Proprietário
26 Baunilha, chocolate ou morango?
Notas iniciais
Os três seguranças da família Bhuwakul seguiram o seu caminho após deixarem a senhora de idade a falar sozinha. Estavam a ser pagos para encontrar o herdeiro da família Bhuwakul, Kunpimook, mais conhecido como Bambam. Um rapaz magro, não muito alto e de cabelos loiros.
Os homens viraram a curva e notaram dois rapazes a beijarem-se, espalmados contra a parede. Um rapaz moreno e forte tapava o outro, só se percebia que também era um rapaz pela fisionomia. O rapaz moreno tinha os cotovelos fortemente apoiados na parede, ao lado do rosto do outro jovem e isso, juntando o chapéu que ele usava, impedia que conseguissem sequer ver a cor do cabelo do rapaz da parede. Mas os homens também não olharam muito para tentarem descobrir. O seu único objectivo era encontrar Bambam e era desconfortável ficar a ver um casal a namorar por isso apenas passaram os olhos levemente nos dois rapazes e logo os ignoraram, seguindo o seu caminho.
Bambam abriu ligeiramente os olhos quando ouviu os passos a afastarem-se, tentou afastar-se um pouco mas Jackson continuava a atacar os seus lábios como se estivessem sozinhos.
– Eles estavam à minha procura… — Murmura Bambam entre os beijos. Sentia as pernas tremerem do nervosismo e não duvidava que se não estivesse encostado à parede e preso por Jackson, já estaria no chão.
– Tem calma, ninguém te reconheceu. — Jackson parou com o beijo faminto e encarou o mais novo carinhosamente, dando-lhe um beijo no nariz assim que acabou de falar.
Bambam sorriu e deixou a cabeça cair no ombro de Jackson, sendo logo abraçado pelo mais velho.
– Podemos ir para casa, agora?
– Ah… claro… — Sorri Jackson um pouco desiludido. — Queres ir descansar, não é…?
Ao ouvir isso, Bambam levanta rapidamente a cabeça e olha o namorado confuso.
– E os nossos planos?
– Tu… — Jackson piscou os olhos e encarou o loiro que começava a ficar vermelho. — Ainda queres…? Certeza…?
– Vamos… — Pediu manhoso. — Eu preciso de ti.
J❦B
O encontro de Mark e Jinyoung começava aos poucos a ficar menos tenso e desconfortável. Junior falou durante a refeição toda conseguindo arrancar algumas risadas de Mark, só nessa altura é que a sua voz parecia querer voltar apesar de continuar presa.
Ainda não tinham entrado em conversas profundas e sentimentais sobre tudo o que se tinha passado ou sobre a relação deles, apenas falavam coisas básicas e Jinyoung contava histórias antigas suas e dos amigos já que era mais fácil ele falar do que Mark escrever. O cantor também o obrigou a chamar-lhe de Yi-En mas apenas resultava à primeira vez que Mark mostrava o caderno, logo Junior esquecia-se e continuava a chama-lo de Mark, até que o cantor desistiu de o tentar corrigir e deixou-o falar.
No fim da refeição, Jinyoung levantou-se da explanada para ir pagar, insistindo também em pagar a conta do Mark dizendo que ele é que o convidara para sair e ele é que pediu a comida. Mark não discutiu o assunto e apenas deixou-o ir, ficando sozinho com a Coco.
Bateu na perna para chamar a cachorrinha e logo começou a brincar com ela, coisa que durou cerca de um segundo porque a sombra de um corpo aproximou-se, fazendo Mark congelar.
– És o Mark, certo? O cantor gay americano que tentou suicidar-se? — Perguntou a dona da sombra. Era uma mulher simples e falava de forma calma, sem maldade, apenas pura curiosidade.
Mark olhou para os lados e viu que todos na esplanada os encaravam. Era irónico como esteve naquele local antes e ninguém o reconhecia, foi preciso aquele escândalo horrível e coberto de mentiras para o seu rosto ficar reconhecido nas ruas. Estava enganado ao pensar que pintar o cabelo iria mudar esse facto.
Levantou-se da cadeira e pegou a trela de Coco, com intenções de ir ter com Jinyoung mas a senhora prendeu-lhe o pulso ao vê-lo ir embora.
– Desculpe se foi rude. Apenas fiquei surpresa por ver uma celebridade por estes lados. — Sorri a senhora, ainda segurando o pulso de Mark.
