Protect Me

17 Recomeçar?


Notas iniciais
Título horrível e capítulo não revisado! Desculpem!!! Mas boa leitura e os vejo nas notas finais!!! Kisskiss

Cap. XVI –

Laxus ajeitou os travesseiros para melhor acomodar Cana, afinal, ela ainda estava toda travada por causa de tudo. Depois disso sentou na beirada da mesa e ficaram num silêncio levemente constrangedor. Suspiros pesados, mordidas nos lábios inferiores, desvio de olhares.

Conversar é algo extremamente difícil e nenhum dos dois tinha prática no assunto.

- Você está sentindo alguma coisa?

- Um pouco de formigamento no machucado e meus músculos estão repuxando...

- Vai sentir bastante dor amanhã...

- Provavelmente. – suspiro e afundou nos travesseiros –

Ficaram longos minutos calados, curtindo o silêncio... Laxus decidiu começar, até porque foi uma ação dele que começou aquela situação. Só que faltavam palavras e não sabia como formular o que tinha para dizer a ela, sem dizer que ele tinha suas travas emocionais.

- Quando eu pedi um tempo, foi realmente um tempo para pensar... No final, acho que fui interpretado errado, eu não sabia mais como lidar com o que estávamos vivendo, precisava me afastar um pouco para espairecer... Nunca quis magoar ou te pôr em dúvida. Tudo era tão tranquilo, simples e leve... Só que de repente alguma coisa mudou, e eu precisava me situar para não fazer alguma idiotice.

Cana engoliu saliva e se aninhou mais entre os travesseiros.

- A culpa não é só sua, nunca estive emocionalmente bem para efetivamente me relacionar com quem quer que seja. Passei toda minha vida procurando acabar com o vazio que tinha... Só que do jeito errado, caindo para as pessoas erradas. No final das contas acho que você foi o cara mais decente com quem me envolvi. – deu uma risada nervosa – Não tenho do que me queixar, de longe você foi o homem que me tratou melhor.

- Se eu soubesse que interpretaria desse jeito, não teria pedido esse tempo... A minha intenção era organizar meus sentimentos exatamente para não te machucar e deu tudo errado... Na verdade deu muito mais errado do que qualquer expectativa.

- Não precisa ficar assim, o maior problema da nossa relação fui eu... A partir de agora eu acho vou ponderar melhor com quem me envolvo e não vou cair num mar de expectativas que nunca leva ninguém a lugar nenhum. Preciso encontrar meu eixo e estar bem antes de tentar qualquer coisa com alguém.

Cada vez que ela falava ia se encolhendo mais contra os travesseiros e cobertores.

- Ponderar com quem? Não vai precisar disso, a única pessoa com quem vai se relacionar é comigo... Já disse que não terminei nosso namoro, eu só estava confuso, nunca tinha me apaixonado por ninguém como aconteceu com você. E só para constar, aparentemente a guilda inteira pirou achando que eu e a Mirajane temos alguma coisa, só que eu estava tentando ajudar ao Fried!

Cana engoliu aquilo a seco e Laxus notou que ela também achava... Isso explicava toda aquela rejeição inicial. Por Kami, como as pessoas tem imaginação fértil!!! Laxus não concebia a ideia de um relacionamento com Mirajane, em primeiro lugar porque sabia da paixão reprimida que Fried nutria por ela (para seu alivio!! Realmente pensou muitas vezes que toda aquela admiração do mago de runas cortasse para bem mais do que uma amizade!!), sem dizer que a albina era muito tresloucada para seu gosto.

Notou que se houvesse um jeito a morena já estaria dentro da parede, inconscientemente ela ia se aninhando e encolhendo.

- Olha Laxus, está tudo tão confuso... Ainda estou tentando me situar, não vou dizer que não estou imensamente feliz em saber que não tem nada entre você e a Mira, mas quer saber, esse é o menor dos meus problemas. Não consigo dormir sem ter pesadelos, nunca senti tanto medo na minha vida e caramba... Eu maltratei o Gildarts... Nem quero imaginar o quão arrasado ele está.

