Prova De Amor
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Ponto de Vista — Sam
Desci logo para falar com minha melhor amiga. Já sabia que suas conclusões a respeito do que vira não seriam nada puras, mas precisávamos conversar.
— Carly? — chamei sua atenção quando a pude observar nas escadas, sentada como se não houvesse nada mais a fazer.
— Sim? — ela me fitou com um olhar significativo.
— Me desculpa. Eu fui grossa com você hoje mais cedo, não? Foi apenas mais um ato negligente da minha parte...
— Pelo visto a conversa te animou lá em cima, né? — Sabia que ela tocaria no assunto de qualquer jeito. Em seu olhar havia uma mistura de malícia e interrogação.
— Não começa... — Eu sorri e olhei para um dos degraus da escada, desviando minha atenção da morena.
— Tudo bem, estava só brincando. Eu te desculpo sim amiga. Sei que você tinha seus motivos ocultos. — Sorriu e nos abraçamos.
— Fico feliz. — Olhei em seus olhos. — Preciso tomar um ar.
Me levantei para descer o resto da escada que me sobrava.
Pude sentir seu braço me puxando negativamente, antes que me permitisse descer.
— Você não vai a lugar algum antes de me prometer uma coisa importantíssima. — A menina dos cabelos negros me encarou com um olhar autoritário enquanto eu permanecia na dúvida. — Prometa que não fará nada de errado lá fora. Isso está valendo nossa amizade.
—Claro que prometo, não farei nada.
Desci.
Na verdade não estava com segundas intenções. Eu daria um tempo só para mim mesma, sem pensar em mais nada além de mim. Pelo menos por um mísero segundo queria esquecer de tudo aquilo que vi.
Ponto de Vista — Geral
Dias, semanas... O tempo passava rápido. E não havia quem impedi-lo de fazer seu trabalho. Desde a morte sigilosa de Pamella, Sam não dormia bem durante a noite, pensava sempre nela e no que poderia fazer ao seu lado se ainda estivesse viva; pensava em tudo que não a disse quando podia. A loira não voltara a sua casa desde aquela tenebrosa manhã. Carly, por se ver sozinha com a viagem de seu irmão a Yakima, aceitava sua amiga com prazer como uma companhia para todas as horas em que sentia-se só. Além disso, desse modo fazia de tudo para ajudá-la e confortá-la sem mesmo saber o verdadeiro motivo de sua angústia.
Freddie aproximou-se de Samantha durante o decorrer do tempo, digamos, bem mais que o aparentemente normal. Ele era o único que sabia de todas as horas em que ela trancava-se no quarto, apagava as luzes e chorava escondida, temendo que alguém a encontrasse. Era o único jeito que ela encontrara para suprir tudo que sentia. O moreno, por sua vez, estava fazendo o possível e talvez o impossível para ver um sorriso brotar nos lábios de sua amada loira, fizera de tudo para estar ao seu lado em todos os momentos em que ela mais carecia de alguém por perto e lhe dava todo o carinho que ela precisava sem se incomodar. Todas as vezes em que a perguntava o que lhe fazia tanto mal, ela negava como se não houvesse nada de mais. Ao mesmo tempo em que ele se deprimia por não ser digno de sua confissão, dava-lhe o tempo necessário para que ela refletisse sobre tudo que precisara e fizesse livremente a decisão de contar-lhe ou não. Ele estava apaixonado por ela como nunca foi por nenhuma outra mulher, ela era tudo que ele desejava e vê-la feliz era o único motivo de estar vivendo.
Sam passou a ficar mais tempo de seu dia com Freddie, até mais do que passara normalmente com Carly. A morena andara ocupada em seu relacionamento com Brad, ela se negava a interferir-se ou intrometer-se na relação de sua melhor amiga ou exigir sua atenção. Isso acabara sendo bom para ela, um sentimento surgira dentro de si — e não era apenas desejo pelos beijos ou carícias que partilhava com o moreno —, estava começando a aprender a amar. A presença dele em seu lado tornava-se uma necessidade profunda a cada dia que seguira no calendário... Se ele não estivesse ao seu lado, talvez ela não suportaria a mágoa de perder alguém como Pam.
"Não existe uma só coisa no mundo que não poderia ser curada pela chama ardente de uma verdadeira paixão."
[...]
O dia chegou. Ela estava preparada. O relógio marcava as três horas da manhã e era o momento ideal para que tudo aquilo se realizasse de fato para a loira. Era esse o momento para rever o lugar onde perdeu uma das pessoas mais importantes de sua vida, o mesmo lugar onde viveu com ela durante anos. Seria não só difícil como desafiador rever o local e relembrar todo o cenário constrangedor e catastrófico que vira há um mês atrás. Sim, havia passado um mês. Um mês e três semanas.
Era sua única chance de conseguir fugir do 8C. Carly estava com Brad em seu aniversário de três meses de namoro. Logo, não atrapalharia nos planos de Sam referentes a misteriosa morte. Levantou-se ela da cama, se vestiu rápido. Usava uma blusa e uma calça jeans, um sobretudo por cima. Seus acessórios eram um cachecol, um gorro, luvas e botas aconchegantes num salto-alto bem alto. A sensação térmica daquela noite em Seattle era como o clima original do Pólo Norte.
Tremia só de sentir a brisa fria que passara por seus cabelos que quase carregava gelo. Nevava naquela fria madrugada. Em passos suaves, andara com um pouco de medo por ter de rever tal cena novamente. Mas algo dentro de si a despertava e encorajava para que continuasse seu caminho. Precisava ajudar sua mãe e apoiá-la mesmo depois de sua morte.
Chegou na fachada de sua casa, seu coração doía e o nervosismo a domava de maneira trágica. Seus passos diminuíam de velocidade a cada instante, cada vez que chegara mais perto de lá. Ponderava assustadamente pela chance de haver alguém lá dentro, o alguém que cometera tal delito de matá-la, o alguém que a faria o mesmo.
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