Psicose

5 Capítulo 5


Notas iniciais
Sinto muito ter demorado tanto para postar, mas eu estava muito ocupada com muitas provas para fazer e tenho que estudar bastante, então vou demorar mais uma semana para postar com regularidade.

Sim, havia tempos, tenho certeza que você sabe
Quando eu mordi mais que eu poderia mastigar
Mas além disso quando havia dúvida
Eu comi isto e cuspi fora
Eu enfrentei tudo e eu me mantive alto
E fiz do meu jeito
— MY WAY — Elvis Presley

Finalmente em Seattle.

Seattle tem verões agradáveis e invernos gelados. Tem fama de ter um tempo muito chuvoso, e também de ter um padrão de vida muito melhor que outras cidade mais conhecidas. Bem, sendo verdade ou não eu ia aproveitar muito bem a minha estadia de um mês naquele lugar.

Há meia hora deixamos o Aeroporto Internacional de Seattle e pegamos um táxi para ir ao hotel SPA que eu tinha pago em Freemont. E como todo roteiro covencional visitamos à torre Space Needle, construída em 1962, e ícone da cidade, com seus 184 metros de altura. O resto veríamos depois.

Um dos funcionários colocou a mala no meu quarto e se retirou rapidamente. Ótimo. Me deitei na cama e respirei fundo com o agradável clima da cidade das Esmeraldas.

― E então, aonde vamos amanhã? ― Emery perguntou pela porta entreaberta.

― Em algum museu.

Ela fez uma careta e negou com veemência.

― Museu não.

― Você escolhe. ― Disse sincera e escutei meu celular vibrar com uma ligação. ― Vou atender um telefonema, vaza Emery.

Minha irmã resmungou mas fechou a porta e me certifiquei de trancá-la também.

― Ashara?

― Quem mais seria?

― Vou ignorar seu péssimo humor. ― Rose murmurou do outro lado da linha. ― E como foi a viajem?

― Cansativa, mas estou bem.

― Deu tudo certo, amanhã às 14:30 vou estar te esperando na entrada do hospital para uma entrevista de emprego, feita por mim mesma claro.

― Entendo. ― Segurei o celular entre a cabeça e o ombro enquanto tirava minhas botas. ― Vou querer saber pelo menos o básico do que estar acontecendo, fora as mortes estranhas, preciso ter noção de com que pessoas estou lidando.

― Não se preucupe.

― Não estou, garanto.

Rose suspirou profundamente como quem diz, Paciência.

Ora, ela esperava que eu fosse legal o tempo todo?

Pois ela está redondamente enganada.

― E seu nome vai ser qual mesmo?

Soltei uma risada contra a minha vontade. Romeo e seu maravilhoso senso de humor.

― Juliet Blaise D'Florence.

― Bonito nome.

― Sim, muito bonito. ― Meus olhos pesaram como o inferno. ― Sabe o que é Rose, estou muito ocupada agora ligo depois.

Terminei a ligação sem esperar sua resposta e nem precisei aguardar o sono chegar. Ele já me aguardava.

***

― Estou grávida. ― Minha mãe anunciou segurando a base da barriga com um sorriso enorme.

― Que notícia agradável. ― Falei.

Eu sempre quis ter um irmão, mas naquele momento parecia tão fora de eixo, um bebê depois de tudo que eu tinha passado nas mãos da minha mãe.

― Não está feliz Ashara? ― Papai me perguntou sorrindo abertamente.

Sorri de volta.

― Claro.

Se a minha mãe fizesse com ela o mesmo que fez comigo... não era diferente. Ia ser diferente.

Aproximei-me da barriga e a toquei sentindo um arrepio estranho, eu tinha encontrado uma motivação e estava ali comigo, e se fosse para aguentar todos os baque seria por essa criança.

Um bebê.

Meu irmão.

***


― Que merda. ― Bufei com as mãos trêmulas no meio da noite buscando por entre as malas meu remédio. ― Merda, merda, merda.

Esbarrei contra uma outra mala e cai no chão com um baque, apoiei o braço no chão e escorreguei. Estava suando frio.

Segurei a minha mala e peguei os remédios que há dois dias não tomava. Pensava que estava ficando bem. As lágrimas que escorriam pelo meu rosto deixaram claro que era uma ideia absurda.

Meu celular tocou em cima da cama mas ignorei a chamada. Levei o remédio a boca e o engoli sem água. Deitada no chão frio eu queria apenas que aquela sensação ruim passasse. O meu arquejo foi como um rago pela minha garganta com a vontade de chorar novamente.

Seria bem mais fácil terminar com aquilo de uma vez.

Não.

Escutei em minha mente, a minha voz, enquanto pensava nas poucas pessoas que realmente me amavam.

Acalmei-me aos poucos e finalmente me levantei, cambaleante peguei o celular, a chamada perdida era de Ocean. Eu retornaria quando ele não pudesse desconfiar que estava no fundo do poço. De novo.

Coloquei os fones de ouvido escolhendo a música e deixei o silêncio inicial me tomar. Em seguida fechei os olhos conciente de todos os objetos que estavam dispostos no quarto.

E bem ali, no meio de um quarto de hotel de Seattle, eu dancei.

Movendo lentamente meus pés e meus quadris, pensei em tudo o que eu tinha conquistado e o que eu ainda iria conquistar.

Absorvi as palavras como um mantra e quando voltei a abrir meus olhos estava infinitamente melhor.

― I'm feeling good. ― Murmurei uma última vez antes de tentar dormir novamente.

Obviamente eu não consegui, então me restou rapassar sobre a minha nova identidade e meu plano.

