Proprietário
21 Puzle Problemático
Notas iniciais
Junior estava a ouvir o sermão da sua mãe na cozinha, ao lado da sala, e a pensar no porquê dela não aproveitar as horas que tinha para dormir em vez de as desperdiçar a reclamar com ele. Sim, tudo bem que ele e os amigos acordaram-na, mas bastava voltar a dormir ou pedisse que fizessem menos barulho. Não? Pelos vistos não. As coisas na mente da sua mãe não funcionavam assim, pelos vistos.
O rapaz mal ouvia o que a senhora dizia. Não o fazia por mal nem com intenções de lhe faltar ao respeito ou algo assim. Simplesmente eram três da manhã e não tinha cabeça para aquilo. Só conseguia pensar que estava com fome e perguntava-se mentalmente o que haveria na dispensa para comer.
– Isto não pode continuar assim Jinyoung! Sabes bem que é difícil para mim tomar conta de vocês os dois e ainda trabalhar para trazer dinheiro para casa! Quando é que tu pensas em arranjar um emprego!? — Reclamava a mulher enquanto abanava os braços.
“Será que ainda há daquele bolo…? Estava tão bom…” Pensava distraído.
– JINYOUNG! — Voltou a gritar ao ver o filho ignorar a sua pergunta.
Junior saltou no lugar de olhos arregalados. Sabia por experiência própria que não era nada bom irritar a mãe duas vezes num curto espaço de tempo.
– Eu… — Começou o rapaz atrapalhado mas um grito vindo da sala interrompeu-lhe o raciocínio.
– Foda-se nem eu! Eu só te quero a ti, sua cabeça dura! — Gritava a voz da sala. — Porque eu amo-te! Só a ti!
“Youngjae!” Junior voltou a arregalar os olhos e quando deu por si, a sua mãe já estava a sair da divisão com um olhar curioso. Afinal, não era todos os dias que se ouvia confissões de amor na própria casa.
– Mãe! — Chamou num sussurro, correndo atrás da senhora mas já era tarde de mais.
A senhora Park estava parada à porta a observar a reconciliação dos dois rapazes. JB estava encolhido num abraço de Youngjae enquanto falavam algo sobre ciúmes. Nem Junior nem a senhora Park conseguiam perceber muito bem sobre o que eles falavam, mas até um cego percebia que aquilo não era um abraço de amigos.
Jinyoung ficou sem saber como agir. Olhava a medo para a sua mãe esperando que a qualquer momento ela começasse aos gritos e os expulsasse de casa.
– Vamos deixar os meninos sozinhos. — Sussurrou a senhora, puxando o braço de Junior para o andar de cima, onde ficavam os quartos. — Porque nunca me disseste que eles estavam juntos?
– Não te incomoda…? — Respondeu Junior com uma pergunta. Ainda achando aquela situação muito estranha.
– Claro que não! E acho bem que a ti também não te incomode Park Jinyoung, não foi essa a educação que eu te dei. Não viste como eles estavam tão fofinhos? Como algo assim tão puro podia incomodar-me?
Junior baixa o olhar envergonhado. Se a sua mãe soubesse que os amigos se escondiam por causa dele iria ficar bastante desapontada… Mas mesmo constrangido, o rapaz sorriu. Estava feliz por ter uma mãe tão compreensiva nesse assunto.
Num acto repentino, Junior abraçou a mulher mais baixa, quase derrubando a senhora.
– O-O que foi, Jinyoung…? — Perguntou a senhora Park assustada mas respondendo com carinho ao abraço do filho. Junior não era uma pessoa muito afetiva por isso esses atos de carinho eram raros, principalmente se fossem começados pelo rapaz.
– Gosto muito de ti, mãe. — Deu-lhe um rápido beijo na testa e sorriu abertamente, fazendo com que os seus olhos se fechassem. — Boa noite.
– Boa noite… — Respondeu a senhora ainda meio atordoada pelo ataque carinhoso repentino do filho.
Junior voltou a descer as escadas com intenção de voltar para junto dos amigos e ver o que se passava e a sua mãe aproveitou para tentar dormir o pouco tempo que lhe restava.
J❦B
Na casa de Jackson, um casal dormia confortavelmente no sofá enquanto um filme passava na televisão. Yuri tinha insistido para verem o filme, mas foi a primeira a adormecer nos braços do noivo. Já Yugyeom, acariciava-lhe os cabelos preguiçosamente, quase caindo no sono também.
