Ps: I Love You

63 Capítulo 62 - Character


Os alunos do Colégio Huntinghton Beach quase não viram os três meses seguintes se passarem.
O tempo parecia voar numa velocidade tão grande, que pela primeira vez em anos, os alunos do colégio se encontravam em verdadeiro desespero para acompanhar as aulas.
Também, não era pra menos. Nesse meio tempo uma organização quase de cunho político de alunos havia sido formada e, com o apoio de Leana Silver, Winter Pricolo havia se tornado a presidenta do grupo.
Para os menos leigos no assunto – ou seja, os alunos que conheciam o GDE –, o grupo era apenas uma reconstrução do Grupo de Direção Estudantil. Melhor falando, era uma parte que fora criada por Winter para capturar a ‘opinião pública’, como ela gostava de dizer.
Por trás desse grupo, que recebia e respeitava – muitas vezes seguindo – a opinião dos outros alunos do colégio, o GDE continuava o seu trabalho, sendo responsável por trinta por cento das decisões pedagógicas da escola.
A OE – Organização Estudantil –, como gostavam de chamar essa parte ‘visivel’ do GDE, era simplesmente muito apreciado por todos os alunos e, ao ver dos mesmos, era o motivo pelo qual estudar no Colégio Huntinghton Beach se tornara tão mais trabalhoso.
E por trás de todas essas mudanças, Winter Pricolo se tornara a melhor amiga de Leana Silver. As duas passavam a maior parte do tempo juntas, rindo e conversando banalidades. Como isso fora acontecer? Ninguém sabia dizer.
Nem mesmo McKenna e Júlia sabiam dizer. Nem mesmo James Sullivan, ou então Matthew Charles Sanders, Jonathan Liwis Seward,Brian Haner Jr,Zachary James Baker ou mesmo Valary Dibenetto.

Essas pessoas eram, definitivamente, as mais chocadas de todo o colégio. Eram as únicas que enxergavam esses três meses como o mais longo pesadelo de suas vidas. E mesmo assim, por mais incrível que pudesse parecer, não pelos motivos mais obvios.

Winter Pricolo: a mais nova promessa pra rainha do baile de primavera”, dizia o jornal da escola. E uma pequena nota no rodapé dizia: “Saiba tudo sobre a volta de James Sullivan e Leana Silver : o casal não mais perfeito”.
O dono do jornal amassou-o e jogou no cesto de lixo com certa violência.
- Isso é um absurdo! – exclamou Zacky, com um tom de voz altamente frustrado. – Isso tem acontecido nos últimos três meses, bem debaixo dos nossos olhos, e eu ainda não consigo entender como aconteceu!
Júlia fez sinal para que Zacky falasse mais baixo, vendo que, ao redor, todas os alunos olhavam assustados para o rapaz, que não escondia a irritação.
- Zacky, se você quiser chamar atenção, seria mais fácil vir com uma melancia pendurada no pescoço. – disse Tony, rindo, abraçado a Kenna.
O menino abriu um sorriso misterioso e acentiu.
- Sabe o que mais me impressiona? – Kenna perguntou e os outros negaram. – Como a Win conseguiu reunir dinheiro pra fazer, planejar e ainda divulgar um baile de primavera. Quer dizer, se o teatro não deu dinheiro nenhum e nenhum dos outros eventos planejados, então como que ela conseguiu e verba?
- Não mesmo. – concordou Júlia. – Mas pelo que eu sei de lá de dentro, a Leana que doou uma quantia generosa ao grupo para que o baile fosse realizado.
- A Leana? Eu não creio! – Matt discordou.
- Até porque, bancar um baile de primareva com tudo em cima fica caro. – Val ponderou.

Synyster coçou a testa, intrigado, e disse:
- Bom, e a Win, de fato, está prometendo a melhor festa da Califórnia.
- Eu não sei de onde ela tirou esse dinheiro. – disse Júlia e olhou por cima dos ombros as pessoas que tentavam ouvir a conversa. – Mas não foi com uma doação, não!

