Proprietário
2 Diva proprietário assassino em serie
Notas iniciais
Cerca de quinze dias tinham passado desde a última vez que Jackson tinha estado com Bambam. Todos os dias em que saia de casa era uma afiliação com medo de o encontrar e criar males entendidos. Os amigos da banda já tinham reparado que ele andava mais estranho que o costume, já nem sequer saía com raparigas, só de vez em quanto é que ia com os amigos ao café. Youngjae afirmava que ele tinha saudades do “proprietário” – o que já o fez ficar dois dias de cama cheio de feridas – e JB dizia que ele tinha ficado incapaz e como não queria que ninguém soubesse agia estranho. Junior era o único que não dizia nada, ele próprio também estava desconfortável depois de assistir à “declaração de amor” de Bambam.
Era um dia normal para a banda. Os quatro membros estavam a caminho da garagem para mais um ensaio, quando deparam-se com uma rapariga encostada à parede de lado da porta. Assim que os avista, salta rapidamente para o colo de Jackson, impossibilitando os outros de conseguirem vê-la.
– Jackson-Oppa! Jackson-Oppa – Dizia a recém chegada abraçando fortemente o rapaz. – Jackson-Oppa! Que saudades!
– Também tive saudades tuas. – Jackson sorri retribuindo o abraço com um enorme sorriso.
– Quem é aquela…? Nunca vi o Jackson dar-se tão bem com uma miúda…Pelo menos de uma forma tão natural e sem segundas intenções… — Murmura Jaebum.
– É que nem desconfio… — Responde Jinyoung torcendo a cabeça com olhar desconfiado.
– É melhor deixarmo-los sozinhos. – Youngjae vira-se para trás com intenções de continuar o para a garagem.
– Sempre que ele está com uma rapariga vocês deixam-nos sozinhos? – Diz Bambam com cara de poucos amigos aparecendo por trás dos rapazes. Sempre com o olhar fixo em Jackson e na rapariga. – Não merecem a garagem.
Junior arregala os olhos dando uns passos atrás acabando por cair assustado, não pelo facto de Bambam ter mencionado a garagem, mas por ele aparecer do nada.
Bambam aproximou-se de Jackson o suficiente para ambos darem pela sua presença e se separarem.
– Traidor. – Diz por fim o mais novo com os olhos cheios de lagrimas.
– Han? – Jackson nem tem tempo de acabar de falar já Bambam está a darem-lhe um murro forte na cara.
Jackson olha-o com desprezo e raiva. Bambam quase que se afoga em lágrimas deixando todos muito desconfortáveis. A jovem leva a mão à boca pasma com o que tinha acabado de ver.
– Queres morrer?! – Grita Jackson cerrando o punho.
– Traidor! – Repetiu Bambam.
– Teu… namorado oppa? – Perguntou a rapariga sentindo-se comovida pelas lágrimas do mais novo.
– Minha propriedade. – Respondeu Bambam virando costas sem conter as lágrimas. – Quero a garagem de volta, tirem tudo agora… — ao dizer isso afasta-se a correr entre as muitas pessoas que se tinham aproximado para ver a confusão.
Estava tão furioso enquanto corria que nem se deu conta que estava quase a sair da aldeia e muito menos que estava a ser seguido. Só deu por si quando começou a ver a placa com o nome da aldeia vizinha.
Parou ofegante apoiando as mãos nos joelhos tentando respirar. Mesmo que não tivessem nenhuma relação, ele sentia-se traído, afinal passar duas semanas a seguir uma pessoa numa tentativa de lhe “dar tempo” para pensar não é algo que se faça por qualquer um.
– Nem imagina o quanto eu tive de ser discreto para ninguém me ver este tempo todo… E ainda tem a lata de me apunhalar pelas costas… Aquele miserável… — Resmungava rangendo os dentes e limpando algumas lágrimas que ainda persistiam em cair.
– Que dramático...
Bambam rapidamente se endireita encarando friamente o seu seguidor.
– Sabes, vou ajudar-te.
– Jaebum...
– Como sabes o meu nome? – Questiona admirado.
– Que parte do “eu andei a seguir-vos” é que não percebes-te?
– Certo… Mas vai ser bom para todos, afinal assim podemos ter a garagem, tu ficas feliz, não temos de nos preocupar de uma rapariga vir dizer que vai ter um filho do Jackson, tu ficas feliz, vamos ter um cunhado rico, tu ficas feliz, vais-nos compensar se ficarem juntos, tu ficas...
– Feliz? Já percebi, estás muito preocupado com a minha felicidade. — Interrompe Bambam já mais calmo e com um pequeno sorriso a querer aparecer.
– Claro que sim cunhadinho!
– Já que me vais ajudar podes arranjar um carro velho que possa cair de um penhasco com a rapariga lá dentro?
Jaebum ri-se.
– Fazes isso?
– Han? O quê?
– Livra-te dela. — Repetiu sério.