Quando Jackson e Bambam foram para o quarto, o casal de noivos achou melhor dar-lhes privacidade e aproveitarem aquele momento que teriam a sós. Mesmo estando simplesmente a dormir num sofá desconfortável e pequeno de mais para duas pessoas, não trocariam aquele momento de intimidade por nada.
Mas dentro de um dos quartos da casa, as coisas também não eram muito diferentes. Após uma longa sessão de beijos, o casal adormeceu abraçados. Jackson dormia tranquilamente com Bambam enroscado nos seus braços. O rapaz loiro parecia um gato com frio que se deitava rente ao aquecedor no inverno. O baixista ainda tinha ficado a observar o proprietário a dormir até ele próprio cair no sono.
Jackson tinha ficado preocupado com o estado mental do seu menino. Mesmo que nem todos pudessem ver isso, o chinês conseguia perceber facilmente que ele estava perturbado e agitado, talvez até mesmo traumatizado. Afinal, quem não ficaria?
Foi muito difícil para si impedir que as caricias do mais novo continuassem e dessem lugar a algo mais sério. Sabia que quando Bambam voltasse a si iria se arrepender de ter feito as coisas daquela maneira. O loiro apenas estava demasiado stressado e queria fazer algo “violento”, não importava se fosse a bater em alguém, destruir a casa ou fazer sexo.
Jackson tinha pensado e repensado todas essas situações na sua cabeça. Tentava montar Bambam como se ele fosse um puzle. Tinha peças desde o dia em que o conheceu, mas conforme se envolvia mais com ele, mais peças ia ganhando para o quebra-cabeças e no final, a imagem que montava, era completamente diferente da que ele pensara quando começara a resolver o puzle. Aquela imagem que ele tanto odiava quando o viu pela primeira vez, agora achava a coisa mais adorável do mundo e doía-lhe muito quando tentavam desfazer essa imagem perfeita, arrancando-lhe as peças ou tentando monta-la mal.
Sim, era isso mesmo. Bambam era um puzle que fora destruído pelo próprio progenitor, e Jackson achava-se no dever de o voltar a montar.
Na altura, riu com os próprios pensamentos. Quem poderia imaginar que o murelhengo Jackson Wang estaria disposto a perder o seu precioso tempo para conhecer melhor um rapaz. Um rapaz!
Jackson sempre gostou de mulheres, nunca teve dúvidas sobre isso. Gostava quando elas usavam saias curtas e deixavam as belas pernas expostas. Mas Bambam também tinha umas belas pernas… Adorava quando as raparigas ficavam envergonhadas e escondiam o rosto. Mas nem a população feminina toda junta poderia ficar tão adorável como o Bambam envergonhado. Não era como se Jackson o considerasse uma mulher, longe disso. Mas também não se considerava nenhum gay. Apenas gostava do rapaz tailandês. Tão simples como isso. Não via necessidade de por nomes ou rótulos no que sentia ou pensava em relação ao loiro.
Sentia uma necessidade imensa de o proteger, de o abraçar, de ficar com ele.
Agora que pensava bem sobre isso, tinha aceitado toda aquela história de gostar de um rapaz demasiado bem… Talvez pelo facto de já conhecer o romance de dois dos melhores amigos. Jackson nunca teve problemas com o namoro de JB e Youngjae. Nem sequer ficou surpreendido ou chateado quando soube. Apenas sugeriu irem todos beber para comemorarem. Talvez tenha sido ai que a sua aceitação sobre o assunto começou, não?
Realmente não importava. O baixista não devia explicações a ninguém. Nunca teve uma namorada seria porque achava as mulheres muito faladoras e irritantes. Não falava com o seu pai e por isso não tinha a “pressão” de arranjar uma boa mulher de família rica que lhe desse netos adoráveis. Para isso ele tinha a Yuri que parecia muito animada em ter bastantes filhos para poderem formar uma equipa de futebol. Quando a rapariga disse isso no jantar, Yugyeom tinha ficado mais branco que o arroz que comia e tinha ficado a meio do caminho da boca.
Jackson voltou a sorrir com esses pensamentos e memórias. Na verdade não via problema nenhum em estar com um rapaz. Ele não gostava de rapazes, só gostava do seu Baby Bambam. Do seu puzle problemático.