-X-

- Parabéns, Srta. Pricolo! – exclamou a professora, corrigindo a resolução da matriz que Winter havia resolvido. – Está impecável.
Winter exibiu seu melhor sorriso e então o sinal tocou.
Todos os alunos começaram a se levantar e deixar a sala, ansiosos para chegarem em casa.
- Winter. – a professora chamou. – Devo dizer que adorei essa sua nova amizade com a Srta. Silver. – e sorriu amarelo.
Winter apenas consentiu e abriu um sorriso forçado. Como os sorrisos que Leana costumava dar para noventa por cento das pessoas que a cumprimentavam.
- Eu não! – disse uma outra pessoa.
Win se virou para encarar Matt e quase sorriu.
O rapaz usava as calças jeans largas que ele vivia puxando para cima. A camiseta que parecia ser um número maior, com o símbolo do Blink-182 estava lá, no corpo do rapaz. Os cabelos arrumadinhos atrás e bagunçados na frente.
Aquele era o seu Matt. A pessoa na qual ela achara o mais precioso dos amigos. Aquele amigo que nunca daria conselhos bons, mas em qualquer hipótese secaria suas lágrimas. Aquele amigo que acabaria com qualquer um que ousasse feri-la. Matt era aquele amigo que ao invés de ouvir suas lamentações, colocar-lhe-ia um sorriso no rosto.
Por isso que Winter teve vontade de extinguir o espaço de um metro que havia entre eles e abraça-lo, mas antes disso seu olhar correu até Leana, que estava logo ao seu lado.
- Oi, Matt... Matthew. – ela tossiu de leve.
- Win, será que eu posso conversar com você um pouco.
- Garotinho, nós já estamos atrasadas pro...

Matthew nunca veio a saber para que elas estavam atrasadas, já que Winter colocou a mão na frente de Leana, fazendo-a parar.
- Diga, PierreMatt. – ela disse rouca.
Aquela tristeza... Aquela falta dos amigos... Aquele sentimento de vazio começava a assombra-la de novo.
- Eu só quero conversar com você... A sos. – ele disse. – Eu... O Johnny, a Val, o Zacky e o Synyster... Nós estamos... Estamos com saudades de vocês. – ele disse tropeçando nas palavras. O brilho nos olhos castanhos do rapaz era triste e... Sozinho, Winter descifrou.
- Matt... Eu... – ela engoliu em seco. Começaria a chorar se não saísse dali; não podia chorar.
- Por favor... Vamos conversar, é rápido...
O queixo de Winter tremeu; foi inevitável que uma lágrima caísse.
- Eu não... Não posso. – ela disse com a voz embargada.
A menina, relutante, deu as costas para o rapaz, deixando a sala.
- Por favor, Win... Nós somos amigos.
A menina parou. Aquela palavra parecia machuca-la de alguma forma. Outra lágrima deixou os olhos.
- Desculpe. – sussurrou, sem realmente se importar se o rapaz ouviria. Para ela bastava saber que ela mesma estava arrependida.
E então deixou a sala, acompanhada de Leana.

-X-

A porta da sala do zelador se abriu lenta e silenciosamente. Por ela, um rapaz alto de cabelos loiros e olhos azuis entrou.
Ele se acomodou em um canto da saleta e esperou por cerca de cinco minutos, até a que a porta tornasse a se abrir e uma segunda pessoa entrasse por ela.
- Está tudo certo? – a menina que entrara depois perguntou.
- Até onde eu sei, está. – ele riu.

- Andrew, isso é sério! – a menina exclamou, irritada com ele.
- Calma, eu estava brincando. Está tudo pronto, Leana. – ele disse.
Leana sorriu satisfeita, mas Andrew não viu devido à escuridão do lugar.
- Perfeito... Mantenha a discrição. – ela ordenou. – Quero ver a cara da brasileirinha quando ela ver a surpresa que vamos fazer pra ela no Baile de Primavera.
Andrew sorriu.
A porta tornou a se abrir e Leana saiu por ela.
Andrew encarou a escuridão por alguns segundos. O sorriso em seus lábios alargou-se.
- Eu também... – ele riu e finalmente deixou o lugar.