Proprietário
24 Passeio em família
Notas iniciais
Jaebum tinha um sorriso tímido e ao mesmo tempo desconfortável. Nunca tinha andado de mãos dadas na rua com Youngjae com medo que alguém visse e, como acontecia em todas as pequenas aldeias, fosse contar a toda a gente. O problema não era só Junior, era os pais de Youngjae. JB não sabia porquê mas os pais do namorado sempre o odiaram. Mas quando diz “odiar” é odiar de verdade. Uma vez, quando Youngjae adoeceu e não pode ir à escola, Jaebum tentou visita-lo com alguns amigos e todos poderão entrar menos ele. Nessa altura já namorava com Youngjae e foi doloroso para si não ser autorizado a ver o namorado quando ele estava doente e a precisar do seu carinho. Até lhe tinha comprado os mangás que ele tanto gostava de ler…
Por causa disso, não conseguia estar completamente relaxado naquele encontro. Estava sempre a olhar para os lados, para ter a certeza que ninguém os via. Quando uma velhinha passou por eles, Jaebum soltou bruscamente a mão de Jae e olhou para o lado mas o rapaz logo o repreendeu e voltou a puxa-lo para junto de si.
O mais velho percebia perfeitamente o lado de Youngjae. Ele próprio gostava de ter alguns momentos “normais” com ele. Mas tinha mesmo muito medo que os país dele interferissem e os obrigassem a afastar-se.
– Chegamos! — Avisou Youngjae sorridente.
Jaebum arregalou os olhos para o local. Estavam à porta da casa de Youngjae.
– Pensei que quisesses um encontro “normal” e não ir logo para a cama… — Disse confuso mas um pontapé forte na canela fê-lo calar-se.
– Não penses coisas! Vamos jantar com os meus pais.
O mais velho afastou-se bruscamente de Youngjae como se ele tivesse anunciado que tinha uma doença contagiosa. Olhou-o com um olhar assombrado durante algum tempo e Youngjae só conseguiu cruzar os braços e devolver o olhar desafiante.
– Vais mesmo fugir? — Questionou serio e com uma pontada de desilusão na voz.
JB olhou para a casa do namorado durante alguns segundos. As luzes da janela estavam acesas indicando que os pais do rapaz estavam lá.
– E-Eles vão ficar chateados se apareceres com visitas para jantar e não avisares… — Disse tentando fazer o rapaz mudar de ideias.
Jae sorriu de lado com um olhar matreiro.
– Eu mandei uma mensagem à minha mãe quando vínhamos para aqui a dizer que lhes queria apresentar o meu namorado hoje ao jantar.
– Tu o quê!? — Gritou baixinho com uma voz aguda. Não queria gritar alto e correr o risco dos pais do rapaz aparecerem.
– Vamos Bummie… Não me vais deixar entrar sozinho, né? — Pediu com voz manhosa e cara de cachorrinho abandonado.
Jaebum rangeu os dentes irritado. Odiava quando Youngjae fazia aquilo. Sabia que se fosse embora agora o mais provável era perder o namorado e ele não queria isso. Olhou mais uma vez para Youngjae que ainda tinha um beicinho e enormes olhos pedintes. Suspirou fundo e voltou a aproximar-se do rapaz um pouco a medo.
– Sabes que eles nem me vão deixar entrar, certo? — Murmurou olhando para o chão enquanto Jae avançava e tocava na campainha sem hesitar.
– Eu não vou deixar. Temos que esclarecer isto tudo.
– Esclarecer o quê?
Antes de Youngjae responder, a porta foi aberta.
J❦B
Jackson e Bambam não tinham andado muito. Mesmo que o loiro negasse, o seu pé ainda doía e já estava há demasiado tempo de pé. Acabaram por ficar sentados em frente ao lago a conversar. O tempo foi passando e com isso a conversa dos rapazes acabou dando lugar a algo mais intenso.
– Aaah! Jackson! — Gemeu Bambam com a respiração pesada.
– Estou a magoar-te? — Perguntou calmamente mas com um enorme sorriso, enquanto beijava os ombros nus do rapaz.
– Um pouco… — Respondeu enquanto esticava o pescoço para o namorado ter mais acesso ao local.
Jackson sorriu provocadoramente contra a pele do rapaz e fez mais pressão no corpo do mais novo, fazendo-o gritar.
– Isso dói!
– Logo fica bom!
– Hun… Jackie… — Chamava manhoso, rodando o pescoço para encarar o namorado.
– Hn? — Perguntou sem parar de beijar o pescoço e ombros do rapaz.
Bambam esticou-se como pode para roubar um beijo intenso ao namorado. Jackson retribuiu à altura mas a posição em que se encontravam não facilitava o movimento e logo Bambam afastou-se.
