Frank acordou excitado com a ideia de estar em outro acampamento, acordou com a agitação de seus “irmãos” gregos, os filhos de Ares não eram tão... Amigáveis, tinham lhe acolhido como um igual, embora todos vissem que ele não era um filho de Ares qualquer. Uma menina com bandana vermelha olhava para ele com extrema aversão, mas Frank não ligava, acordou com ouvindo um grito, um de seus irmãos havia começado uma barulhenta discussão com a menina da bandana. Frank levantou, se arrumou e saiu de fininho antes que algo sobrasse para ele. Fora daquela loucura ele pensou: Hazel...

Correu para o chalé de Hades, onde Hazel estava sozinha, era um lugar estranho, cheio de caveiras, bem Hades era o deus dos mortos. Frank ficou parado no lado de fora, a brisa gélida da manhã de terça-feira estava tomando conta de si, lembrava muito sua casa no Canadá... Mas então, tomado por um impulso com nome e sobrenome -Hazel Levesque- ele bateu na enorme porta de mogno, não demorou até que uma menina com cabelos encaracolados e olhos cor-de-caramelo abrisse a porta, com certeza ela estava dormindo ainda, dava para ver suas olheiras. Mesmo com sono, ela era linda –pensou Frank. Frank não resistiu ao impulso de abraça-la. Frank sentiu-se muito confortável no abraço de Hazel, mas algo o incomodava, e se seu tamanho excessivamente grande estivesse machucando ela? Ela era tão pequena... Tomado por esse sentimento de culpa ele recuou.

-Bom dia minha princesa, dormiu bem?

-Bom dia, bem, não tive um sonho muito bom, mas aí um príncipe apareceu e me salvou...

-Espero que ele sempre esteja aqui caso você precise. –Frank não estava entendendo, Hazel havia sonhado com um príncipe?

-É... acho que ele vai estar, no meu sonho ele me acordou com um abraço de urso... Agora que fui notar... ele se parece muito com você.

Você é tão estúpido, Frank Zhang! Ela estava falando de você! Ou será que não? –Frank voltou a se sentir culpado, então notou que não havia falado nada.

-Bem...

-Ah cala a boca, eu estava falando de você sim! –Hazel estava segurando uma risada. Como você pode ser tão burro, Frank!?

Frank sentiu uma alegria em seu peito, não conseguiu conter-se, com outro abraço de urso, Hazel o puxou para dentro. Na privacidade do chalé 13, Frank sentiu-se livre para beijar Hazel, pressionou a boca naqueles lábios macios, a sensação foi de êxtase, os dois ficaram ali por quanto tempo? Um minuto? Uma hora? Frank não sabia dizer, o tempo pregava peças nele enquanto ele estava com Hazel. Frank sentou-se na cama de Hazel e escorou-se na parede, Hazel sentou-se sobre seu colo, Frank queria continuar com aquilo o resto do dia, mas para seu pavor alguém bateu na porta.

-Ei Hazel, já está acordada?- Uma voz fina e determinada chamava por Hazel.

-Estou sim, só um minuto. –Hazel olhou assustada para Frank e sibilou “P-I-P-E-R”.

Frank parecia ter visto um fantasma, ele sabia da encrenca que passaria se alguém soubesse que ele esteve ali, ainda que tivesse certeza que Piper não contaria nada, não podia arriscar, Frank transformou-se em um passarinho e saiu voando por uma fina abertura da janela.

Frank sabia que desde a vinda deles para o Acampamento Meio-sangue Hazel e Piper haviam ficado muito amigas, mas não imaginava o que ela iria fazer no chalé de Hades aquela hora da manhã. Frank encaminhou-se para o refeitório. Notou que não era o primeiro a chegar lá, Quíron estava conversando com Jason. Jason, ah quanto tempo que Frank não tinha uma conversa com o amigo. Sentou-se do lado do amigo, que após cumprimenta-lo já estava contando as histórias sobre o que haviam passado no novo acampamento. Quíron acompanhava as conversas, dando opiniões e contando atos que outros heróis haviam feito.

Logo ele e Jason haviam entrado em um acordo silencioso. Estava claro o que ele deveria fazer para tornar aquele dia especial para Hazel.

-Sr. Quíron... éh... existe alguma possibilidade de quatro pessoas saírem do acampamento durante a noite? –Frank falou isso de maneira assustada.

-Mas isso dependeria muito de onde, quem e por que. –Respondeu Quíron com uma mescla de dúvida, curiosidade e receio. Frank suspirou forte e então falou:

-Um encontro duplo. Eu e.. Eu e Hazel com Jason e Piper. –Obviamente Quíron não sabia da relação de Jason e Piper, mas logo mascarou as feições de surpresa.

