Ps I Love You
18 Supostamente, um acidente
Notas iniciais
Se a Sra. Lefebvre achava nunca ter visto ninguém tão agitado quanto Seb antes, estava completa e redondamente enganada. Perto de Ju, ele chegava a parecer lerdo demais.
Naquele dia, em especial, ela parecia um furacão daqueles que passam pela América do Norte devastando tudo em seu caminho.
Seb, por algum motivo que a mãe desconhecia, ainda não havia chegado para o almoço, enquanto Ju, por outro lado, já havia chegado, almoçado e se trancado no seu quarto, depois de contar rapidamente o motivo de tal afobação a Sra. Lefebvre.
Se a Sra. Lefebvre achava nunca ter visto ninguém tão agitado quanto Seb antes, estava completa e redondamente enganada. Perto de Ju, ele chegava a parecer lerdo demais.
Naquele dia, em especial, ela parecia um furacão daqueles que passam pela América do Norte devastando tudo em seu caminho.
Seb, por algum motivo que a mãe desconhecia, ainda não havia chegado para o almoço, enquanto Ju, por outro lado, já havia chegado, almoçado e se trancado no seu quarto, depois de contar rapidamente o motivo de tal afobação a Sra. Lefebvre.
Anniele!
A ruiva nojentinha era o problema. De novo, ela pensou. Ela sinceramente achava que tinha atirado pedra na cruz por ter que agüentar a menina. Tanta menina no mundo e meu filho arranja justamente essa!
Ela suspirou, agora sozinha na cozinha.
Apesar de tudo, aparentemente Ju também havia atirado pedra na cruz, a diferença era que a menina parecia super disposta a não se deixar intimidar por Annie.
Subitamente, a mulher sorriu e, por um rápido momento, pensou em como seria ótimo se o filho namorasse alguém como Juliana. Quem sabe, a própria. Seria, de fato, algo maravilhoso e que ela já aprovava.
Isso, por outro lado, era algo que realmente nunca aconteceria. Eles pareciam se odiar completamente... Ou melhor, Seb parecia odiar Ju pelos dois, e a menina parecia não dar muita atenção para isso. Era a única que conseguira deixá-lo sem palavra, completamente frustrado.
Instantaneamente, um sorriso um tanto quanto malicioso brotou nos lábios da Sra. Lefebvre.
E se fosse por isso que ele sempre ficava frustrado? Pelo fato dela não ligar pra ele... Será que ele sempre perdia a graça com ela por não conseguir chamar a atenção dela?
Ela voltou a suspirar, tomada por um súbito descontentamento. Mesmo se fosse isso, ele mesmo não havia percebido... E era lerdo demais para não demorar a perceber... Sra. Lefebvre levantou-se, desistindo de esperar pelo filho, e já ia começar a tirar a mesa, quando ouviu a porta bater. Logo Seb entrava, suando, pela porta da cozinha. — Opa, não tira, não, mãe. – ele pediu, sentando-se para comer. — Sebastien, onde você estava? – ela perguntou autoritária. — Na escola, com a Annie. – ele disse, ofegante. – Eu perdi a hora e depois vim correndo pra cá. — Eu estava preocupada. Todos já comeram, seu pai já até foi trabalhar e nada de você aparecer. Ele, que já havia terminado de se servir, levou mais uma garfada a boca, enquanto levantava os olhos para a mãe. — Hum... – ele fez, engolindo a comida com pressa. – A Juliana já esta ai? — Já sim, chegou faz mais de meia hora. – a mulher disse, sorrindo. – Por quê? — Ah, nada... É que eu a procurei lá na escola e não achei... Fiquei preocupado... — Você estava preocupado com ela? – perguntou sua mãe, com os olhos brilhando em expectativa. — Estava... Bom, logo a Annie chegou nervosa, reclamando e sem falar coisa com coisa, daí eu até esqueci. – ele respondeu com naturalidade. O sorriso desapareceu do rosto da Sra. Lefebvre e ela começou a tirar a mesa, extremamente irritada. Anniele Standfor, você empaca a minha vida, sua cachorra... *** — Sabe, a sua maneira de pensar é muito estranha, confusa e absurda, mas eu gosto dela. – disse Karol, vendo Ju vestir-se para o desafio contra Annie. No final das contas, o professor acabara por escolher uma cena de uma peça mais atual para o desafio, mas Ju não podia negar que estava igualmente nervosa. Era quase possível sentir no ar algo lhe dizer que não deveria fazer aquilo, mas desistir àquela altura não chegava a ser uma opção. Karol, que chegara a pouco, contara a Ju que havia muita gente lá na sala, esperando para vê-la, e entre essas várias pessoas, todos os meninos. Desde Seb, até Tony. — Hum, isso é contraditório, porque agora eu que estou considerando a sua. – ela disse sarcástica. — Até parece que a Juliana Fletcher que eu conheço diria isso em um momento mais calmo, sem estar sobre tanta pressão. A morena sorriu. — No final das contas, você tem razão mesmo... — Então... Tudo o que precisa fazer é