– Ahh! — Gemeu curvando as costas e voltando à posição inicial. — Aí mesmo! Isso…
Jackson sorriu de lado e voltou a fazer pressão naquele lugar enquanto tinha a voz arrastada do namorado como banda sonora.
– Jackie… Já não me doí. — Avisou o loiro mexendo-se desconfortável.
Jackson riu alto e tirou as mãos dos ombros nus de Bambam. Rodeou a cintura do namorado e puxou para junto de si, abraçando-o carinhosamente.
– Eu disse que era um excelente massagista! — Riu orgulhoso.
– Foi a massagem mais dolorosa que recebi na vida… — Murmurou, encostando a cabeça ao ombro de Jackson.
– Hey! — Resmungou indignado. — Já não tens os músculos presos, pois não? Resultou! Não tenho culpa que doa para desprender os músculos! Mas se queres saber… — Continuou, baixando o tom de voz e enterrando a cabeça no ombro do rapaz, fazendo com o que os corpos ficassem bem próximos. — Foi a massagem mais erótica que já dei… A partir de hoje estás proibido de deixar que outras pessoas te dêem massagens sem ser eu!
Bambam estava sentado entre as pernas de Jackson e a sua camisola estava ao lado do corpo do chinês. Fora obrigado a tira-la porque, segundo Jackson, a massagem não fazia efeito por cima do tecido da roupa. Mas agora, Bambam só sentia frio e estava estranhamente desconfortável por estar a ser abraçado naquele momento, na rua, em frente ao lago, onde qualquer um poderia ver.
– Posso-me vestir agora…?
– Acho que não. — Disse Jackson sério, abraçando ainda mais o rapaz e passando as mãos pelo tronco nu do mesmo, causando arrepios no loiro.
Bambam assustou-se com o toque repentino e encolheu-se um pouco arrepiado contra o corpo de Jackson, arregalando os olhos logo de seguida ao sentir algo duro bater-lhe no fim das costas.
– Ja-Jackson…?
O baixista percebeu o que estava a incomodar o menor e riu com isso.
– A culpa é tua.
– Po-Porquê!? O que eu fiz?
– Ficas-te a gemer daquela maneira enquanto eu te fazia a massagem nos ombros! — Risse mais ao ver o namorado ficar completamente envergonhado.
Bambam tentou agarrar a camisola para se vestir mas Jackson voltou a abraça-lo mais forte. Beijou-lhe a bochecha carinhosamente enquanto os seus dedos faziam um trajeto imaginário pela barriga lisa e ainda um pouco magoada do loiro.
– Ja-Jackson…
– Só estamos aqui nós, não te preocupes. — Interrompeu.
– Mas… Jackson…
– Não estamos a fazer nada de mal, relaxa. — Interrompe novamente.
Bambam virou-se no abraço para ficar deitado em cima da barriga de Jackson. Tinha o rosto muito vermelho enquanto observava os olhos negros de Jackson.
– Jackie… — Chamou manhoso, aproximando-se do ouvido do outro. — Vamos para casa…
O chinês arregalou os olhos após ouvir o pedido nada inocente do namorado. Só voltou a ter reação quando o seu menino juntou o seu quadril à perna do mais velho, mostrando que precisava, mesmo, de ir para casa.
Jackson levantou-se rapidamente sorridente. Entregou a camisola a Bambam e nem esperou que ele se vestisse direito para o puxar por uma mão, o mais rápido que o pé de Bambam aguentava andar. Ao contrário do baixista, Bambam estava muito envergonhado por ter dito e feito aquelas coisas, mas não conseguia imaginar melhor altura para isso. Apenas seguiu o caminho com Jackson, mantendo o rosto baixo e vermelho mas com um pequeno sorriso.
J❦B
– Onde queres ir? — Perguntou Junior timidamente, sem desviar os olhos das mãos dadas.
Mark encolheu os ombros e sorriu minimamente. Estava a fechar a porta de casa quando Coco saiu do local com a trela na boca a abanar a cauda. O mais velho olhou para Junior divertido e colocou a trela na cachorrinha, decidido a leva-la consigo.
– A nossa Coco é tão esperta! — Exclama Jinyoung divertido enquanto acaricia a cabecinha do animal. — Vai ser um passeio em família então! — Sorriu abertamente mas logo ficou envergonhado. Já não tinha esse tipo de à vontade com Mark para fazer piadas dessas.
Mark também ficou um pouco incomodado com o comentário mas começou logo a andar puxando a trela de Coco com uma mão e a mão de Jinyoung com a outra.
