Notas iniciais
Escrevi esse pequeno conto há algum tempo, em uma aula de redação. Primeiramente passei esse conto para o Recanto das Letras, agora resolvi postar aqui com pouquíssimas mudanças. Portanto, se já tiverem lido algo igual em algum outro lugar, não pensem que copiei de alguém, o texto é meu mesmo.

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Eu estava nervosa, mas mantinha a aparência tranquila. Aquele ambiente escuro me dava nojo. Se pelo menos eu soubesse onde estava... Não tinha reparado ainda, mas à minha esquerda havia um homem desacordado.


— Ei, acorde! Você sabe que lugar é esse? – perguntei em vão, pois quando olhei para o homem mais de perto, que na verdade era meu pai, vi que estava morto. Manchas enormes de sangue estavam por todos os lugares. Dei um grito e saí correndo. Aquele lugar era cena do mais terrível pesadelo que já tive. Acho que já estive lá outras vezes.


Pensei em toda a minha vida naquele instante. Eu talvez merecesse aquilo. Durante muitos anos vi o sofrimento de muitas pessoas, ouvi o grito mortal de muitos, silenciei a alma de vários. A dor alheia me dava prazer. E agora estava sentindo toda a dor que causei, agora tinha vontade de gritar do mesmo modo que eles gritaram.


Mas eu ia sair viva dali, eu tinha certeza. Não iria ouvir os meus próprios gritos de socorro, não iria sentir compaixão pelos outros. Já sofri muito por mim mesma. Eu não tinha culpa de ser assim, era como um instinto natural, por isso nada fiz para mudar... E nem faria, sempre tive algo dentro de mim que desejava sangue. Mas não o meu.


Olhei para frente e vi uma imagem distorcida de mim mesma num espelho quebrado e sujo, assim como eu. A tranquilidade que mantinha se esvaiu. Pude sentir o suor escorrendo pelo meu rosto, levemente se confundindo com as lágrimas. Percebi que estava sendo levada ao encontro do meu maior medo: a morte. Como um ato tão comum a mim poderia me assustar tanto?


Acordei sentindo os tímpanos explodindo. Olhei ao redor: estava em casa, na cama, no meu quarto com decoração antiquada. Mas tudo me lembrava da situação pela qual havia acabado de passar. O sonho ruim, o pesadelo, que foi a experiência mais real e sinistra que já tive... Foi o encontro de todos os meus medos.


Olho para minha imagem no espelho inteiro e limpo, limpo de um jeito que nunca fui. Deito na cama, fecho os olhos, tento imaginar-me como uma menina normal, que brinca com todas as crianças e não arranca a cabeça das bonecas. Tarde demais. Vou lentamente caminhando ao encontro do meu maior medo. E agora esse medo não existe mais, talvez seja melhor assim... Um dia tudo acaba mesmo. Não mais me importa se será hoje ou amanhã, apenas será.


Continuei deitada, ouvindo atentamente os passos se aproximarem dentro da minha cabeça. Por dentro, eu já estava morta.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Se puderem, façam comentários, sejam eles positivos e/ou negativos. Obrigada :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!