Psicopata de Seattle

11 Prison for Rehabilitation


— Abby Allison Waters; 16 anos; Filha dos falecidos Cosmo e Marlee Waters; Sem responsáveis. — O policial lia calmamente a ficha de Abby. — Tem certeza que não tem parentes vivos? Algum tio ou tia?
— Tenho certeza absoluta, policia Feels. Todos estão mortos... Cada um deles... — Ela respondeu com um olhar frio, sentada de frente ao delegado numa sala de interrogatório.

— Policial Feels, desculpe interromper, mas fizemos algumas perguntas aos amigos que estudam com...

— Eles não são meus amigos! — Abby se gritou perdendo o controle de si e se levantando da cadeira.

— Controle-se, senhorita Waters! — Policial Feels ordenou e ela se sentou, voltando a ficar calma. — Continue, Rogers.

— Então, os que estudavam com ela disseram que ela morava com a tia, Zíbia , então fomos até a casa dela e encontramos o corpo dela morto dentro do armário que fica debaixo da escada. — Ele informou e saiu logo da sala de interrogatório, deixando o Feels e a Waters sozinhos novamente.

— Você a matou, certo?

— Talvez sim... Talvez não... — Ela respondeu com um sorriso travesso.

— Além de matar aquela menina, matou sua tia? Garota, como pôde fazer isso? — Ele perguntou indignado.

— Eu apenas recebi ordens...

— Ordens de quem?

— Oras, já disse! As vozes, lembra?

— Ah, sim... Essas tal vozes... — Ele revirou os olhos. Não sabia como lidar com gente maluca. — Quer dizer que você não matou por vingança ou coisa do gênero?

— Olha, ai depende do ponto de vista. A tia Zíbia me fazia perder a paciência muito fácil, mas sabia me controlar. Só que no dia em que as vozes mandaram matar ela, não pude me controlar mais, então fiz o que me mandaram. — Respondeu como se fosse a coisa mais normal do mundo.

— E quanto a senhorita Jordan? — O policial perguntou ainda sem olhar para Abby, pois anotava algo na ficha dela.

— A Jordan foi mais por diversão própia mesmo. Ah, como queria poder fazer aquilo de novo. — Ela falou lembrando da cena do sangue de Susan escorrendo no chão.

— Fique aqui e nem pense em sair, entendeu? Preciso ter uma corversa curta com o Delegado.

•••

O policial entrou na sala onde Abby estava e logo falou:

— Certo, garota, já decidimos para onde iremos te mandar.

— Para onde irei ir?

— Para um centro de reabilitação, onde ficará sendo vigiada a todo o momento por guardas muito bem treinados, então, fugir não vai ser possível. — O policial respondeu com um certo orgulho do trabalho.

— Que maravilha, não vejo a hora disso acontecer. — Ela disse sarcástica se acomodando melhor na cadeira desconfortável.

— Isso é para o seu próprio bem, garota. Precisa aprender a se controlar e , depois de um tempo, até voltar a ter um vida normal.

— Voltar a ter uma vida normal? — Riu ela — Como posso voltar a ter uma vida normal, se eu nunca tive uma?

— Argh! Olhe, já vou indo. Outros policiais virão aqui para lhe levar ao seu novo "lar". — O policial se retirou.

•••

2 diasdepois...

Abby olhava pela janela do carro da policia as gotas de chuva que caiam como lágrimas no rosto de uma pessoa.

Ela havia dormido esses 2 dias na prisão, porém, depois de preencher muitas fichas, ela foi mandada para um centro de reabilitação em um canto isolado de Seattle.

Eles chegaram ao seu destino. Os policiais desceram do carro e um homem que aparentava ter seus 38 anos de idade apareceu e começou a falar com os policias.

— Aqui está a ficha dela, senhor Fitz. — Um dos policiais entregou a papelada para o homem.

— Certo. Mandem ela descer e o resto eu resolvo. — Disse o homem.

Outro policial tirou Abby do carro e a deixou com o homem chamado de senhor Fitz.

O Fitz acenou para os policias que iam embora e logo se virou para Abby.

— Vamos, menina. Vou te levar para seu quarto e depois a diretora irá falar com você. — Ele a guiou até o quarto dela, passando por vários corredores.

A Waters percebeu olhares estranhos sobre ela quando passava pelo corredor até seu quarto.

Ela notou que as pessoas de lá eram bastante estranhas. Pareciam loucos, como se tivessem saido diretamente do País das Maravilhas.

— Pronto, garota, você fica aqui e logo a diretora virá lhe ver. — Senhor Fitz diz deixando Abby no novo quarto dela e fechando a porta em seguida.

