Protect Me
3 Apuros
Notas iniciais
Cap. III – Apuros
Os sentidos começaram a voltar algumas horas depois, não que tivesse alguma noção de tempo. A primeira sensação que sentiu foi a do chão gelado embaixo de suas costas nuas, o que desencadeou todas as outras sensações, abriu os olhos e notou que estava bem escuro, tirando os fracos raios de luz que entravam por uma janela alta bem no canto. Fechou os olhos novamente tentando se situar e sentiu a pontada no crânio, o que acusava uma ressaca brava e também as consequências da surra anterior.
Lembrava-se quase claramente da surra que havia tomado na rua escura, o que era um bom sinal, ou não. Abriu os olhos de novo fitando o teto e tentando dar conta de quais eram os prejuízos totais. As costelas doíam bastante e o pulso direito não estava em seu melhor estado de conservação, sentia as pernas um pouco fracas e a cabeça parecia que iria explodir.
Com muita dificuldade ergueu o corpo, sentando-se e apoiando o peso sobre o braço esquerdo enquanto pôs o outro braço em cima das costelas. Olhou para os lados notando o tamanho mediano de sua cela de pedra. Havia um banco de pedra na parede que deveria ser a cama e nada mais.
Alguns metros a frente havia uma porta reforçada com grades no alto.
- Isso sim é uma bela... Argh... Droga!!
Por instinto, procurou sua bolsa com suas cartas mágicas e infelizmente não as encontrou o que fez sua cabeça doer ainda mais. Muito ótimo, estava sem suas cartas, o que a deixava sem fazer magia. Tudo bem, até ali as coisas não pareciam muito bem, mas desespero nunca ajudou ninguém e ela estava com dor demais para ficar desesperada.
Deixou o corpo cair de novo e fechou os olhos. Ao fundo conseguiu ouvir um pequeno zumbido de musical, o que queria dizer que estava em algum lugar onde haviam muitas outras pessoas, não sabia dizer se isso era reconfortante ou não. Não sabia a quanto tempo estava ali, nem quanto tempo ficou deitada naquele chão frio, mas seus instintos de vidente lhe diziam que ficar quieta era a melhor coisa naquele momento.
O tempo passou e de repente ouviu passos vindo do lado de fora. A respiração ficou difícil e um arrepio de meu presságio lhe subiu as entranhas. Pôde ouvir uma conversa também e ficou quietinha tentando tirar alguma informação da conversa.
- Gwrill, a gente tem que tirar essa garota daqui, se alguém da guilda descobre... Estamos ferrados!
- Nós vamos tirá-la assim que eu terminar o que pretendo! Não seja medroso, Bellus, já que começamos, vamos terminar...
- Eu não quero nem imaginar o inferno que nossa vida vai virar depois que devolvermos ela para Fairy Tail! Já imaginou se aqueles monstros nos acham? – o homem parecia exasperado – Já imaginou o que acontece se Laxus Dreyar nos pega?
Laxus?
Pensou Cana confusa, o que o babaca-loiro-dragon-slayer-de-arraque tinha a ver com aquilo?
- Aquele idiota não vai pegar ninguém, agora fique de vigia, vou ver se a nossa convidada já acordou e terminar o serviço logo antes que a mocinha aí nos entregue para o mestre!
Terminar o serviço? Cana não gostou nada de ouvir aquelas palavras, terminar o serviço quando você é uma garota sem poder usar magia, vítima de sequestro, nunca, mas nunca mesmo é uma coisa boa. Precisava de um plano para sair dali o mais rápido possível.
Então a porta pesada se abriu e a maga engoliu a pouco saliva amarga que tinha na boca. Ouviu o som dos passos masculinos de aproximar e sentiu quando ele se abaixou ao seu lado. Um silêncio mórbido se instalou e ela achou que se fingir de morta era a melhor opção possível. O que não deu muito certo, o mago, ela não sabia se era o tal de Bellus ou Grwill, cutucou uma de suas costelas avariadas que a fez ter um reflexo involuntário.
- Achou mesmo que conseguiria me enganar, garotinha?
A visão estava um pouco turva por conta da dor, mas ela pôde ver os traços do homem acima de si. Ele tinha cabelos brancos, rosto anguloso com uma cicatriz que ia do olhos direito atravessava o rosto e terminava do lado esquerdo do rosto, passando pelos lábios, sinceramente não era feio.
- Sabe por que está aqui?
A filha de Gildarts resolveu ficar calada, em seu atual estado, se terminasse ofendendo ele poderia piorar drasticamente sua situação ruim.
- Essa droga de cicatriz no rosto, essa maldita cicatriz foi feita por um amiguinho seu... – ele se aproximou e passou a mão pelo rosto dela – E eu estou pensando seriamente em devolver o favor nessa sua linda pele de seda...
Por impulso, virou o rosto numa tentativa de se esquivar daquele toque nojento.
- Uma mulher tão bonita não deveria andar por aí sem companhia.... – ele descia a mão pelo pescoço, colo e barriga da moça – E muito menos beber daquele jeito...
Um desespero absoluto tomou conta da Alberona, aquela situação estava tomando rumos cada vez piores. E pelo tom de voz e sorriso nojento que ele usava, não pretendia apenas dar-lhe uma surra de devolvê-la para a guilda. Não era nenhuma mocinha mais, mas isso não queria dizer que ser violada não seria uma experiência muito ruim.
