Protegida por um Anjo

— Bem... Digamos que para voltar à vida e ter novamente tudo de volta ao normal... Você terá que matar alguém que ama. – o anjo da morte falou tranquilamente olhando nos olhos do rapaz.

O jovem olhou horrorizado.

— O nome... – disse outro olhando em seu enorme livro. – É Emilly Naith.

— Emilly... Não pode ser... – Bryan disse num sussurro.

— Você não tem escolha. – o “anjo” disse com uma voz maligna e gutural.

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Música alta e todos dançando num ritmo animado, como se nada tivesse acontecido. Bryan havia desaparecido há apenas um mês e ninguém parecia ligar. A formatura... Ele poderia estar aqui, dançando e se divertindo. Mas ele desapareceu e ninguém sabe como. O garoto com quem eu tanto sonhei e amo. Simplesmente sumiu.

Não agüentava mais um segundo ali. Depois das minhas amigas tanto insistirem para eu ir à formatura, eu aceitei. Mais não agüentei ficar lá nem por uma hora.

Não estava muito longe de casa. A noite estava fria e meu vestido era curto. Estava andando o mais rápido possível pelas ruas escuras e vazias, foi então que eu vi um vulto.

Naquele momento alguma coisa me dizia para sair correndo o mais rápido possível. E foi o que eu fiz, comecei a correr. Mas alguma coisa me pegou. Eu não sentia meus pés tocando ao chão. Não podia ver seu rosto, ele estava de mascara. Era um homem, adolescente, talvez...

— Me solta! – eu gritei me debatendo nos braços dele.

— Calada. – ele disse e meu coração bateu forte em resposta.

Eu conhecia aquela voz.

Percebi que seus pés também não tocavam o chão. Num desespero súbito, notei que estávamos voando! E sobrevoávamos o cemitério da cidade, e para minha maior surpresa ele “pousou” ali.

Ele me jogou na grama, e ainda bem que eu não estava muito longe do chão. Procurei na escuridão seu rosto, mas ele usava uma mascara.

— Quem é você?! O que você quer? – eu gritava.

Com uma rapidez inumana ele já estava na minha frente á centímetros do meu rosto. Ele segurou meu pescoço, me empurrando com um uma força e rapidez imensa para um muro de concreto. Minha cabeça bateu e eu pensei que tinha apagado, quando sua voz me acordou.

— Eu quero te matar. – ele sussurrou no meu ouvido.

Todo o medo que eu não tinha antes veio como uma facada no peito, rápida e dolorosa. Minha cabeça doía, podia sentir a dor pulsando no meu coro cabeludo. Eu olhava nos seus olhos azuis e tão familiares para mim, minhas lagrimas saiam borrando minha maquiagem, eu sentia o sangue escorrer pelo meu pescoço.

Sem pensar, e em um movimento rápido eu tirei sua mascara.

Não podia ser... Para minha felicidade, ou tristeza. Era realmente ele.

Ele me derrubou. Muito nervoso por sinal.

— Co... Como... – eu tentei dizer, mais nada saia coerente.

— Você gosta de dificultar as coisas, não é mesmo, Emilly? – Bryan disse, e sua voz vacilou ao dizer meu nome.

Ele deu um passo em minha direção, tirando uma espada de trás das costas.

— Você não... Não pode fazer isso. – eu disse me arrastando para trás.

— Não? – ele disse apontando a espada no meu pescoço.

— Não. – levantei com cuidado, e minha cabeça deu uma pontada que quase fez eu cai. – O que eu fiz? – perguntei ignorando a dor. – Eu preciso de uma explicação.

— Me mandaram... – ele disse atrás de mim. Pude sentir dor em suas palavras. – Mas, agora, fique quieta, eu prometo que não irá doer.

— O que fiz... Para você me odiar tanto, Bryan... – não soou como uma pergunta.

Ele não disse nada. A noite estava mais escura, estava tudo em silêncio, tirando os grilos e os soluços do meu choro.

— Emilly... Quais são suas ultimas palavras? – ele perguntou no meu ouvido. Sua respiração em meu pescoço.

— Eu... – levantei minha mão e segurei a dele, que estava com a espada. – Eu te amo.

Então tudo apagou.

Acordei assustada, eu suava frio. A lua brilhava na janela do meu quarto.

Era apenas um sonho.

Levantei, e me olhei no espelho que ficava na parede do quarto. Minhas pernas começaram a tremer. Eu ainda estava com a roupa da formatura. Minha cabeça doeu, e passei a mão atrás da nuca. Percebi que estava com um curativo.

Não foi um sonho... Não foi um sonho.

A porta da sacada estava aberta, e batia por causa do vento. Um raio da luz do luar brilhou na estrada vazia. Bryan estava lá fora, em algum lugar, e fugiu não conseguindo me matar.

Ele também me amava. Eu sabia.

Notas finais
Olá, estou repostando (?) essa pequena one-shot! Na verdade eu escrevi isso no ano de 2011 para um trabalho de narração no colégio... Lembro que a professora tinha determinado o máximo de linhas (que não lembro quantas) ... por isso ficou bem curtinho... HAHA
Boa leitura! (:
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!