Prova De Amor
5 Capítulo 5
Notas iniciais
A loira adentrou o cômodo temendo reencontrar tal lugar. Por mais que sentisse saudade do lugar onde viveu. Por mais que tenha passado mais de um mês fora dele. Por mais que tenha ficado sem revê-lo por tanto tempo.
Toda a saudade passava quando lembrava-se da cena que presenciara naquele dia, o sentimento de saudade transformava-se em mágoa. Andava cuidadosamente, evitando qualquer movimento brusco, como se estivesse correndo perigo, como se pudesse ser capturada a cada momento. O nervosismo só aumentava quando aproximava-se do quarto.
Sentiu a presença de vultos, talvez surgidos de sua mente, ainda não superava a dor ou o medo que sentira desde aquela data. Olhava para trás sempre que duvidava de uma perseguição, mas dava-se conta de que talvez só estivesse deixando-se levar. Talvez toda aquela escuridão ou tempestade não passassem de alucinações que faziam o local parecer amedrontador para ela. A maneira mais fácil seria tendo coragem para enfrentar o que a esperava.
Abriu a porta que encontrava-se fechada. Quando saiu da outra vez a havia deixado aberta. Não restavam dúvidas de que alguém esteve por lá horas ou talvez dias depois de sua mais recente visita, algumas janelas estavam abertas e algumas coisas fora do lugar, de fato. O quarto mostrou-se completamente diferente do cenário que vira há certo tempo... O corpo de Pamella não estava mais lá, os vestígios de sangue, agora secos, ainda permaneciam ali, porém mais apagados como se alguém os tentasse eliminar. Enquanto olhava aquela cena, Samantha cogitava sobre quem poderia de ter feito isso tão rápido. Obviamente não queriam deixar pistas do crime cometido. Com mais de mil interrogações cravadas em sua cabeça, observou atentamente cada detalhe do quarto. Alguns móveis também não estavam ali como antes.
Vendo-se melhor, maior parte de seu nervosismo se foi por não ter de rever algo como o que vira. Mas ainda tinha sede de vingança, a necessidade de fazer o criminoso pagar pelo que cometera aumentava momentaneamente. Alguns passos à sua frente, ajoelhou-se para melhor fitar algo que não havia reparado da última vez que foi ao local. Um bilhete. Um bilhete jogado embaixo do armário. O pegou ainda empoeirado, mas abriu-o sem se preocupar.
"Querida Sam,
Eu queria te desculpar por não ser tudo que você queria durante todo esse tempo. Por ser o oposto de uma verdadeira mãe a quem você amasse e se orgulhasse. Agora acho que meu futuro é um só: nada além da morte. Eu só queria vê-la pela última vez e abraçá-la no último momento de minha vida, desejando que você seja o que eu nunca fui. Uma verdadeira mulher. É o que você é e eu pelo menos me orgulho de ter você. Sei que não me verá em casa quando voltar, mas tudo que eu tenho a dizer é que agora não há mas volta. Deveria ter aceitado que na verdade você estava certa e que eu não devia ter deixado-me chegar onde estou agora. Na verdade, eu não sou nada, eu não serei mais nada. Tudo que eu serei é a prova morta de que nunca vai existir ser humano tão inútil quanto eu fui durante todos esses anos. Por mais que eu seja tudo isso, eu ainda sei que te amei muito mais do que pensava e que você vai saber enfrentar tudo isso muito melhor do que eu.
Pamella."
Não sentiu nada além de lágrimas circularem por seus olhos, nunca desejaria que sua mãe se fosse assim. Ela sempre teve uma importância para si acima de tudo. Guardou o bilhete em sua bolsa e por horas admirava a Seattle obscura e deserta que a cercara da janela. Como era possível que o mundo girasse tão rápido, que o tempo passasse de forma tão repentina, que nada estivesse da maneira que ela sempre sonhou? O destino a julgou infeliz, essa era a única explicação. A justiça ainda venceria, apesar de tudo, ou talvez nada fosse como o imaginado.
Não aguentaria mais um minuto naquela casa, saiu de lá andando devagar e ainda formulando um jeito de acabar com todo esse sofrimento que sentia. Nem o tempo seria capaz de apagar tudo aquilo que acelerava seu coração em certa hora, nenhuma decisão pudera mudar o que de fato já estava escrito. Talvez ela tivesse de passar por isso.
Ponto de Vista — Freddie
Sabia que Carly passaria a noite fora, me deixou encarregado de vigiar a loira para que não fizesse nada de errado. Eu mesmo faria isso sem que ela me avisasse. Estava cansado, mas precisava vê-la e descobrir se estava tudo bem. Eu sei que está sendo quase impossível para ela passar por tudo isso. Por mais que não tivesse conhecimento do que se trata, de seus olhos já transparece a tristeza incomum que a domina.
Devolver o devido brilho a eles seria algo muito bom para mim.
Ao vistar o 8C, não a vi logo de início. Após procurá-la por todo o apartamento e chamar seu nome sem ser retribuído, comecei a preocupar-me com sua ausência. Me sentiria culpado por deixá-la ir a qualquer lugar. Porque ela poderia estar em qualquer lugar. Abri a porta e estava decidido a procurá-la até mesmo fora do Bushwell, mas a encontro no corredor.
— Onde você estava? — a interroguei, podendo ver seu semblante confuso como se ainda estivesse pensando em uma resposta conveniente.
— Eu só preciso de você — Sam disse e me abraçou.
— Eu estou aqui, não lá fora... — Falei enquanto nos abraçávamos. Iríamos se afastar do abraço mas, ao invés disso, ela selou seus lábios nos meus. Aos poucos nossas línguas já se encontravam envolvendo-nos em um beijo apaixonado.
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