20 de setembro

Nunca me esquecerei como este dia estava sendo emocionante, finalmente tínhamos desembarcado na França a tripulação inteira estava anima em finalmente ficar em terra firme. Luca só admirava a paisagem, analisando cada detalhe provavelmente estava memorizando para depois escrever em seu livro.
— Gostou? — Perguntou Articos se aproximando e rindo das minhas expressões
— Parece bem movimentada — Não pude deixar de sorrir junto
— Isso porque você ainda não viu a Índia
— Adoraria conhece-la
— Sempre que precisar é só me chamar — Ele deu uma piscada
— Obrigada por tudo Árticos
— De uma volta na cidade com Luca enquanto eu preparo a casa que você vai ficar. — Concordei com a cabeça e fui atrás de Luca que já estava se preparando para dormir junto das caixas novamente.

Estávamos no centro comercial perto do Cais, eu ficava admirando as barracas enquanto Luca com Anthony em seus braços olhava a tenda de um senhor que estava vendendo livros e mapas.
— Olha o que eu comprei — Disse Luca entregando um livro grosso com a capa revestida de metal, ela tinha um fecho em formato de asa com uma pedrinha azul. Era bonito mas estava vazio
— Ele está vazio, um livro dessa grossura e está vazio
— Eu sei, é um presente. Quero que você consiga escrever todas as suas aventuras enquanto eu estiver longe
— Eu não sei se eu vou ter tempo de escrever Luca
— Não precisa registrar tudo, registre os dias que aconteceu algo especial
— Se for assim acho que já tenho bastante conteúdo para escrever

— Espero estar incluindo nisso

— É claro que sim Luca, você foi uma das melhores partes da viagem.

— Fico feliz em ouvir isso

Um tempo depois encontramos Árticos em frente à uma loja de roupas chiques
— Consegui arrumar o local para vocês, não sei como ele sobreviveu a todos esses anos abandonado mas esta lá ainda
— Me sinto em divida com você agora Árticos, você não faz ideia
— Você não precisa se sentir assim, foi como você disse sem você e o velhote eu não teria sobrevivido. E alem do mais eu gostei de ter vocês dois na tripulação — Ele direcionou o olhar para Luca também
— Tudo bem, agora só resta saber como vou conseguir manter a casa e o bebê
— Com a casa você não precisa se preocupar, a casa fica afastada da cidade então o rei não tem conhecimento, livre de impostos, já com o bebê eu vou te ajudar. Eu tenho alguns fundos escondido da tripulação
— Muito obrigada por tudo

Ártico me abraçou e deu um aperto de mão no Luca e se retirou para o navio, ele havia pagado para que um de seus piratas nos acompanhasse, ele não queria se despedir.

Vinte e cinco de Setembro

Haviam se passado cinco dias dês que eu e Anthony chegamos na França, nossa casa tinha dois quartos e uma cozinha, ela era feita de madeira e se localizava na floresta perto da cidade oeste. Luca resolveu ficar por uns dias, disse que logo seu guardião ia encontrar ele então não adiantava ficar fugindo dele, mas no fundo eu acho que ele ficou porquê estava preocupado com a gente.

Eu gostava da companhia dele, eu descobria cada vez mais coisas sobre ele, uma delas era que ele tinha oitenta e cinco anos. Ele vivia me falando também sobre a cidade natal dele: Veneza.
— Ela não mudou tanto conforme o passar dos anos
Dizia ele quando eu perguntava sobre Veneza anos atrás.
— Você nunca me disse o motivo do porque saiu de lá
— Vamos dizer que eu fui obrigado a sair. Na época os protegidos das virtudes e os pecados estavam tentando formar um acordo territorial, no começo até funcionou mas os caçadores acabaram descobrindo e indo atrás destas regiões
— Eles sempre estragam tudo
— Aquela época teve várias perdas de ambos os lados, o acordo foi desfeito e todos os lados separados
— Não consigo imaginar um acordo dos protegidos das virtudes junto dos pecados
— Seria possível mas nos tempos de hoje eu duvido muito
— Os caçadores estão crescendo em quantia e os protegidos das virtudes não fazem nada
— Eu posso estar enganado mas eu não duvido que isso ainda não gere uma guerra
— Você já conheceu um oposto?
—Já tive a infeliz oportunidade de conhecer um protegido da família da castidade
— Eu queria conhecer o oposto do meu protegido
— Não daria certo, sempre que dois opostos se encontram sempre acaba em conflitos terríveis
— E exatamente por isso, queria ver meu protegido acabando com o oposto dele
— Catherine você é realmente a guardiã da Ira
— Vou levar isto como um elogio
A presença de Luca era boa pois além de ter alguém com quem conversar eu tinha alguém para ficar com Anthony enquanto eu ia a cidade arrumar mantimentos. Estava tudo tão perfeito que parecia um sonho, eu sei que tem muitos protegidos que dariam de tudo para ter o que eu estou tendo agora. Uma vida sempre tendo que fugir e se esconder não é fácil, vou fazer de tudo para deixar as coisas como estão.