- Bem, eu vou te ajudar a se situar, a gente vai passar por isso juntos...

- Você não entende... – ela abraçou o próprio tronco – Estou me sentindo tão acabada, violada, suja... Não importa quantos banhos tome ou quanto esfregue. – apertou-se e suspirou – Sem dizer todas as marcas que ficaram na minha pele... Não estou me sentindo uma mulher, não posso te oferecer nada por um bom tempo... Oh Deus, nem sei se vou me recuperar. Eu fecho os olhos e todo aquele pesadelo vem de novo... Você está sendo um amor, mas o problema aqui sou eu...

Um silêncio pesado começou e Cana imaginou que ele iria embora. Não ficaria chateada, o que estava passando era pesado demais e Laxus não tinha nada a ver com isso, não seria minimamente justo colocá-lo naquela empreitada. Sem dizer que talvez o melhor fosse estar sozinha, sempre teve tanto medo da solidão, talvez precisasse aceitá-la para poder seguir em frente.

Mas não foi isso que aconteceu, o loiro passou a mão pelos cabelos e subiu mais na cama chegando mais perto cuidadosamente. Tirou as cobertas, os travesseiros que usava como defesa, passou os braços ao redor do corpo feminino e puxou para bem junto. Nem se quisesse conseguiria deixar aquela mulher, em algum momento ela se tornou seu chão e faria o possível para ser o chão dela também.

Sentiu o coração dela disparar e a respiração ficar entrecortada, demorou alguns minutos até Cana relaxar e se aconchegar contra seu corpo.

- Não vou embora, vamos superar isso juntos.

***

Na manhã seguinte, como o previsto, Cana acordou sentindo muita dor.

Entretanto, tentou disfarçar isso da melhor maneira que conseguiu, por volta da hora do almoço, imaginou que fosse esse horário estava um pouco deslocada em relação ao tempo, recebeu a visita de Gildarts. Imaginou que ele não iria querer vê-la, mas pelo contrário, o velho mago parecia muito contente em vê-la.

Num primeiro momento estava muito receoso, com medo de uma nova reação exacerbada, só que quando ela sorriu ao nota-lo, um grande e cheio de dentes sorriso apareceu em seus lábios. Caminhou até perto da cama e sentou-se numa cadeira colocada ali mais cedo por Levy.

- Hum... Como está se sentindo, Cana? Imagino que com bastante dor...

- Posso suportar. – disse baixinho mordendo o lábio inferior –

- O que foi, querida? Quer que eu vá embora?

Neste instante ela o olhou quase desesperada.

- Não, não... É só que estou constrangida por ontem, pensei que não ia querer mais me ver.

- Eu nunca ia querer ficar longe de você, o que aconteceu ontem foi só uma reação atrasada... Realmente eu não sou nenhum exemplo de homem.

- Você é Gildarts Clive, um dos poucos magos no reino que chegou a ser um mago SS e ainda está vivo para contar a história. Existem livros sobre você, em todo canto e até mesmo longe de Fiore é conhecido...

O mago crash riu.

- E se eu não tivesse você? O que seria de mim? Tudo isso ia virar história e eu não teria deixado nada concreto nesse mundo... Eu procurei o mundo e no final fiquei sozinho. E se eu não estivesse atrás de toda essa fama, você teria falado comigo e não teria sofrido tantos anos calada.

- Não falar foi um erro meu, então...

Ele levou ao rosto da filha e a olhou nos olhos.

- Cana, você era uma criança desamparada, não tem culpa de absolutamente nada. Era minha função ter estado com você, com vocês, desde sempre. Eu deveria ter te criado e de todas as crianças que eu vi crescer naquela guilda, a que eu menos interagi era a minha própria. Sendo que tudo o que eu precisava ter feito para mudar tudo isso, era ter parado e te escutado naquele dia...