– Eu não vou matar a rapariga só porque não gostas dela!
– Ela está no meu caminho.
– Fazes isso a todos os que se metem no teu caminho…?
– Ela é a primeira.
Jaebum suspirou de alivio virando-se para ele seriamente:
– Porque não tentas simplesmente falar com eles com muito peace and love?
– De que lado estás afinal?
– Peace and love...?
– Só as miúdas é que resolvem as coisas com palavras.
– Não és muito diferente... — Murmurou Jaebum revirando os olhos.
Bambam olhou-o com um olhar ameaçador que logo o fez retirar o que disse.
"É sem duvida um assassino em série... Fiz bem em virar amigo dele..." Pesou JB.
"Aquele idiota acreditou mesmo que queria mata-la... ou seria bluff? Talvez ele trabalhe para a polícia e tenha gravado tudo. Não. É burro demais para isso..." Pensou Bambam enquanto começava a andar para casa sem se despedir do mais velho.
– Adeus! — Gritou Jaebum já um pouco longe dele. — Assassino...
– Hm. — Foi a resposta de Bambam enquanto levantava a mão. Sempre de costas sem parar de andar. — Inútil...
J❦B
– Ah então ela é tua meia-irmã da parte do pai é isso? — Perguntou Junior olhando para os irmãos procurando parecenças. Os quatro tinham-se dirigido ao café, após JB ter desaparecido atras de Bambam.
– Tu não fugiste de casa quando a descobriste? Eu acho que me lembro de algo assim... — Murmura Youngjae, enquanto processava tudo o que tinha acabado de ouvir.
– Isso já são magoas passadas não é oppa? — Esclareceu a rapariga com um enorme sorriso encantador no rosto.
– Eu era um puto... — Ao dizer aquela palavra lembrou-se de quando Bambam lhe chamara o mesmo.
– Continuas igual. — Gracejou Jinyoung roubando risos dos restantes exceto de Jackson que levou a brincadeira a sério.
Os olhos de Jackson disparavam faíscas na direcção de Jinyoung, apesar de não ter culpa nenhuma.
Desde aquele dia que não parava de pensar no mais novo. Não que retribuísse o sentimento de Bambam, mas tudo o que se estava a passar era tão estranho e irreal que o deixava confuso e angustiado consigo mesmo. Estava a pensar seriamente em deixar de beber, aquilo estava afetar demais o seu cérebro.
– E o que vieste aqui fazer? — Perguntou Youngjae sem se aperceber do clima que se tinha instalado naquela esplanada.
– Ah sim. Eu vinha pedir que o meu maninho fosse o meu padrinho de casamento.
– Quê!? – Exclamaram todos boquiabertos.
– Que me dizes?
– Nem sabia que tinhas namorado. Para que raio te vais casar? Qual é o benefício de te prenderes a uma pessoa para o resto da vida? — Resmungou depois do choque. – Além demais, os divórcios são caros.
– Lá pelo casamento da tua mãe com o meu pai não ter dado certo não quer dizer que os casamentos sejam algo mau.
– Casamento é igual a fim de liberdade. É geografia!
– Queres dizer matemática, não? — Corrige Junior a rir.
– Porque achas que sou músico?! — Resmungou amuando.
– Isso é uma ofensa a todos os músicos. – Riposta Youngjae sentindo-se ofendido.
– Mas então, aceitas ser o meu padrinho ou não, oppa?
– Ok... Mas olha que estás a estragar a tua vida!
A jovem sorriu dando um enorme abraço ao jovem, justamente quando Jaebum estava a chegar.
"Ainda bem que aquele diva proprietário assassino em serie não viu isto..." Pensou JB suspirando pesadamente pensando o pior cenário para a rapariga.
J❦B
Bambam tinha-se trancado numa antiga barraca perto de sua casa. Servia para guardar materiais de jardinagem mas desde que construíram um novo edifício para esse fim, a barraca estava praticamente abandonada. O local estava velho e empoeirado, a única razão que o fazia ficar lá era o facto de haver outra festa em casa. Não tinha paciência para ver ninguém, só queria estar sozinho…
O tempo ia passando e os convidados chegando. A certa altura conseguiu ouvir as vozes dos guardas a chamarem-no pelos terrenos próximos da casa. Não ia tardar até que o encontrassem… ou simplesmente metessem as notícias no jornal como tinham feito numa noite em que adormecera na sala de aula e não acordou.
Aqueles sons de passos… aquela fome… aquele frio noturno… aqueles barulhos que a madeira gasta da barraca fazia com o vento e… aquela dor que sentia no coração… Tudo aquilo começava a cansa-lo, tanto que acabou por adormecer debaixo de uma pequena mesa que lá estava.
J❦B
– Então era isso… — Assentou Jaebum depois de Jackson lhe explicar a história da meia-irmã. Agora fazia tudo mais sentido. Tinham voltado novamente para a garagem com intenções de ensaiar, mas ainda não tinha sido possível. A chegada da meia-irmã de Jackson estava a alterar todos os planos que a banda tinha programada para aquele dia.
