Proprietário
16 Não voltes a proteger-me
Notas iniciais
Jaebum estava de pé no quarto da irmã de Junior enquanto Youngjae tinha tomado a liberdade de se sentar na cama da menina. JB tinha reclamado com ele, por violar dessa maneira o seu espaço pessoal mas o mais novo apenas encolheu os ombros.
– O que me querias dizer? — Perguntou realmente curioso. Desconfiava que tinha algo a ver com Bambam e Junior por isso não estava muito nervoso. A relação deles estava bastante estável para pensar que fosse algo relacionado a isso.
– O Jackson foi preso. — A postura de Youngjae mudou completamente ao ouvir isso. Arregalou ligeiramente os olhos e ficou rígido como uma estátua.
– Eu falei com ele agora… — Respondeu ligeiramente confuso, franzindo as sobrancelhas e fazendo aquela boca que JB achava tão adorável.
– A irmã dele ligou-me ainda a bocado, e disse-me que ela e o noivo iam tirar o Jackson da prisão. Fez-me prometer que não vos dizia nada mas não aguento guardar-te segredos! — Diz revoltado com a sua “fraqueza”. — Mas se falas-te com ele agora é porque já está em liberdade…
– Porque é que ele foi preso? Ele nunca fez nada de mal.
– Eu não sei… — JB olha para o chão chateado. Estava realmente preocupado com o amigo e com o seu futuro a partir daquele dia. Pela visão periférica, viu Youngjae esticar a mão num chamamento mudo que foi logo atendido pelo nervoso Jaebum.
– Se ele já está livre é porque não foi nada de grave. — Sorri enquanto puxa a mão de Jaebum e o obriga a sentar-se no seu colo.
– O noivo da Yuri tem dinheiro. Pode ter sido grave e ele ter conseguido sair à mesma… Mas e o que tem ele ter saído? Vai ficar com cadastro. Como vai viver agora? Não vai arranjar emprego em lado nenhum e… — Jaebum é calado pelos lábios salgados do namorado.
– Ele não está sozinho. — Murmura Youngjae, raspando os seus lábios nos de Jaebum enquanto fala. — Ele tem-nos a nós. Tem a banda. Vai ficar tudo bem.
– Ninguém vai querer contratar uma banda onde um dos membros já esteve pres… — Novamente, os lábios do namorado calam-no. Agora mais violentamente como se dissessem para parar de fazer suposições e esperar o momento para falar com Jackson e perceber a situação.
– Relaxa… — Sussurrou Youngjae entre o beijo. Aos poucos, vai-se inclinando para trás e puxando o namorado consigo, até esta deitado sobre a cama com Jaebum por cima de si.
– Jae… Não vamos namorar no quarto da miúda… — Diz Jaebum fazendo um esforço descomunal para não atacar o rapaz por baixo de si.
– Ela ia agradecer se soubesse que tiveste deitado na cama dela. — Diz sério com o olhar fixo num ponto especifico do quarto.
JB segue o olhar do rapaz e encontra uma moldura em forma de coração coberto de brilhantes, com uma foto que eles tiraram juntos no aniversário da rapariga. Era suposto estar a banda toda naquela fotografia, mas apenas aparecia ela e JB que tinha uma mão no seu ombro. Os outros membros foram propositadamente cortados.
O mais velho arrepia-se ligeiramente e esconde o rosto no pescoço de Youngjae.
– Espero não tenhas uma moldura assim comigo no teu quarto… — Murmura fazendo Youngjae rir.
– Nem pensar!
J❦B
Mark apoiou-se debilmente na parede ao seu lado que já começava a ruir. Ainda ouvia o seu manager a chamar o seu nome, misturando-se a outras vozes. Também conseguiu ouvir sirenes e rezava para serem os bombeiros que o tirariam daquele inferno.
Tentou gritar e chamar por ajuda, queria dizer “estou aqui” mas sempre que abria a boca só conseguia tossir. Teve um ataque de tosse tão grande que acabou por deixar-se cair no chão, encostado à parede, enquanto via as chamas misturarem-se ao fumo e o fumo misturar-se à escuridão que se apoderou da sua mente.
J❦B
Junior fingiu uma tosse, envergonhado por ter estragado o momento. Bambam ainda ria da sua figura e o seu riso era a única coisa que preenchia o silêncio, juntamente com o barulho da Coco a rasgar o papel que estava no caixote do lixo.