O cantor tentou agir normalmente perante a mulher que tinha a idade da sua mãe, mas novamente só conseguia ver um cenário escuro e rostos destorcidos a ameaça-lo e ridiculariza-lo. Tentou puxar o pulso para si mas a senhora apertou-o mais.
– Espere! Antes de ir, podia tirar uma fotografia comigo? A minha sobrinha é uma grande fã sua! — Apesar das palavras simpáticas, Mark não as ouviu. Só sentia o seu pulso ser apertado e preso por um desconhecido. Nesse momento, perdeu por completo a noção da realidade. O seu rosto ficou pálido e a respiração pesada e descompassada. — Hey… Mark? Está a sentir-se bem? Mark?!
Com a fala preocupada da mulher e a falta de resposta por parte do cantor, várias pessoas aproximaram-se, tentando ajudar ou perceber o que se passava, ou simplesmente movidas pela curiosidade.
Foi exactamente no meio dessas pessoas que Junior teve que passar para chegar até Mark.
– O que aconteceu?! — Perguntou preocupado, afastando aquela multidão de desconhecidos. Soltou o pulso de Mark da mão da senhora que recuou assustada e preocupada, com medo de ter feito mal ao cantor. Junior puxou Mark para junto de si e tentou com que os seus olhares cruzassem.
Os olhos de Mark ganharam um pouco de foco e encararam o rapaz que lhe agarrava os ombros com olhar preocupado e desesperado. Conseguiu distinguir um ruído de fundo, que eram as vozes das pessoas a explicar o que se tinha passado, mas não percebia o que diziam, apenas conseguia ouvir nitidamente a voz de Junior a chamar o seu nome.
– Jin… — Mark tossiu, tentando forçar a voz a sair. — Jinyoungie…
Junior olhou fundo nos olhos de Mark, mostrando que estava a ouvir. Mark tentou falar mas voltou a tossir com uma careta de dor. Sentiu a mão de Junior acariciar-lhe a bochecha e sorrir encorajadoramente. Mark respirou fundo e voltou a tentar falar.
– Vamos… — Só conseguiu dizer essa palavra mas Jinyoung entendeu bem e não demorou mais para afastar o montante de pessoas. Agarrou na trela de Coco e passou o braço pelos ombros de Mark, mantendo o rapaz tremulo bem junto de si.
Mark deixou-se levar por Junior, recebendo aquela espécie de abraço de bom grado. Era bom sentir-se protegido para variar.
Agora que estavam a andar para longe da esplanada, sentia-se envergonhado por ter causado aquela situação toda desnecessária. Graças a isso, as pessoas já sabiam quem ele era, só esperava que ninguém revelasse a sua localização. Se Junior não tivesse aparecido, não sabia como aquilo poderia ter acabado. Também se sentia grato pelo rapaz não ter questionado nada desde que saíram, apenas estavam a andar pelas ruas e a apreciar a presença um do outro. Mark sorriu com esse pensamento tão calmo e aconchegante. Esticou um braço e contornou a cintura de Junior, retribuindo aquele semi abraço. Sentiu o mais novo estremecer com o toque, talvez assustado, mais ainda sorriu mais quando Junior apertou mais os seus ombros.
– Onde queres ir? — Perguntou o mais novo nesse momento. Evitou propositadamente tocar no assunto da esplanada. Acreditava que o cantor iria falar quando estivesse preparado. Ele não era nenhum idiota para não perceber que Mark estava a ter um ataque de pânico mais cedo. O melhor era não o pressionar.
– Lago. — Respondeu simplesmente.
Junior ergueu uma sobrancelha e olhou para o rapaz. Esse era o seu sítio. O local para onde ia quando queria estar sozinho.
– Porquê?
Mark apenas encolheu os ombros e mostrou um dos seus sorrisos travessos, fazendo Junior sorrir também. Adorava ver Mark com aquele sorriso, parecia uma criança.
– Tudo bem. Que seja o lago!
J❦B
Youngjae estava congelado no local, de olhos arregalados e rosto pálido.
Após o seu pai ter convidado Jaebum para beber, o resto do jantar foi passado num clima pesado e desconfortável. Pelo menos para Youngjae. Os seus pais estavam entretidos a encher Jaebum de perguntas e o rapaz não parecia minimamente incomodado com isso. Apenas Youngjae estava desconfortável. Por momentos, a ideia daquele jantar já não parecia ser tão boa…
Só havia dois homens que Jae amava na vida, o seu pai e Jaebum, e nenhum desses homens sabia beber.
