Protector
5 Confiança indecifrável
Notas iniciais
Ele se afastou de mim em um súbito, arfei de surpresa, olhei para ele e a expressão de seu rosto era de medo e culpa, acima de tudo culpa. Mas o que eu havia feito de errado?!
Abaixei a cabeça envergonhada.
–Marjory... Eu tenho que ir, nos vemos amanhã? –disse ele percebendo a tensão que se espalhava por ali.
– C-claro — apenas respondi.
Sai do carro, cheguei ao portão e fiquei observando o carro ir embora, quando me dei conta uma lagrima havia rolado pelo meu rosto, enxuguei-a furiosamente, eu não podia estar chorando por ele, não devia, por que eu tinha que me apaixonar por ele? Eu queria ser amiga dele, ele era um cara legal, mas eu não queria, não devia me apaixonar por ele, não devia.
Olhei pra chave em minhas mãos e me lembrei de que eu devia entrar. Passei pelo quarto de Felipe e Isabel estava lá com ele.
– Oi maninha, tudo bem? – Felipe veio correndo me deu um abraço levantando meus pés do chão, eu amava tanto o Felipe, o melhor irmão do mundo era o meu.
– Oi — eu disse no meio de um sorriso. — Oi, Isabel.
– Oi, Marjory, tudo bem? – ela me respondeu sorrindo, retribui o sorriso, eu gostava da Isabel, e acho que ela também gostava de mim.
Fui para o meu quarto, me joguei na cama e como sempre comecei a pensar na minha vida; minha semana havia começado tão bem, definitivamente nada é perfeito, sempre quando está tudo bem a vida vem e nos dá uma rasteira. Mas o que me deixava indignada naquele instante era a reação do Eric depois do nosso beijo, lá na biblioteca ele pareceu ter gostado de me beijar. Balancei a cabeça para espantar o pensamento, eu não devia estar me importando com isso até porque eu não queria me apaixonar por ele, alguma coisa me dizia que eu não devia nem ao menos gostar dele dessa forma.
– Marjory, posso entrar? – era a Isabel batendo na porta.
– Pode sim, entra. – ela entrou e fechou a porta atrás de si, de repente sua expressão era de desprezo e raiva.
– Olhe aqui, eu quero que você se afaste do Felipe, entendeu?
– O que? Ficou maluca? Ele é meu irmão.
– Eu sei, queridinha, mas o Felipe te dá mais atenção do que dá pra mim, e eu quero a atenção dele por inteiro, – ela me olhou com nojo — então é melhor se afastar porque você não sabe do que eu sou capaz.
A porta do quarto e abriu.
– Do que você é capaz? Eu também não sei, Isabel. – era o Felipe, eu me assustei. Tudo o que eu menos queria era prejudicar meu irmão.
– Meu amor, de nada eu estava só ajudando a Marjory a decorar um texto — respondeu ela cinicamente.
– Você acha que eu não ouvi a conversa toda? Ouvi sim, desde o começo, e já que você não está satisfeita com a atenção que eu te dou, é melhor não ter nada dela, não é mesmo?!
– Você não pode terminar comigo, ninguém termina comigo.
– Não só posso como estou terminando com você, para tudo tem uma primeira vez.
Ela saiu nervosa, bateu a porta e foi embora.
– Desculpa, por favor, me perdoe, eu não queria acabar com o seu namoro.
–Princesa, não fica se culpando não, quem tem que pedir desculpas sou eu por fazer você passar por isso – sorri e ele me deu um abraço daqueles que eu sempre adoro.
– Te amo te amo te amo, minha linda – não pude deixar de sorrir com essa ultima frase.
– Também te amo muito, meu lindo – respondi simplesmente.
Acordei com meu celular tocando, olhei no relógio eram cinco e meia da tarde, eu nem tinha percebido que eu havia dormido.
– Alô?
– Oi, Marjory? Sou eu, Eric.
– Eric?
– É que eu queria me desculpar por hoje, acho que pedir desculpas pra você já esta virando rotina. A verdade é que eu não posso me apaixonar por você, não posso beijar você, somos apenas amigos tudo bem? – uma tristeza me tomou por dentro, e eu estava chorando.