-Bem... isso só me deixa com uma pergunta: onde? –Frank não sabia o que responder.

-Algum restaurante em Manhattan. Não precisa ser muito longe, e você pode deixar o Argos do lado de fora vigiando... –Jason falou de repente. Era do feitio de Jason falar algo sensato, e quase sempre todos o ouviam.

-Bem... eu terei que falar com Argos, mas se ele aceitar, acho que não terá problema...

Frank e Jason agradeceram, e então voltaram as histórias de heróis.O refeitório se encheu, e logo Hazel estava entrando no refeitório, Frank nunca havia reparado como ela coloca o cabelo para trás da orelha quando está nervosa. Com vergonha de entrar em algum lugar cheio de desconhecidos, Piper a guiava entre as mesas, até encontrarem a mesa onde Frank e Jason estavam sentados, cumprimentaram Quíron e avisaram aos meninos, que quando acabasse o café da manhã elas iriam para o lago de canoagem esperar por eles.

Jason e Frank foram para suas devidas mesas. O café da manhã foi calmo e lento, com agora 3 de seus irmãos discutindo, Frank sentia-se reprimido e com vergonha de falar ou fazer algo. Clarisse olhava para Frank como se quisesse fazer alguma pergunta, mas conteve-se. Assim que acabou o café, Frank desceu até o lago de canoagem, ninguém havia chegado lá ainda. Frank sentou-se na grama coberta de geada, o lago havia congelado, era uma manhã de inverno, mas o clima no acampamento não condizia, a grama, o lago, estavam cobertos de uma fina camada de gelo, porém a temperatura estava amena. Sentado na grama, Frank ficou esperando que alguém chegasse, refez os planos para essa noite. Nós vamos ir jantar, Argos vai levar a gente, então iremos nos divertir, Frank, você tem que passar uma boa impressão. Não seja você mesmo. –Frank agia como se Hazel não gostasse de quem ele é, mas ela já havia provado o contrário. Ouviu passos, mas quando virou-se para olhar, um par de mãos cobriu-lhe os olhos. Uma voz suave sussurrou em seu ouvido:

-Advinha quem é.

-Minha princesa Hazel. –Falou Frank, virando-se e abraçando Hazel. Ela não havia esperado por Piper, e aparentemente ela estava com frio, então Frank envolveu ela em um abraço acolhedor e eles sentaram-se observando o lago extremamente parado.

-Sabe, quando eu estou com você, eu sinto como se eu fosse o homem mais feliz do mundo. –Frank tinha muito para continuar, mas algo o impedia, Hazel deu uma risadinha.

-Uma vez sua vó lhe disse que os Zhangs precisavam de mulheres fortes, e que não era para você me deixar ir. A afirmação dela estava certa, mas o que importa é o pedido.

- Não vou deixar. –Disse Frank –Ei, você tem algum plano para hoje a noite?

-Tenho que chegar minha agenda, ursão. Por que?

-A-aceitaria ir em um encontro duplo.. comigo, o Jason e a Piper? –Frank sentiu suas bochechas queimarem, logicamente estava vermelho.

-Aceito –Respondeu Hazel formalmente – Você está com vergonha de que? Sr. Zhang?

-O que? Vergonha? E-eu não...

-Não sinta vergonha de ser você mesmo, eu me apaixonei por aquele ursão desastrado, o estrategista de batalha e herói de Marte foi apenas brinde.

Frank não teve tempo de replicar, Jason estava chegando de mãos dadas com Piper. Pareciam ter oficializado o namoro.

-Ei Hazel, Frank. Tudo certo para hoje a noite então? –Piper estava com um brilho especial nos olhos, como se quisesse aquilo a muito tempo.

-Sim, o Frank acabou de me falar, adorei a ideia! –Hazel também parecia estar contendo uma enorme alegria, Frank pela primeira vez soube que estava fazendo algo certo em relação a relacionamentos. O dia passou mais rápido que o esperado. Quíron estava descendo até o lago, que permaneceu incrivelmente vazio durante a tarde toda.

-Olá, bem... eu falei com Argos, mas ele não vai poder levar vocês. –Quíron obviamente notou os olhares desapontados de todos, então resolveu complementar- Mas acho que nada de errado vai acontecer com quatro poderosos semideuses em uma noite de jantar. Eu devo estar quebrando umas 20 regras, e certamente não deveria permitir, mas pelo que sei Frank já tem carteira provisória, então vocês podem pegar o Camaro do acampamento emprestado.