Ele tentou fazer o seu pai mudar de ideias e até chegou a dizer que Jaebum tinha algum compromisso mas o desgraçado do namorado disse logo que estava livre e queria ficar a beber com o senhor Choi. Afinal, depois de todos os mal entendidos, Jaebum queria uma boa relação com os pais do namorado. Não era isso que Youngjae sempre quis?
Com isso, Youngjae tentou um golpe baixo e foi reclamar para a sua mãe, esperando que a mulher reclamasse com o marido e parasse aquele escândalo todo. Mas a senhora apenas ria e dizia que não havia problema nenhum. Youngjae estava a sentir-se perdido. Não sabia mais o que dizer para parar aquilo. Também tentou argumentar que não era nenhuma rapariga inocente a levar o primeiro namorado a casa para passarem por aquilo, mas novamente ninguém o levou a sério.
E ali estava ele agora. Sentado no chão, a ver o seu pai e namorado beberem enquanto falavam. Para animar ainda mais a situação, Youngjae foi proibido de beber, só podia ficar ali sentado de braços cruzados e mau humor a assistir. O seu pai dizia que os homens bêbados diziam as verdades e ele queria que o filho estivesse sóbrio quando confrontasse Jaebum.
Youngjae conteve-se em dizer que já viu o namorado bêbado demasiadas vezes. Era esse pequeno pormenor que o estava a incomodar. O senhor Choi apenas ficava sonolento quando bebia, mas Jaebum…
– Então… Com quantos rapazes já estiveste além do meu filho? — Perguntou o senhor Choi, começando finalmente com o questionário pois ambos já estavam demasiado alegres. Se bem que o senhor quase que adormecia em cima da mesa.
– Só namorei com o JaeJae. — Diz sorridente, orgulhoso de si mesmo por poder dizer a verdade.
Youngjae revirou os olhos pela alcunha ridícula que sempre ganhava quando o namorado bebia de mais.
– E só beijas-te o meu Youngjae?
– Pai! — Reclama o rapaz em questão, escandalizado com as perguntas.
– É uma pergunta inocente… — Defende-se o senhor, tentando manter os olhos abertos.
– Eu não sei… JaeJae? Quantos rapazes já beijei? — Pergunta Jaebum com um rosto confuso.
– Dezassete. — Responde o mais novo amuado.
– O QUÊ!? — Grita o senhor, deixando entornar o copo de bebida, mas não se importando com isso.
– Ele fica carente quando bebe. — Responde Youngjae encolhendo os ombros. Não que essa situação não lhe incomodasse, mas para amenizar as coisas, Jaebum chamava todos de Youngjae antes de os beijar e isso de certa forma era reconfortante.
– Certo… e o que mais gostas no meu filho?
– Das pernas! Quando ele usa calças justas… — Respondeu começando a rir enquanto mordia o lábio inferior.
Youngjae levou a mão à testa pedindo paciência e que o seu pai não se lembrasse deste “questionário” desastroso na manhã seguinte. Agradecia mentalmente por a sua mãe ter demasiado amor aos Doramas e não querer perder os episódios a ver esta cena desastrosa. A noite prometia ser longa.
J❦B
– Não consigo escolher! — Reclamou a futura noiva enquanto olhava furiosamente para as fatias de bolo de casamento, como se elas fossem as culpadas.
Yuri e Yugyeom estavam numa confeitaria a provar bolos para achar o ideal para servirem no dia do casamento. Yugyeom dizia que gostava de todos mas Yuri rapidamente reduziu a enorme lista a três, todos de sabores diferentes: morango, chocolate e baunilha.
Nesse momento a rapariga estava a gritar para as fatias de bolo. Tinha escolhido aqueles três argumentando que condiziam com o seu vestido e tinham um sabor clássico e elegante, tal como ela queria. Mas após isso, não conseguia decidir mais.
– Por amor de deus larga esse telemóvel e ajuda-me! — Implorou Yuri puxando o casaco do noivo.
– Estou a falar com o advogado… — Defendeu-se mas obedeceu à mesma. Havia tempo para tudo.
– Podes perguntar ao advogado qual sabor ele prefere! — Sugere animada. Yugyeom apenas encara a rapariga com um enorme sorriso. — Ou…! Podemos ligar ao Jackson e ao Bambam!
Yugyeom faz uma cara pensativa, aquilo não lhe parecia certo… Eles estavam sozinhos, talvez estivessem “ocupados”.