Abby olhou para aquele simples quarto. Tinha paredes ciza claro, com alguns detalhes de preto e azul escuro. A cama era bem simples e bem forrada com um lençol branco com listras pretas. Uma cômoda branca onde Abby deixou a mala apoiada.

Toc, toc...

Abby ouviu as batidas na portas e uma mulher alta, de pele clara, um cabelo em corte Channelpreto e usava roupas sérias.

— Você é um demônio? — Abby perguntou, deixando o cabelo cair por cima do olho direito.

A mulher revirou os olhos. Odiava gente maluca e sempre vivia rodeada de pessoas desse tipo.

— Não. Eu não sou um demônio, mas posso ser um se você não seguir as regras deste centro. — Ameaçou ela. — Enfim, sou a diretora Santos, prazer. Estou aqui para ajudá-la a se recuperar dessa forma que você é agora.

— Não podem me recuperar. Esse jeito que eu sou, é o meu verdadeiro eu. Sempre fui assim... — Abby cortou a fala da diretora.

— Creio que nunca foi assim, senhorita Waters. — A diretora retrucou.

— Sempre fui assim, por dentro, mas, por fora, eu era normal. — A Waters falou com uma voz baixa. — Eu ainda tinha um motivo para não deixar o meu verdadeiro eu tomar conta de mim.

Ela se referiu a falecido pai dela. Cosmo Waters.

— Sinto muito, mas agora precisa de ajuda e mais tarde terá uma pequena sessão com o psicólogo. — Disse a diretora enquanto ia em direção a porta. — Precisamos saber qual é o seu problema de verdade. — Se retirou do quarto.

•••

— O que você vê, senhorita Waters? — Perguntou o psicologo Zenith, colocando uma folha com manchas pretas na frente da garota.

Abby estava deitada em uma poltrona que ficava inclinada, passando por uma breve sessão no psicologo no famoso teste das manchas pretas.

— Eu vejo sangue de demônio. — Ela respondeu revirando os olhos e os fechando em seguida.

— Certo. E o que vê nestas manchas aqui. — Perguntou mostrando outra folha com manchas pretas.

— Vejo a morte.

— Como pode dizer que vê a morte se você está de olhos fechados? — Perguntou o psicologo.

— Eu não preciso estar de olhos abertos para ver a morte, senhor. — Ela suspirou.

O senhor Zenith começou a escrever tudo o que ela respondia para fazer uma conclusão sobre o estado de Abby.

— Quer conversar sobre a morte do seu pai? — Ele pergu tou tentando ser o mais delicado possível.

— Por que eu falaria sobre isso com você? Você só quer saber da minha vida para fingir que pode melhora-la. — Ela o encarou.

— Mas só quero lhe ajudar, querida...

— Eu não sou sua querida, então não me chame como tal. — Abby o interrompeu.

— Mas, preciso que você me conte o que sente. — Ele exclamou.

— Eu não preciso de ajuda de pessoas como você! — Ela se exaltou.

— Calma, menina. Acalme-se. — Disse o psicologo. — Por hoje é apenas isso. Só era uma breve sessão, pode ir.

A Waters se retirou rapidamente da sala, e ficou andando pelos corredores do centro.

"Elessãotodosunsfalsos", pensou ela,"quecedooumaistardevãomedesprezarcomotodososoutrosfizeramcomigo."

"Nãoligue para eles, querida. Vocêémelhorquetodoseles"

— Hey, garota! — A voz de uma menina doce ecoou pelo corredor vazio.

Abby se virou e viu uma menina de cabelo azul escuro e feições bastante alegres.

— Soube que você é a novata, então, vim aqui me apresentar. — Disse ela. — Sou Mabel Lins. E você?

— Sou Abby Waters. — Abby respondeu desinteressada.

— Bem, eu estou aqui faz 1 ano e sei como é ser a novata em um lugar como esse daqui, então, se precisar de ajuda, pode contar comigo. Ah, e eu estou aqui porque tenho bipolaridade muito forte então posso ficar mudando de humor sempre, a toda hora. — A pobre Abby se perdeu nas palavras que Mabel citava rapidamente.

— Hã, certo. Obrigada, eu acho. — Agradeceu confusa.

— Até mais, Abby! — A Lins saiu correndo animadamente pelo corredor.

"Que maravilha!", Abby pensou sarcástica, "vouvivercomgentefalsaemaluca!"

"Querida, nãosepreocupe... Nóstemosplanosparavocê."

"Quetipodeplanos?", Abby perguntou curiosa.

"Dotipodematar..."