J❦B
Após muita perturbação e auxilio de assistentes de bordo, o avião de Mark finalmente aterrou na Coreia do Sul. O cantor veio o caminho quase todo a assoprar um saco e apertar fortemente bonecos de anti stress, mas nada disso parecia funcionar muito bem. Mark tinha a cara inchada e vermelha de tanto chorar. A sua voz há muito que tinha desaparecido e agora tinha apenas um tom muito rouco e baixo que lhe magoava a garganta sempre que tentava falar. O médico do hospital bem lhe tinha avisado para evitar falar até estar completamente curado, mas Mark não queria saber. Só queria estar longe daquelas pessoas todas que o poderiam matar.
Recolheu a sua bagagem o mais rápido possível e quase que saiu a correr em direção à zona de táxis. As pessoas olhavam para o rapaz que corria desesperado, mas apenas entendiam que ele estava atrasado para alguma coisa e voltavam logo às suas vidas. Ninguém tinha realmente interesse no que ele fazia, apesar de Mark pensar de outra forma.
Uma vez fora do edifício, vinha a parte difícil. Teria que chamar um táxi para o levar para a aldeia. Haviam vários automóveis vazios, à espera que algum passageiro entrasse, mas Mark avaliou primeiro a aparência de todos cuidadosamente antes de entrar num táxi. Escolheu o senhor que tinha a cara mais desinteressada do mundo. De certa forma isso dava-lhe alguma confiança apesar de ser um pouco contraditório. Acreditava que se o motorista não estava interessado em quem entrava no veiculo, era porque não o procurava. Tinha a sua lógica… Certo?
Com muita dificuldade, lá conseguiu indicar a morada ao motorista do táxi. Iria demorar bastante tempo a lá chegar mas Mark nem pensou em adormecer, ou sequer fechar os olhos. Mantinha-se alerta o tempo todo.
Durante o caminho, o motorista ainda tentou puxar conversa com Mark, mas logo desistiu pois o cantor mal conseguia falar e nem se mostrava muito interessado nisso. Apenas tentava falar com Bambam mas o rapaz não respondia às suas mensagens. Tentou ligar-lhe mas apareceu logo a voz da operadora a indicar que o primo tinha o telemóvel desligado. Mark acho isso estranho e tentou falar com Jackson. Esperava que os dois ainda estivessem juntos se não iria ser bastante constrangedor.
“O Bambam está contigo? Mark”
Olha durante um tempo para a mensagem mas modifica-a antes de enviar.
J❦B
Jackson acorda com o barulho do seu telemóvel. Eram quase onze da manhã mas o rapaz praguejou por achar que ainda era demasiado cedo para acordar, principalmente num dia em que não tem nada para fazer e quando tem Bambam enroscado nos seus braços.
Agarra no telemóvel que indicava um número desconhecido e lê a mensagem que recebera.
“O Bambam está contigo? Yi-En”
Jackson esfrega os olhos ensonado enquanto responde um simples “sim”. Nem tinha estranhado o facto de Mark ter assinado com o seu nome verdadeiro, só queria voltar a dormir. Volta a pousar o telemóvel na mesinha de cabeceira e aconchega-se de novo para voltar a dormir, mas mal pousa a cabeça e o aparelho volta a tocar.
Resmunga alguma coisa agressiva e senta-se na cama, tendo o cuidado de manter Bambam confortável. Volta a agarrar no aparelho e encosta-se à parede. Tinha o pressentimento que a conversa com Mark ia ser grande.
“Preciso de falar com ele. Tem o telemóvel desligado.” Dizia Mark.
Jackson olha para o rapaz adormecido sobre as suas pernas. Nem que tentasse iria conseguir acorda-lo. Ele dormia como uma pedra.
“Ele está a dormir. Mas escusas de tentar mandar sms para ele, o telemóvel está partido.” Responde Jackson. Inconscientemente, acaricia de leve o olho ainda negro de Bambam, onde o telemóvel tinha batido antes de se partir no chão.
“Ok… Dentro de poucas horas chego à aldeia, vou ficar em casa do Bambam e queria que ele estivesse lá para me receber. Diz-lhe isso.”
Jackson arregala os olhos com o pedido do amigo de infância. Nem que lhe pagassem ele iria pedir ao Bambam para voltar àquela casa enquanto o seu pai lá estivesse. Nunca.
De certeza que Mark não estava a par das novidades. Era a única explicação possível porque nem ele deveria querer voltar para junto daquele homem.
