Protocolo - Bebê Aranha
12 Mais Problemas
Notas iniciais
Peter deveria agradecer a Natasha e a Sam pelos treinos; foram exatamente eles que o mantiveram em forma e até o deixaram mais forte. Realmente foi útil. Foi exatamente por causa deles que ele não estava enferrujado.
Peter nunca poderia esquecer o sentimento que dominava seu coração quando ele era o Homem-Aranha. Não era orgulho — não, não chegava nem perto — era realização; saber que ele estava sendo útil era o que o deixava animado, que o fazia voltar novamente para esse seu lado.
Se não fosse por isso ele não estaria aqui.
Eram quatro no total; quarto homens mascarados, dois deles com armas e incrivelmente, todos eram amadores, são só pela habilidade de luta — realmente precária —, mas pela tolice de tentar arrombar um banco com o céu ainda claro.
— Vocês deveriam serem menos óbvios — Peter disse, pulando por cima das cabeças deles apenas para evitar um golpe.
Ele sempre teve esse pequeno problema na hora da luta — na verdade, sempre que vestia a máscara —; ele era muito falador. Provavelmente não era assim que qualquer outro Vingador agia na hora da ação, mas Peter era diferente. Ele sempre tinha algo para falar, seja uma piada ou simples e pura divagação.
As vezes isso o ajuda a se acalmar, a não pirar e acabar sendo baleado ou espancado.
Peter desviou de um soco particularmente forte que estava destinado ao seu rosto. Ele pulou e se atou a parede mais próxima.
O jovem aranha descobriu em seu primeiro ano como protetor do Queens que não era uma boa ideia partir pra cima, diretamente, de um cara que é quase meio metro mais alto que ele — seus 1,63 não ajudam muito —, então sim, era melhor manter distância, pelo menos até ele seja mais velho.
— Quanta raiva — Ele brincou, rindo para si mesmo. — Você deveria fazer Yoga, dizem que ajuda
Usando suas teias, Peter puxou para mais perto a tapa de uma lata de lixo. Ele a usou como uma espécie de escudo e, assim como ele viu Steve fazer quando espiou um treino dos Vingadores, usou para bater diretamente no rosto de quem estava mais perto.
O homem cambaleou para trás.
— Merda! — Amaldiçoou em voz alta, levando as mãos para o rosto coberto. Peter não se importou muito com ele, haviam outros três ao seu redor.
Seu coração estava palpitando no peito, a adrenalina de voltar a ser o Homem-Aranha passava pelo seu corpo como eletricidade.
— Atira nele Marko! — Um deles gritou, não ficou muito claro quem, mas Peter sentiu instantaneamente seu sentido aranha zunir e ele se virou para o único outro homem que tinha uma arma em mãos.
O assaltante não teve muito tempo e foi lerdo demais, Peter jogou a tampa da lata de lixo diretamente para ele, atingindo sua mão em cheio. Isso fez com que o homem atirasse no tão e soltasse a arma no impacto. O jovem aranha não perdeu tempo e pulou novamente, atirando uma teia apenas para puxar a arma para longe.
— Não toque em armas crianças!
Peter avançou e girou ao redor, usando o “Chute Circular” que Natasha o ensinou de um jeito próprio, mais ágil e até mesmo fora do chão. Isso acertou outro assaltante.
Ele sabia que todos os quatro estavam ao seu redor, tentando acerta-lo de alguma forma, mas Peter não se importou. Ele poderia lidar com eles, talvez com uma pequena luta a mais, mas ainda assim era capaz.
Peter grunhiu um gemido de dor quando a mesma tampa que ele usou anteriormente o atingiu em cheio bem no rosto, o desligando por um segundo e então ele estava de volta, sentindo uma dor aguda na cabeça.
O jovem aranha suspirou, era seu primeiro dia e ele já teria que limpar o sangue da máscara. Ele resolveu não se conter mais e deu um chute particularmente forte derrubou dois assaltantes, um em cima do outro, quase como peças de dominó alinhadas. Três rajadas de teias foram o suficiente para prende-los no chão.
