Ps I Love You

22 Confess, This Is a Lot Like Love


Notas iniciais
Capítulo 22

CONFESS, THIS IS A LOT LIKE LOVE
"Confesse, parece muito com amor"

Capítulo 22 – “Confess, this is a lot like love”

A campainha tocou estridente e sem parar. Seb enfim acordou.

O CD já havia terminado e a casa voltara ao silêncio de antes, dando agora para ouvir a campainha lá de baixo.

Consultou o relógio em cima da cabeceira. 7:30.

Bom, certamente eram os pais.

Ele desceu correndo, mas quando finalmente abriu a porta, deu de cara com Pierre.

- Pierre? O que você esta fazendo aqui?

- Seb! Que bom te ver também. Claro, ta tudo certo comigo, obrigado por perguntar. – disse o amigo, abraçando-o fingidamente.

- Ah, bom, desculpa. Você quer entrar?

- Seria ótimo.

Seb abriu espaço para o amigo passar e depois fechou novamente a porta.

- Não tem ninguém?

- Não, meus pais saíram e a Ju... Digo, a Fletcher... Ela... Bom, eu não sei onde ela ta.

- Ah, que ótimo! – disse Pierre, irônico.

- Então, a que devo sua presença?

- Bom, os meninos marcaram um ensaio no sábado, já que o dia das semi-finais esta chegando.

- Estamos a mais de um mês delas mês dele.

- Sim, mas não importa. Isso não muda o fato de que vamos ensaiar.

Seb riu do amigo.

- Esta bem, Bouvier, diga logo o que veio fazer aqui.

Pierre então sorriu maldosamente, como se dissesse “já que você insiste...”.

- Vim apenas saber se meu grande e xenofóbico amigo resolveu passar por cima dos seus preconceitos e aceitar que adora a brasileirinha linda que esta morando com ele. – disse sorrindo.

- O que? Como assim?

- Como assim, assim, oras! Eu, Pierre Bouvier, vi você, Sebastien Lefebvre, agarrado no chão com ela, Juliana Fletcher, hoje na escola.

Seb empalideceu-se quase que na mesma hora.

- Ela caiu em cima de mim.

- Mas eu não disse que não caiu. – Pierre brincou, provocando. – Só sugeri que você tivesse gostado da queda.

- Nada a ver. – disse um Seb irritado, sentando-se no sofá. – Eu...

- Você tem namorada. Eu sei. – disse Pie, tirando o tênis e fazendo o mesmo que Seb. – Mas parece que você não se lembrou disso hoje de manha. Digo, ela viu você com a Ju e você nem fez nada e, como se isso não bastasse, no final das aulas ela te deu tchau, mas você não viu porque estava ocupado demais abrindo a porta do carro do seu pai pra Ju, né?

O olhar de Seb arregalou-se para o amigo.

- A Annie! Gosh, eu tinha esquecido dela!

- Ahá! – Pierre pulou no sofá e apontou o dedo para o nariz do amigo. – Então você confessa que se sente muito melhor com a Ju e gosta dela?

- Claro que não, isso é completamente ilógico, irreal, ilusório e imaginário!

Pierre contraiu o lábio, decepcionado e voltou a se sentar.

- Confesse logo Lefebvre, você idolatra aquela menina!

- Não idolatro.

- Não mesmo, você louva, ama, venera!

- Mentira! Mentira! Não me calunie, Bouvier, Você bem sabe que isso não é verdade!

Pierre lançou um sorriso malicioso ao melhor amigo.

- Ah é? Então me diga, porque o senhor “lindos olhos azuis” ficou bobinho, bobinho perto dela?

Seb remexeu-se no sofá, sentindo-se incomodado.

- Bem... – ele ponderou. – Ela tem olhos lindos. – admitiu, mas não deixando de manear a cabeça para evidenciar que não era o que Pierre pensava. Ele pareceu novamente pensar. – Ela também é bem bonitinha, simpática...

- Legal, amável, linda, companheira, inteligente, maravilhosa, organizada, gostosinha. Era isso que você ia dizer, não é mesmo? – disse Pierre, com um fingido desinteresse.

- Bom, eu ia dizer... – Seb parou de imediato a fala, o que chamou a atenção do amigo ao lado.

- VOCÊ IA DIZER ISSO! – gritou um Pierre anormalmente animado, pulando no sofá como uma criança gorda. – Você ama Juliana Fletcher! Confesse que o que sente é, pelo menos, muito parecido com amor!

- Eu não amo! – o primeiro tom não era tão determinado quanto há minutos atrás. – Eu amo? – ele perguntou-se a si mesmo, repetindo a sentença varias vezes e fazendo cada vez mais a pergunta parecer uma afirmação.

Pierre sorriu, vitorioso.

Seb levou as mãos à cabeça e levantou-se, desesperado.

- EU AMO! – exclamou finalmente no tom mais afirmativo possível. – Eu amo Juliana Fletcher.

- Viu! Viu! Viu! – disse Pierre, rindo alegremente.

Estava mais do que na cara que ele apoiava mais do que “demais” um possível relacionamento entre o amigo e a brasileirinha, mas, pensando bem, quem não apoiava? Ela era simplesmente o oposto de Annie, que por acaso, era odiada por todos os amigos de Seb.

- Mas, eu não posso gostar dela!

Pierre olhou para o amigo mudando subitamente a expressão de animada para incrédula.

- Como assim? – perguntou se irritando.

- Eu não posso me apaixonar por ela. E a Annie?

- Termine com ela, oras!

Os olhos azuis de Seb tornaram-se confusos. Era uma descoberta recente demais para já saber o que fazer com ela. Precisava se acostumar com isso, ou pelo menos ele achava que precisava.

- Eu não posso terminar com ela... – disse vagamente, com a voz fraca. – Eu... Eu não vou terminar com ela...

- Seb, acorda dude, você esta apaixonado por outra menina, você não pode continuar com a Annie.

O rapaz levou novamente as mãos à cabeça.

- Eu vou enlouquecer. – dizia, andando de um lado ao outro.

- Cala a boca, Sebastien Lefebvre! – exclamou Pierre, muito irritado. – Ficar andando de um lado pro outro não vai adiantar nada...

- Isso não podia ter acontecido...

- Isso TINHA que acontecer. Essas coisas são destinos e não é todo mundo que consegue mudar o próprio destino... – disse veemente, sem saber o quanto o próprio destino seria irônico.

- Ah, destino, que mane destino Pie, larga de ser tonto! – retrucou Seb, Finalmente parando de andar e desabando no sofá.

- Eu não estou sendo tonto! – Pierre exclamou indignado. – Destino existe sim, isso é obvio.

- Não, não é!

- É!

- Não é!

- É

- Não é!

- É SIM PORRA! – o moreno mais alto gritou, pegando os tênis e começando a calça-los. – Olha, tudo bem, se você não acredita, ainda vai acreditar.

Seb olhou para o amigo, agora mais calmo.

- Onde você vai?

- Embora, ué. Já são quase oito e meia, minha mãe deve estar servindo o jantar e eu não ousaria arriscar minha vida me atrasando...

Seb riu do amigo, sentia-se profundamente mais calmo.

- Desculpa por ter gritado.

Pierre riu da cara preocupada do amigo.

- Ta bom... Você vai descobrir que eu estou certo mais cedo ou mais tarde mesmo. – disse dando os ombros.

Seb acompanhou o amigo até a porta e, depois de vê-lo sumir ao longe, voltou para dentro da casa, jogando-se cansado no sofá.

Como seria encarar Juliana de novo, depois de tantas conclusões?