– Yuri, eu acho melhor… — Tentou chama-la mas a rapariga já tinha o telemóvel encostado ao ouvido.
– Tanto tempo para atender… — Resmunga para o ar.
Finalmente a chamada é finalizada, sem ninguém ter atendido.
– Eles devem estar…
– Vou ligar ao Bambam! — Interrompe o noivo animada, marcando logo o número.
Yugyeom volta a olhar para as fatias de bolo, enquanto ninguém atendia o telefone.
– Eu acho que prefiro o de baunilha, sabes. Não precisamos de os estar a incomodar…
– Bambam! — Gritou Yuri, interrompendo novamente Yugyeom. O jovem apenas revira os olhos e volta a trocar mensagens com o advogado. — Jackson? Porque estás a atender o telefone do Bambam…? Hey! Não grites comigo, rapazinho!
“Diz de uma vez o que queres! Estamos ocupados!” Resmunga Jackson ofegante do outro lado da linha.
– Não quero falar contigo, rabugento! Passa ao Bambam! — Ordenou.
Ouviu algum barulho e vozes de fundo até finalmente o telefone chegar ao rapaz loiro.
“Não desligues! Pode ser importante!” Dizia Bambam para Jackson do outro lado da linha, igualmente ofegante, como se tivesse acabado de correr a maratona. “O que se passa?”
– Preciso de ajuda para decidir o sabor do bolo de casamento! Preferes… — Yuri interrompeu a fala e arregalou os olhos a ouvi um gemido acompanhado do barulho das molas do colação a rangerem.
“Sim… Ah… Yuri? Estavas a dizer…?”
A jovem ficou completamente vermelha sem saber bem o que dizer. Yugyeom apenas ria da situação com um semblante que dizia claramente “eu tentei avisar”.
“Jackie! Espera…” Pediu Bambam com voz fraca.
– Baunilha, chocolate ou morango? — Perguntou rapidamente, desejando encerrar logo a chamada.
Ainda ouviu mais alguns ruídos que certamente lhe iriam invadir a mente nos seus pesadelos até finalmente Bambam responder com um grito agudo e encerrar logo a ligação.
“CHOCOLATE!”
Yugyeom gargalhou ainda mais alto. Certamente tinha ouvido a última parte e nada era melhor que a reação chocada da rapariga.
– Vou ter pesadelos para o resto da vida… — Dizia em estado choque, ainda com o telemóvel encostado ao ouvido. — Nunca mais vou olhara para chocolate da mesma maneira…
– Eu prefiro gritar “Yuri”, mas “chocolate” também é uma opção válida no momento do orgasmo. — Ria-se Yugyeom. Yuri estava tão chocada que nem protestou das palavras rudes do noivo.
– Vamos levar o de baunilha… — Disse a jovem em modo automático, com os olhos fixos nalgum ponto aleatório.
Yugyeom riu uma última vez antes de abraçar a amada e beijar-lhe o topo da cabeça.
– Eu depois ajudo-te a vingar-te deles. — Diz Yugyeom calmamente. Bastou essas palavras para a rapariga abrir os olhos brilhantes e um enorme sorriso antes de saltar para o pescoço do noivo e o beijar apaixonadamente. Yugyeom sabia bem controlar a criança que tinha.
Nesse momento, duas das empregadas que os estavam a ajudar a escolher o bolo perfeito chegam, com uns catálogos de bolos decorados nas mãos.
– É tão bonito ver um casal jovem beijar-se quando escolhem o bolo ideal! — Sorri uma das empregadas.
J❦B
Junior sentou-se à beira do lago, no local exacto onde sempre ficava. Sentar-se ali era um sentimento nostálgico e um pouco triste e solitário, pois sempre que lá ia era porque estava chateado com alguma coisa e aquele local só tinha memórias tristes para si. Antes que um semblante negro se apoderasse das suas feições, Mark sentou-se ao seu lado e deitou a cabeça nas suas pernas, ficando a encarar o lago.
– Que estás a fazer? — Sorriu Jinyoung, começando a acariciar-lhe os cabelos. Mark fechou os olhos e sorriu ao receber o carinho.
– Aproveitar o nosso encontro. — Respondeu rouco sem abrir os olhos ou desfazer o sorriso.
– Isso quer dizer que estou perdoado, não é? — Perguntou a medo. Por muito que quisesse evitar, eles precisavam de falar para aquele clima estranho desaparecer.
Mark manteve-se de olhos fechados mas já não tinha um sorriso tão brilhante no rosto.
