Ps:Te Odeio

21 Aracnofobia


Notas iniciais
Amoros COMENTEM por favor... Boa Leitura...

Semanas depois

Nessas últimas semanas posso dizer que eu e o João tentamos dar uma trégua. Eu digo “tentamos”, porque você já pode imaginar que não deu muito certo. Quer dizer deu certo por um diz inteiro, o que é um avanço, mas também não conta, porque ele passou o dia inteiro fora de casa. Enfim desistimos desse papo de dar uma trégua. Não da certo mesmo.

Acho realmente desnecessário acordar cedo quando posso dormir até tarde. Pra que acordar as 07h00minh da manhã em pleno domingo?

Relutante, levanto-me da cama e vou tomar banho. Não demoro muito, logo saio e me visto, coloco uma roupa bem casual, como short jeans e regata. Não pretendo fazer nada de importante hoje mesmo.

Estou terminando de pentear o cabelo, quando João entra no quarto:

—- Querendo me pegar de surpresa João? – digo saindo do banheiro

—- E por que eu iria querer fazer isso? – ele pergunta cruzando os braços

—- A porta estava fechada... – digo – Mas fala o que você quer?

—-Além de tomar banho e trocar de roupa? – ele diz indo até o guarda roupa – Ah, e seu pai acabou de ligar.

—- E o que ele queria? – pergunto curiosa

—- Avisar que vai vir aqui. Talvez se certificar de que não derrubamos o apartamento. – ele diz pegando sua roupa e levando para o banheiro

Meu pai aqui? Ai o que ele quer agora? Toda vez que ele aparece ele inventa uma incrível. Espero que dessa vez seja só uma visita e nada mais.

Que seja só uma visita senhor!

Vou tomar café. Estranhamente a mesa do café já está posta. É estranho porque o João só faz isso, quando ele vai fazer algo contra mim. Então isso significa que pode ter veneno no suco, ou no café, ou na geleia, enfim... No café inteiro. Então é melhor eu comer apenas uma fruta. Abro a geladeira e tem apenas uma maça verde(a minha favorita). Penso logo no conto de fadas. Tudo bem que no conto da ‘Branca de Neve’ a maça é vermelhinha, mas no conto de ‘João e Maria’ eles são irmãos e se amam, então... Desisto de comer a maça.

Você deve estar se perguntando o porquê de eu estar com tanto medo do João, eu vou te contar.

No dia anterior... :

Acabo de me lembrar de que o João tem medo sim de algo. Quando éramos crianças, eu não era a única a ter fobia de algo. Havia me esquecido que o João tinha aracnofobia, medo de aranhas. Um dia ele chegou até desmaiar quando uma subiu em seu braço.

Eu sempre tive medo de palhaços não só medo, fobia. Tenho até hoje e o João não se importou com isso, ele não se importou, caso eu desmaiasse, ou tivesse uma taquicardia. Então por que eu iria me importar com ele?

Não ainda não superei o que ele fez comigo. Vira e meche sonho com aquele troço. Dormir se tornou uma tarefa difícil, qualquer barulho que ouço, penso que é um palhaço. Sem contar os pesadelos horríveis de infância, que voltaram, graças ao João. Então, nada mais justo do que dar o troco. E na mesma moeda.

Não tenho fobia de aranhar, mas também não vou pegar uma aranha viva. O João passava mal, com uma aranha de brinquedo. Claro que seria muito mais engraçado o ver fugir de uma aranha viva, mas vou ser boazinha.

Uma aranha não é o suficiente. Preciso de pelo menos duas aranhas de borracha. Quero que o susto seja, bem grande.

Depois de ter comprado umas três aranhas de borracha, penso em onde colocá-las. Na hora da compra, acabei decidindo comprar pelo menos uma aranha viva. Ela realmente é medonha. Espero que o João não mate a bixinha.

O João toma banho primeiro, assim que chega do trabalho, já sei o que fazer. O banheiro é o lugar perfeito, para espalhar as aranhas. O João sempre usa as toalhas que ficam dobradas e guardadas no armário que tem no banheiro, um ótimo lugar, para colocar a aranha viva. As outras? Depois decido o que faço com elas.

