Ps: I Love You

29 Capítulo 28 - Por pouco, Kenna... Por pouco...


A segunda-feira finalmente chegou, trazendo consigo um pouco de paz e tranquilidade aos dois moradores do segundo andar da casa dos Sullivan.
Win tinha implorado para que Kenna passasse lá para irem juntas antes que Jimmy pudesse se trocar e querer levá-la – ou antes que os Sullivan quisessem isso.
As duas partiram juntas para a escola e não se importaram de chegarem atrasadas para a primeira aula.
- Melhor, amiga?
- Muito... Eu, sei lá, percebi que não posso sentir dó de mim mesma.
Kenna riu.
- Eu concordo plenamente, querida. Mas nunca pensei que chegaria a essa conclusão.
Win riu irônica.
- Obrigada por me chamar de burra, melhor amiga.
- Não quis dizer que você é burra. – a menina deu os ombros. – Apenas acho que faz mais o seu estilo ficar sofrendo do que superar e sentir raiva...
- Você não foi a única. – Win sussurrou para si mesma.
- Oi?
- Ah, nada.

Kenna sorriu. Estava feliz sabendo que a amiga estava melhor. Era algo que a deixava menos preocupada.
- Bom, eu vou indo porque ainda tenho que ver um livro na biblioteca antes de ir pra aula.
- Está bem... Eu pego lugar pra você.
- Thanks, hun.
A menina correu até a biblioteca. Se não conseguisse aquele livro teria problemas, e ter problemas não seria legal.
Ela olhou o relógio e viu os ponteiros lhe mostarem que ela tinha apenas cinco minutos para fazer o que tinha que fazer.
- Bosta! – exclamou pra si mesma, ao se ver dentro da biblioteca, sem encontrar o que procurava.
Viu a capa de alguns, o nome de outros e folheou mais alguns. Nada.
- A senhora poderia me dizer se tem alguns livros falando sobre... Ai, droga, é... Genética... Acho que é isso, genética... – perguntou à bibliotecária.
A mulher era nova, como sabia pelas nerds fofoqueiras, mas mesmo não sendo o perfil de “bibliotecária do mal”, chegava a dar medo. Era altíssima e bem severa, mas nunca deixava de ser simpática com os bons alunos e, naquela escola, ser bom aluno era ser popular, o que não era o caso de Kenna.

- Temos só mais um que, se não me engano, está com um menino atrás da estante de livros de biologia. Acredito que ele só queira ler aqui, pode pedir para ele deixar você emprestar por hoje.
A menina suspirou, aliviada.
- Ah sim, obrigada.
Correu até o local indicado pela mulher, mas ao virar no corredor de estantes, acabou trombando com uma pessoa que saia dali.
Ela caiu no chão, de olhos fechados e soltando um gritinho assustado, depois sentiu o corpo da outra pessoa pesar sobre si.
- Desculpa, Kenna. – disse uma voz que ela reconheceria em qualquer lugar. – Eu vi que você ia falta a primeira aula da sua classe pra vir com a Win e vim pegar o livro pra você, mas pelo visto demorei demais pra achar.
Fofo! So fucking cute! Ela pensou, abrindo os olhos para encarar Tony. Novamente se chocou.

De olhos fechados ela não havia se dado conta de quão proxima estava do rosto do rapaz. Seu coração acelerou, ameaçando rasgar seu peito. Ela se viu pulando por cima de um arco-íris.
O sorriso morreu no rosto do rapaz pouco a pouco. Ela teve a leve sensação que ele aproximava seu rosto do dela. Achou que poderia morrer de ataque cardiáco.
- Ton... – sussurrou com a voz falha. – O que você...
O rapaz esticou os lábios, em um sorriso pequeno e sincero. Aproximou-se mais, em uma velocidade que tornava a aproximação quase imperceptível.
- O que já quis fazer e nunca fiz... – respondeu, sentindo-se bobo enquanto encarava profundamente os olhos da menina.
Ela sentiu a respiração quente dele no seu gosto, o cheirinho gostoso da pasta de dente do rapaz. Kenna sentiu que logo entraria em parafuso.
Fechou os olhos, ofegante, e gemeu de leve, numa tentativa falha de dizer alguma coisa.
Tendo como alerta apenas a respiração dele, que ficava cada vez mais forte no seu rosto, ela sentiu algo roçar seus lábios bem de leve.
Percebeu então que eram os lábios de Tony quando este fez um pouco mais de pressão, roçando de leve, ainda.
Ela respirou fundo e pode perceber um frio percorrendo a espinha do rapaz. Sentiu que enlouqueceria sériamente quando pôde presumir que ele finalmente iria pressionar a sua boca contra a dela, tranformando aquele carinho em algo mais. Um beijo?
Ela convenceu-se de que não ligava. Era isso que queria... Não era? Porque estava com tanto medo?

Sem saber se por sorte ou azar, ela se viu livre desses pensamentos confusos quando o sinal ecoou por vários cantos da escola, inclusive logo acima dos dois, no alto da parede.
Assustada, Kenna empurrou Tony com força, por impulso, e levantou-se.
O rapaz olhava para ela, vermelho como um pimentão.
Ele murmurou algo, mas ela não conseguiu prestar atenção, sua cabeça fervia... Sentiu realmente que a temperatura do lugar havia subido vários graus.
Calor... Fogo... ÁGUA!
Pensou em desespero, antes de sair correndo dali.