Pruaus Moments
10 Inimigos
O exército prussiano acampava ao lado do exército austríaco. Roderich estava longe de seus soldados, vigiando o campo. O rosto estava manchado com pólvora, mas ele não ligava. Estava, na verdade, pensando em como seria bom se estivesse em casa, tocando violino.
Gilbert se aproximou com duas canecas de água e ofereceu uma para o moreno.
"Como vou saber que não tem veneno aqui dentro?" o austríaco era muito sincero.
"Use a lógica, imbecil. Eu ainda preciso de você vivo pra derrotar o Dinamarca."
Prússia se sentou ao lado dele e passaram a olhar céu. Estava cheio de estrelas e sem nenhuma lua.
"Seria muito bonito se não estivéssemos nos preparando pra uma batalha, neh, aristocrata?"
"Não deixa de ser bonito."
Prússia sorriu e apontou para o firmamento.
"Ei! Olhe la! É a minha estrela! Isso é sinal de sorte!"
"Adotou uma estrela?"
"Sim. É aquela incrivelmente brilhante ali. Toda vez que eu a vejo, minhas chances de ganhar uma batalha aumentam." apontou para outra "Olhe la. Aquela é a sua."
Roderich olhou para o céu e tentou achar o lugar para onde o albino apontava. Encontrou outra estrela tão brilhante quanto a de Prússia.
"É aquela que está se destacando?"
"Aquela mesmo."
"Por que é a minha?"
"Porque é uma estrela irritante, feito você."
Áustria pensou na resposta. Como uma estrela pode ser irritante? Depois de muito refletir, ele chegou a uma conclusão.
"Minha estrela é a única que não deixa a sua se destacar mais, não é? As outras são muito pequenas."
"Por isso ela é irritante."
O austríaco acabou rindo.
"Bobo. Uma estrela não rouba a atenção da outra. Elas estão bem distantes."
"Eu sei."
O albino olhou para o moreno, que ainda estava com as iris violetas fixas no firmamento.
"Será que é assim que temos que ficar?"
Roderich deixou de sorrir e retribuiu a mirada.
A mão do prussiano tocou o rosto do pianista sujo pela pólvora. O austríaco manteve a atenção, mas não soube o que dizer. Prússia estava tramando algo e ele sabia disso.
As palavras de Bismarck ainda estavam na mente de Gilbert.
"Não há lugar para você e Áustria porque já sabemos das ambições dele. Um dos dois terá de recuar. É preciso expulsá-lo dessa constelação para depois ter uma conviência tolerável com ele. Até lá, vocês terão de ser inimigos."
Guerra Austrio-prussiana, ou guerra das sete semanas
Ela foi declarada depois que Prússia provocou Áustria, se recusando a entregar os ducados que cabiam ao moreno depois de vencerem Dinamarca. Aquele foi o passo decisivo da vida de Gilbert. Aquele foi o momento escolhido para tirar Roderich de seu caminho de uma vez por todas.
E o albino não estava sozinho. O jovem Feliciano havia se aliado a ele.
Itália e Áustria lutavam agora com as espadas, mas a inexperiência de Feliciano não o fazia um adversário páreo para Roderich. Ele tinha treinado bastante, mas isso não era suficiente.
Primeiro o menor perdeu a espada, depois caiu no chão e ficou sob a mira da lâmina do austríaco.
"Isso foi realmente uma traição, Itália. Unindo-se a Prússia contra mim... Você é realmente um idiota."
Roderich falaria mais, só que foi obrigado a se virar para bloquear um ataque de Prússia, que tinha aparecido misteriosamente.
"Sentiu minha falta, nobrezinho?"
Prússia foi mais agressivo, tornando os contra-golpes difíceis. Feliciano se levantou, pegou a espada e voltou para ajudar.
Agora Áustria tinha que lutar contra os dois e continuaria sim, mas teve um momento que Gilbert tornou-se tão agressivo que só restou a Feliciano assistir à luta feroz entre os dois.
"SAIA DO MEU CAMINHO, ÁUSTRIA!"