- Olha, eu não tive tanto azar assim... Eu cheguei a guilda e lá eu cresci junto com os outros como uma grande família, não acho que a mamãe tenha se decepcionado com isso.

- Você se tornou uma ótima pessoa e tenho muito orgulho disso. Não esperava menos de alguém que teve contato com a Cornelia, eu perdi 18 anos e nada vai mudar isso, mas quem sabe nos próximos 18 eu não posso virar mesmo seu pai?

E então um mar de lacrimas clichê cobriu o quarto.

***

Cana estava sentada na cama repassando mentalmente os acontecimentos dos últimos dias. Quantas coisas haviam mudado num espação tão curto de tempo... E não era como se já fosse fácil pensar naquele incidente, mas de alguma maneira, aquilo serviu para que uma fase de sua vida se encerrasse.

Finalmente havia lidado com todos os fantasmas que a mantiveram cativa por toda uma vida. Ainda não estava cem por cento, mas sentia infinitamente melhor. Além das dores físicas, não esquecia das emocionais, só que dessa vez faria as coisas direito e aceitaria toda a ajuda para se curar devidamente.

Lembrando agora daquela carta que caiu virada Cana sorriu, a morte não veio como sinal de mau presságio... Muito pelo contrário, havia feito uma interpretação totalmente errada, até porque somente em casos específicos a carta morte significava morte efetivamente, seu significado estava relacionado na verdade a mudança. E realmente tudo o que aconteceu foi um grande momento de ruptura, uma real mudança...

Realmente, seu baralho não mentia.

Levou um susto quando viu Laxus no meio do quarto com uma bandeja com pernas nas mãos e a olhando-a com curiosidade.

- Então... Hora de comer! Tudo bem…?

- Oh sim, tudo bem... – disse com quase um sorriso nos lábios – Mas cadê a Levy?

- Ela foi para Hills descansar um pouco. – colocou a bandeja no colo da morena –

- Er... Eu não... Não estou conseguindo mexer os braços direito e minha mão direita está enfaixada...

- E é exatamente por isso que eu vou te ajudar. – replicou como se fosse a coisa mais natural do mundo –

- Oh, não!! Não, não, não e não! Isso é muito humilhante!

- Sem drama, Cana, eu vou te ajudar assim como a Levy fez mais cedo, qual o problema?

Um suspiro longo.

- Mas é diferente...

- Diferente por quê? Eu estou cuidando de você e minhas intenções são tão boas quanto as de Levy. Agora para de mimimi e vamos comer antes que fique fria.

Laxus encheu uma colher com sopa e levou para perto da boca dela olhando significativamente para a maga.

- Laxus, isso é constrangedor.

- Não seja tonta, cuidar de você não vai mudar o jeito que eu te vejo... Agora abra a boca ou eu vou ter tomar medidas drásticas.

- Hey isso não foi muito gentil da sua parte!

- Vai comer por bem ou não? Se quiser eu posso trazer a velha rabugenta da Polyusca aqui!

Cana arregalou os olhos.

- Isso é golpe baixo... – disse abrindo a boca –

O loiro sorriu, aparentemente as coisas estavam melhorando.

Continua...

Notas finais
Oláaaaaaaaaaa, eu sei que demorei uma vida toda para postar!!! Mas aqui se encontra o penultimo capítulo! Sim meus amores, Protect me está chegando ao fim... *enxuga lagriminha* A primeira fic Laxna em português que passou os 100 comentários!!! Estou tão emocionada e feliz pq desde que a postei até hoje um monte de outras ótimas fics surgiram!! As leitoras que acompanham desde o inicio meu muito obrigada sincero e espero que continuem a me seguir em outraas!! Aos novos leitores, fico muito feliz de os ter aqui também!!!
Enfim, sem mais delongas...
Kisskiss, Anny Taisho