Notas iniciais
fotos do capítulo: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1362614000440546&set=pcb.1362614097107203&type=3&theater

Capítulo 22

28 de outubro de 2007

No dia seguinte depois do almoço mamãe me leva ao consultório do dentista para ele me examinar e ver o que vai ter de fazer. Ele marca alguns dias para mim e essas consultas vão até o fim do mês de novembro, uma vez por semana.

...XXX...

Alguns dias passam e procuro conversar com meus pais enquanto eles estão assistindo televisão na sala:

— Desculpe interromper... – os dois se voltam imediatamente para mim e eu posso sentir o fluxo de sangue em meu rosto. Pronto consegui a atenção deles agora eu travei. O que eu queria dizer mesmo? Fique calma. Respira. Relaxa. ‘Eles não vão te morder’(kkkkkkk piada interna) Ah, lembrei.

— Mãe, pai, não sei como dizer o que quero dizer...

— O que foi meu amor? – Esme levanta do sofá e vem até meu lado em uma batida de meu coração. Eu não me assusto mais com isso, é natural para eles de qualquer maneira. Na verdade, eu até gosto disso. Quero poder me mover assim logo. Detesto ser lenta, quero ser ágil como eles.

— Pode falar sem medo, criança. Estamos com você sempre, pode contar conosco sempre para o que precisar – diz Carlisle.

— Eu não gosto de falar disso, mas eu estou muito preocupada...

— Filha, o que foi? Assim você me assusta... – diz Esme.

Carlisle mantém-se mais composto porque ele sabe qual é o provável motivo da minha preocupação. Ele é mais atencioso do que eu imaginava... Esme também saberia o que estava acontecendo comigo, se não ficasse tão preocupada que a emoção anuviasse seu raciocínio.

— É que eu... – penso como vou dizer. – Faz mais de um mês que eu... – minhas bochechas ardem com o calor e por isso abaixo a cabeça encabulada. Falo mais baixo, mas eu sei que eles podem ouvir até minha respiração, então um sussurro é bem audível. – Faz mais de um mês que a minha menstruação não vem.

— Ah, é isso! – Esme suspira aliviada como se ela estivesse prendendo a respiração. Se ela estivesse mesmo isso não seria tão ruim como se fosse eu prendendo o ar. – Eu entendo você querida. Posso ser uma vampira agora, mas também sou uma mulher.

Disso não tenho a menor dúvida. Carlisle também pode comprovar. :)

Nós mulheres não temos tanta necessidade de ficar competindo para provar a nossa feminilidade. Somos mulheres e ponto não temos que provar nada para ninguém. Não como os homens tem necessidade de se mostrar o macho. Sua masculinidade e virilidade. Nunca vou entender isso.

— E eu sou médico, não precisa se envergonhar de falar disso comigo – diz papai.

Mas ele é homem, mesmo sendo médico. E não vou negar que isso me inibe um pouco.

— Vocês são vampiros... – Eles entendem o que eu quero dizer. Essa palavra não é propriamente proibida de ser dita aqui em casa, mas a evitamos. – Eu tinha medo de falar disso com vocês, vejo que não tinha por que.

— Não fique preocupada querida – diz Esme como uma pessoa que foi mulher. – Aí mesmo é que não vem.

— Eu tento, mãe, mas não consigo deixar de pensar nisso. Vocês sabem quando foi a última vez...

— Sim, é verdade. Faz tempo. Até mesmo para as primeiras vezes que o ciclo menstrual é mais irregular está mesmo muito extenso – comenta Carlisle como num aparte explicativo. O médico nele me orienta: — Não se estresse filha. Nas primeiras vezes é normal que seja irregular – diz papai.

— Queria poder relaxar, mas não consigo. Estou muito nervosa.

— Vamos levar você para fazer um exame no hospital – diz Carlisle, ele percebe que não há outra maneira de me deixar mais tranquila.

— Eu nunca fui ao ginecologista, pai – o pavor tinge a minha voz, revelando mais do que eu gostaria.

— Não se preocupe minha filha, eu não vou deixar ninguém assediar você. Eu mesmo tomarei essa responsabilidade. Eu cuidei da sua irmã quando ela estava grávida, eu sei o que fazer.

— Obrigada, papai – digo realmente mais aliviada. Carlisle nem imagina o peso que ele tirou dos meus ombros, sou muito grata a ele por isso. Para sempre.

— Está tudo bem, querida. Não precisa nos dizer se não quiser, mas o que houve?

— Eu… já fui assediada por um tarado. Eu tinha apenas 12 anos... eu falei para minha mãe, mas ela nem ligou muito. Bom, ao menos não fui estuprada, mas quase. Foi como ter tirado a virgindade dos meus olhos quando eu vi aquilo.

— É verdade existem alguns exibicionistas que se excitam dando susto nas mulheres e depois vão se satisfazer sozinhos...

— Me desculpem... – olho para meus pés.

— Carol não se sinta assim, você não é culpada por ter acontecido isso com você – Esme vem me abraçar. — A culpa foi dele, daquele homem, se é que pode se chamar de homem.