ir lá e acabar com cada um dos fios de cabelos tratados a base de fogo, dela. Juliana riu junto a Karol, mas logo ouviu um sinal grave tocar, anunciando a entrada das duas “concorrentes”. — Vai lá, amiga, e detona a vaca ruiva. – Karol incentivou, partindo para a platéia. Ju encarou a cortina a sua frente e respirou fundo, entrando, em fim, no palco. Todos a aplaudiram normalmente, e na entrada do outro lado, ela avistou Annie, vestida com um estilo de roupas completamente diferente. Ju nem sequer perguntou se podia começar, balançou a cabeça afastando as preocupações e foi andando até um sofá que compunha o cenário. — Eu acho que você foi longe demais dessa vez, Gisele. – ela disse com uma naturalidade tão grande, que as pessoas de platéia pareciam estar assistindo a uma cena do cotidiano. Lá, Karol vibrou pela amiga. Annie demorou a acompanhar o raciocínio rápido de Ju, mas se recompôs e começou a atuar. — A verdade, honey, é que você é tontinha demais. – ela disse, ficando em pé em frente de Ju. A morena tinha que admitir, Annie sabia atuar. Isso deu ainda mais incentivo para que ela superasse a ruiva. — Tonta? Eu? Ora essa, por favor, Gi, olhe pra você, perdeu um namorado perfeito como o Lewis por causa de besteiras suas, e eu que sou tonta? – retrucou rindo de deboche. Ju se levantou e balançou o vestido rosa de malha que usava para representar uma personagem simples. Enquanto isso, Annie a encarava com raiva. Vestida da tal Gisele, ela vestia uma saia que mais parecia um cinto, uma blusa branca de alça que apertava cada parte do seu tronco, dando ou a impressão de que ela era peituda demais ou que ela era gorda demais. A bota preta de sola altíssima completava o visual. — O Lewis foi um estorvo na minha vida, eu gosto de ser livre. Ju olhou para ela, desejando achar um ponto fraco. Depois olhou para a platéia, onde viu todos os rapazes torcendo por ela. David, Chuck e Pierre pareciam especialmente interessados na vitória da morena. — O tipo de liberdade que você gosta é outro. – ela prosseguiu, estreitando os olhos estrategicamente. Annie apenas levantou a mão, para a cena onde Gisele tentava estapear a irmã. Como havia sido passado a elas duas previamente, a tentativa seria falha, pois a personagem de Ju recuaria para trás, esquivando-se. No entanto, o que todas as pessoas viram ali não foi bem isso. Quando Ju fez menção de recuar, algo atrás de seus pés a fez perder o equilíbrio e, enquanto caia para trás, alguma outra coisa enroscou em seu vestido, impedindo-o de “cair” com ela. O resultado foi um forte baque que ecoou por toda a sala. Ju havia caído, batendo violentamente as costas no chão e, o vestido que usava, rasgara-se por completo, caindo a sua frente. Se não fosse pela própria roupa, que não havia tirado ao se vestir, provavelmente estaria completamente nua. Ao lado esquerdo do palco Karol gritou horrorizada e, junto aos demais rapazes, foi socorrer a amiga. No resto da sala, risadas de deboche ecoavam alto, fazendo Ju sentir-se completamente humilhada e, inevitavelmente, os olhos da morena encherem-se de lágrimas. Todos riam e apontavam sem nenhum pudor. Ju tentou sentar-se no palco e abraçar o próprio corpo. Sabia que não estava nua, mas era assim que se sentia. Tudo o que conseguiu, no entanto, foi sentir uma dor descomunal nas costas e, assim, cair novamente no chão. As risadas ecoavam ainda mais alto dentro da sua cabeça de maneira que não ouvia os amigos perguntarem se ela estava bem, Karol implorar para que ela dissesse alguma coisa ou, sequer, sentir Pat levantando-a no colo, enquanto Pierre pegava o celular e ligava para um hospital. Estava completamente anestesiada, sem nenhuma ação alem de chorar desesperada. A confusão foi tanta que eles acabaram não notando que Tony não estava ali com eles. O rapaz continuava ao lado do palco, estupefato, encarando o que, ele tinha quase certeza, causara o acidente de Ju. Estático, sem tirar os olhos do que estava longe de si, em sua direção, ele se perguntou se havia, realmente, sido um acidente.Notas finais
Keeping As a Secret
Tão rápidos quanto puderam, levaram Ju para o hospital. Chamaram os pais de Seb. Foi simplesmente a maior confusão vista no Colégio Eileen Dork nos últimos anos e, o pior é que, aos olhos dos outros, a culpa era da brasileirinha.
Claro que os meninos não viam a coisa por esse lado, mas eles não eram a maioria da escola.
- As minhas costas doem – Ju repetiu pausadamente a Pat, que as vezes desequilibrava com ela no colo, quase deixando-a cair e, assim, causando dor nas costas.
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