Frank ficou vermelho, mas contente que poderiam sair. Agradeceram Quíron inúmeras vezes, até que resolveram ir se arrumar. Frank deixou Hazel no chalé 13 e foi para o chalé 5 se arrumar. Não sabia se teria roupa apropriada, e certamente seus irmãos iriam tirar sarro da sua cara, afinal era um restaurante caro, ele deveria ir de terno. Pegou sua mala e resolveu ir para o chalé de Zeus, era mais privado e ele poderia aliviar a tensão conversando com Jason.

Tudo correu tranquilamente, encontrou o terno certo, vestiu, conversou com Jason. Estava tudo nos conformes. O relógio marcava 20 horas. Sua reserva era para as 21 horas, o caminho até lá duraria cerca de 40 minutos. Saíram do chalé 1 e viram um tumultuo perto do chalé 13, Frank ficou preocupado, olhou para Jason, que estava com ar de confuso. Juntos correram até lá. Chegaram lá abrindo lugar em meio aos campistas. A única coisa que Frank não queria ver. Naquela varanda fria estava o corpo de Hazel desacordado, em um vestido roxo que Frank teria ficado sem palavras se as circunstâncias fossem outras. Frank olhou desesperado para Jason.

-Temos que leva-la para Quíron, ou Sr. D.! Agora Frank! –Jason estava exaltado, mas não perdia a pose de líder. Frank pegou Hazel no colo e sussurrou:

-Vai ficar tudo bem... vai sim, eu sei que vai.

Correram até a Casa Grande. Quíron estava com Sr. D. na varanda.

-Di immortales! Que aconteceu? –Quíron parecia desesperado, Sr. D. estava com uma expressão cética no rosto, como se soubesse de algo.

-Não sabemos, saímos do chalé e encontramos vários campistas reunidos, chegamos lá e Hazel estava caída. –Frank praticamente gritou essas palavras, o desespero estava tomando conta de sua mente. Quíron pensou alguns instantes, então correu para dentro da Casa Grande e trouxe com ele um pouco de ambrosia. Frank estava suando. Jason cerrava os punhos. Sr. D. olhava fixamente para sua lata de Diet Coke. Quíron parecia desconfortável. Aos poucos Hazel foi recuperando os sentidos.

-Ah, minha cabeça... Por que estão me olhando? –Hazel estava levantando como se nada tivesse ocorrido. Frank não aguentou, segurou-a carinhosamente pelos ombros e tentou beija-la. –Woah! Que é isso? Eu te conheço?

Que brincadeira era aquela? Frank soltou-a e a olhou fixamente.

-Você está falando sério? –Frank viu que seus olhos não mentiam.

-Jason... o que é isso tudo? –Como assim ela conhece o Jason? Frank só pensou isso.

-Hazel... –Jason começou, mas Sr.D. o interrompeu.

-Isso tudo é uma grande brincadeira de Afrodite. Nenhum outro deus exceto eu sabe, mas Afrodite estava achando fácil demais para esses dois.

Frank não viu sentido na frase. Afrodite, a deusa do amor, estava achando o amor deles muito fácil?

-Hazel, você não lembra mesmo de mim? Não se lembra de nada? Nem da viagem ao Alaska no ano passado? –Frank não conseguia acreditar.

-Lembro, digo, me lembro de ter viajado até lá com Percy, mas não me lembro de você.

Deuses! Vocês só podem estar brincando comigo! –Pensou Frank. Não sabendo o que fazer, Frank olhou para Quíron, suplicando por respostas, porém foi respondido com um balançar de cabeça. Frank olhou novamente para Hazel, que lhe olhava com uma mescla de medo, compaixão e solidariedade. Frank não aguentou aquilo. Só pode ser uma piada de mau gosto –Ele pensou. Ele deu as costas a eles e seguiu em direção ao lago. Era impossível que aquela tarde maravilhosa que tinham passado seria esquecida assim, só por que uma deusa estúpida estrava achando muito fácil para eles. Frank ficou sentado por muito tempo, estava ficando com cansado de tentar entender aquilo. Ouviu passos, não pode deixar de lembrar, que algumas horas atrás ouvira passos também, estes que o surpreenderam com mãos macias tampando lhe os olhos e pedindo para adivinhar quem era. Ele olhou para trás, era Hazel, mas desta vez não lhe cobriu os olhos. Sentou ao seu lado e olhou para o horizonte. A lua já estava no céu, seu brilho prata deixava Hazel incrivelmente sedutora, mesmo com um vestido sujo de terra, cabelo bagunçado e o rosto confuso.