“Vem ter a minha casa primeiro. Não avises ninguém que estás aqui.” Responde Jackson. Apesar de não saber que acabara de deixar Mark ainda mais assustado e paranóico. Agora, o cantor só conseguia pensar que também andavam atrás de si na Coreia e que essa era a razão para Jackson não querer que ele avise ninguém da sua chegada.
J❦B
Na casa dos Park, três jovens rapazes dormiam espalhados pelos sofás da sala. Tinham acordado quando a senhora Park saíra para o trabalho e quando a irmã de Junior avisara o irmão que iria passar o dia com umas amigas. Junior apenas perguntou quem eram as amigas e só após a rapariga responder ao pequeno questionário, concordou com a cabeça e voltou a deitar-se no sofá, adormecendo no mesmo instante.
Youngjae e JB também tinham acordado nessa altura, mas mantiveram os olhos fechados. Por parte, tinham vergonha de encarar a rapariga mas também tinham certo medo que ela os olhasse com nojo. Eles tinham adormecido abraçados no sofá grande, enquanto Junior estava no sofá individual, mas Youngjae foi “acidentalmente” empurrado para o chão pelo namorado quando este ouviu a senhora Park passear pela casa, antes de sair para o trabalho. Mal sabiam eles que ela já os tinha visto e sorrindo da situação.
Já era quase hora do almoço mas os rapazes continuavam a dormir. Não era de estranhar pois tinham ficado a noite toda acordados. Youngjae já tinha voltado para o sofá e atirado-se deliberadamente para cima do mais velho. JB reclamou de dor mas Jae não ligou, era a sua vingança por ter sido empurrado para o chão mais cedo.
Apenas acordaram com o telemóvel de Junior a tocar. Apesar de Junior não ter acordado. JB atirou uma almofada ao amigo e Youngjae gritou para ele atender logo a porcaria do telemóvel. Só ai é que o rapaz acordou.
– Hn… — Murmurou para o telefone de olhos fechados, ainda semi adormecido. Nem tinha visto que lhe ligava.
“Acordei-te?” Perguntou a voz do outro lado da linha.
– Hnhn… — Repetiu Junior mas de forma afirmativa.
Youngjae já se tinha sentado no sofá e tentava perceber com quem o amigo estava a falar. Jaebum sempre dizia que ele parecia uma velha curiosa a janela devido à sua curiosidade.
“Vem ter a minha casa o mais rápido possível. É urgente!”
– Hn… Jackson…? O que é que tu queres? — Resmunga sentando-se no sofá e abrindo vagarosamente os olhos.
Agora, não era apenas Youngjae que estava atento à conversa. Mas claro que se alguém dissesse isso a JB ele iria negar com todas as forças.
“Apenas vem!” Responde Jackson com convicção.
– É por causa do Bambam? Ele está pior ou…
“Junior!” Interrompe Jackson. “Já cá devias estar, apressa-te! Não é nada de grave, a sério. É bom que estejas aqui em 15 min.” Após dizer isso, Jackson desligou a chamada deixando Junior a gritar para o telemóvel.
– O que aconteceu? — Perguntou Youngjae assim que percebeu que Jackson tinha desligado.
– Ele só disse para ir para casa dele com urgência… — Resmunga Junior já se levantado do sofá.
– O Bambam piorou? — Perguntou Jaebum enquanto seguia o amigo para o quarto.
– Não sei.
– Nós vamos contigo! — Disse Youngjae feliz, sem se importar se tinham sido ou não convidados.
Jinyoung apenas concorda enquanto trocava de roupa. Os outros dois rapazes apenas fizeram uma higiene improvisada pelo facto de não terem os seus objectos pessoais com eles.
J❦B
Já tinham passado pelo menos quinze minutos desde que Jackson estava a tentar acordar Bambam. O loiro simplesmente não se mexia. O mais velho já começava a pensar seriamente em atirar-lhe um balde de água gelada mas não queria ser assim tão rude.
Enquanto o tentava acordar, teve tempo de avisar a meia irmã e o futuro cunhado que “um amigo” chegaria a qualquer momento, assim como Junior. Não quis revelar a identidade de Mark para lhes fazer uma surpresa, sabia que Yugyeom também conhecia o cantor e que há muito tempo que não o via.
Yuri ficou super entusiasmada com a noticia e basicamente trancou-se na cozinha a preparar uma boa refeição para todos. Yugyeom mantinha-se concentrado nos seus papeis e chamadas com o advogado. Em breve levariam o senhor Bhuwakul para o tribunal.
