Príncipe Encantado

2 Covil da Bruxa


Notas iniciais
Estou de volta!

Se algum dia eu morrer, saibam que foi pelas mãos da bruxa.

Logo depois de ouvir os gritos do meu pai, ele me levou de volta pro carro à força e me fez seguir viagem por mais que o silêncio fosse constrangedor. Depois de muito tempo chegamos em São Paulo, na rica mansão do meu pai que eu tinha aprendido a desprezar. Quando desci do carro, vi a Sabrina na porta, olhando pra mim com a cara mais fingida do mundo.

— Olha só quem chegou! Bem-vinda de volta!-Ela sorriu, e os dentes assustadoramente brancos surgiram.

Eu sabia que não podia bater nela, o que eu realmente queria fazer, mas entendia que, se eu fosse fria, abriria uma brecha pra ela envenenar a cabeça do meu pai contra mim. Então eu sempre era a mais educada o possível, e sempre tinha o cuidado de não deixar minhas coisas perto dela.

— Sabrina! Tudo bem? — Abracei e ela me deu um beijinho, enquanto eu tentava dar dois. Mas desisti quando lembrei que estava em São Paulo. — Olha só, você continua parecendo uma lagartixa de tão magra! Dá pra ser modelo, hein?

— Ah, querida, obrigada! — Ela sorriu amarelo, me fulminando com os olhos. — Você tá mais gordinha, né? Vamos fazer fotos juntas: a gorda e a magra!

Eu e ela demos um risinho forçado, e meu pai me pediu pra entrar. Quando entrei, tinha vários balões... estourados. E uma faca em cima da mesa. A faixa de "bem-vinda" parecia escrita com sangue, e escorria a substância vermelha, deixando macabro.

— Ah, eu tive complicações com a decoração... o cachorro acabou com tudo! — Ela se fingiu de vítima. — Desculpe não te dar uma recepção adequada!

— O cachorro? Sabia que ele ia dar problema! Enfim... é uma pena! — Meu pai falou, parecendo decepcionado.

O cachorro eu conhecia bem: Harry. Ele era meu, mas não pude levá-lo pro apartamento da minha tia, então tive que deixá-lo na casa do meu pai. Como eu vinha visitar às vezes, eu via ele, e tinha certeza de que o meu docinho não seria capaz de fazer aquilo...

Eu saí correndo pra ver ele de novo, e quando cheguei no jardim, vi a "Belli" brincando com ele. Ela parecia bem calma e amorosa com o Harry.

— Ei, Harry! Vem, garoto, vamos brincar! Dá a patinha! Agora pega a bolinha! Isso, garoto! Que lindo! — Ela falava, com uma voz muito fina pro meu gosto.

— Ah... oi, Isabella... — Eu falei.

— Oi, Kate! Ah, e... é Isabelle. — Ela pareceu desconfortável. — Harry, sua dona chegou! Olha só ela! Não é legal? Vai lá!

Assim que me viu, o cachorro pulou em mim, me lambeu toda! Eu dei um abraço e fiz carinho nele, e a Isabelle, com "e", começou a falar comigo.

— Kate, eu espero mesmo que você possa ir na minha festa de aniversário... eu estava pensando que, como não crescemos juntas, você não me vê como uma irmã... só queria dizer que, por mais que não pareça, eu sempre tive vontade de ter uma irmãzinha, pra conversar. — Ela falou, ao meu lado.

— Não se preocupe, Isabelle, eu vou na sua festa sim... e eu sou sua irmã... só que "meia". — Eu sorri, e ela abriu um largo sorriso também.

A Isabelle não era má pessoa, só um pouco exagerada e mimada... mas eu gostava dela. Só não da mãe, aquela Sabruxa!

Então eu vi a campainha tocar, e eu e a Belli fomos atender. Quando abri a porta, mal pude acreditar no que, ou melhor, quem eu vi. A Belli ficou maravilhada com a beleza dele, mas eu fiquei somente feliz por vê-lo ali, e muito surpresa também.

— Dylan?