Ps:Te Odeio
25 Festa de Noivado
Notas iniciais
Ele me encara por alguns segundos...
—- Sim, está. – ele diz colocando as mãos no bolso
Medeline sorri, e Guido me encara, surpreso com a resposta imagino.
—- Como se eu precisasse do seu elogio pra saber disso. – digo colocando uma mexa de cabelo atrás da orelha
Ele da um sorriso de lado e balança a cabeça negativamente.
—- Maria! – Guido cochicha em me repreendendo
—-Então vamos logo né gente? – diz Medeline pegando sua bolsa
—- Vamos. –digo
O caminho para a casa do papai é bem entediante. Medeline e Guido sentaram no banco de trás, eu no carona e o João dirigindo. Dirigindo como o João de sempre. Daqui a pouco vamos ser multados, por estarmos andando em velocidade equivalente a de uma tartaruga.
Bufo e jogo a cabeça para trás
—- Não tem um jeito de este carro andar mais rápido, não? -- pergunto o encarando
—-Tem, mas ai seria uma infração. – ele diz – Estamos na velocidade permitida
—- Permitida em uma corrida de lesmas. – digo – Por que não me deixou dirigir?
—- Porque ainda tenho uma longa vida pela frente. – ele diz dando um sorriso irônico – E acho que seus amigos também – ele diz olhando para eles pelo retrovisor
Medeline e Guido estão quietos sem dizer um pio, ou demonstrar alguma reação. Adoram falar, mas na hora de me defender ficam quietinhos. Eu dirijo super bem ta?
—- Ah, que engraçado João, nossa!—digo ironizando – Se eu estivesse dirigindo já teríamos chegado. – digo desencostando do banco
—-É. E com umas vinte multas pra pagar. – ele diz
Estiro a língua pra ele e jogo a cabeça para trás novamente.
A situação piora quando pegamos um engarrafamento. Se eu estivesse dirigindo e sozinha. O radio já estaria ligado no último volume e eu estaria fazendo um clipe e me achando a Madona.
Olho para trás e vejo Guido e Medeline, dispersos da situação entediante com fones no ouvido e mexendo no celular. Volto a olhar para frente e pego minha bolsa. Também quero ouvir musica. Quando abro a bolsa percebo que esqueci o meu celular em casa. Encosto a cabeça na janela do carro.
Ficamos mais alguns minutos no engarrafamento. Pra mim foram horas. Assim que chegamos no condomínio do papai. Vimos àquela famosa fila de carros. Demoramos mais alguns minutos dentro do carro, procurando uma vaga. Assim que ele acha uma vaga, ele estaciona e descemos do carro.
—- Na volta eu dirijo. – digo fechando a porta do carro
—- Não deixei. – ele diz colocando as chaves no bolso da calça
—- Nada mais que justo João. – digo
Enquanto discutimos, caminhamos para a entrada da casa do papai.
—- Vocês já podem parar de discutir e entrar nas personagens? – diz Guido quando nos aproximamos da porta de entrada
Respiramos fundo e damos um leve sorriso e afirmamos que sim.
Assim que colocamos o pé na sala papai caminha até nos.
—- Até que enfim. – ele diz disfarçando o ar de reprovação, pelo nosso atraso – Pensei que chegariam só para o casamento. – ele diz
—- Desculpe o nosso atraso de...
O João me interrompe
—- Cinco minutos. – ele diz olhando para o relógio – O transito hoje estava caótico
—- O João também é lerdinho dirigindo. – acabo dizendo
Papai sorri.
—- Bom venham. Vocês têm convidados para cumprimentar. – ele diz andando em nossa frente em direção ao salão
Ele para e se vira novamente
—- Ah, João. Seus pais infelizmente tiveram um imprevisto com o voo. E infelizmente não poderão vir hoje. -- ele diz
—- Tudo bem. – ele diz colocando as mãos no bolso
Papai volta a andar em nossa frente. Ele me apresenta a alguns de seus amigos da empresa, que João já conhecia.
Papai fez questão de não se esquecer de ninguém. Aqui tem familiar, que eu achei que tinha morrido. Empresários, amigos, colegas, vizinhos etc. Isso porque ele não gosta de festas.
Cumprimentei bastante gente, mas tenho certeza que não foi nem a metade. Não sou uma boa anfitriã. Desisto de cumprimentar todo mundo e saio do salão. Tem algumas pessoas na sala também e uma delas é minha prima Aurora. Caminho em direção a ela.
Aurora é filha do meu único tio por parte de mãe. É mais nova que eu oito anos. É a caçula de todas as minhas primas e a que eu mais falo. Posso dizer até que é minha prima preferida.
Me aproximo dela que está sentada no sofá mexendo no celular, completamente desligada da vida. Parece até mesmo preocupada.
—- Olá. – digo
Ela olha para mim e abre um sorriso
—- Oi Maria. – ela diz levantando
Abraçamos-nos
—- Como vai? – pergunto assim que nos separamos
Ela se senta novamente e a acompanho
—-Na medida do possível? – ela diz olhando para baixo
Há algo de errado aqui.
—- Mas e você? – ela diz e a encaro
—- Eu vou bem... – ela me interrompe
—- Me refiro a essa ocasião inusitada. – ela diz – Fiquei muito surpresa com a noticia do seu noivado, meus pais também.
—-Ah, isso... – digo passando a mão pela testa
—- Não tem nada pra me explicar? – ela pergunta – Da última vez que nos vimos, você jurava ódio eterno pelo João.
Sorrio
—- Pois é. – digo – Essa é uma historia até que bem engraçada. – digo lembrando que de engraçado não tem nada. Bom pelo menos pra mim.
—- Você vai me contar tudo. – ela diz – E a verdade. – ela enfatiza
Como assim “a verdade”?
—- Podemos mudar de assunto? – pergunto voltando a reparar na sua expressão preocupada
Ela da de ombros
—- Você está preocupada com algo não está? – pergunto
—- Bom... – ela começa – Uma hora terei que contar para alguém né?
—- Conta logo, está me deixando aflita. – digo
Ele olha para a escada
—- Podemos subir? – ela pergunta
—- Claro. Vamos! – digo levantando
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