-Então... Frank. Jason me contou algumas coisas... me desculpe, mas magicamente você sumiu da minha cabeça. Não lembro de nada sobre você...

-É mais algum plano maluco de uma deusa boba. Hoje a noite seria perfeita... nós íamos jantar fora. Por isso você está vestindo esse vestido.

-Me conte mais...

-Não tem muita coisa, eu falei hoje de tarde, era um encontro duplo, com Jason e Piper.

-Não, conte-me mais sobre a nossa história.

Frank olhou com um brilho nos olhos.

-Do começo? Bem nos conhecemos no Acampamento Jupiter. Somos da Quinta Coorte. Fazíamos praticamente tudo juntos- Frank riu- Eu nem sei como você pode gostar de alguém como eu...

-Defina “alguém como eu”... –Hazel parecia extremamente desafiadora, como se desafiasse Frank a fazê-la lembrar.

-Acontece que eu sou um grande idiota. Bem, vou lhe contar exatamente tudo desde o nosso primeiro dia juntos no acampamento.

Frank contou a história, contou quando eles montaram vigia juntos, quando foram punidos a três dias de serviço comunitário, contou as coisas idiotas que fazia, contou sobre a viagem ao Alasca, contou sobre a viagem até o Acampamento Meio-sangue e sobre seus dias até então. Hazel olhava de maneira interessada, como se quisesse lembrar.

-Argh, você não sabe o quanto eu te amo, nunca fui bom com palavras, mas eu acho que você sempre soube disso, no fundo.

Hazel não falou nada, seus olhos falaram mais do que ele esperava. Seus olhos penetraram em sua mente, bem no fundo Frank viu uma luz de esperança. A qual ele agarrou, e como se ela gritasse “CONTINUE”, ele continuou.

-Uma vez me minha vó me falou: “Fai, você precisa de alguém que valha a pena lutar, alguém que faça você sentir-se livre, quando você encontrar essa moça, Fai, não a deixe ir, porque esse tipo de coisa a gente só encontra uma vez na vida.” Quando eu ouvi pela primeira vez não entendi, mas agora eu vejo com clareza. Não foi no momento em que eu te conheci, mas durante aquela viagem ao Alasca eu tive certeza: Você, Hazel, é o que me motiva a ser quem eu sou. E quero que saiba que com ou sem memória, eu estarei sempre aqui, cuidando de você.

Frank inclinou-se e beijou a testa dela. Uma lágrima escorreu pela bochecha de Hazel. Frank não sabia se tinha feito certo, só sabia que tinha feito.

-Frank, me abrace. –Hazel pediu enquanto limpava a lágrima. Frank inclinou-se novamente, com braços maiores do que o normal, ele abraçou Hazel, que começou a chorar.

-Eu posso me esquecer de você, posso me esquecer de todos os outros, posso esquecer até mesmo quem eu sou, mas não consigo me esquecer desse abraço.

-Você lembrou de mim? –Frank agarrou-se a outra faísca de esperança.

-É claro que sim, ursão. Nem mesmo Afrodite poderia me fazer esquecer de você assim tão fácil.

Frank não conseguia demonstrar o quanto estava feliz. Abraçou Hazel novamente e beijou seus lábios, macios e com sabor doce, aquela noite entrara para a história.

-Nunca mais vou deixar algo separar a gente, ou pelo menos farei o meu máximo para evitar. Minha princesa Hazel.

Ouviram passos. Aparentemente Piper e Jason estavam espiando eles, pareciam extremamente aliviados. Foram até a Casa Grande explicar ao Quíron que tudo já estava resolvido. O caminho até o chalé 13 foi curto, então Hazel convidou Frank para dormir lá, Frank aceitou. Pegou sua mala de roupas que havia ficado no chalé 1 e voltou correndo. A noite estava fria, coisa que era rara no acampamento, segundo os campistas mais experientes. Demoraram a dormir, ficaram conversando sobre as coisas que aconteceram no passado, e sobre um possível futuro.

-Sabe, minha princesa, a partir de hoje farei tudo para proteger você, não importa de quem e nem como. –Dito isso, Frank abraçou-a por trás e ela dormiu, ele ficou brincando com os cabelos dela mais um tempo, depois cedeu ao sono. Havia sido um longo dia, mas algo eu Hazel falou para ele ficou marcado. “Nem mesmo Afrodite poderia me fazer esquecer de você assim tão fácil”. Não importava quais dificuldades viessem. Frank tinha Hazel, e isso o tornava especial.

Notas finais
lol desculpa por mudar a personalidade do Frank, but it has to be done.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!