Ps:Te Odeio
12 Aguá no colchão
Notas iniciais
Hora de dormir. Já passam das onze e estou vendo televisão ainda. Depois que o João entrou no quarto não saio mais. Menos mal pelo menos não preciso ficar olhando para a cara dele. Espera... E se ele já dormiu? Não, nunca que eu vou dormir no sofá, não mesmo.
Levanto e vou até o quarto, a porta está fechada, giro a maçaneta e entro:
–-Ou! – ele grita – Você não pode entrar no quarto dos outros assim não sabia? – ele diz
João estava deitado em sua cama lendo
–- E se eu estivesse acabo de sair do banho? – ele diz sentando
–-Terror nenhum. – digo cruzando os braços
–-Mas é muito inconivente mesmo. – ele diz
Sorrio sarcasticamente
–- Eu só vim aqui, pra saber: onde você vai dormir? – pergunto
–- Eu que te pergunto: onde você vai dormir. – ele diz – Porque eu vou dormir na minha cama. – ele diz deitando
–-Eu não vou dormir naquele sofá. – digo apontando para fora do quarto
–-Por que não? O sofá é tão macio. – ele diz voltando a ler o livro
–-Se é tão macio, porque você não dorme lá? – digo cruzando os braços
–-Porque eu tenho cama. – ele diz sem tirar os olhos do livro – Se não quiser dormir no sofá pode dormir no chão.
–-João, seus pais não te deram educação? – digo – Você vai deixar uma dama dormir no chão? – digo colocando as mãos sobre o peito
Ele fecha o livro e coloca sobre a barriga
–-Se fosse uma dama que estivesse me pedindo é claro que deixaria dormir na minha cama. O que não é o caso né? – ele diz sentando – Porque eu não estou vendo nenhuma dama. – ele diz abrindo o livro e voltando a ler
–- Você não vai deixar eu dormir na cama? – digo seria
Ele olha para mim, levanta uma das sobrancelhas, e balança a cabeça negativamente.
Bufo de ódio
–-Ok. – digo saindo e batendo a porta
Volto para sala e fico pensando no que fazer, no sofá eu não durmo. Olho para a cozinha e tenho uma ideia.
Corro até a área de serviço e procuro o maior balde que tem. Adivinha o que eu vou fazer... Se eu não vou dormir na cama ele também não. Encho o balde de água, pego na geladeira gelo, e coloco no balde também. Só para lembrar que a noite hoje está fria e chuvosa. Espero alguns minutos. Quando éramos adolescentes, o João sempre dormia lendo, ele nunca conseguia terminar de ler um único capítulo, sem falar no sono pesado que tem.
Deixei passar no Maximo uns dez minutos e fui ver se ele estava dormindo. E como o previsto estava. Ele estava dormindo com o livro sobre o peito. Volto para a sala pego o balde, que realmente era estrondoso e vou até o quarto. Apesar dele ter um sono pesado, tento fazer o menor barulho possível. Quando estou bem próxima dele, jogo o balde de água todinho nele, o que molhou seu livro inteiro e o fez acordar no susto.
–-Ahh Maria! – ele engrossa a voz e grita
–- Se eu não durmo na cama você também não. – digo balançando o balde – A água estava a seu gosto? –pergunto ironizando
Ele me fuzila com os olhos bufando de raiva. Mas é quando ele olha para o livro que está completamente ensopado e pelo desespero dele, com algumas páginas rasgadas.
–-Olha o que você fez com o meu livro garota. – ele diz segurando o livro – Eu não terminei de ler
–-E nem vai terminar pelo visto né? – digo – Ah, me deixasse dormir na cama. – digo
Ele se levanta furioso. Rio e saio correndo, ele vem logo atrás de mim.
Corro até ficar de frente pra porta de saída, ele me fuzila do outro lado da sala.
–-João, calma. Foi só um balde d’água. – digo fazendo gestos com as mãos – Era água, eu poderia ter colocado qualquer outra substância.
–- Você me molhou, molhou minha cama, meu livro. – ele diz ainda bufando
–-É só você se secar e trocar de roupa. A cama, é realmente hoje, você não dorme nela e quando ao livro... Você odiaria o final, ele é assassinado pela própria namorada. – digo. O João sempre detestou quando eu contava os finais dos livros que ele lia, é que na maioria das vezes, tem filme desses livros, e eu preferia ver os filmes. Mas esse livro que já tinha lido mesmo. É realmente uma bosta, não recomendo.
Sorrio ironicamente. Ele balança a cabeça negativamente. Eu em parece que ele esta possuído
Eita merda! Invoquei o senhor capeta João Junior.
Ele pega aquele vaso horrível e arremessa contra mim. Sorte que eu penso rápido e abaixo. Ele tem uma excelente pontaria, nisso eu tenho que concordar, ou será que ele acertou só porque estava possuído. Não sei né?
–-João, você poderia ter me matado. – digo levantando – Agressivo...
–-Como eu queria... – ele diz fechando a mão
–- Enfim, eu odiava aquele vaso achava horrível. – digo
–-Eu vou te matar Maria. – ele diz vindo até mim
–-Chega perto só pra você ver. – digo me escorando na porta
Ele se aproxima mais, abro a porta e saiu. Ele soca a porta e por um momento penso que ele virou o Huck. Uma senhora com aparência de sessenta anos, estava passando quando ele deu um soco e me encarou assustada.
–-É um cachorro? – ele pergunta apontando pra porta
–-Não é só meu noivo, estamos brincando. Ele não aceita perder sabe? – digo sorrindo.
–-Ah, sim. – ela diz – Boa noite minha filha. – ele diz
Fico olhando a senhorinha, entrar em seu apartamento. Nem percebo quando João abre a porta e me puxa pra dentro.
–- Não me solta João. – digo relutando. Ele me segura com apenas uma mão.
–-Você vai pagar por ter molhado minha cama e meu livro Maria. – ele diz me carregando
–- Olha violência contra mulher, vou te denunciar. – digo tentando me soltar dele
Mexo-me tanto que acabo dando uma cotovelada em sua barriga e ele me larga na hora
–-Rá ta vendo? Isso que da se meter comigo. – digo comemorando – Tomou. – rio
–-Deixa eu me recuperar, deixa. – ele diz deitado no João
Ele sempre foi dramático
–- Claro que não vou esperar. – digo indo para o quarto. – Boa noite João. – grito
Entro no quarto e tranco a porta. Tiro a roupa de cama e coloco no chão. Realmente hoje não rola dormir nessa cama, pego roupas de cama nova e sem querer acho um colchonete, forro no chão coloco roupa de cama nele, e deito para dormir.
Fale com o autor