Protegendo Nico
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Entrei na sala de Hades sem bater, como sempre fazia. Perséfone me olhou com ódio enquanto eu caminhava para o centro do lugar, a culpa não era minha se Hades se masturbava no banheiro pensando em mim. Brincadeira, mas Perséfone sentia ciúmes da época em que eu era amante dele, quando ela ainda era criança.
— Hades – o cumprimentei, ignorando Perséfone totalmente.
— Qual é o problema, querida?
Ô homem gostoso.
— Cronos. Ele está tentando fazer com que os demônios se juntem a ele e o liberem da prisão. E dessa vez eu temo que se ele sair, nunca voltará.
— E ele estando em sua forma sólida, sem que você sugue os poderem dele...
— Ele dará um fim a era dos deuses – conclui o pensamento.
Ele ficou em uma pose pensativa. Mas eu ainda não tinha acabado.
— É melhor você proibir seu filho de vir ao Mundo Inferior por um tempo.
Hades me olhou confuso.
— Por quê?
— Conversei com Cronos. Ele disse que só não ganhou a guerra por que Luke não era o garoto certo, ele queria seu filho.
Ele pensou um pouco. Eu já sabia o que ele iria dizer, mas estava torcendo para que estivesse errada.
— Vá para o Acampamento Meio-Sangue. Fale com Quíron, quero Nico sendo vigiado o tempo todo. Vou trancar as sombras...
— Mas como os monstros vão sair para atacar semideuses? – interrompi.
— Melhor deixar eles trancados e os semideuses irem para o acampamento em paz do que soltá-los e outra guerra abalar o mundo. Uma que não seremos capazes de ganhar.
Olhei admirada para o Senhor do Submundo. Há alguns anos ele não ia nem pensar em proteger semideuses. Não ia trancar as sombras nem a pau.
Mas como ele estava sexy com aqueles óculos de armação preta. Pena que era casado.
Ele notou o meu olhar e deu um sorriso malicioso. Perséfone me deu outro olhar odioso.
— Pose se retirar agora, Aleera — ela falou meu nome com raiva. Pff.
Hora de ir para o acampamento.
Nico
Eu estava caminhando pela praia ( é, eu sei. Estranho) com a Sra. O’Leary. Meu dia foi uma merda total e eu não via a hora de ir para o palácio do meu pai. Pelo menos lá não teria nenhum filho de Ares que me perseguisse só porque a garota que ele gostava corria que nem uma cachorrinha atrás de mim.
Sentei na areia e Sra. O’Leary se deitou ao meu lado.
— Sua cabeça deve doer.
Me virei e vi Percy se sentando ao meu lado.
— Fala irmãozinho, o que te preocupa tanto?
Percy ainda se culpava um pouco pela morte de Bianca e tentava ao máximo ser como um irmão pra mim.
— Sei lá. To sentindo que alguma coisa vai acontecer. Algo importante.
— Tipo o que? – ele perguntou tenso.
— Só sinto que algo vai aparecer e vai mudar tudo.
Aleera
No outro dia eu estava na colina do Acampamento.
O lugar estava diferente desde a última vez que vim aqui. Tinha mais chalés, mais crianças.
A Casa Grande continuava do mesmo jeito. Dionísio continuava a jogar Pinochle na varanda e derrubou a coca diet que tomava quando me viu.
- Amira? O que está fazendo aqui?
— Visitando meus parentes! O que mais seria? E é Aleera.
— Os monstros estão nas florestas – ele falou ironicamente.
— Haha! Sem graça. Você entendeu então não complique a minha vida. Onde está Quíron?
— Deve estar monitorando a caça à bandeira.
— Eu adoraria que você me acompanhasse.
Ele reclamou, mas levantou. Puxa! O que era aquilo?
— Porra, Dionísio. Agora eu sei por que você não tem mais filhos
Ele corou.
— Tenho estado um pouco depressivo. Eu como quando fico chateado.
Andamos lado a lado. Quando chegamos à floresta, Dionísio já estava arfante. Ele fez uma cadeira aparecer e se sentou pesadamente.
— Ta precisando de uma dieta.
Ele me olhou carrancudo e me ignorou.
— Quíron! – O gorduchinho chamou.
O centauro quase tropeçou nas próprias patas.
— Meus deuses!
Ta brincando comigo.
— Eu sei que Tifão é meu irmão, mas eu não sou tão feia quanto ele.
Quíron me olhou um pouco envergonhado.
— A que devo a honra de ter você no Acampamento Meio-Sangue?
— Precisamos conversar. Ordens de Hades.
Expliquei a situação pra eles até que ouvimos os campistas celebrarem e corremos ao encontro deles. Quer dizer, eu e Quíron corremos. Dionísio se tele transportou para a Casa Grande pra tirar um cochilo.
Perto do riacho alguns campistas riam e outros reclamavam.
— Parabéns, campistas! – Quíron disse.
Um garoto de incríveis olhos verdes olhou pra mim.
— Novata? – perguntou.
Deixei aquela palavra ser absorvida pelo meu ego. Eu tinha usado aquela forma por anos e sempre me orgulhava quando me confundiam com uma adolescente. Mesmo com toda a minha idade.
— Não, Jackson. Sou mais velha que a sua avó por lado divino.
Um ofego coletivo percorreu as fileiras.
— Campistas, essa é Aleera, Deusa da Tortura. Filha de Tártaro, a personificação do Mundo Inferior.
Um garoto que aparentava ter uns dezessete anos avançou. E eu soube imediatamente quem era ele. Alto para a idade, pele clara, cabelos e olhos negros.
— Você deve ser Nico di Angelo, filho de Hades.
Nico me olhou desconfiado.
— Sim. Por que esta aqui?
Quíron olhou feio pra ele e os meio-sangues olharam cuidadosamente pra mim. Eu ri.
— Você é igual ao seu pai. Ele me mandou aqui, pra te vigiar. É um período perigoso de ir ao Reino de Hades agora, estamos com problemas.
O centauro olhou cuidadosamente a sua volta.
— Acho melhor nós conversarmos em privado...
Uma filha de Atena olhou pra mim.
— Vamos também – Ela disse agarrando a mão do filho de Poseidon e nos seguindo.
Percy
A deusa explicou que teria que vigiar e proteger Nico e, posso dizer, ele não ficou nada feliz.
— Eu não preciso de uma babá. – Ele falou com os dentes cerrados e um olhar mortal. Aquele olhar não foi dirigido a mim e eu já estava arrepiado. Annie estava muito quieta ao meu lado, apertando minha mão de vez em quando.
— E eu tampouco quero ser uma, mas eu recebo ordens. Seu pai só está tentando protegê-lo. – Aleera estava com um ar impaciente.
Resolvi falar pra evitar que começassem uma descução.
— Nico, acho melhor você aceitar isso. Vai ser melhor pra você e como Lady Aleera disse, seu pai só quer proteger você.
Ele me olhou como se eu o tivesse traído e Aleera estava com uma estranha cara de satisfação. Nico deu a volta e saiu da Casa Grande batendo a porta.
— Bem... ele só precisa de um tempo pra pensar – falou a minha namorada.
A deusa assentiu e desapareceu em uma névoa cinza.
— Ando preocupada com Nico, ele anda muito sozinho, mais que o normal. – Annabeth disse depois que saímos da Casa Grande.
— Ele é assim mesmo. Não se preocupe.
Beijei Annabeth docemente. Nico poderia algum dia encontrar uma pessoa assim?
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