Os últimos golpes do albino foram fatais e deixaram Roderich no chão, desarmado e com a roupa de guerra suja de sangue. Gilbert se abaixou, puxou o uniforme do inimigo e fez questão de rir da sua cara.
"Eu venci, aristocrata! Você é patético!"
O moreno continuava encarando-o firmemente. Gilbert conhecia muito bem o que aquele brilho nos olhos violetas significava. Áustria já estava pensando em uma forma de se vingar. Roderich sempre foi muito orgulhoso.
"Essa guerra está ganha, nobrezinho. Se eu lhe destruir aqui mesmo e tomar Viena, meus problemas acabam junto com você."
"..."
Feliciano se assustou e largou a espada.
"Prússia, não! Por favor, não o machuque mais!"
Os dois germânicos olharam para Itália. Roderich surpreendido e Gilbert sério.
"Vee~ eu só quero que Áustria me deixe ser independente. Não quero ele em perigo!"
"Ita, pode me deixar a sós com o aristocrata?"
"Mas..."
"Vai logo, ou eu mesmo ataco você!"
O menor olhava do albino para o moreno. Estava confuso e também com medo.
"Vá, Itália." Disse o austríaco.
Feliciano balançou a cabeça e foi embora correndo.
Roderich e Gilbert ficaram sozinhos. Quando isso aconteceu, o albino soltou o moreno e ficou de pé.
"Se você for inteligente, vai aceitar minha proposta."
Áustria se levantou com dificuldades. Os inimigos estavam de pé, um de frente para o outro, e a brisa passava pelos dois.
"Eu quero Schleswig-Holstein, Hanôver, Hesse-Kassel, Nassau e Frankfurt." exigiu o prussiano "Dê Veneza para Itália e o deixe em paz. Ele é meu amigo agora."
Roderich teve que engolir todo o seu orgulho. Ele não tinha escolha.
"Mais alguma coisa?"
"Sim. Você está excluído da união dos estados alemães. Fique longe deles, longe do meu irmão, longe dos meus assuntos..." Hesitou, mas logo voltou ao normal "E fique longe de mim."
O moreno já esperava aquilo. Não era ingênuo nem nada do tipo. Sabia que Gilbert queria atacá-lo sem perder essa chance.
"Se eu aceitar, você recua?"
"Recuo."
"Então vá embora. Tem a minha palavra."
Dessa vez o albino não falou nada, nem riu. Somente deu meia volta e se retirou do território austríaco.
A noite, Gilbert e Feliciano estavam na sacada da casa do menor.
"Então falou com ele?" perguntou o albino.
"Falei. Fizemos as pazes e como ele ficou de fora dos estados germânicos, vai se relacionar comigo e com os outros agora. Ele está tão fraco... Não acha que foi muito duro?"
"Eu conheço aquele riquinho. Ninguém pode viver com o Roddy sem se transformar em empregado dele. O idiota é influente e se entrasse na união ia querer fazer a mesma coisa comigo e com meu irmão! Você trabalhava na casa dele, lembra?"
O menor riu.
"Mesmo assim eu fico feliz que não tenha destruído-o."
"Unf. É que eu não queria que o aproveitador do Francis desse uma de cavaleiro e se aliasse ao aristocrata contra mim. Eu só quero que meu irmão cresça. E, sabe? Ele está assim como você, só que ele é mais forte."
"Um dia vou conhecê-lo. Ei! Acho que a pasta que deixei cozinhando está pronta. Eu vou entrar e logo chamo você pra jantar."
"Ta bom."
Feliciano foi embora e Gilbert ficou olhando o céu. Sua estrela estava brilhando bem longe da de Roderich.
Gilbert nunca iria admitir o quanto aquela realidade o feria.
"Eu não tenho mais desculpas pra ficar perto dele..."
Notas finais
Bismarck era antiaustríaco, mesmo assim, quando o exército prussiano invadiu Viena, ele mandou recuar. O rei perguntou o porquê e ele respondeu que Áustria não pode ser humilhada ou ela ia revidar, e, pior, com o apoio da França.
Eu acho que 7 é o número do pruaus. Guerra dos 7 anos, guerra das 7 semanas. o3o
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