– Ah… Hn… — Murmurou Junior, recompondo-se. — Desculpem ter interrompido…? — Olhou atentamente para Jackson que o olhava de forma estranha e confusa. Depois olhou para Bambam que ainda ria como se não houvesse amanhã. Sem saber mais o que fazer, agarrou na cachorrinha e saiu do quarto, fechando a porta atrás de si.
Jackson ainda ficou a olhar um pouco para a porta, perdido em pensamentos e emoções confusas. Quando voltou a si, reparou que o riso compulsivo de Bambam tinha sido substituído por um choro desesperado. Arregalou os olhos e fitou o loiro deitado debaixo do seu corpo que chorava alto, de boca aberta, como uma criança que acabou de cair da bicicleta e magoou o joelho. Era o choro mais desesperado que Jackson já tinha visto e agora era capaz de perceber o motivo do riso anterior. Bambam estava a ter um ataque de pânico e a sua maneira de lidar com isso foi rir até perder as forças e ser atingido brutalmente pela realidade.
Jackson aproximou-se a medo do mais novo, saindo de cima dele e deitando-se ao seu lado. Tinha medo de ser rejeitado novamente, mas isso não o impediu de voltar a esticar a mão para limpar algumas das lágrimas que caiam. Bambam não reagiu. Continuou a chorar, dando a entender que Jackson podia aproximar-se mais. Ainda com algum receio mas já com mais liberdade, o baixista afastou a mão das bochechas do loiro e levou-a à cintura do rapaz, puxando o seu corpo para um abraço.
Apesar dos movimentos cuidadosos e calculados, Bambam moveu-se bruscamente mas, ao contrário do que Jackson pensava, moveu-se para se encaixar melhor nos braços do rapaz e abraça-lo como se fosse uma colete salva vidas no meio do oceano.
Jackson não pensou duas vezes para acolher aquele menino nos seus braços. Devia ser cansativo fazer-se de forte o tempo todo e Jackson já imaginava que ele não iria parar de chorar tão cedo. Mas estava tudo bem, ele iria ficar ali com ele até se acalmar. Iria ficar ali a dizer-lhe palavras bonitas e carinhosas ao ouvido. Iria ficar ali a brincar-lhe com os cabelos. Iria ficar ali para impedir que magoasse as suas feridas durante o seu momento agitado e ia ficar ali a guardar o seu sono no momento em que ele perdeu as forças e adormeceu.
O baixista sabia que teria a camisola toda vincada na parte de trás devido à força com que Bambam agarrava o tecido, mas não estava minimamente preocupado com isso no momento. Só queria que o seu menino problemático acordasse logo e dissesse que estava tudo bem.
J❦B
O resto do dia foi passado calmamente para todos os rapazes exceto para Mark. O cantor acordou na manhã seguinte num quarto de hospital. Tentou falar para chamar alguém mas só conseguia tossir e aquela máscara de oxigênio na sua cara acabou por sair. Já não fazia falta de qualquer maneira.
Olhou para os lados até encontrar a campainha para chamar os enfermeiros.
Não queria ficar sozinho.
Lembrava-se muito bem do que aconteceu. Sabia que o tinham tentado matar e isso era a gota de água. Ele iria voltar para a Coreia nem que para isso tivesse que desistir da sua carreira. Preferia estar vivo e feliz do que morto e famoso.
– Vejo que já acordou. Como se sente? — Pergunta uma voz simpática que acabara de entrar no quarto.
Mark assustasse e quase cai da cama mas conseguiu segurar-se a tempo. O senhor de bata branca aproximou-se de Mark enquanto segurava umas folhas. Quando mais o homem se aproximava, mais Mark recuava. Até que o médico parou.
– Está tudo bem? Dói-lhe alguma coisa? — Insiste o senhor. — Preciso de me aproximar para fazer uns pequenos exames. Tudo bem? — Mark concordou com a cabeça apesar de ainda temer a aproximação do desconhecido. — Lembra~se do que aconteceu? — Outro aceno positivo.
– Onde está o John? — Perguntou, sentindo a garganta arder. Começou logo a tossir até o médico lhe entregar um copo e água. A sua voz estava bastante rouca e mais grossa que o normal.
– O senhor que estava consigo no apartamento? — Enquanto perguntava, o médico apontava uma lanterna para os olhos de Mark e escrevia algumas coisas. — Ele está neste corredor, também. Não se preocupe, nenhum de vocês ficou em estado grave. Em breve poderão sair e voltar às suas vidas.
Mark não disse nada. Não queria voltar à sua vida de qualquer maneira…
O médico fez-lhe mais um simples exames e perguntas e logo abandonou o quarto, não sem antes dizer o número do quarto em que John estava. Mark queria ir fazer-lhe uma visita. O cantor sentia que precisava de estar com alguém de confiança, sentia-se estranho, sentia-se indefeso.
