Proxies [HIATUS]
1 Lembrança de um sonho, novo proxy e dejàvú
Notas iniciais
Depois de tudo, relaxei e me deitei sobre o corpo dele. Era possível inclusive ouvir seus batimentos.
"Brian."
"Hum?"
"Eu te amo."
Então ele aproximou seu rosto do meu e me beijou...
*-*-*-*-*-*
Abri meus olhos. Eu estava todo enrolado no meu cobertor, quase como um burrito de tão frio que estava ontem a noite. Me sentei e encarei aquela cama que fica no outro lado do quarto e lá estava ele, dormindo. Pelo visto estava mais cansado que eu, pois, assim como eu, nem tirou as roupas de ontem (posso notar por ver algumas manchas de sangue) e, pra variar, nem se importou em se cobrir. Pelo jeito, "aquilo" de ontem foi um sonho, se não ele estaria comigo em minha cama.
Senti o meu rosto esquentar por baixo de minha máscara por pensar naquilo. Mas que merda, por que eu tenho que ficar tendo essas fantasias sexuais com o Masky? Só me faz ficar com mais vergonha ainda! E questiono se o Operador sabe de tudo que passa na cabeça dos proxies. Se sim, fudeu! Aí sim fico bem envergonhado! Alguém me mate por favor!!
Me recuperei do meu drama interno quando Masky começou a se mexer e se sentou na cama. Como sua máscara não é um simples tecido que nem a minha e sim algo duro, quando ele estava com preguiça de tirar ele só deixava no lado da cabeça.
— Hoodie... Tá acordado? — ele falou bocejando.
— Tou. — Falei me mantendo o mais normal possível.
— Ainda tou morrendo de sono... — Masky disse arrumando a máscara, posicionando-a no seu rosto.
— Só você? Tou quase desligado aqui.
Ele riu. de repente ouvi em minha cabeça "Já que estão acordados, apareçam na saída da casa. Tenho algo importante a dizer." Masky bufou, claro que ele também recebeu a "mensagem" do Operador...
— Mal tivemos uma missão ontem e o Operador manda mais coisa pra a gente fazer... Olha, ainda estou com o sangue de ontem!- ele reclamou.
— Depois você troca esse casaco. Vamos logo, não pode ser outra missão seguida a essa. — falei levantando-me logo da cama.
Peguei minha câmera (sempre estou com ela), liguei-a e quase que "arrastei" o Masky lá pra fora (realmente ele estava cansado pra caramba) e então chegamos. Lá estava aquele ser alto, esguio e sem rosto. Uns o chamam de Slenderman, mas a gente o chama de Operador, já que somos proxies. Notei em um dos tentáculos dele um garoto, que estava envolvido de perto do ombro até os pulsos, e inconsciente.
— O que fez... Quem é esse garoto? — Masky mal pode pronunciar as palavras, ele ficou surpreso.
"Seu nome é Toby Rogers. Digamos que ele é 'diferente', como vocês."
— Um novo proxy? — falei — Achei que não "recrutava" mais proxies. Considerando que já tem uns "fakes"* que já tem e que assumiram a autoria da história, por exemplo, do Ben, do Jeff, fora você mesmo também... Por que mais um "true" proxy?
(NOTA DO HOODIE: Chamamos de "falsos proxies" os que 1. Não sabem que são, podem fazer informações que cobrem a existência de creepypastas e/ou cometem assassinatos; 2. Sabem, porém levam uma vida normal e não comentem assassinatos. Eu e Masky somos os "verdadeiros", pois sabemos que somos proxies, não podemos ter uma vida normal e, de qualquer modo, estamos aqui por conta própria)
— Também não entendo isso. Achei que não teriam mais depois da Kate.
— Aquela louca.
— Sim.
"Não questionem minhas escolhas. Tenho motivos para isso."
Operador falou essas palavras de maneira sinistra em nossas mentes, de modo que me deu arrepios. Ele está bem sério.
— Ok, nos desculpe. — falei.
Ele direcionou o garoto na direção de Masky e soltou, forçando-o a segurá-lo.
