Protetor das asas negras

1 Capítulo 1 - Prólogo


Notas iniciais
Olá queridinho ♥

Ao longo de centenas de séculos em minha longínqua existência, pude presenciar casos e mais casos de vidas humanas transitarem em períodos de felicidade passageira e sofrimento repentino. Senti diversos tipos de vitalidades, várias que continham a precedência do mal em si, mas outras, por outro lado, que transbordavam a essência da virtude, sendo verdadeiros raios de sol na terra.

Posso afirmar que existem seres humanos que são felizes, como também posso indagar que também há aqueles que contagiam a felicidade para os menos privilegiados. Há também os que transbordam tristeza e angústia, como também há aqueles que contagiam esses sentimentos, como verdadeiros corruptos da paz alheia.

Mas em todos os casos, há sempre uma transição entre o bem e o mal na vida de uma pessoa.

Posso persuadir facilmente alguém de que ele é o protagonista de sua própria história. Realmente os seres humanos são quem comandam sua própria vida particular, sentimentos não são involuntários, se deveras fossem, não haveria assassinos que matam a sangue frio sem se importarem com suas vítimas, eles apenas aprenderam a não se afetar com isso.

Mas a menção de psicopatas é apenas um exemplo bobo que não deve ser levado a sério.

Coloco grande ênfase em certa citação: sentimentos não são emoções, há uma linha tênue entre o significado das duas palavras.

As emoções são instintivas na vida humana, já o sentimento é algo que carregam com o tempo, com laços familiares, amorosos, amigáveis e tantos outros, sendo os mesmos dispensáveis na teoria de causar ainda mais padecimento, na perda de um grande amor, por exemplo.

Emoções e sentimentos são vitalidades que não existem em um ser como eu, talvez não compreenda o avassalador impacto dessas duas pequenas palavras com fortes significados, mas já vivi o suficiente para ter alguma experiência com isso.

Há algum tempo venho me interessando pela vida de uma adolescente humana, curiosamente a mais misteriosa que tive prazer de zelar pela vida. Ela tem me intrigado desde o momento que pude conhecê-la por completo.

Eu tinha o poder de explorar a vida de cada um que transitava na terra. O destino daquela moça me dava certos arrepios e por mais que tentasse adentrar mais fundo naquele acaso, eu não conseguia.

Sentia tênues nuvens negras ao seu redor, e aquilo poderia ser catastrófico. Agora era meu dever zelar por sua vida. Fui encarregado de proteger toda sua ascendência. Velei por sua mãe – que tem importante papel nesta história -, por sua avó, sua bisavó e assim por diante, marcando exatamente vinte gerações, apenas guardando as mulheres de sua longa linhagem.

Não havia trocado de protegida por sua figura materna ter morrido – talvez não fisicamente -, mas sim porque recebi ordens superiores para que deixasse Maria para a própria sorte, e eu reconhecia muito bem o motivo para o apelo.

Meu aspecto esbranquiçado – que se misturava ao vento – vagava pelas ruas de uma cidade conhecida na França. Sentia cada alma ansiosa que percorria aquela avenida, sendo uma rua bem movimentada, porém, por mentes vazias. Podia facilmente penetrar pela multidão sem ser notado, afinal, eu era basicamente parte do oxigênio poluído que compunha o local.

Recordo-me excepcionalmente de como era tudo aquilo há séculos atrás, não havia poluição, nem prédios, casas, automóveis ou afins, na verdade, nem a presença de seres humanos, ou, talvez, algum ancestral desprovido de inteligência perambulando aqui ou ali. Era apenas uma grande extensão de florestas virgens, com a preservação da fauna e da flora, enaltecendo a grande riqueza que agora havia caído no esquecimento.

Acabei por tomar um susto, retornando brutalmente a minha realidade quando senti a presença de densas presenças malignas que começaram a se espelhar pela multidão. Coloquei-me em alerta assim que senti sombras aproximando-se de um individuo descuidado que atravessava a rua sem olhar para os lados.

Eu sabia exatamente o que ocorreria ali.

Porém, não poderia fazer nada para intervir.

As sombras eram representações da morte, aquele ser estava prestes a ser esmagado por um veículo que vinha em alta velocidade. Minha função era proteção, mas, naquele caso, não possuía o direito de salvar aquele individuo, então apenas aguardei o pior acontecer com os sentidos fixos na cena.

O mais incrível era notar que aquela rua estava repleta de pessoas, mas, nenhuma delas ao menos se preocupou em ao menos prestar atenção no que estava prestes a acorrer.

Foi tudo muito rápido, a buzina, o freio, mas era tarde demais para retornar, pude ouvir o impacto do automóvel com o corpo do humano, que rapidamente foi lançado a metros de onde estava inicialmente, fazendo com que o concreto fosse tingido de um vermelho vivo. O individuo tinha sido literalmente despedaçado pelo impacto em que foi atingido.

Pude perceber o corpo inerte a alguns metros do incidente, sendo brutalmente possuído pelas sombras, que logo separariam sua alma daquele pedaço de carne que antes dispunha de vida.

A partir daquele momento as mentes vazias cercaram a cena, lamentando falsamente pela vida do rapaz, que notoriamente era muito jovem. O mundo era inacreditavelmente hipócrita, enquanto ele estava vivo, ninguém sequer percebeu sua presença que estava prestes a sofrer uma atrocidade. Alguns chamaram uma ambulância para socorrer o corpo, mas, infelizmente, já era tarde demais. O motorista do carro ainda se mantinha estático no veículo, provavelmente glorificando a Deus por ter saído ileso, desconsiderando o rapaz que havia acabo de matar.

Foi neste exato momento que percebi a presença de minha protegida, saindo despreocupada de uma cafeteria.

Nem assimilava a idéia de que possuía uma história tão melancólica.

Começaremos do inicio de tudo, desde que fui subjugado a protegê-la até seus então 18 anos:

Continua...

Notas finais
Espero que tenha gostado!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.