Vinte e quatro de Dezembro

Fazia muito tempo em que eu não parava para escrever, não era por falta de momentos bons, mas porque eu não tinha tempo. Anthony estava crescendo e precisando de mais atenção, e tinha Luca que ainda estava morando comigo, era engraçado o ver brincar com Anthony ou quando ele se perde na cidade.
Hoje a cidade estava em comemoração devido ao natal então ele ofereceu de irmos ver as comemorações.
A cidade inteira estava enfeitada, era como se fosse uma competição de enfeites. Pensei que Anthony ia se incomodar com a barulheira, mas não ele ficou quieto. Mais para a tarde tivemos o privilégio de ver o rei passando pela cidade com a sua carruagem, Luca disse que esse era o segundo rei da França que ele já tinha visto e que esse parecia mais responsável do que o anterior.
À noite quando voltamos para jantar na porta havia uma carta, o que era muito estranho já que ninguém sabia da existência da casa. A carta tinha o nome de Luca

— É do meu guardião ele finalmente me encontrou, disse que como não tinha ninguém em casa ele vai me esperar em uma pousada na cidade. — Luca tirou os olhos da carta e ficou me encarando — acho que está na hora de me despedir — Disse com um sorriso triste
— Luca
— Eu sou o protegido da preguiça, o que eu tenho aqui e o que qualquer nascido com esse título gostaria de ter — sorria irônico olhando para o alto evitando as lagrimas — mas eu sinto falta de ver lugares novos
— Eu não vou pedir para você ficar a vida é sua e você sabe o que fazer com ela, mas vai ser uma pena perder a sua companhia
— Eu vou passar esta noite ainda aqui afinal ainda estamos em data comemorativa — Ele me abraçou e entramos na casa

Vinte e cinco de Dezembro


Era difícil imaginar como seria a rotina sem Luca por perto, ele era como um irmão. Vai ser solitário não ter mais ninguém com quem conversar sobre a vida louca de um protegido.
— Já peguei tudo que é meu — Eu estava do lado de fora da casa esperando ele
— Você sabe que sempre será bem vindo aqui, quando se perder do seu guardião pode passar aqui que eu te protejo.
— Muito obrigado Catherine — disse ele me abraçando e beijando a minha testa — Vou sentir saudades de você e destes seus cabelos laranjas, e não se esqueça quando Anthony estiver maior me chame para conhecer-lo.
— Tudo bem barbudo, eu vou aproveitar que Anthony está dormindo e acompanhar você até a cidade
O caminho até a cidade era apenas árvores e Mato, Luca ficou falando de seu guardião o caminho inteiro e de como ele vai receber xingamentos terríveis da parte dele.
Na cidade fomos até o endereço que estava na carta, Luca pediu para que eu o esperasse na frente, depois de alguns minutos ele voltou acompanhado de um homem um pouco mais alto com cabelos castanhos escuro destacava a pele pálida, ele estava com uma cara seria fazendo jus as roupas elegantes que usava
— Catherine lhe apresento meu guardião Ethan
— É um prazer conhece la — Até mesmo o tom de voz dele saiu serio
— Igualmente — Fiz uma reverencia
— Obrigado por ter cuidado de Luca esse tempo todo, sei que não deve ter sido fácil conviver com a preguiça e sarcasmo dele — Ethan ria para Luca, ele já não parecia mais o homem sério de antes
— Foi um prazer
— Por que você demorou todo este tempo para me encontrar Ethan? — Luca lançou um olhar zangado para o guardião
— Eu encontrei outro guardião no caminho, disse que era guardiã da família da luxúria
— E quanto ao protegido?
— Eles não estavam junto, acho que é por causa dos boatos que estão circulando por todo o mundo
— Que boatos — tive que me intrometer na conversa
— Os caçadores formaram uma aliança com os protegidos das castidades
— Isso é impossível! — Era inacreditável está possibilidade, os rei mandavam seus caçadores atrás de ambos os lados dos protegidos
— Você tem certeza disto Ethan? — Luca parecia tão incrédulo quanto eu
— Absoluta! Eu demorei mais para vir te encontrar porque eu estava investigando, eu vi na cidade uma protegida pelas virtudes andando com um manto da sua família há céu aberto sem medo dos caçadores que estavam por perto
— Isso é impossível de se acreditar — Foi à primeira vez que eu vi aquela expressão no rosto de Luca, mas não era de se estranhar pois eu deveria estar com uma igual.
— O que será que eles estão planejando fazer com esta aliança?
— Eu não sei, mas coisa boa não deve ser
— Catherine agora mais do que nunca você deve manter o seu protegido escondido, eu vou tentar investigar mais sobre os planos deles, prometo que todos os dias escreverei uma carta para te informar sobre.
— Se vocês precisarem de ajuda não exitem em me chamar, acordos são para isso
— Igualmente
— Temos que ir — disse Ethan — consegui uma carona em um barco que partirá ao meio dia
— Isso não é um adeus Catherine, eu prometo — Luca me abraçou novamente — te vejo daqui uns anos
— Vê se não se perde, cuida dele Ethan
— Eu vou
Os dois foram em direção ao cais da cidade, eu não quis acompanhar eles porque seria doloroso de mais ver Luca partir, eu havia me acostumado de mais com a presença dele. Agora seria apenas eu e Anthony