Alguns minutos antes do João chegar escondo a aranha viva entre a toalha dele. E as outras duas, coloco uma em baixo do tapete, e a outra perto da porta em um lugar estratégico.

Quando o João chega estou sentada no sofá da sala, mexendo no celular, ele passa direto para o quarto e eu dou um leve sorriso.

É hoje acaba nossa trégua

Levanto-me e vou dando leves passos até o quarto, abro a porta devagar e percebo que ele já entrou no banheiro. Antes de ir para a sala, eu peguei as chaves da porta do banheiro. Pensei que seria maldade demais, mas ele não pensou nisso quando me trancou com um palhaço, aqui no quarto. Então tranco ele no banheiro e fico no quarto mesmo. Da sala não daria pra ouvir direito o susto.

Escuto o chuveiro sendo desligado e, bem abafado, o barulho da porta do Box se abrindo. Não demora muito para eu ouvir uma sequencia palavrões acompanhados de gritos, e esmurro na porta do banheiro. O que vira musica para meus ouvidos.

Ele continua gritando sem parar de socar a porta, soca tão forte, que chego a pensar que ele vai conseguir arrombá-la.

Hoje

Bom resumindo, ele acabou conseguindo arrombar a porta e desmaiou logo em seguida. O que me deixou um pouco apavorada, pois achava que ele tinha morrido. Mas infelizmente isso não aconteceu, pois eu consegui acordá-lo com um algodão com um pouco de álcool. E depois que ele acordou e se recuperou do susto, ele quase me enforcou e me jurou de morte. Por esse motivo tomar, ou comer qualquer coisa que venha do João. É um perigo pra mim.

Apoio meus antebraços no balcão e fico batendo as unhas no mármore. Estou pensando no que o meu pai vai vir fazer aqui. O João aparece na cozinha abre a geladeira e paga a maça, que pensei estar envenenada. Ele da à primeira mordida

Arrependo-me de não ter comido a maça

A campainha toca e ele vai atender. É papai.

—- Oi papai. – digo indo cumprimenta

—-Estou vendo que a casa está em perfeitas condições. – ele diz se sentando – Não tem nenhuma rachadura, nem uma aparência de incêndio, nenhuma janela quebrada. – ele diz observando o lugar

—-Estamos nos comportando, como o casal que somos. – diz João se sentando ao lado de papai.

—-Exatamente. – digo sentando no braço do sofá ao lado do João, e pegando a maça de sua mão.

Essa é a minha maça favorita, e eu não a comi por culpa dele. Então ela tem todo o direito de ser minha.

João me fuzila com os olhos, e eu dou um sorriso debochado.

—- Que bom saber que não estavam mentindo. – diz papai

Espera então quer dizer que ele acredita na gente agora?

—- Que bom que acredita agora papai. – digo sorrindo

—-Sim. Vocês me convenceram. Tem a minha benção para o casamento de vocês. – ele diz se levantando

Eu e o João nos entre olhamos e nos levantamos também

—-É serio? – pergunta João

—- Seriíssimo. – diz papai – E eu não poderia estar mais feliz. – ele diz nos abraçamos

—-Ah, imagina eu papai. – digo entre o abraço

Feliz não é exatamente a palavra mais correta.

—- Vou marcar o jantar de noivado. – ele diz depois do abraço

—-Noivado? – pergunta o João

—-Mas papai aquele dia lá na sua casa já não foi o suficiente? – pergunto

—-Claro que não. Aquilo foi formal demais. Além do mais não estavam os pais do João. – ele diz e João me encara – Alias eles sabem do relacionamento de vocês?

—- Não... – João gagueja

Ai cacete! Vai dar muita merda.

—- Imaginei. Então... O jantar pode ser daqui a duas semanas. Ainda tempo para convidar a todos os familiares e amigos mais próximos. – ele diz todo alegre

—-Claro. Papai... – concordo

Depois dele muito falar, ele vai embora.

Sinto-me a pior pessoa do mundo em estar enganando meu pai. Mas não quero que ele vá embora sem ter pra quem deixar seus bens, e sem realisar o sonho de me ver casando.