— Mas que merda é essa? — Um deles gritou, se remexendo, uma tentativa frustrada de se livrar das teias.
— Sai de cima de mim!
— Para de se mexer
Tendo apenas dois agora para lidar foi mais fácil, tão fácil que a única coisa que ele fez foi atirar uma teia diretamente para onde seria a boca do assaltando, fazendo ele se assustar e focar apenas em tirar o estranho liquido dali. No instante seguinte, ele estava preso a parede.
— Espere até eu colocar as mãos em você seu idiota magricelo! — Algum deles gritou, raiva nítida em sua voz.
Peter não se sentiu ameaçado nem com medo, considerando o número enorme de vezes que ele ouviu algo parecido.
— Não berra no meu ouvido ô retardado!
Peter não prestou atenção neles, não pode porque no segundo seguinte, o único que ainda estava de pé começou a correr, correr para longe da entrada do fundo do banco e para a rua. Ele provavelmente chegou à conclusão de que não poderia sair disso sozinho.
Peter revirou os olhos, ainda com um sorriso no rosto por trás da máscara.
— Não, não — Peter balançou a cabeça negativamente e o seguiu. — Pra onde você vai?
Peter avançou rapidamente, mas rápido que o homem, e o alcançou antes mesmo de desaparecer na rua. Ele o envolveu com sua teia e o puxou para cima, prendendo-o num poste de luz. Ele se debateu, mas nada que fizesse seria capaz de arrebentar as teias.
A menos é claro que tivesse fogo envolvido.
Certo. Todos eles estavam presos e apenas esperando pela polícia, mas não parecia ter nenhum oficial ao redor e Peter não tinha trazido seu celular.
Ótimo. Ele ainda poderia simplesmente pedir para alguém chamar a polícia.
— O quê? — Alguém gritou atrás dele, o medo claro em sua voz. Foi tão abruto que fez Peter se virar, olhos ampliados ao máximo, atento a qualquer tipo de ameaça.
O jovem aranha demorou um pouco para identificar quem tinha gritado, tanto que seus olhos vagaram um pouco além até parar numa figura feminina. Ela tinha cabelos selvagens, castanhos, um emaranhado de cachos que realçavam seu rosto. Tinha pele morena e estava carregando quase que uma dúzia de livros em seus braços, praticamente abraçando eles.
Seu coração, por um momento, caiu em um profundo abismo, quando ele avistou Michelle Jones parada, quase que tentando se esconder atrás de alguma coisa, mas não havia nada. Peter viu o medo em seus olhos, claro e brilhante, mas havia alguma outra coisa ali.
Foi algo novo, e ele se encolheu diante disso.
Peter pigarreou, aterrorizado por um momento em ver sua melhor amiga ali, olhando para ele com o puro terro em seus olhos. Ela não sabia que era ele ali, então não tinha motivos para se sentir exposto desse jeito. Mas Peter não pode deixar isso de lado.
— Desculpa senhorita — Ele disse, forçando a voz para parecer mais velho, ou talvez apenas para tentar esconder sua identidade. Parecia fútil, mas era o que ele tinha a sua disposição. — Poderia chamar a polícia?
MJ piscou, atordoada por um instante; ela demorou um pouco para perceber que ele estava falando com ela. Seus olhos então suavizaram e ela foi rápida em pegar o celular, se atrapalhando um pouco para manobrar os livros e o aparelho.
Peter sentiu seus ombros relaxarem com a mudança, desejando internamente nunca mais vez esse olhar no rosto da melhor amiga.
O jovem aranha não precisou de outra deixa. Ele se afastou, usando suas teias para se balançar pela rua e ir parar em cima de outro prédio. Demorou um pouco para ele perceber que estava em frente a biblioteca municipal.
Fazia todo sentido MJ estar por aqui.
...
Tony saiu do elevador se sentindo extremamente cansado, e isso estava mais do que óbvio em sua postura curvada e nas olheiras logo abaixo dos seus olhos. Além de claro, sua cabeça estar latejando.
