Notas iniciais
Boa Leitura seus lindos... Comentem...

Fico estática com a testa “agarrada” a porta, respiração acelerada. Nossa que vergonha meu Deus. Nunca mais quero passar por uma situação dessas de novo.

—- Você devia se vestir. – ouço João dizer.

Aperto os olhos e balanço a cabeça.

Isso não está acontecendo

—-Sabe não que eu me importe com a sua saúde, mas você pode ficar gripada, ou sei lá. E vai querer colocar a culpa em mim. – ele diz

Se tivesse um buraco para enfiar minha cara. Ou se eu acordasse desse pesadelo. Isso não pode ser real Brasil. Continuo de costas. Melhor de costa, do que de frente convenhamos.

—-João, cadê a toalha? – pergunto apertando a maçaneta

—-Sabe que eu não sei. – sinto o tom de ironia em sua voz

—- Cretino. – a raiva é tanta que quase – eu disse quase – me viro. – Você pegou a toalha. – grito

—- Agora estou me lembrando. – ele diz – A toalha está aqui na minha mão.

—-Me dá. – digo implorando

—-Quer que eu vá ai? – ele diz rindo – Tem certeza

—-Não! Não quero. – digo

Mas como vou pegar a toalha?

—- Joga a toalha. – digo – Por favor.

Demora alguns segundo para eu sentir um suave vento e a toalha caindo atrás de mim. Me abaixo ainda de costa, pego a toalha e me cubro. A sensação de alivio toma conta de mim. Viro-me relutante a encarar a cara desse palerma. João está encostado na porta da cozinha de braços cruzados. Já está com outra roupa. Tento conter a vermelhidão do meu rosto. Passo por ele que segura pelo meu braço.

—- Ainda não me vinguei de você, pelo o que me fez passar hoje. – ele diz

Puxo meu braço de volta e vou para o quarto. Assim que entro tranco à porta e me jogo na cama. Como vou olhar para aquela senhorinha de novo?

Levanto coloco uma roupa, mas não saiu do quarto. Também não sei como olharia para o João. Por falar no João, ele já se vingou de mim sim. Me trancou sem roupa fora de casa. Se isso não é vingança é o que Brasil? Bom de qualquer forma, hoje eu não saio desse quarto, nem que chova brigadeiro. Enrolo-me na coberta e ali fico. Acabo adormecendo sem perceber.

[...]

Acordo com o barulho irritante do despertador. Na boa, quem foi que inventou esse troço? Desligo o despertador e me sento na cama, esfrego os olhos, analiso o quarto e me lembro da trágica noite de ontem. Pior noite tem como apagar? Jogo me na cama com o travesseiro na cara.

Levando da cama relutante. Não quero trabalhar, não quero arriscar encontrar aquela velhinha no elevador, ou ter que encarar a cara de irônico do João. Mas como não tenho alternativa, pego minha roupa – sim porque agora me recuso a me esquecer de pegá-las novamente – e vou para o banheiro.

Demoro um pouco no banho, talvez seja por que não quero sair do quarto. Saio do banho, coloco a roupa e prendo o cabelo em coque. Respiro fundo antes de abrir a porta e sair. Já saiu do quarto, pronta para ouvir as provocações de João, mas pelo visto ele não está em casa. Menos mal, quando chego na cozinha a mesa já está posta. Cheiro tudo que há na mesa, até mesmo a geleia que estava fechada. Nada de suspeito, e eu estou morrendo de fome. Sento-me e começo o meu café da manha.

Ainda estou tomando café, quando a porta da sala se abre e João entra com umas três sacolas de shopping na mão. Ele caminha até mim e deixa um recibo em cima da mesa na minha frente.

O encaro confusa

—-Essa conta é sua. – ele diz

Pego o recibo e vejo que realmente foi comprado tudo com meu cartão.

—- Não foi você quem estragou todos os meus ternos? Nada mais do que justo, você me dar ternos novos não acha? – ele diz colocando as bolsas na cadeira ao meu lado e se sentando a minha frente

—-Como você pegou meu cartão? -- pergunto segurando o recibo

—-Ontem. Enquanto você estava trancada nua lá fora. – ele diz passando geleia em uma torrada – Ah, toma seu cartão. – ele diz pegando a carteira abrindo e me entregando.

Pego o cartão incrédula

—-Sabia que é um perigo deixar a senha do cartão juntamente a ele? – ele diz colocando suco para si – As pessoas podem pegar e fazer compras com seu cartão. Acredite já fizeram isso comigo. – ele diz com um tom irônico

Coloco uma das mãos na testa e respiro fundo, para não jogar esse suco na cara dele. Fico um bom tempo tentando me acalmar. Não preciso ficar muito tempo na presença dele, ele logo pega as bolsas e se retira.

Volto a tomar o me café, mas tomo com tanta raiva que é bem capaz de ter uma indigestão. Desisto de comer. Me levanto e vou para a sala. Eu realmente não estou com cabeça para trabalhar hoje. Pego o telefone e ligo para a Elisa, peço para ela fazer cuidar de tudo pra mim. E dou lhe carta branca para tomar qualquer decisão.

Espero não me arrepender

Me deito no sofá e coloco a almofada na cara. A raiva ainda não passou. Posso matar ele só um pouquinho. Sem cabimento ele roubar meu cartão. Tudo bem eu fiz isso com ele, mas cara eu só comprei uma pizza. Uma pizza não é nem o dobro do preço daqueles ternos, sem falar que ele também comeu a pizza. Agora e os ternos? Eu não uso terno.

João interrompe minha linha de raciocínio e me chama, o atendo sem tirar a almofada da cara.

—-Seu pai ligou hoje pela mais cedo e pediu para não nos esquecermos da festa. – ele diz – Hoje. – ele completa

Tiro a almofada da cara e sento

—-Hoje? – repito – Como hoje? A festa não era pra sexta. – digo

—- E adivinha que dia é hoje. – ele diz ajeitando a gravata – A festa começará pontualmente as 20h:00hmin. Não voltarei pra casa, terá que ir sozinha.

—-Como se eu precisasse de você para ir aos lugares. – digo levantando

Ele respira fundo e caminha até a porta

—-Que Deus o ele. – digo

Pego o telefone e disco o número de Guido. Ele e Medeline têm que estar nessa junto comigo. Amigos são para essas coisas. O Guido enrola um pouco para aceitar, mas acaba aceitando. A Medeline aceita de cara. Não é só porque é uma festa da empresa que eu não posso convidar meus amigos. Afinal hoje papai vai anunciar meu noivado com o energúmeno.