Andaram um pouco sem rumo pelas ruas num silêncio constrangedor. Junior não conseguia pensar em nada para dizer. Na verdade, o rapaz não estava a pensar de todo. Sentia a cabeça estranhamente vazia e culpava a mão quente de Mark por isso.
Após andarem um bocado, o estômago de Jinyoung fez barulho dando sinais de fome, o que fez o rapaz congelar no local enquanto rodeava a barriga com os braços envergonhado. Yi-En riu da situação e um pouco da sua voz arranhada conseguiu ouvir-se. Antes que Junior pudesse dizer alguma coisa, sentiu a sua mão ser arrastada para a esplanada de um café.
– Onde vamos? Tens fome?
Yi-En revirou os olhos e riu. “O teu estômago é que está a roncar e eu é que tenho fome?”
Não demorou muito para um empregado os atender e recolher os pedidos. Jinyoung não hesitou em pedir bastante comida para si. Perguntou o que Mark queria mas ele apenas negou com a cabeça, porém Junior não ligou ao que ele disse e pediu um prato igual ao seu e um chá quente, frisando que era bom para a voz do rapaz.
Mark sorriu com o tom de preocupação na voz de Junior quando ele começou a falar sobre a sua voz, ou neste caso, a falta dela.
J❦B
– Youngjae. — Cumprimentou o homem sério. Com um olhar mortal sobre Jaebum.
O líder da banda tentou não baixar o olhar e controlou-se para não se esconder atrás do rapaz, apesar de apertar fortemente a sua mão. O seu rosto estava pálido e sentia que ia desmaiar de medo a qualquer momento.
– Oi pai! — Respondeu descontraído, com o seu enorme sorriso. — Já conheces o Jaebum. — O homem apenas fez um olhar raivoso para JB enquanto o mesmo se apresentava formalmente com uma vénia e voz formal.
Youngjae quase que tinha vontade de rir da situação se não fosse tão trágica. Antes que o seu pai pudesse dizer mais alguma coisa, puxou a mão do namorado para dentro de casa. Descalçaram-se na entrada e seguiram para a cozinha onde a senhora Choi preparava o jantar.
– Mãe! — Chamou Youngjae, ainda mantendo o enorme sorriso. — Trouxe companhia.
A senhora que estava a lavar loiça virou-se para encarar o filho e o namorado dele com um enorme sorriso. Porém, ao ver quem era o rapaz deixou que o prato que lavava caísse das suas mãos e se partisse no chão. A senhora estava quase tão branca quanto Jaebum, muito diferentes do senhor Choi que tinha o rosto vermelho de raiva.
Youngjae sorriu sem graça, tentando manter o ambiente tranquilo. Já mal sentia a sua mão devido a força com que Jaebum apertava, mas não o podia censurar por isso. Afinal, a culpa daquele ódio todo sem sentido era dele.
– E se fossemos jantar e conversar sobre tudo? Tenho uma coisa que vos preciso de contar…
J❦B
Junior acabou de comer a sua imensidão de comida feliz. Ainda conseguiu dar alguma coisa para Coco comer, apesar de ter recebido uma ameaça escrita de Mark para não dar comida humana ao animal.
– Mas ela gosta! Olha aqueles olhinhoooos! — Exclamou Jinyoung a olhar para a cachorrinha.
Mark puxou-lhe o rosto pelo queixo, fazendo com que Junior olhasse para o seu rosto e para o caderno que estava a frente de si.
“Se não olhares para ela não te sentes tentado a dar comida”
Junior olhou fundo para os olhos de Mark. Já não conseguia ver rancor ou ódio neles, mas também não sabia o que via. Engoliu em seco e desviou o olhar, fintando a sua comida. Não demorou muito para sentir Coco a chamar-lhe com uma patinha e voltou a olhar para ela. Olhou apenas por alguns segundos pois teve logo o seu rosto puxado novamente por Mark. Agora o rapaz tinha as duas mãos sobre as bochechas de Junior.
Mark não teve tempo de escrever nada mas tentou soletrar o que queria dizer e pelo rosto corado que o outro fez, percebeu a mensagem.
“Não me obrigues a ficar assim contigo a noite toda.”
Jinyoung tinha percebido muito bem a mensagem. O problema agora era que não conseguia parar de olhar para os lábios do rapaz. Na sua cabeça, dizia que esperava que ele voltasse a falar e não queria perder nenhuma palavra, mas o seu subconsciente sabia muito bem porque os seus olhos não largavam aquele local.
Mark também reparou no estado hipnotizado de Jinyoung. Ele próprio também estava a lutar contra o íman que o puxava para junto do rapaz. Sentia as bochechas de Junior quentes e isso aquecia-lhe as mãos e o coração. Os seus rostos estavam cada vez mas próximos mas Mark resistia o máximo que podia. Não queria ser magoado outra vez.