Ele respirou fundo, desfazendo a gravata com um puxão brusco, querendo apenas se livrar daquela coisa. Por um momento tudo que ele desejou foi um copo whisky, um licor ou qualquer coisa que tivesse álcool e que distraísse um pouco a sua mente do turbilhão de problemas que estavam por vir.
E que ele teria que lidar.
— Bem-vindo de volta chefe, como foi a reunião? — Sexta-Feira o cumprimentou, não soando necessariamente atenciosa, apenas curiosa. Tony bufou e se jogou em sua poltrona, fechando os olhos por alguns segundos.
— Uma merda gigante — Ele resmungou, esfregando o rosto com mãos por um momento. Ele massageou as têmporas, desejando que a dor de cabeça o deixasse em paz.
Tony então parou em seus movimentos, notando algo estranho no ar, e por isso olhou ao seu redor, notando o estranho silêncio que cercava o lugar — algo que chegou a ser incomodo. Ele realmente estava esperando que um certo garoto saísse do corredor e viesse lhe cumprimentar e, consequentemente, animasse um pouco mais o seu dia.
Ele estava tão acostumado com Peter, que notou no mesmo instante a sua ausência. Seu coração tremeu, um estranho medo de que alguma coisa tivesse acontecido, algo que tivesse levado seu filho para longe novamente.
Uns turbilhões de pensamentos vieram de repente, junto com o pânico e a picada dolorosa em seu coração.
— Onde está o Peter? — Ele perguntou, não se preocupando em esconder a sua preocupação. Não tinha nada que Sexta-Feira pudesse fazer para perturbá-lo sobre isso mais tarde; diferente de Rhodey, por exemplo.
— O jovem Peter saiu há três horas e vinte e cinco minutos — Sexta-Feira informou, fazendo uma pequena onda de desespero passar pelo corpo do bilionário e isso quase fez ele saltar da sua poltrona. — Ele disse que iria comer um cachorro quente e dar uma volta, que estaria de volta logo
Tony fechou os olhos e se inclinou na poltrona, tentando acalmar as batidas aceleradas do seu coração por um instante — e também se convencer de que seu filho estava bem. Não adiantou muito e ele logo abriu os olhos novamente, encarando o teto da sala com firmeza.
Sua boca estava seca e ele engoliu em seco.
— O que ele fez durante o dia? Ele não se machucou...? — Tony realmente não queria soar tão patético, mesmo falando com sua I.A, mas a preocupação era demais para ele conseguir controlar isso.
— Logo depois que senhor saiu, Peter tomou café e assistiu um pouco de televisão. Sob minha recomendação, ele voltou para o quarto e dormiu por 4 horas — Sexta-Feira respondeu, parecendo divertida com a situação emocional de Tony, que apenas revirou os olhos para isso. — Chefe, sinto necessidade de avisar que o jovem Peter estava inquieto demais essa noite e só conseguiu dormir um pouco de manhã. Não sei o motivo, mas ele parecia estar enfrentando problemas com pesadelos
Tony arfou por um momento, analisando o que Sexta-Feira acabou de falar, quase como se não conseguisse acreditar por um momento no que ela disse. Ele tentou imaginar Peter, revirando na cama sem conseguir dormir; enfrentando sozinho o enorme problema que eram os pesadelos.
A dor que se espalhou pelo seu peito era pura e única preocupação.
Tony sabe bem como eles são, sabe que no momento em que você acorda, muitas vezes o pânico já está instalado e demora um pouco para perceber que tudo não era real. No seu caso, a maioria eram, mas ele esperava que para Peter não fosse.
Ele franziu os lábios e as sobrancelhas em uma careta, em parte irritada, mas também preocupada.
— E o que diabos ele estava fazendo?
A sensação de raiva não era direcionada a Peter, e isso surpreendeu Tony; ele estava irritado consigo mesmo por não ter notado a falta de sono do seu filho. Ele parecia tão bem de manhã, um pouco com a aparência bagunçada, mas ainda assim bem. Ele até se aproximou de Tony e o abraçou.