E quando ele subiu em cima de si, Cana já não sabia mais o que fazer... Aquela boca nojenta que começou a lhe beijar não conseguiu mais conter seus impulsos e terminou dando uma joelhada no mago o que resultou em uma reação nada amigável dele: Recebeu um tapa no rosto que quase lhe entortou o pescoço e em seguida teve os braços presos em cima da cabeça.
- Não tente bancar a espertinha comigo, garota, isso aqui pode ser muito ruim ou o seu pior pesadelo! Eu não optaria pela segunda opção sua vadiazinha!!
E mago branco disse isso bem perto e logo depois deu uma lambida no pescoço da maga que nesse instante não sabia mais o que fazer além de se debater. Não se importava se sua resistência tornaria aquilo tudo pior, muito mais humilhante seria permitir ser violada por aquele desgraçado sem resistir. Obviamente que isso custou muitos xingamentos e novos hematomas na maga de cabelos castanhos.
Podia não poder usar magia e já estar bastante machucada , mas era uma maga da Fairy Tail e não permitiria que ninguém fizesse nada de ruim consigo sem resistir o máximo que pudesse.
Ela não soube quanto tempo durou aquela sessão de tortura ou quantos golpes tomou, mas como se fosse por intervenção divina a porta se abriu e outro mago apareceu dizendo algo sobre o mestre estar chamando ou coisa do tipo. Muito a contra gosto, Cana pôde notar o homem se levantou e saiu deixando bem claro que voltaria logo para terminarem o joguinho.
Assim que a porta se fechou a mulher cuspiu o sangue que havia arrancado daquele maldito quando ele tentou beijá-la. Reunindo toda força que tinha se arrastou para o canto da sua cela escura e se encolheu, mesmo sentido dor e começou a chorar. Merecia isso, depois de passar por aquela situação infernal e não ter a menor perspectiva de escapar, chorar era a única coisa que podia fazer.
Não sairia dali sem um grande dano provavelmente e não tinha nem como se defender e muito menos como pedir ajuda.
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Fairy Tail – antiga sede em reconstrução – mesmo horário.
A guilda estava em polvorosa organizando a festinha de aniversário de Azuka. Como bom pai babão que era, Alzack comentou com os amigos que ele e Bisca dariam uma pequena festinha no apartamento em que moravam, o que claro, em seguida tornou-se uma gigantesca comoção da guilda. Todos se propuseram a ajudar dizendo que não podiam deixar o aniversário da pequena e adorável Azuka passar em branco.
E agora tudo ali era correria. Entre escombros, mesas voadoras e muita bebida, os magos corriam para lá e para cá tentando achar um lugar para montar a mesa de doces, colocar a faixa de aniversário, arrumar os brinquedos alugados e por algum motivo bizarro havia duas mini-vacas correndo pela guilda. Azuka estava animadíssima vendo toda aquela comoção e nesse instante estava correndo atrás dos bonecos de Bixlow tentando laçá-los com sua corda. Bisca estava na cozinha, ajudando Mira, Kinanna e Juvia a cozinharem.
Tinham que fazer todas as receitas vezes dez aumentadas para dar conta dos estômagos sem fundo dos magos bagunceiros. A raijinshuu também estava ajudando, Fried junto com Reddus preparavam as decorações, enquanto Bixlow estava rindo vendo a pequena correr atrás de seus bonequinhos – segundo ele sua função era distrair a criança para que ela não atrapalhasse -, Evegreen estava atrás de Elfman dando ordens sobre as coisas que ele deveria fazer e Laxus estava perto do avô vendo aquela balburdia toda e imaginando de onde diabos haviam saído as vacas!
- hehehe... Já faz muito tempo que não temos uma festa de criança aqui...
- Contanto que esses loucos não quebrem nada que foi reconstruído... – o Dreyar mais novo deu os ombros –
- Não se iluda, pirralho, pense que se eles destruírem só uma parede até o final da noite, estaremos no lucro!
Makarov levou sua caneca até a boca e sorveu boa parte do líquido.
- Hum... – o loiro olhou para as portas duplas da guilda e suspirou, já era quase três da tarde e nenhum sinal de Cana –
- Fique calmo, se ela não aparecer até amanhã nós pensamos em algo.
- Você não está preocupado, velho? – disse com os braços cruzados sobre o peito –
- Um pai sempre está preocupado com os filhos, Laxus, mas eu não posso ficar segurando vocês debaixo da minha sombra. Eu ajudei a criar vocês para o mundo... Se eu entrar em desespero todas as vezes que se atrasam, eu já teria passado dessa pra uma melhor faz tempo!
O mais novo sorriu de canto.
- Até porque não caberíamos todos debaixo da sua sombra...
Os olhos de Makarov se arregalaram e ele começou a gritar com neto que ria e saiu de perto resmungando algo sobre vistoriar o trabalho dos seus raijinshuu.
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Porão da dark guild – mesmo horário.
Cana estava encolhida no canto da cela tentando se acalmar e não entrar em parafuso quando ouviu passos no corredor e sentiu seu sangue gelar com medo de ser aquele mago maldito de novo disposto a terminar o serviço.
Fechou os olhos e apertou as mãos numa tentativa de aplacar o pavor que a consumia, abriu os olhos e viu um par de botas de couro na altura de seus próprios olhos. Segurou a respiração e tentou ser o mais corajosa que podia....
Continua...
Notas finais
Kisskiss, Ann Taisho
PS: Um one Laxana nova prontinha, quem quiser que seja postado ainda essa semana que se pronuncie. Um lemon bem legal pra vocês em...
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