– Não sei… Quem me garante que não vais fugir outra vez quando eu achar que as coisas estão bem…? — Após falar, tossiu um bocado, mas manteve os olhos fortemente fechados, como se tivesse medo que ao abri-los Junior desaparecesse.
Jinyoung não respondeu com palavras mas agarrou a mão de Mark e entrelaçou os dedos, apertando fortemente. O rapaz loiro abriu os olhos e observou atentamente as mãos entrelaçadas.
– E se eu me cansar de te segurar? Só a minha mão é que te ia prender? — Para reforçar as suas palavras, deixa a mão cair morta ao lado do seu corpo, separando-se da mão de Junior.
– Não… Se tu te cansares eu seguro-te. — Voltou a agarrar a mão de Mark, prendendo-o mesmo que o cantor deixasse a sua mão morta.
Mark ficou calado a olhar para as mãos dadas durante um momento e logo olhou para Jinyoung que parecia entretido a acariciar a sua mão e a estuda-la atentamente como se fosse um objecto raro.
– Não me posso cansar de alguém que me defendeu do mundo inteiro… — Murmura Mark, retribuindo finalmente o aperto da mão.
Junior sorri alegremente fazendo como que os seus olhos formem uma linha curva.
– E eu não posso largar alguém que se declarou para mim ao mundo inteiro! — Com isso Mark ficou vermelho e desviou ligeiramente o olhar. — Posso-te beijar? — Pergunta bastante sério.
Mark senta-se de repente, sem soltar as mãos e olha para Coco que dormia ao seu lado.
– Não podes dizer as coisas assim! — Reclama vermelho. Teria gritado se a sua voz não continuasse fraca.
– És o único rapaz que eu beijei… — Defende-se amuado. — Então ensina-me como se faz!
Mark encara o rapaz que o olhava com expectativa. Junior mexesse tentando ficar confortavelmente sentado e estiva os lábios, esperando pelo rapaz.
– Assim não dá! — Risse empurrando levemente o ombro de Jinyoung para ele se afastar um pouco. O guitarrista fez um ar amuado e voltou para o seu lugar, mais afastado de Mark. O cantor sorriu com isso e puxou o braço desprevenido de Junior, trazendo o corpo do rapaz para perto novamente e fazendo com que as suas bocas se chocassem violentamente.
Junior tinha-se assustado com a brusquidão repentina, principalmente por achar que não iria ter o seu beijo naquele momento. Isso fez com que a sua boca estivesse aberta em choque no momento em que os lábios de Mark o encontraram, claro que o cantor se aproveitou desse facto, mantendo o ritmo agressivo. Jinyoung não conseguiu pensar em nada no momento em que a língua alheia o preencheu. Só tinha sido beijado uma vez por um rapaz, por Mark mais precisamente, e esse beijo tinha sido um simples encostar de lábios. Nunca tinha experimentado nada tão violento até mesmo com as raparigas que já tinha saído, elas gostavam sempre de coisas calmas. Definitivamente os beijos agressivos de Mark eram melhores que todas essas raparigas juntas.
Mark finalmente afastou-se e sorriu ao ter que segurar os ombros de um abobado Jinyoung que nem tinha mais controlo pelo próprio corpo.
– Transformaste-me numa gelatina… — Murmurou com os lábios inchados e vermelhos, piscando repetidas vezes os olhos, tentando voltar a si.
– Isso é mau? — Pergunta sorridente, ainda a segurar os ombros de Junior para ele não cair.
– Preciso de me acostumar a isto…
– Queres te acostumar? — Pergunta com cuidado.
Jinyoung demora um pouco a perceber o verdadeiro significado da pergunta mas quando percebe, estica os braços e puxa Mark para cima de si, fazendo com que caíssem os dois deitados na relva fofa.
– Já disse que não te vou deixar ir! Se a minha mão não chega para te prender eu uso o corpo todo! — Para reforçar as suas palavras, abraça fortemente o pescoço do rapaz com os braços e as pernas com as suas próprias.
Mark sorri e afasta um pouco o aperto de Jinyoung para voltar a atacar os lábios do rapaz. Tal como acontecera à pouco, o corpo de Junior deixou de ter forças e tanto as suas pernas como os seus braços afrouxaram o aperto e foram caindo. Mark não conseguiu evitar rir a meio do beijo ao perceber o estado dormente em que deixava o rapaz e Jinyoung conseguiu nesse momento, pelo menos, voltar a abraçar o pescoço do rapaz.
Continua...
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