Talvez se ele tivesse prestado um pouco mais de atenção, analisasse um pouco mais o garoto, além do estranho avanço, ele pudesse perceber que Peter parecia cansado. Talvez até um pouco angustiado. Mas ele estava tão surpreso que o garoto finalmente se sentiu confortável o bastante para abraçá-lo que isso nem ao menos passou pela sua cabeça.
Tony rosnou para si mesmo.
— Eu o ajudei no laboratório durante algumas horas. Isso pareceu distraí-lo — Tony arqueou uma sobrancelha quando Sexta-feira parou de falar, como se o garoto tivesse apenas feito isso o dia inteiro.
— Mas... ele não fez mais nada...? — Tony estava agora um pouco apreensivo, com as mãos inquietas por um momento.
Ele poderia facilmente acessar os arquivos de Sexta-Feira — e até mesmo as câmeras do laboratório — e descobrir o que Peter estava fazendo, no que ele estava trabalhando. Era tão fácil, apenas um comando. Mas Tony se conteve.
Era invasão de privacidade. Mesmo Peter sendo seu filho, ainda era uma invasão de privacidade.
Tony ainda pensava que Peter viria até ele — assim como fez hoje de manhã — e se abrir quando se sentir confortável. Ele vai falar abertamente sobre as coisas, vai deixar seus pensamentos abertos e contar tudo ao pai.
Contar tudo a Tony.
Então não, ele não iria invadir a privacidade do filho apenas para descobrir o que ele estava fazendo em seu laboratório, no que ele conversou com Sexta-Feira. Ele não ia fazer isso porque ele confiava em Peter.
Porém, ele podia fazer outra coisa.
Tony apenas encarou o nada, uma careta pensativa estampada em seu rosto. Por fim ele engoliu em seco.
— Okey. Sexta-Feira, eu quero que você marque um despertador pra todas as vezes que Peter tiver um pesadelo, não importa se é de dia ou de noite, se eu estiver ocupado ou não, quero que você me avise — Ele disse, assumindo um tom mais sério até mesmo para seus próprios ouvidos.
Era o único jeito de ajuda-lo. Muitas vezes, quem esteve lá para Tony foi Pepper, ela o trazia de volta para a realidade depois de um pesadelo particularmente ruim. Então ele iria fazer o mesmo para Peter.
Estaria lá quando o garoto precisasse.
— Certo
Tony fechou os olhos, sentindo suas pálpebras arderem com o claro cansaço que estava presente em seu corpo. Por um momento ele considerou cochilar apenas para descansar sua mente um pouco, mas então se lembrou que Peter estava distante em algum lugar de Nova York, andando por ai num mundo encoberto de problemas.
Ele engasgou levemente quando se lembrou que o garoto tinha um celular, uma forma, mesmo que pequena, do bilionário entrar em contato com ele e no mesmo instante Tony tirou seu celular do bolso e mandou uma mensagem para o garoto.
“Hey Peter
Onde você está? ”
Um rápido olhar para a hora confirmou que eram apenas cinco e meia da tarde, mas Tony não pode evitar se sentir preocupado com o garoto que estava fora de vista. Involuntariamente, ele começou a balançar a perna enquanto esperava por uma resposta.
— Chefe, lamento dizer, mas Peter deixou o celular na Torre — Sexta-Feira informou, quase que apreensiva, como se estivesse esperando uma reação ruim dele.
Tony demorou alguns segundos para entender o que a I.A disse, mas quando fez soltou um gemido angustiado e levemente irritado.
Decidindo que isso era demais para a sua cabeça ele se levantou e foi até a cozinha, primeiramente buscando por alguma bebida, mas então ele se lembrou que tinha parado de compra-las a um bom tempo atrás.
Agora isso era tudo que ele precisava para se manter acordado.
Tony resmungou e, sem muitas opções, optou pelo velho e bom café, sabendo perfeitamente que ele seria incapaz de tirar um cochilo agora.