Os lábios de Junior rasparam levemente na boca de Mark mas o contacto não passou daí pois Mark baixou a cabeça de Jinyoung e beijou-lhe a testa demoradamente. Tentava acalmar o seu coração agitado e respiração descompassada. Esperava ganhar algum tempo com isso e felizmente conseguiu. Quando se afastou e soltou o rosto do mais novo, Jinyoung nem mexeu a cabeça. Tinha os olhos ligeiramente arregalados presos na mesa, num olhar distante.
Mark escreveu rápido no caderno e fingiu tossir para chamar a atenção do mais novo e entregar-lhe o caderno.
“Não lhe dês mais comida de pessoas.”
– Isso foi uma ameaça? — Perguntou ainda meio atordoado. Agora que as coisas estavam a resolver-se, não queria mostrar parte fraca novamente. Não ia deixar que Mark o provocasse como queria e bem entendia.
“Talvez.” Escreveu Mark com um enorme sorriso que poderia ser considerado maquiavélico.
J❦B
Bambam tentava acompanhar os passos apressados do namorado mas no final teve que lhe pedir para irem mais devagar. Jackson olhou-o preocupado e colocou o braço do loiro sobre os seus ombros, para ajuda-lo a andar melhor.
– Desculpa… — Pediu um pouco embaraçado pela sua atitude. Estava a pensar com a cabeça de baixo quando começou a correr desesperado.
Bambam sorriu e beijou-lhe a bochecha para logo continuarem a andar.
Trocavam olhares melosos e sorrisos enquanto andavam mas ao ouvirem umas vozes Bambam parou completamente de andar e o seu rosto congelou, ficando inexpressivo.
– Bambam? O que…? — Antes que Jackson acabasse a frase, Bambam tapou-lhe a boca com a mão e puxou o rapaz contra a parede. Jackson olhou confuso mas logo sorriu maliciosamente. No entanto, esse sorriso também desapareceu ao ouvir as mesmas vozes que Bambam.
– Tem a certeza que era este rapaz? — Perguntou um voz grave de homem, sem expressividade nenhuma.
– Mas é claro que sim! É difícil confundir um rapaz com essa cor de cabelo por aqui, sabe? Ele estava com mais três rapazes. — Dizia uma voz feminina. Aparentava ser uma senhora de idade pela tom.
– Muito obriga…
– Aquele grupo de rapazes só traz confusões para este aldeia. — Interrompeu a senhora. — Eles têm uma banda e quando fazem festas é uma barulheira desgraçada até de madrugada!
– Entend…
– E além disso andam sempre bêbados pelas ruas! — Continuou a senhora. — São umas pragas! Não me admirava nada que tivessem um gangue e também andassem metidos na droga, sabe? — O senhor ia voltar a falar mas a senhora foi mais rápida. — É melhor recuperarem esse loirinho rápido antes que ele se junte ao gangue!
Finalmente o senhor conseguiu agradecer e afastar-se da senhora que ainda ficou a reclamar para o ar. Bambam espreitou a curva e pode ver que afinal eram três homens. Mas não eram homens quaisqueres. Eram três dos seguranças da sua família, ele conhecia-os muito bem e vice-versa.
– Eles vêm para aqui… — Sussurrou em pânico, sem desprender o olhar do local.
Jackson não pensou duas vezes para tirar o seu precioso boné da cabeça e colocar em Bambam. Assim que os passos se tornaram mais próximos, Jackson empurrou Bambam contra a parede e colocou-se sobre ele beijando-o.
J❦B
Youngjae ajudou a mãe a apanhar o prato partido e guiou todos para a sala de jantar onde a mesa já estava posta e pronta para o jantar. A senhora Choi levou a comida para a mesa espalhando o cheiro caseiro pelo caminho e abrindo o apetite de todos.
Quando se sentaram e iam começando a comer normalmente, o senhor Choi não aguentou mais aquele clima e gritou, batendo com as mãos na mesa.
– Mas o que significa isto tudo, Choi Youngjae! O que este rapaz está aqui a fazer?!
– Eu avisei que vos queria apresentar o meu namorado. — Responde calmamente. Por baixo da mesa, Jaebum apertava a perna do namorado, sempre que o pai do mesmo o olhava agressivamente.
– Isto é alguma brincadeira? — Pergunta a senhora Choi tentando manter-se calma.
– Não. Na verdade… — Youngjae olhou para o prato com comida à sua frente. — Há uma coisa que eu preciso de vos contar… Uma história que aconteceu há uns anos.
Continua...
Fale com o autor