— Obrigada, mamãe! – digo com os olhos repletos de lágrimas de emoção.

— Não chore, filha. Eu estou do seu lado e sempre irei protegê-la – Esme diz me estreitando ainda mais contra o peito. Posso sentir ainda melhor seu perfume de lavanda.

...XXX...

Eles então me levam para o hospital, lá os outros pacientes e acompanhantes ficam nos observando sem entender nada. Entramos na sala de exames sem nos importarmos em sermos encarados daquela forma. Ninguém sabe o que está acontecendo e eu nem gostaria que soubessem, sou discreta e prefiro que eles não saibam mesmo. Nós sabemos o que estamos fazendo.

Já no quarto Carlisle diz para Esme:

— Ajude a nossa filha a subir na maca enquanto eu preparo o aparelho, querida.

— Claro, meu amor — Esme assente com um gesto da cabeça. E me estende a mão para que eu suba na escada ao lado da cama.

— Levanta um pouquinho a sua blusa, minha filha – ela me pede assim que eu me deito.

Fico meio desconfortável, mas faço o que ela me pediu. Afinal Esme e Carlisle são como meus pais e eu não devo ter medo de ficar sem roupa na frente deles. Na verdade, eu nem vou ficar sem roupa, então não tem nada de mais. Respiro lentamente para me acalmar, pois eles perceberiam com toda a certeza se meu coração tivesse qualquer mudança de ritmo.

— Sim, mãe – faço o que ela pediu.

Carlisle então passa um gel na minha barriga que me faz cócegas e não consigo evitar rir.

— O que foi filha? – ele pergunta sério.

— Isso é gelado.

— Pensei que você já estivesse acostumada – ele comenta.

Acho que ele pensa que falo da mão dele, mas não é disso. É claro que eu sempre espero sentir frio quando ele e mamãe me tocam porque eu sei que eles são vampiros. Congelados. Mas não esperava que o gel estivesse tão frio, parece que estava no freezer.

— Não falo da sua mão pai, estou me referindo ao gel. É claro que eu sei que você e mamãe são gelados pra mim.

— Por enquanto – Esme sussurra, e se até eu ouvi tenho certeza que Carlisle ouviu o comentário, mas não disse nada.

— Ah! – ele diz compreendendo.

Ele analisa a imagem e eu por não entender nada mesmo, fecho os olhos. Não tenho medo de fechar os olhos na presença deles porque não faz diferença estar de olhos abertos ou fechados se eles quisessem fazer algo comigo eu não teria a mínima chance, nem adiantaria fazer nada mesmo.

— Você está bem, filha? – pergunta Esme alarmada. Eu não queria deixá-la preocupada, a essa altura eu deveria saber que ela se preocupa facilmente. – Está doendo?

— Não, mamãe. Não se preocupe, eu estou bem. Não é nada que deva se preocupar, eu estou tão tranquila que posso até fechar os olhos. Eu só fechei os olhos porque não adianta ver porque eu não entendo nada mesmo. Deixa o papai ver o que está acontecendo comigo, se está acontecendo alguma coisa.

— Tomara que não esteja acontecendo nada de mais grave com você, meu bem – imagino o quanto Esme deve estar preocupada. Ela foi mãe pouco antes de mudar e por isso seu instinto maternal é tão forte.

Esme e Carlisle se entreolham:

— Bem, filha – diz papai. – parece tudo bem com você, não vejo nada estranho. Parece tudo normal.

— Obrigada pai. Fico mais calma sabendo que não tem nada errado comigo. Vou esperar mais alguns dias.

— Se não vier daqui alguns dias fazemos outro exame, mas de sangue.

Isso me deixa nervosa, não gosto de injeção, não me sinto bem com agulhas. Mas tenho de ficar tranquila por enquanto. Talvez nem será necessário, se vier.

— Sim, obrigada. Por enquanto eu já estou bem mais tranquila.

— Não tem por que se preocupar. Agora vamos levar você para a escola.

— Ih, é mesmo. Vou chegar muito atrasada, me esqueci completamente que tinha aula hoje...

— Não se preocupe, querida – diz Esme.

— Você não vai se atrasar tanto quanto pensa. Se precisar dizemos que você esteve no hospital.

— Ok.

Chego a tempo para a segunda aula das cinco aulas de cinquenta minutos que tem cada manhã. Ainda bem que ninguém perguntou o motivo de meu atraso e eu entro na sala quando toca o sinal. Antes de ir me despeço de meus pais:

— Tchau – dou um beijo no rosto de cada um deles. Carlisle tem que se abaixar um pouco para que eu possa alcançá-lo.

— Tchau querida, boa aula.

— Obrigada, mãe.

— Tchau criança – papai sabe que sempre me derreto quando ele me chama assim. Me distraio por alguns segundos mas logo recobro a consciência e corro para a sala.

Esme e Carlisle vão para a diretoria para avisar do motivo de eu ter chegado atrasada. Por via das dúvidas é melhor explicar o que aconteceu antes que façam suposições que nem sempre correspondem a verdade.

...XXX...