Ele esfregou o rosto mais uma vez enquanto esperava que o café ficasse pronto, sua mente repassando todos os acontecimentos do dia como um filme e Tony não pode conter outro gemido desaminado quando imaginou todo o trabalho e toda a burocracia que estava por vir.
Geralmente as reuniões dos Vingadores costumam ser bem mais chatas — exceto as últimas, porque o tal do Venom estava sempre metido de alguma forma —, onde eles discutiam os relatórios e as possíveis missões que estavam por vir. Tony sempre ficou meio alheio ao que Fury falava, geralmente pensando em outras coisas; não que Tony não se importe com as atualizações, porque isso realmente ajuda ele a ficar por dentro das novidades ao redor do mundo.
Porém, dessa vez, Tony estava esperando por grandes notícias. A missão que Natasha e Clint haviam sido mandados foi um completo — e até mesmo estranho — fracasso.
As últimas reuniões dos Vingadores foram sobre isso. Todos estavam esperando um aviso, prontos para pegar suas coisas e ir ajudar os dois espiões em São Francisco, mas com o passar das semanas isso se tornou meio fútil.
Ambos os espiões relataram que sim, havia um ser “não-humano” em São Francisco. Clint fez questão de compara-lo com uma massa de modelar em seu relatório, porque aparentemente, o ser era imune a qualquer tipo de bala ou flecha que o arqueiro atirasse nele.
Entretanto, nenhum deles puderam dizer o que exatamente esse ser era.
Não havia nenhuma pista, nenhum ponto de partida que deixasse claro que “Venom” era um experimento que deu errado ou qualquer outra coisa.
Natasha, inclusive, achava que ele não era da Terra.
De acordo com o relatório, eles se encontraram apenas uma vez, em um parque em São Francisco, de noite. Aconteceu depois de quase um mês tentando localizar o paradeiro da criatura, e por fim eles ficaram cara a cara.
Apenas para o tal de Venom gritar na cara deles que não iria lutar.
Natasha descreveu a cena como “bizarra”. A criatura parecia estar falando consigo mesma, trocando frases e palavras incoerente para os espiões, discutindo. Era como se tivesse duas cabeças em uma; uma delas queria, de fato, comer os dois Vingadores, e a outra queria ficar longe.
A última ganhou, e Venom nunca mais deu sinal de vida. Foram semanas gastas em investigações e nenhum progresso; não há o que fazer além de voltar a Nova York.
Por isso Tony esperava alguma notícia, algo que mandasse o resto da equipe para São Francisco, mas isso não aconteceu.
Quando ele e os demais entraram na sala de reunião logo as oito da manhã já tinha ficado mais do que óbvio que essa era uma reunião diferente das demais; não tinha nada a ver com a missão de Clint e Natasha. O que veio a seguir foi um pouco inesperado demais e deixou todos meio eufóricos por motivos óbvios.
Acontece que, de acordo com um representante enviado pela NASA, eles tinham recebido uma mensagem vinda diretamente da última pessoa na galáxia que Tony imaginou que iria entrar em contado com a Terra desse jeito.
Thor.
Aparentemente, a NASA tinha recebido uma mensagem de uma nave espacial não identificada há dois dias, isso por si só já era algo mais do que estranho. Acontece que a mensagem vinha diretamente do deus do trovão, a quem a Terra — e os Vingadores — não tinha notícias a quase dois anos inteiros.
Foi muito inesperado para todos quando, de repente, a voz do Thor encheu a sala. Pela primeira vez em muito tempo Tony fez questão de prestar atenção em uma reunião dos Vingadores.
Ficou claro logo de cara que a mensagem não se tratava de nenhum tipo de ameaça, mas sim algo um pouco mais político.
De acordo com Thor, Asgard foi destruída por completo numa espécie de apocalipse que o deus nórdico chamou de Ragnarok — Tony fez uma nota mental para pesquisar um pouco mais sobre isso, mesmo sabendo que ele provavelmente esqueceria —, o que deixou pelo menos 400 asgardianos sem um lar e agora, como líder, Thor estava trazendo seu povo para o único lugar onde eles seriam bem recebidos.
