Ps: I Love You

59 Capítulo 58 - Second semester’s coming better


Em um daqueles primeiros dias de Janeiro, mais precisamente no dia de volta às aulas do colégio Huntington Beach, a parte da Califórnia onde o colégio ficava, estava bem diferente.
A agitação que era notada em cada um dos alunos naquela época, em todos os anos anteriores, não existia mais.
As aulas ali costumavam voltar de maneira tumultuada. Era sempre o período de maior índice de brigas , fofocas, discuções e coisas do tipo, mas naquele ínicio de ano, em especial, as pessoas mal saiam de suas casas enfrentando a neve, brigar então, estava raro.
No pátio do colégio, os alunos conversavam amigávelmente. Sorrisos distribuidos pra lá e pra cá sem nenhuma economia. Alguma coisa, definitivamente, havia mudado.
Matthew havia notado isso logo ao sair de casa. Ele bufava alto, irritado com o cachecol que toda hora se desenrolava do seu pescoço.
Ainda virando uma esquina, na tentativa de ajeitar o cachecol, o mesmo tampou-lhe o rosto, e o menino só pode sentir algo colidir com seu corpo antes de cair no chão resmugando.
- Desculpe! – disse alguém, com a voz realmente preocupada.
Matthew continuava a lutar contra o cachecol, enrolado em sua cara. Ele sentiu uma mão tocar suavemente seu rosto e, no momento seguinte, retirar o cachecol de lá.
- Ah, oi. – disse ele.
A menina a sua frente apenas sorriu, virando-se para pegar o que caira no chão.
- Desculpe, não estava olhando pra frente. – ela disse.
Matthew deu os ombros, sorrindo para ela.
- Bom, eu também não...
A menina riu.
- Com o cachecol na cara, nem poderia.
Matt ajudou a menina a pegar os livros que cairam de seus braços. Ele buscou o ultimo, já com os joelhos reclamando, e ela fez o mesmo, fazendo suas mãos se tocarem.
Matt corou quase que imediatamente, enquanto a menina apenas sorriu para ele.
- Escuta, você é daquela banda que ganhou o concurso no dia da passagem de ano, não é? – ela perguntou.
- Sou sim. – ele disse. – Prazer, Matthew Charles Sanders, sou o vocalista.

A menina, numa atitude que Matt estranhou um pouco, recusou sua mão, ajeitando os livros nos braços.
- Eu realmente adorei a sua música. Quero dizer, sua banda é muito boa e vocês não se prenderam ao que o povo queria ouvir, ao contrario, fizeram o povo querer ouvir vocês.
O menino sorriu bobo.
- Obrigado.
Ela olhou pra ele com um sorriso simpático.
- É de bom tom agradecer elogios, mas nesse caso é só a minha opinião, então não precisa. – ela disse, e depois deu um beijo na bochacha de Matt. – Tenho que ir agora. Tchau.
- Er... Tchau.
Ele assistiu a menina correr para o outro lado da rua e continuar seu trajeto. Matt não demorou a voltar a rumar para a escola também, mas agora mais feliz.
Agora sabia o efeito da música sobre as pessoas. Elas poderiam mudá-las... Ou melhor, melhora-las.
O menino sorriu ao pensar na música como um instrumento de paz no futuro. Parecia um plano perfeito.
Era o efeito do Avenged Sevenfold sobre as pessoas.

- Hey, dudes! – Matt gritou ao avistar os amigos.
Jimmy estava abraçado a Win falando algo no ouvido da menina que a fazia rir. Kenna e Júlia estavam dando tapas em Tony e Zacky por um motivo que Matt desconhecia, enquanto Synyster, Val e Johnny caiam na gargalhada.
- Hey, Matt. Tudo bem? – Kenna disse, virando-se para dar um beijo na bochecha do rapaz.
- Tudo ótimo. – ele disse. – Adivinhem! Eu trombei com uma menina hoje de manha, e ela disse que simplesmente adorou o Avenged Sevenfold. Tudo graças ao Jimmy.
O menino sorriu, mas balançou a cabeça negativamente.
- Dudes, todo mundo tocou, nós fomos todos muito bons. – Jimmy disse.
- Claro. – Winter concordou, e mordeu de leve o queixo do namorado. – E também muito modestos.
Kenna crispou a boca e sorriu para os amigos.
- Mas, falando sério, vocês conseguiram mudar alguma coisa aqui. – ela disse, e olhou em volta. – Quero dizer, olha como essa gente está! Completamente diferente dos alunos que nós conheciamos.
- Completamente. – Júlia concordou.

Juliana respirou fundo e abriu um largo sorriso.

Eu estou sentindo que finalmente vou ter um semestre normal desde que cheguei aqui.
- É, espero que sim. – Synyster concordou. – Quem sabe nós até consiguemos um baile de primavera esse ano?
Winter riu, mas ao virar-se a ver a expressão dos outros, fechou a cara e arregalou os olhos.
- Isso não foi uma brincadeira? – ela perguntou.
Todos ali balançaram a cabeça negativamente.
- Mas eu sempre pensei que uma escola norte-americana não era norte-americana sem um baile de primavera.
Matt, Synyster e Val cairam na gargalhada.
- Tecnicamente, não é. – Jimmy disse a ela. – Na verdade já faz uns quatro anos que não temos mais bailes de primavera.
A menina afastou-se dele, assustada.
- Mas por que não?
O menino deu os ombros.
- Falta de dinheiro. – Júlia respondeu. – É o GDE que realmente promove os bailes de primavera e nesse ultimos anos não temos conseguido o dinheiro necessário.
- Mas e os eventos? – Winter tornou a perguntar. – O teatro, por exemplo, veio tanta gente ver a peça no semestre passado, porque não deu dinheiro?
Júlia deu os ombros.
- Eu não realmente sei, porque não sou da contabilidade, mas quando os contabilistas do grupo apresentam os relatórios finais, o lucro é sempre de cinquenta ou sessenta reais, nunca muito mais do que isso, mas às vezes bem menos.

- Mas isso não faz nenhum sentido.
- Bom, eu tambem sempre achei, mas de uns anos pra cá, as críticas sobre os eventos do colégio pioraram muito, então, de certa forma, podesse entender o fracasso da contabilidade. – Júlia explicou.
Winter abriu a boca para dizer alguma coisa, mas o sinal soou alto, interrompendo-a.
Todos ali começaram a rumar para as salas e Jimmy fez o mesmo depois de pegar na mão da namorada, puxando-a junto de si.
O olhar da menina estava perdido em qualquer ponto ali, mas o pensamento estava distânte.
De repente, parecia que nem tudo ia voltar ao normal como ela havia pensado.