J❦B
Jaebum e Youngjae tinham voltado para as próprias casas a pedido da mãe de Junior. Era difícil para a senhora ter tanta gente em casa durante tantos dias, e eles viviam na mesma rua, não havia necessidade de dormirem em sofás ou coleções no chão.
Junior estava a almoçar com a mãe e com a irmã na altura em que Bambam acordou. O loiro tentou levantar-se à medida que abria os olhos mas sentiu-se preso. Não demorou muito para lembrar-se do que acontecera no dia anterior e sentir uma enorme vergonha.
Sentiu Jackson ajeitar-se na cama para ficar mais confortável. “Provavelmente acordou quando eu me mexi.”Pensava, ficando ainda mais envergonhado. Jackson afastou-se ligeiramente para ver se Bambam estava mesmo acordado mas não teve tempo de olhar para o rosto do pequeno. Bambam aproximou-se violentamente do peito de Jackson e escondeu o rosto ali.
– Bom dia. — Murmurou Jackson com uma voz rouca e ensonada que soava extremamente sexy aos ouvidos de Bambam.
– Oi. — Respondeu simplesmente, sem afastar o rosto do peito de Jackson.
A mão de Jackson começou a acariciar-lhe os cabelos e Bambam aproximou-se mais do mais velho numa procura de carinho.
– Estás chateado comigo…? — Murmurou ainda contra o peito do mais velho.
– Depende.
– Depende do quê?
– Ainda achas que estarmos juntos foi um erro? — Respondeu com voz amargurada.
Mesmo fazendo-se de valentão sem sentimentos, Jackson tinha ficado magoado. E apesar de agora estar só a provocar o mais novo, começava a ficar apreensivo pela demora da resposta.
– Eu só queria proteger-te do meu pai. — Responde sério, afastando o rosto para finalmente encarar Jackson. — Mas parece que vim tarde…
– Então não voltes a proteger-me. — Rebateu sério. Mas logo sorriu e apertou a bochechas de Bambam para o fazer rir também.
J❦B
– Posso entrar?
Mark bateu à porta e perguntou educadamente antes de entrar. Felizmente, no incêndio só tinha magoado os pulmões e consequentemente ferido a garganta, não chegou a ficar queimado. John não teve a mesma sorte.
Quando Mark entrou, viu o seu manager a discutir ferozmente ao telefone, sentado na cama do hospital e ligado ao soro. Tinha um braço coberto com ligaduras, provavelmente estava queimado. Não conseguia ver muito mais mas parecia saudável dentro do possível.
John ainda gritou para o telefone umas quantas vezes até desligar e reparar em Mark. O cantor já tinha tomado a liberdade de se sentar na cadeira-sofá que ali estava e encarava-o com um olhar um pouco confuso. Nunca tinha visto o manager tão exaltado, parecia mesmo que queria matar alguém.
– Mark?! — O manager levantou-se bruscamente da cama e aproximou-se do rapaz segurando-lhe o ombro com a mão boa e observando-o atentamente. — Estás bem?
– Melhor do que tu. — Disse sorrindo. Mas logo levantou-se para abraçar o grande amigo. — Vais ficar bem?
– Oh! Isto? — Perguntou sorrindo para o braço. — Vai parecer uma cicatriz de guerra. Vou atrair mais miúdas que tu!
Mark sorriu aliviado. Pelo menos o bom humor de John ainda lá estava.
– Mas como é que aquilo aconteceu? Estavas a cozinhar? — Perguntou tentando fazer piada com a situação mas John ficou subitamente sério.
– Precisamos de falar Mark.
Mark percebeu a seriedade da situação e voltou a sentar-se enquanto concordava com a cabeça.
– Não vais voltar para a agência. — Disse rapidamente, com medo da reação do cantor.
– Está bem. — Respondeu sério, sem alterar a expressão facial. — É por causa das ameaças?
– Não estás triste? — Respondeu com outra pergunta.
– Na verdade… eu já queria sair. Quero voltar para a Coreia.
– Ainda bem que dizes isso porque… A agência é que te mandou a maioria das ameaças…
– O quê…? Porquê? — A voz de Mark ficou fraca assim como a sua pulsação.
– Como não conseguiram livrar-se dos escândalos… Queriam livrar-se de ti, mas de maneira a que o público continuasse a apoiar a agencia.
– Tu estás a dizer…?
– O chefe mandou que pegassem fogo ao apartamento, Mark. Ele queria matar-te.
Continua...
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