A Terra.
A conclusão foi imediata, por mais que a mudança de extraterrestes para a Terra fosse muito inesperada, ninguém iria negar ajuda ao Thor e seu povo, mas isso trouxe com ele um monte de questões diplomáticas, as quais os Vingadores e a S.H.I.E.L.D teriam que lidar e, consequentemente, entrar em um acordo com as demais nações.
Porque é obvio que a presença de extraterrestes com uma cultura totalmente diferente dos humanos iria ser estranho. Até mesmo assustador.
A maior parte da reunião se concentrou apenas nisso — e na pequena possibilidade dos asgardianos ficarem em Wakanda durante um tempo, uma solução dada pelo próprio T’Challa assim que ficou sabendo da notícia; e ele nem estava na porcaria da reunião —, mas ficou realmente tensa quando o representante da NASA disse quem, em especifico, estava com Thor.
A parte boa disso era que Bruce estava vivo — depois de quase dois anos desaparecido — e havia encontrado com Thor, mas não houve mais detalhes além disso. Tony realmente ficou feliz com isso, já que seu amigo estava bem. A parte que realmente deixou todo mundo tenso e com um pé a traz foi quando Thor especificou que Loki estava com ele.
O deus da trapaça — aquele que atacou a Terra e abriu a porra de um buraco de minhoca no céu — estava vindo pra Terra.
Tony realmente tentou não se sentir incomodado com isso, mas nem ao menos fez um esforço para esconder a careta que se instalou em seu rosto, igual a toda a equipe, que de repente estavam tendo mais de um motivo para reclamarem.
É claro que Thor tentou suavizar as coisas, deixando claro que seu irmão tinha mudado e até ajudado na luta contra uma tal de Hela — sério, Tony tinha que ler mais sobre mitologia nórdica.
Mas não é como se isso fosse ajudar muito.
É claro que as pessoas não vão ficar tão contentes com isso, já que Loki não tem uma boa reputação em geral. Naquele momento, Tony já podia sentir a dor de cabeça se formando, porque é óbvio quem teria que lidar com tudo isso.
Afinal, é ele quem patrocina os Vingadores e é a sua responsabilidade cuidar deles na visão da mídia. Como explicar pra mídia que o cara que matou 80 pessoas em dois dias estava vindo pra Terra e que agora ele era do bem? Ele já podia sentir todo esse peso em seus ombros e nem se incomodou quando Fury perguntou quando eles poderiam agendar uma conferência de e imprensa e espalhar as novidades.
Justamente quando as coisas estavam calmas, quando seu filho estava com ele e os Vingadores estavam lentamente voltando aos eixos, Thor decidi mover seu povo para Terra. Como se o tal do Venom não fosse problema o suficiente.
Naquele momento ele realmente queria dar um soco no deus nórdico.
Quando a reunião acabou, era mais do claro toda a conversa entre os Vingadores, pelo menos para Scott que foi o único que não chegou nem perto de Thor.
Enquanto isso Tony já estava sentindo seu cérebro pulsar com uma dor de cabeça avassaladora e também fazendo o possível para ignorar as reclamações de Sam e Steve, que sinceramente parecia ecoar por todo o corredor.
Tony quase mandou eles calarem a boca umas cinco vezes antes de apenas se afastar.
Ele ainda conversou com Fury sobre a conferência de imprensa que já estava marcada para a semana que vem, além de uma reunião com o rei de Wakanda, apenas para debater a possibilidade dos Asgardianos ficarem em Wakanda — e óbvio, se teria espaço.
No momento a única coisa que Tony queria era assistir um filme com Peter e aliviar um pouco desse estresse, mas o garoto estava longe de ser visto e nem ao menos tinha levado a porcaria do celular.
