seus olhos se abrindo letamente Allan olha para o homem em sua frente:
— Muito bem, se sente melhor ao contar isso para mim?
— Bom, de certa forma sim.
— Mas você não está traumatizado ou algo assim, por que então veio falar comigo?
— Por que bem, eu queira jogar para fora meu problema. Allan obrigado por me ouvir.
— Estou sempre aqui amigo, sempre.
A porta se abra, e em sua sala uma mulher de branco entra e deixa um prato de comida, e ignorando Allan e Marcos ela sai da sala e vai falar com outros homens.
- Como ele está Cindy? – pergunta um segurança.
— Bom, até agora, bem, mas foi algo do nada, logo hoje de manha? Mas como assim?
— Bem, acho que foi cargas guardadas.
— Travor, ele não apresentava isso. Isso foi algo totalmente inesperado.
— Bom, acho que todos nós sabemos que desde que ele começou a trabalhar aqui Allan Marcos ouvia todo o tido de problemas de todos os tipos de pessoas, acho que ele ouvir demais e falar de menos deve ter provocado essa explosão repentina.
— Como assim? – Pergunta Cindy.
— Ele sempre foi bem humorado, feliz, e reservado, obviamente ele tinha algo escondido em seu interior.
— Então você acha que o passado dele está atacando ele?
— Essa é a única explicação. – diz Travor — Os motoristas do nosso carro disse que hoje ele estava no chão, desmaiado, a ligação dos vizinhos ouvindo seus gritos foi imediata.
Então eles chegaram em casa e pegaram ele dormindo no chão, após acorda-lo ele se debatia e gritava, as vezes cantava também, e pulava, lutava para não levarmos ele como louco para sua própria área de trabalho, imagine só, um psicólogo louco, ainda bem que aqui tem a ala da psicologia e da psiquiatria e tudo mais. Continuando, a nossa tentativa de botar ele no carro foi difícil, pois ele quase fugiu, mas conseguimos botar ele no carro, e depois de canções infantis irritantes, chegamos aqui, e na saída o coitado caiu, ainda bem que não se machucou.
Logo após ele se jogou no chão e ficou sentado como se estivesse meditando, enquanto isso, ficamos procurando procurando uma sala para ele, nós apressamos pensando que ele iria sair dali mas ele estava exatamente aonde estava, olhando para as pessoas, e sorrindo para o nada.
Então finalmente colocamos ele na sala e ele começou a brincar em sua cadeira, agora ele não para de falar com seu reflexo no espelho.
Ao olharem para dentro da sala, Cindy e Travor viram Allan Marcos com seus braços presos em sua camisa de força olhando quieto para o espelho, ele sorri lentamente, e diz:
— Próximo cliente, por favor! – E ri alto em sua sala vazia e branca.
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