– Apenas amigos – me perguntei se ele percebia as lagrimas em minha voz
– Olhe, eu quero que você entenda, eu não posso me apaixonar por você.
– Por quê? Como se apaixonar-se fosse proibido ou algo assim.
–E é Marjory, é proibido. E o pior é que nem eu mesmo sei o por quê. Apenas confie em mim. Até amanhã Marjory.
–Espera... – ele havia desligado, e eu estava totalmente confusa, nada que ele me disse fazia algum sentido, mas de alguma forma eu confiava nele, eu só não conseguia entender essa confiança.
Ouvi um barulho de carro, fui olhar e meus pais tinham chegado, eles pareciam desesperados e não perceberam minha presença na sala.
–Temos que tira-la daqui, ir para outro país se for preciso – minha mãe estava dizendo.
–Não podemos, esse é o lugar mais seguro e, além do mais encontrariam ela em qualquer lugar. – meu pai respondeu – Eric já se apresentou para ela, como explicaríamos ele ir conosco?!
Mas do que eles estavam falando, será que era o mesmo Eric de que eu estava pensando?
Fui andando para trás meio confusa e esbarrei na mesa, o copo que estava lá em cima eu derrubei, meus pais se assustaram e olharam para trás.
– Oi filha, você está aí faz muito tempo?
– Não, acabei de acordar – eles sorriram aliviados, pelo visto não era pra eu ter ouvido a conversa, mas por que estariam escondendo alguma coisa de mim, por quê?
–Filha, está com fome? Vou fazer o jantar.
De repente o Felipe saiu do quarto.
– Não mãe, eu vou sair com a Marjory hoje. – disse ele, olhei para ele confusa, ele não havia me dito nada sobre sair com ele, mas seria legal sair com meu irmão.
– Tudo bem, mas o que aconteceu com a Isabel? – perguntou minha mãe, percebi que ele ficou abalado com essa pergunta.
– Nós terminamos – minha mãe olhou pasma para ele – é uma longa historia depois eu te conto, mãe. Então, Marjory, vai querer sair comigo?
– Claro, só vou me arrumar rapidinho e já venho.
Sai correndo, tomei um banho rápido, e fui escolher uma roupa, escolhi uma blusa azul de paetê, uma calça jeans preta, um sapato de salto alto preto e alguns acessórios, passei a mão pelos cachos loiros e fui para sala.
– Nossa quem é essa princesa? – disse Felipe me olhando dos pés a cabeça.
Apenas dei um sorriso tímido.
– Tchau amores, tenham juízo, e Felipe tome conta da sua irmã – disse minha mãe e meu pai.
– Tchau mãe, tchau pai – nos despedimos e saímos.
Entramos no carro e ele o tirou da garagem.
– Aonde vamos?
– Não sei, talvez uma boate.
– Felipe, somos menores de idade.
– Claro que será uma que poderemos entrar, irmãzinha, ou você acha que eu sou irresponsável? – ele riu.
Ri também, eu queria perguntar como ele estava em relação ao término de seu namoro, não tinha certeza se devia, mas essa dúvida estava me matando.
– Felipe... Tudo bem você ter terminado com a Isabel? Desculpa, a culpa foi minha.
– Calma. Marjory, o nosso namoro não estava indo bem mesmo, eu só precisava de uma gota a mais para o copo transbordar, e a culpa não foi sua. – sorri para ele – então chegamos.
Era um lugar com varias luzes, e muito barulho, tinha muitas pessoas também. Era uma boate no centro da cidade muito famosa. O segurança na porta devia ter uns dois metros e meio, pediu nossas identidades e nos deixou entrar, lá dentro era bem grande, e eu gostava muito da musica que estava passando, comecei a dançar, eu estava mesmo precisando me distrair assim.
– Vou buscar refrigerantes para mim, você quer?
–Quero sim, obrigada.
Fiquei ali esperando por ele, a musica era contagiante e eu me deixei levar, dançando como nunca havia dançado, tentando esquecer toda a minha vida e todos os meus problemas e então eu me virei e vi um homem, ele tapou minha boca e meu nariz com um pano, e eu fiquei inconsciente.
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