Jackson voltou para o quarto e pediu por um milagre para conseguir acordar o namorado. Ele estava exactamente na mesma posição que o tinha deixado.
Aproximou-se dele e puxou violentamente as mantas que o tapavam. Bambam encolheu-se mas não acordou.
– Vais ficar ai o dia todo? — Pergunta Jackson abanando-lhe o ombro para o tentar acordar. — Vamos! O Mark deve estar quase a chegar!
Bambam nem se mexe.
– Eu juro que vou buscar o balde de água… — Ameaça baixinho, mas sem grande efeito.
Ouve o som da campainha e fica apreensivo, a pensar que seria Mark mas logo ouve a voz de Youngjae e Junior. Decide deixa-los ficar com a Yuri e volta à sua árdua missão. Senta-se ao lado de Bambam que estava deitado de barriga para baixo e sorri matreiramente com a nova ideia que teve.
Suavemente, levanta a camisola do mais novo e percorre a extensão das suas costas com a ponta dos dedos. Tão ao de leve que mal chega a tocar-lhe na pele, mas esse toque foi o suficiente para a pele do loiro se arrepiar.
Jackson ri mais e repete o movimento mas levando a mão mais perto da barriga do loiro. Com isso Bambam encolhe-se, tentando proteger a barriga com os braços e suspirando alguma coisa ainda no meio do sono.
– Bambam… — Sussurra Jackson, dissimulado ao ouvido do rapaz, mordendo o local de seguida, enquanto as suas mãos continuavam a passear nas costas do loiro.
– Jackie… — Respondeu Bambam em meio do sono.
Jackson franziu as sobrancelhas pelo apelido mas deixou passar. Afinal… Até que era fofo… Ou será que só achava isso por ter sido um Bambam adormecido e totalmente arrepiado sobre os seus toques a pronunciar?
– Estás a sonhar comigo, Bambi? — Jackson sorriu orgulhoso por ter achado uma alcunha à altura de “Jackie”. Nem foi uma tarefa muito difícil, afinal.
Beijou o pescoço do rapaz deixando que os seus dentes arranhassem levemente o local. Bambam começava a despertar preguiçosamente. Os seus olhos abriam mas logo voltavam a fechar-se ao sentir os beijos quentes do namorado. Ainda estava meio zonzo pelo sono e por isso virou-se de frente, sem vergonha alguma, para beijar Jackson. Abraçou-lhe o pescoço com ambos os braços e envolveu a cintura do mais velho com as pernas, aproximando mais os corpos.
As mãos de Jackson, que anteriormente passeavam pelas costas do mais novo, agora brincavam com o seu abdómen, começando a subir para uma zona mais sensível, fazendo Bambam ficar sem ar.
Jackson já nem se lembrava do verdadeiro motivo de estar ali nem como aquilo tinha começado. O beijo estava cada vez mais intenso e Bambam já estava quase a ficar sem camisola até a campainha ter tocado, assustando os dois rapazes. Bambam assusta-se tanto que acaba por morder o lábio de Jackson, fazendo uma pequena ferida. Jackson faz uma careta de dor e leva o lábio inferior para dentro, chupando assim o próprio sangue.
– Desculpa! — Diz Bambam visivelmente em pânico. Aproxima-se novamente do rosto de Jackson e puxa-lhe o queixo para baixo, de maneira a ver a pequena ferida no lábio do namorado.
– Está tudo bem… — Sorri com a preocupação do loiro mas logo perde o sorriso e a fala quando Bambam envolve o seu lábio inferior com a própria boca, tentando estancar o sangue da mesma maneira que Jackson fazia.
Jackson perde completamente o raciocínio ao ter o seu lábio inferior nos lábios carinhos do namorado.
Bambam não demorou muito pois pareceu ter tomado noção dos seus atos e ficou envergonhado de repente. Soltou o lábio já inchado de Jackson e deu-lhe um rápido selinho envergonhado, enquanto olhava para baixo. Na sua cabeça, justificou aquela ação tão repentina com o sono e com a maneira estranha (mas boa) com que tinha sido acordado.
– Podes morder-me sempre que quiseres… — Murmurou Jackson com voz rouca e um olhar vidrado.
Bambam levanta o olhar timidamente mas não chega a responder pois um grito de Junior vindo da sala interrompe todos os seus pensamentos.
“MARK!?”
Continua...
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