– Não percebo porque ficaram todos tão estranhos. Só estava a abraçar uma miúda, nada que nunca tivesse feito. – Resmungou.
– Pensávamos que tinhas virado borboleta, desculpa – riu-se JB.
– Deves querer levar uma sova como o Youngjae – murmurou Jinyoung afastando-se do rapaz.
Jackson gritou irritado. Levantou-se do sofá onde estava e saiu da garagem sem dizer uma única palavra.
– Se soube-se que hoje não ia reagir de forma agressiva tinha falado com ele… — lamentou-se Jaebum lembrando-se que prometera ajudar Bambam a conquistar o Jackson, mesmo que isso parecesse a ideia mais absurda do mundo.
– Sobre o quê? – Perguntou Yuri, a meia-irmã de Jackson.
– Oh sobre um psicopata que quer mandar uma rapariga por uma ravina dentro de um carro… — Respondeu lunático enquanto tocava uns acordes soltos na guitarra de Youngjae. Ele não acreditava mesmo que o “proprietário” fosse capaz de fazer uma coisa dessas, mas achava um pouco engraçado a forma como ele se declarou ao Jackson e as coisas que ele fazia para lhe chamarem a atenção.
– Han?
JB levanta a cabeça e depara-se com os amigos e a jovem a observarem-no atentamente.
– É um filme! – Pousa a guitarra e levanta-se. – E lembrei-me agora que tenho de ir falar com el… devolver o filme! – Dizendo isto saiu da garagem a correr.
Quando Jaebum encontrou Jackson já era tarde, e estava escuro. Jackson estava numa sala de jogos a jogar playstation, um jogo de luta para ser mais específico. Algumas pessoas estavam à volta dele, alguns para o verem a bater os recordes, e algumas raparigas que conheciam a banda e eram fãs.
– Jackson. – Não se tinha infiltrado por entre as pessoas mas a sua voz confiante e forte conseguiu alcança-lo.
O rapaz afasta-se do jogo acabando por perder e afastando algumas das pessoas para se aproximar de JB.
– Não me olhes assim, só quero falar contigo! – Defende-se Jaebum do olhar ameaçador que Jackson lhe lançava.
“Ambos têm aquele olhar assassino… Onde raio me vim meter!?” Choramingava Jaebum em pensamentos.
Jackson tinha-se sentado numa mesa e feito sinal para que o baterista o imitasse.
– O que queres?
– Vamos primeiro comer qualquer coisa. – Sorriu chamando o empregado.
O empregado chegou mais rápido do que Jaebum estava à espera, queria ter aproveitado aquele tempo para pensar em como iria dizer aquilo.
– Vá, fala. – Resmungou Jackson assim que acabou a bebida. – Se esta espera toda é porque queres que te empreste dinheiro digo-te já que estás com azar. Também estou a zeros.
“É isso!” Pensou Jaebum animado.
– Na verdade era sobre algo parecido. Estamos a precisar de instrumentos novos e eu, como líder da banda, tive uma ideia!
– Que medo… — Suspirou olhando-o de esguelha.
– Só tens de namorar com o proprietário assassino em série! Ele vai-nos dar o dinheiro que quisermos, ele é rico! Tem uma mansão na Tailândia e um monte de guardas.
– Nem penses nisso! – Controlou-se para não explodir naquele momento, afinal estavam num espaço público e conseguia reparar nalgumas miúdas a tirar fotos com os telemóveis, não seria bom se aquilo se espalhasse.
– Estou a falar a sério, ainda agora quando vinha para cá vi um monte de empregados ou guardas ou lá que era à procura dele, acho que não apareceu em casa ou algo assim…
– Não voltou para casa? – O tom da sua voz mudou de irritado para um tanto preocupado. E Jaebum percebeu isso.
– E a culpa é tua!
– Desculpa!?
– Ele pensou que tinhas uma namorada.
– Ele é que apareceu do nada com aquela cara assustadora apática a dizer que me queria e depois desapareceu!
Jaebum sorriu de lado ao obter a resposta que queria.
– Ele disse-me que te andou a seguir para não te pressionar. Tu é que estragaste tudo.
– Ela é minha irmã! Ele que não meta coisas na cabeça porque eu...! – Ia acabar de falar mas acabou por se aperceber do que o amigo estava a fazer.
Jaebum sorriu.
– Nada do que disse foi mentira. Neste momento ele deve estar a tentar disfarçar os olhos vermelhos de tanto chorar, ou então está a atirar-se de uma ponte qualquer… — “ou a contratar um assassino profissional…”
Jackson levantou-se bruscamente de olhos arregalados.
– Hn… Precisamos mesmo do dinheiro não é…? – Jaebum assentiu que sim com a cabeça e sorriu assim que o viu a correr porta fora.
Talvez algo naquele menino estranho tenha mexido com o Jackson namoradeiro.
Continua...
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