Ps:Te Odeio
23 Paranoia
Notas iniciais
Pisco algumas vezes antes de abrir os olhos, tentando me acostumar com a claridade. Quando termino de abrir os olhos vejo um teto branco.
“O que aconteceu?”
Olho para os lados e vejo meu pai sentando em uma poltrona que tem do lado da minha cama. O chamo e pergunto o que aconteceu.
—- Você teve um ataque alérgico, teve uma crise de respiração. E já chegou aqui no hospital, desacordada. – ele diz alisando minha bochecha com o polegar – Mas pode ficar tranquila, você já está melhor. Hoje mesmo eles te liberam. – ele diz
—- Eu desmaiei assim na hora?
—- O João disse que não. – ele diz – Ele disse que até chegar ao carro você estava acordada tentando puxar ar pra respirar. Depois que você desmaiou. – ele diz – Filha por que você comeu creme de nozes, se sabia que não pode?
—- Porque eu não sabia que sobremesa era. E eu era muito pequena no meu primeiro ataque alérgico, nem lembrava o sabor das nozes. – digo – O João que devia ter me falado antes, de que era o creme.
—- Ele disse que não lembrava que você era alérgica. – ele diz – Bom, vou avisar ao medico que você já acordou. – ele diz me dando um beijo na testa
Logo ele sai
Não lembrava sei. Tudo isso fazia parte do plano dele. Deixar-me intrigada, fazer papel de paranoica e quando eu tivesse acreditando. Bum! Me da o bote. Pensa que eu não sei? Ele se acha o inteligentão nè? Pois ele que me aguarde.
Não fico muito tempo sozinha no quarto, logo o João entra. Com a cara mais limpa do mundo, como se a sua consciência não estivesse gritando: “VOCÊ QUASE MATOU A MARIA.”
—- Como você está se sentindo? – ele pergunta sentando na poltrona que meu pai estava
—- Parabéns João! Cumpriu com a palavra né? – digo batendo palmas – Quase me matou. – altero a voz
—- Maria eu juro, que não lembrava que você era alérgica a nozes. – ele diz calmamente
—- E você espera que eu acredite? – digo – Você armou tudo direitinho. Tenho que falar que nem eu teria pensado em tudo.
Ele passa as mãos pelo cabelo
—- Como você queria que eu lembrasse se no seu primeiro ataque eu tinha um mês de vida? – ele pergunta – Esse é o seu segundo ataque. Olha quanto tempo faz.
—-Não interessa. Você sempre soube...
—-Mas eu não lembrava caramba. – ele altera a voz
—- Agora vai ficar nervorsinho. – digo debochando
—- Você não tem noção de como essa sua cara me irrita. – ele diz fechando uma das mãos e coloca sobre a boca
—- Você que tenta me matar e eu que te irrito? – pergunto
—-Maria se eu quisesse realmente te matar, eu não teria te socorrido. – ele diz levantando
—- Vai ver você ficou com peso na consciência. – digo cruzando os braços
—-Você é muito criativa. – ele diz
Estamos no meio da discussão quando a porta se abre e tentamos disfarçar
—-Você está realmente se sentindo bem meu anjo? – ele diz se aproximando e colocando uma mexa de cabelo minha atrás da orelha
—- Claro que estou meu amor. – digo
—- Podem parar de fingimento – diz a pessoa – Pra mim vocês não precisam mentir. – é Guido
—- Ah, Guido. – digo relaxada
—- Ou vocês não estavam mentindo. E estão no Love mesmo? – ele mexendo no cabelo
—-Claro que não. – diz João serio – Se me deem licença – ele diz e sai do quarto
—- Tá enfezado o bonito hoje em. – diz Guido sentando na ponta da minha cama
—- É porque eu descobri o plano maquiavélico dele. – digo
—-Você está falando daquela historia dele querer te matar né? – diz Guido – Continuo achando que é paranoia
—- Guido porque você não vai lá declarar seu amor pelo João. – digo – Já que você sempre está do lado de mesmo.
—- Olha que eu vou em. – ele diz rindo
O encaro seria por alguns minutos e depois riu também
Fiquei mais algumas horas no hospital, até receber alta. Graças a Deus não precisei fingir para o meu pai hoje, pois ele teve que ir embora. Fui para casa com apenas com o João mesmo né? Fazer o que.
Assim que chegamos em casa eu fui direto para o quarto. Precisava tirar o cheiro de hospital do meu corpo. Demoro uns longos minutos no banho. Depois saio me seco e visto uma roupa confortável. Deito-me na cama para relachar, quando o João entra no quarto.
—- Indicações do medico. – ele diz entrando no quarto com uma bandeja de lanche – Ele disse que você tem que se alimentar bem.
—- Eu não vou comer, mas nada que venha de você João. – digo cruzando os braços – Isso pode estar envenenado. – termino
Ele respira fundo
—- Olha tudo bem. Você pode escolher em seguir as instruções do medico e se alimentar ou você pode ficar com a sua paranoia. Sim porque afinal, essa casa é minha e todos os alimentos que compra é eu. Por tanto eu posso ter envenenado todos eles, até os fechados. Sim porque eu devo ter realmente superpoderes e uma mente brilhante, para envenenar tudo. – ele diz – Você tem duas alternativas: parar de paranoias idiotas ou morrer de inanição. E a culpa não vai ser minha. – ele termina
Sento-me e mordo o lábio inferior
—- Tá me da isso aqui. – digo e ele me entrega a bandeja – Obrigada!
—-Ah, só não vai se acostumando. – ele diz antes de sair – Eu só estou fazendo isso porque me senti culpado. – ele diz e sai
Encaro por alguns minutos a porta. E começo a lanchar
Algumas semanas depois
Essas semanas nunca passaram tão rápido. Depois de ter ido parar no hospital, eu e o João cessamos um pouco as brigas. Talvez seja porque temos passado mais tempo fora do que dentro de casa.
Estou no meio das gravações do filme. Nem acredito que já está acabando. Outra coisa que está acabando é minha vida. Não entendeu? Vou explicar. Hoje a noite é minha grande e desnecessária festa de noivado. Guido, Medeline e papai estão mais animados do que eu. Eles que organizaram tudo. Claro que o papai acha que as ideias são minhas e do João, mas é mentira. Por mim eu noivava num cemitério. Lá seria perfeito pra ocasião. Acho que João também não iria se opor.
Medeline escolheu um vestido pra mim e ainda me fez comprar o dela e o do Guido — não o vestido do Guido, foi o terno dele que eu comprei. O vestido é realmente muito bonito. É preto. Por isso amo minha gnominha, ela sabe dos meus sentimentos. Todo mundo no meu trabalho já estão sabendo. Agora vou ter que convidar todo mundo, que merda. Mas gente pra eu mentir. Isso está virando uma bola de neve. Espero que esse noivado não me traga mais dor de cabeça além do casamento.
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