Tony suspirou pela milionésima vez e tomou um gole do café quente, sentindo ele aquecer seu corpo de uma forma reconfortante. Em pouco minutos ele já tinha acabado sua terceira caneca de café quando a voz de Sexta-Feira o tirou de seus pensamentos.
— Chefe, Peter está subindo — A notícia fez Tony uma certa calma passar pelo seu corpo. Tanto que ele fechou os olhos e exalou.
Ele nem ao menos tinha notado o quão tenso seu corpo estava e a fina camada de preocupação que estava pairando sobre seu estômago até Sexta-Feira anunciar a chegada de Peter. Tony apenas deixou seus ombros caírem e abaixou a caneca, dando meia volta para a sala novamente.
Por fim, as portas do elevador se abriram e um garoto desgrenhado entrou na sala. Seu corpo congelou por um breve segundo, então Peter puxou o capuz por cima da cabeça, encontrando com o olhar do bilionário com uma certa hesitação; ele ofereceu um pequeno sorriso tímido.
Tony mal podia ver seu rosto.
— Oi Tony — Ele o cumprimentou com apenas um encolher de ombros, meio desajeitado.
Tony bufou, balançando a cabeça negativamente.
— Se divertiu? — Ele perguntou, retribuindo o sorriso com uma pitada de sarcasmo não intencional.
Peter se encolheu mais ainda, apertando a alça da mochila como se a mesma fosse lhe dar algum apoio, o que deixou o bilionário levemente cético. Tony se levantou e caminhou até o filho, parando na sua frente.
O bilionário notou a forma como Peter estava tentando fazer seu corpo relaxar, nervoso. Tony piscou, e então a única explicação veio a sua mente; todo esse tempo trancado na Torre acabou criando uma certa barreira ao redor do menor, deixando-o com medo até mesmo de sair.
Era como se ele estivesse com medo de dar um passo e fazer alguma coisa errada. Tony não pode deixar de se sentir culpado por causa disso, já que Peter merecia algo bem melhor do que esse medo sem motivo. Ele deixou seus ombros caírem e reprimiu ao desejo de avançar e enrolar o menor em um abraço, porque sim, era isso que ele mais queria fazer.
— Eu pensei que você não fosse se importar... — Ele murmurou, abaixando o olhar para o chão ao mesmo tempo que puxava um pouco mais o capuz do moletom para baixo, cobrindo seu rosto quase como se quisesse se esconder do mais velho.
Os dedos do bilionário coçaram para simplesmente estender a mão e puxar aquele bendito capuz para baixo.
Tony ofereceu um pequeno sorriso reconfortante, esperando que isso fosse o suficiente. Naquele momento ele estava apenas feliz pelo garoto estar a salvo e logo ali, na sua frente.
— Só leve o celular da próxima vez, você meio que me deixou preocupado por um segundo — Tony explicou, dando uma tapinha no ombro do menor e esperando que aquilo deixasse ele um pouco mais confortável.
Peter voltou a encara-lo timidamente. Tony não pode ver seu rosto completamente, apenas o brilho dos olhos e algumas mechas de cabelo. Quando uma certa realização passou pelo seu rosto e ele corou.
— Oh... me desculpa. Eu esqueci. Achei que não fosse precisar, já que eu ia só dar uma volta — Ele ofereceu uma breve explicação, parecendo apológico nervoso. Peter desviou o olhar envergonhado. — Prometo que não vai se repetir
Simplesmente não tinha como Tony ficar bravo com ele, principalmente quando ele parecia tão pequeno e tímido quanto agora.
— Tudo bem garoto — Tony o tranquilizou. — Vá tomar um banho e daí a gente desce. Quem vai fazer o jantar hoje vai ser o Cap — Ele brincou e sorriu quando viu que o rosto de Peter se iluminou brevemente.
— Tá bom!
Peter passou por Tony correndo, indo para o corredor. O bilionário apenas observou com um sorriso bobo no seu rosto quando seu filho desapareceu, entrando no próprio quarto.
Brevemente, ele se perguntou o quanto sua vida havia mudado nos últimos messes, e tudo isso por causa desse garoto.
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