"Deixem-no naquele antigo quarto, se quiserem. Ele ficará nessa casa, por enquarto."
— Certo! — eu e Masky dissemos juntos.
Logo depois o Operador se virou e sumiu no segundo seguinte.
— Hoodie! Me ajuda que esse moleque tá pesado!
Quase ri. Como Masky aguentou se manter firme na frente do Operador então? Enfim, o ajudei a carregá-lo e o colocamos na cama do antigo quarto da Kate.
O garoto tem um cabelo castanho claro, sua pele é bem pálida, meio acinzentada, e suas mãos estavam cobertas por ataduras cheiras de sangue, do qual não acho que seja dele. Acho que posso chutar que ele tem uns 15, de 17 anos não passa.
— Isso é quase um dejàvú... — pensei em voz alta.
— Dejàvú?
— Digo, quando você se tornou proxy!
— Ah, sim, você se tornou antes de mim... É verdade.
Bem eu e Masky somos amigos a anos, desde antes do Slenderman/Operador nos escolher como proxies. A gente era bem chegado, mas aí aconteceram "certas coisas" (não quero falar sobre isso) aí tive que fugir. Eu já gostava do Tim na época, na verdade, acho que gosto dele "desde sempre", enfim, fugi e devo dizer que foi uma escolha difícil, pois fazer isso significava que nunca mais iria vê-lo. Slenderman me encontrou e me acolheu como proxy. Sendo um proxy, ele mandava-me assassinar certos alvos, forjar algumas informações falsas e misturar com verdadeiras (bote um brinco de ouro numa caixa cheia de bijuterias e ele parecerá que é uma) para ocultar a existência das creepypastas...
Foi nessa época que me veio a mente fazer "Marble Hornets". O Operador já era conhecido por causa de Victor Stuger (um dos "fake proxies"), mesmo assim eu queria fazer algo a mais, principalmente pelo fato de eu gostar de cinema e fazer vídeos, mas não poderia fazer isso, não teria ninguém para me ajudar e se eu pedisse para o Operador deixar, não sei se ele permitiria.
Aí veio aquele dia que Slender apareceu com o Tim, quase no mesmo estado que ele trouxe Toby hoje. Eu tive uma enorme mistura de sentimentos. Surpresa, felicidade, palpitação, medo... Tudo por um único motivo: o meu Tim estava perto de mim de novo! Mesmo nós sendo amigos, a coisa mais feliz da minha vida foi estar com ele novamente depois de virar um proxy.
— Ei, Hoodie? Tá me escutando? — ele chamou minha atenção, me fazendo sair dos meus desvaneio.
— Sim, claro que tou.
— Então o que eu disse?
— É...
— Perguntei se é uma boa trancar a porta do quarto ou não. Se foi que nem comigo, ele vai ficar louco e confuso quando acordar.
— Aí vai sair correndo que nem você na primeira vez que me viu "assim" — me referi ás minhas roupas, incluindo o fato de eu estar de máscara.
— Exatamente. Cara, lembro até hoje, você me deu o maior susto!
— Em pensar que você só se acalmou quando tirei a máscara pra revelar que era eu...
— E te bati depois.
— Sim, ha ha! Tipo "onde você esteve todo esse tempo, seu filho da puta!"
— Por aí, hehe. Bem, melhor sairmos daqui logo, ele vai acabar acordando.
— Sim.
Posicionei minha câmera num lugar que pudesse filmar o Toby.
— Precisa disso mesmo?
— Ora, você me conhece.
— E se você transar com alguém? Vai gravar também e postar no X-Vídeo?
Corei extremamente por baixo da máscara. Ele não diria essa gracinha se soubesse "com quem" eu gostaria de transar.
— C-claro que não! E a câmera tá gravando essa conversa.
— Ok, deixa isso logo aí e vamos embora.
Saímos de dentro do quarto e tranquei a porta. Por um segundo veio-me a mente alguns dos momentos do meu sonho de ontem, principalmente quando Masky sussurrava o meu verdadeira nome. Se fosse tão simples falar pra ele como gosto desse moreno de máscara branca...
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