Durante as manhãs eu iria passear com os meus pais, usando uma maquiagem mais carregada, e o cabelo solto e roupas escuras. E assim que o almoço chegasse eu iria para um pequeno apartamento que Rose conseguiu para mim, a minha moradia número 2. Para os meus pais e Emery eu iria ver uma amiga a tarde, ninguém me contestaria mesmo. E assim eu seria Juliet, uma doce moça, que detesta o cabelo solto, usa pouca maquiagem, adora assistir um filme de romance e escrever poesias.

Meu emprego seria três dias por semana, nos outros completaria a investigação com uma pesquisa. Romeo estaria a disposição para uma busca mais...aprofundada e isso seria bastante útil para mim.

No final não daria em nada e eu teria uma boa diversão.

Simples assim.

Alguém bateu na porta do meu quarto e verifiquei que horas eram. Engoli em seco, era seis e meia da manhã, o horário que tinha combinado com os meus pais de irmos tomar café no centro, e depois tirarmos fotos em Freemont Troll.

― Estou indo. ― Pulei da cama e me olhei no espelho, meus olhos estavam sem vestígio de ter chorado o que fez o meu alívio sair em um suspiro.

Abri a porta em uma pequena fresta apenas para conferir quem era e vi meu pai de braços cruzados em frente a porta, com um sorriso zombeteiro e os olhos encobertos por um óculos escuros.

― Dormiu demais? ― Inqueriu ao passar pela porta e me ver de pijamas.

― Sim. ― Dormi de menos. ― Me desculpe pai, ainda não estou pronta, se quiser podem ir na minha frente, eu pego um táxi e encontro vocês depois.

Frank McWood balançou a cabeça em negativa, se aproximou de mim, com um carinho incontido, e pegou minha cabeça depositando um beijo da minha testa. Ah, como eu amava esse homem, ele era sem dúvida um bom pai, principalmente por se esforçar em ser um.

― Nada disso, iremos esperar você. ― Murmurou sorrindo minimamente e se encaminhando para a saída do meu quarto.

Não via a hora de me arrumar e aproveitar o dia, sorri feito uma maluca e rumei ao banheiro estalando os dedos imitando a dança final de Dirty Dancing. Após o banho revigorante escolhi minunciosamente minhas roupas, uma calça jeans rasgada, uma regata branca, uma jaqueta de couro preta e um coturno. E como meu pai, coloquei um óculos escuro.

Coloquei meus pertences em uma bolsa a tira colo e corri às pressas atá a porta a fechando em seguida. O que tinha acontecido durante a noite não estava em nenhuma célula do meu corpo, mais uma vez eu tinha vencido a mim mesma e eu ficava com um sorriso maior ainda por causa disso.

Encontrei meus pais e minha irmã na sala de espera tomando um chá e conversando animadamente, e quando me viram se levantaram no automático.

― Tempo recorde! ― Emery me parabenizou.

― Está muito bonita. ― Minha mãe elogiou e lhe lançei uma piscadela.

― Minha filha é linda. ― Papai retrucou, e antes que Emery resmungasse ele a tomou pelo braço assim como eu e sorriu. ― Duas filhas lindas, que ainda vão me dar muito trabalho.

Mamãe pegou o celular e tirou uma foto nossa tão de súbito que sai com uma careta nela.

― Ei!

― Eu não vou apagar. ― Alertou. ― Vou usar isso como chantagem.

Depois falavam de mim, quando na verdade o meu jeito vinha de família.

― Vamos, eu quero ir no Starbucks antes que fique lotado. ― Emery falou me puxando.

Como uma verdadeira família nos jogamos dentro de um táxi e aproveitamos cada minuto do passeio. Primeiro fomos tomar café no primeiro Starbucks...ou pelo menos tentamos. A barriga do meu pai protestou audivelmente então recorremos a um lugar mais calmo para adquirir energia. Em seguida ao Fremont Troll; uma escultura de concreto de um trollsegurando um Fusca que foi esculpida por quatro artistas locais embaixo da ponte George Washington Memorial Bridge, também conhecida como a Ponte Aurora, no bairro de Fremont.

Na falta da foto com os próprios artistas, tirei uma foto naquele troll mesmo. Aquela seria a primeira que mandaria para Noah, ele ficaria com os cabelos em pé de inveja. O clima agradavél da cidade deixava tudo ainda melhor. Enquanto eu e Emery aproveitavamos para conversar ou olhar alguns homens muito bonitos ― Qual é, eu não sou de ferro! ― Meus pais namoravam a distância, e sorriam como adolescentes.

Quem dera que fosse assim na minha adolescência também. E esse era o maior motivo de estar tão grata com aquele momento. Achava que ia explodir de tanta alegria. Sim, minha família era tudo para mim, daria minha vida por eles, mesmo não amando minha mãe consegui suportar a raiva, o ódio e obtive respeito ela nova Lena McWood. Por isso escolhi ser policial, naquela rotina eu protegia várias famílias para que elas pudessem ter aqueles momentos também, até mesmo ajudar alguns detentos a conseguir sua família de volta sem precisar usar o crime como opção.

Depois de tudo eu estava exausta.

― Vou para o meu quarto. ― Anunciei após o almoço. ― Aproveitem o SPA e me contem como foi, quero ir depois.

― Sim querida. ― Minha mãe falou. ― Mande Rose vir nos ver também, estou com saudades dela.

― Seria uma maravilhosa ideia. ― Concordei sorrindo falsamente, e acenei em despedida com um olhar atento de Emery.

Ciumenta.

Gargalhei sozinha e me preparei para ser Juliet D´Florence a minha outra eu.

Notas finais
Um beijo espero que aproveitem o capítulo. Gostaria que comentassem é um incentivo para mim, e principalmente para saber se estão gostando da história. Um beijo, e até o próximo capítulo.